A Linha Leste (Central–Chico da Silva ↔ Papicu), também chamada de Linha 4 - Amarela, será uma das linhas do Metrô de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, na Região Nordeste do Brasil, planejada pela Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor).

Atualmente em construção, por meio da Secretaria de Infraestrutura do Estado do Ceará (Seinfra), a nova linha concentra suas obras no primeiro trecho do projeto, de 7,3 quilômetros de extensão, que interligará o Centro da cidade de Fortaleza ao bairro Papicu na zona leste da capital, em um percurso totalmente subterrâneo.

O primeiro trecho compreende a ampliação da estação Central–Chico da Silva, onde será realizada a integração com a Linha Sul do metrô, e a construção de outras seis novas estações: Sé, Colégio Militar, Luiza Távora, Nunes Valente, Leonardo Mota e Papicu. O projeto também abarca a construção de uma estação de superfície ao lado da estação Chico da Silva, denominada Tirol-Moura Brasil, com o objetivo de substituir a atual estação Moura Brasil como ponto final da Linha Oeste, uma linha atualmente em operação, composta por VLTs (Veículo Leve sobre Trilhos) movidos a diesel, que realiza a ligação entre a cidade de Fortaleza e o município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

A primeira fase do empreendimento, após concluída, terá capacidade para transportar até 150 mil passageiros por dia. O tempo de viagem entre o Centro e o Papicu será de 15 minutos.

A ideia do projeto é garantir a integração da Linha Leste com as Linha Sul e Linha Oeste, no Centro de Fortaleza, e com a Linha Nordeste e o terminal de ônibus urbano no bairro Papicu. Para a conclusão deste trecho, foram disponibilizados cerca de R$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 660 milhões do Governo Federal, além de R$ 186 milhões do Tesouro Estadual do Ceará.

A previsão é de que todo o primeiro trecho seja concluído em 2028.

Histórico

Antecedentes e projeto No início da década de 2000, o Governo do Estado do Ceará, demandado por setores da sociedade, promoveu discussão interna entre suas secretarias, com o objetivo de proporcionar soluções de transporte público eficiente, tendo em vista os problemas de mobilidade urbana da cidade de Fortaleza, em particular a ligação Leste-Oeste.

Os trabalhos realizados pelos diferentes setores do Governo do Estado do Ceará, após pesquisas sobre diferentes tipos de modais de transporte, chegaram a conclusão que a demanda projetada entre a região central de Fortaleza e o eixo da Avenida Washington Soares, na Zona Leste da capital, exigia um sistema de alta capacidade.

Deste modo, em 2003, o Consórcio Ernst & Young e AP Engenheiros Consultores, desenvolveram estudos de 18 alternativas de traçado entre o Centro de Fortaleza e o bairro Edson Queiroz para o modal metrô.

No ano de 2009, a Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos contratou um estudo de viabilidade para a Linha Leste. O estudo, realizado pela MWH Engenharia, contemplou quatro importantes etapas para o desenvolvimento do projeto: caracterização legal socioeconômico e operacional da obra, elaboração do projeto operacional, levantamento da viabilidade econômica do empreendimento e equacionamento financeiro do projeto.

O projeto escolhido e estudado pela MWH Engenharia previa uma linha totalmente subterrânea, utilizando o eixo das avenidas Santos Dumont e Washington Soares, passando pelo terminal de ônibus urbano do Papicu. Doze estações foram planejadas em um percurso total de 12,4 quilômetros, entre elas a estação Central–Chico da Silva, estação pertencente a Linha Sul que seria ampliada, e a construção das outras onze estações: Sé, Colégio Militar, Luiza Távora, Nunes Valente, Leonardo Mota, Papicu, HGF, Cidade 2000, Bárbara de Alencar, Centro de Eventos e Edson Queiroz. Uma decima terceira estação foi planejada, denominada Tirol, estação de superfície localizada a oeste da estação Central–Chico da Silva, projetada com o objetivo de integrar as linhas Oeste e Leste.

Como consequência do resultado apontado pelo Estudo de Viabilidade, em setembro de 2010 foi dado a ordem de serviço pelo Governo Cearense para o inicio do Projeto Básico da Linha Leste.

Na época se almejava conseguir recursos aproveitando a liberação do Governo Federal para obras em cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em maio de 2013 houve a abertura da licitação para a escolha da empresa ou consorcio responsável pela obra. A Linha Leste integrava, naquele ano, o Programa “Mobilidade Grandes Cidades”, do Governo Federal, que garantiu recursos da ordem de R$ 2 bilhões para a obra, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento Geral da União e R$ 1 bilhão financiados pela Caixa Econômica Federal. O Governo do Estado do Ceará entraria com pouco mais de R$ 1 bilhão de contrapartida. Esses recursos estaduais também seriam usados para projetos, administração de obra, desapropriações e remoção de interferências.

Na oportunidade, um total de treze empresas, reunidas em cinco consórcios, apresentaram suas propostas para as obras de implantação da linha. Entregaram os documentos de habilitação e as propostas comerciais os seguintes consórcios: Cetenco–Acciona (Cetenco Engenharia e Acciona Infraestructura); Construcap–Copasa-Linha Leste (Construcap CCPS Engenharia e Comercio e Sociedad Anonima de Obras y Servicios – Copasa); Mendes Júnior–Soares da Costa–Isolux (Mendes Júnior Trading e Engenharia , Sociedade de Construções Soares da Costa S.A do Brasil e Isolux Projetos e Instalações); Consórcio Metrofor (Construtora Andrade Gutierrez, Construtora Norberto Odebrecht Brasil e Serveng Civilsan–Empresas Associadas e Engenharia); e Mobilidade Urbana (Construções e Comércio Camargo Corrêa, Construtora Queiroz Galvão e Construtora Marquise).

O consórcio vencedor, constituído pela empresa espanhola de construção e infraestrutura Acciona, junto à brasileira de engenharia Cetenco, foi anunciado no segundo semestre de 2013, após oferecer o menor preço, de R$ 2,25 bilhões, para a construção da Linha Leste.

Início das obras e paralisação No dia 28 de agosto de 2013, chegaram ao Porto do Pecém, no navio Spring Canary, as duas primeiras tuneladoras adquiridas pelo Governo do Estado do Ceará, provenientes da cidade de Xangai (China), onde foram realizados os testes em fábrica numa das unidades da empresa The Robbins Company, vencedora da licitação para o fornecimento de quatro máquinas tuneladoras para a implantação da nova linha metroviária. Os dois equipamentos, divididos em 33 partes cada um, totalizado 66 peças, foram transportados e em seguida armazenados numa área de 16 mil metros, em área próxima ao espaço reservado para a implantação do emboque (túnel para a entrada das tuneladoras), nas proximidades da estação Chico da Silva, no Centro da Cidade.

O contrato para as obras civis da nova linha do Metrô de Fortaleza foi assinado no dia 11 de outubro de 2013, pelo então Governador do Estado do Ceará, Cid Gomes. No ato, o então governador informou que o Governo aguardava a liberação da licença de instalação para assinar a ordem de serviço da obra. Essa nova assinatura, da ordem de serviço para a construção da Linha Leste, ocorreu no dia 22 de novembro de 2013, assinada pela então Presidente da República do Brasil, Dilma Rousseff, ao lado de outras autoridades.

Ao final do mês de janeiro de 2014 as obras da Linha Leste enfim tiveram início, com a implantação da estrutura de contenção para instalação das tuneladoras, no canteiro ao lado da Estação Central-Chico da Silva. Após a estrutura de contenção, foi iniciada a escavação de uma vala a céu aberto, objetivando dar sustentação para a instalação da tuneladora.

Para a instalação desse canteiro, e consequente início das obras, foi necessário desativar a histórica Estação Ferroviária João Felipe, após 141 anos exercendo sua função, no dia 13 de janeiro de 2014. Em seus últimos anos, a antiga estação ferroviária funcionou como ponto final da Linha Oeste. Após o encerramento de suas atividades, a função de estação terminal da Linha Oeste foi transferida para a Estação Moura Brasil. A histórica edificação da Estação João Felipe foi restaurada e modernizada anos depois, sendo entregue em março de 2022 como Complexo Cultural Estação das Artes Belchior.

Nos meses seguintes daquele ano de 2014, foram instalados novos canteiros de obras em outras regiões da cidade. Em julho, foram iniciada as obras da Estação Edson Queiroz, com a implantação do canteiro localizado no cruzamento das avenidas Washington Soares e Dr. Valmir Pontes. No mês seguinte, teve início a construção da Estação Colégio Militar, com a interdição de um trecho da Avenida Santos Dumont, entre as ruas Dona Leopoldina e Nogueira Acioli. O começo das obras, nos dois pontos citados, gerou diversas mudanças no trânsito em vias de grande movimentação na capital.

A construção chegou ao início do ano seguinte, 2015, completamente parada, por conta de uma reformulação societária no consórcio que executa as obras. A reformulação foi necessária após a Centenco, empresa paulista integrante do consórcio original, desistir de continuar tocando o empreendimento, alegando atrasos nos pagamentos por parte do Governo do Estado. Um novo consórcio foi formado pela empresa espanhola Acciona e a Construtora Marquise, denominado Consórcio Metrô Linha Leste Fortaleza, sendo referendado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em agosto de 2016. Desse modo, com as obras paralisadas, a Linha Leste chegou ao ano de 2016 com apenas 1% de evolução.

Após o novo consórcio ter sido referendado pelo TCU, a Secretaria de Infraestrutura do Ceará (Seinfra) e o Governo do Estado trabalharam para garantir, junto ao Governo Federal, liberação dos recursos prometidos para retomar o serviço. O Estado do Ceará possuía a autorização de R$ 1 bilhão de financiamento para o metrô junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além deste valor havia mais R$ 1 bilhão, parte do Orçamento Geral da União (OGU). O BNDES condicionou a liberação de sua parte na obra se o Governo Federal liberasse os recursos do OGU. Como a União não liberava sua parte o Estado ficou sem acesso aos recursos, mantendo a obra paralisada.

Enquanto o Governo do Estado tentava solucionar os impasses, as tuneladoras permaneceram sem uso, se deteriorando sem manutenção adequada, após um novo impasse, dessa vez com a empresa responsável por fornecer os equipamentos, devido a uma suposta dívida de US$ 9 milhões cobrada pela The Robbins Company.

Como forma de tentar conseguir recursos, o então Governador do Ceará, Camilo Santana, em julho de 2017, chegou a apesentar a Linha Leste do Metrô ao presidente do China Development Bank (CDB), Hu Huaibang, durante sua visita à Fortaleza. Entretendo, a iniciativa não obteve êxito.

Mesmo sem ter garantido o repasse de verbas, a Secretaria de Infraestrutura iniciou as montagens das máquinas tuneladoras ao final do ano de 2017. Os equipamentos que haviam chegado ao Ceará em 2013, estavam sem qualquer uso desde então. A Seinfra informou na época que o objetivo da montagem seria realizar uma manutenção preventiva, preservando a integridade dos equipamentos e a extensão da garantia. A primeira tuneladora foi aprovada no teste de funcionamento em 27 de março de 2018, e o segundo equipamento na semana seguinte.

Em março de 2018, sem data para retorno das atividades, os canteiros de obras das estações Colégio Militar e Edson Queiroz foram desfeitos. Localizados, respectivamente, na Praça da Bandeira, conhecida como Praça do Cristo Rei, e na Avenida Washington Soares, em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua, os canteiros foram desinstalados e os locais devolvidos à cidade.

Retomada das obras Nos primeiros meses de 2018, em uma nova tentativa de retomar a construção, o Governo do Estado resolveu relicitar a Linha Leste, reincidindo o contrato anterior.