Tucumã é um município brasileiro do interior do estado do Pará. Está localizado na Mesorregião do Sudeste Paraense e na Microrregião de São Félix do Xingu, na região sul do estado, distando da capital cerca de 882 km. A sede municipal fica às margens da Rodovia PA-279.

A extensão territorial do município de Tucumã, compreendendo 2.535,11 km² está toda inserida na área do já extinto Programa Grande Carajás. A sua população durante a década de 1980, cresceu consideravelmente estimulada por vários fatores, tais como, condições agroclimáticas favoráveis, exploração de madeira e extração do ouro. De 3.000 famílias assentadas em julho de 1981 pela Andrade Gutierrez, a população residente saltou para 21.738 habitantes em 1989.

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tinha uma população de habitantes em 2020. Seu PIB, em 2015, era de R$ 566,7 milhões. Segundo o PNUD/2000 o IDH do município de 0,747, é médio e sua renda per capita em 2015 era de R$ 15.452,90.

Tucumã forma com a cidade vizinha, Ourilândia do Norte, a única área conurbada do sudeste do Pará.Empresários Moises Carvalho Pereira e Sidney Guimarães Pena investem nos municípios de Tucumã e Ourilândia do Norte - Portal Sul do Pará Notícias

Etimologia

thumb|200px|esquerda|O fruto tucumã verde, seco, com palma, óleo e polpa processada. A etimologia da palavra Tucumã em tupi (tukumã) significa "fruto de planta espinhosa". O fruto tucumã, às vezes chamado de tucum, é da espécie astrocaryum aculeatum e sua palmeira que chega a medir até 20 metros, geralmente solitária, de estipe com faixas de espinhos negros, folhas ascendentes, inflorescência ereta e frutos amarelos com tons avermelhados.

O local onde se fixou a sede de Tucumã era abundante desta palmeira. A CONSAG resolveu adotar a palmeira como símbolo da colonização e nomear o projeto agrícola de "Tucumã".

Geografia O município de Tucumã pertence à Mesorregião do Sudeste Paraense e à Microrregião de São Félix do Xingu. A sede municipal fica às margens da PA-279 e apresenta as seguintes coordenadas geográficas: 06º 45' 08" de latitude Sul e 51º 09' 30" de longitude a Oeste de Greenwich.

Limita-se ao norte com o município de São Félix do Xingu; a leste com os municípios de Parauapebas, Ourilândia do Norte e Água Azul do Norte; ao sul com o município de Ourilândia do Norte. e; a oeste com o município de São Félix do Xingu.

Solos Tucumã apresenta os melhores solos do Pará para a prática agrícola. Isto porque o solo mais abundante em terras tucumaenses é a Terra Roxa Estruturada eutrófica, de textura argilosa, que tem um pH de acidez muito baixo, além de ser rico em compostos orgânicos. Outros tipos de solos incluem: Podzólico Vermelho-Amarelo, Podzólico Vermelho-Amarelo equivalente eutrófico, Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico, Litólicos distróficos e Afloramentos Rochosos.

Vegetação A cobertura original do município era composta principalmente por Floresta Tropical Úmida, com presença das matas de galeria, nas proximidades do rio Branco, do rio Fresco e do rio Carapanã. Nestas áreas, em função da inundação dos rios durante o inverno equatorial, está presente a floresta de várzea.

A cobertura florestal primitiva, porém, vem sendo removida em função do avanço da fronteira agrícola Amazônica, dando lugar às Florestas Secundárias e às pastagens.

Tucumã possui pouquíssimas áreas de cobertura original, sendo que, em 2016, isso correspondia somente a 216 km² de área conservada, nenhuma sendo reserva ou área de proteção municipal, estadual ou federal, sendo porém áreas de conservação privada.

Relevo miniatura|esquerda|200px|Montanhas em Tucumã a partir do largo da Praça de Eventos Culturais Tuto Pombo Kayapó A variação do relevo do município é muito grande, chegando a atingir, na fronteira de Tucumã e Ourilândia, cerca de 623 metros de altitude, numa das extensões da Serra dos Carajás. Na outra extremidade, registra-se 197 metros próximo ao rio Fresco. Já a sede municipal fica a aproximadamente 200 metros acima do nível do mar.

Está inserido nas unidades morfoestruturais do Planalto Dissecado do Sul do Pará e Depressão Periférica do Sul do Pará, cujas formas específicas apresentam superfícies pediplanadas em rochas Pré-Cambrianas, áreas dissecadas em colinas, inselbergs, chapadões, etc.

Hidrografia As principais massas d'água do município são o rio Branco, o rio Fresco e o rio Carapanã; destes, o mais volumoso é o rio Fresco. Todos fazem parte da sub-bacia do rio Xingu.

Nenhum dos grandes rios do município, porém, é navegável, pois têm grandes corredeiras e cachoeiras ou simplesmente são perenes.

Clima Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger o clima do município é tropical com estação seca (Aw/As), apresentando um caráter de transição, que se caracteriza, em sua maior parte, por ser tropical quente e subseco. A temperatura, no mês mais quente, é de 26,7 °C, e no mais frio, 24,9 °C, sendo a amplitude térmica de 1,8 °C. A precipitação pluviométrica é de 1.423 mm/ano.

Subdivisões O município possui dois distritos principais, sendo: distrito sede, composto basicamente pela cidade de Tucumã, e; distrito da Agrovila do Cuca, assentado na agrovila homônima, que dista cerca de 16 km em linha reta a sudoeste da sede municipal.

Outra localidade importante é a vila P5-Mineiro, que orbita suas atividades em torno da agropecuária e da avicultura.

História O processo de ocupação da área onde foi implantado o Projeto Tucumã, teve origem a partir do projeto de colonização da empresa Andrade Gutierrez (CONSAG), vencedora da concorrência pública do Instituto Nacional de Reforma Agrária em 1978, na qual habilitava-se a realizar a colonização do Projeto Tucumã numa área correspondente a 400.000 hectares (contemplando também a construção de uma company townSCHMINK, Marianne; WOOD, Charles H.. Contested Frontiers in Amazonia. New York: Columbia University Press, 1992. p. 206-208), de propriedade da União, na época localizado dentro do município de São Félix do Xingu. Essa área seria servida pela PA-279, construída pela Andrade Gutierrez, ligando o município de São Félix do Xingu à BR-155 e desta a BR-010 (rodovia Belém-Brasília), através da BR-222.

Na década de 1970 um dos grandes objetivos do governo federal "foi promover a ocupação de vazios demográficos", e sendo a região norte do país uma região predominantemente de áreas de baixa produção agrícola - a maioria dos produtos hortigranjeiros consumidos na região são oriundos do centro-sul do Brasil -, a instalação de uma colonização de caráter agrícola viria resolver dois problemas cruciais: migração da mão-de-obra e a produção local. Portanto a colonização do Projeto Tucumã oferecia todas as condições para que pudesse ser realizada com êxito, vindo a calhar com os objetivos do Programa de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (Polamazônia), inserido no Projeto Grande Carajás.MARQUES, Gilberto de Souza. Estado e Desenvolvimento na Amazônia: A Inclusão Amazônica na Reprodução Capitalista Brasileira (Tese de Doutorado). Rio de Janeiro: UFRRJ, 2007 Em termos militares, a ocupação do sul do Pará era um território particularmente sensível devido ao histórico da Guerrilha do Araguaia que o governo havia combatido e dizimado alguns anos antes.SALLES, João Moreira. Arrabalde: em busca da Amazônia. São Paulo: Companhia das Letras, 2022| página 46

Projeto CONSAG O primeiro colono assentado na área de Tucumã foi Antônio José dos Santos, no dia 15 de Março de 1982, num lote de 55 hectares localizado no setor leste do Projeto. A primeira unidade residencial urbana foi ocupada no dia 16 de setembro de 1981 por Alcides Oliveira. Para a execução do projeto foram distribuídos 3 mil lotes de terra de diversos tamanhos, variáveis em função da qualidade do solo e da localização em relação as agrovilas e voltados para a atividade agrícola e pecuária.

De acordo com o projeto urbanístico da CONSAG, a company town teria o formato de uma borboleta.SALLES, João Moreira. Arrabalde: em busca da Amazônia. São Paulo: Companhia das Letras, 2022| página 47 O projeto foi dividido para iniciar o trabalho em três glebas. A Gleba I, a primeira a ser trabalhada, possuía uma extensão de 181.000 hectares, sendo que chegaram a ser concluídos mais de 540 km de estradas vicinais. Em 1983, os investimentos da Andrade Gutierrez destinados ao Projeto Tucumã começaram a diminuir, contribuindo para a não implantação das Glebas II e III e com isso deixou-se de fazer comercialização de lotes aos colonos interessados. Apesar do preço elevado dos lotes, essa situação causou sérios descontentamentos entre os colonos que haviam chegado à área e não tiveram acesso ao Projeto. A situação da área do Projeto Tucumã ficou cada vez mais tensa e, em 1985, as terras do Projeto foram invadidas, primeiro na área rural, se estendendo depois às agrovilas. Como a empresa preferiu não resistir a essa onda de invasão, o resultado foi um processo de crescimento populacional provocando uma ocupação de forma desordenada nas terras do Projeto, inviabilizando-o como empreendimento de colonização particular. A partir daí começaram as negociações que culminaram na reversão do Projeto de Colonização Tucumã e suas benfeitorias para a União em 30 de outubro de 1988.

Luta pela emancipação |thumb|250px|esquerda|Avenida dos Estados tendo ao fundo um dos morros que cercam Tucumã, em 2011. Com a saída da empresa do Projeto Tucumã e a pouca participação da prefeitura de São Félix do Xingu na área, a comunidade local elegeu nove representantes para a formação do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Tucumã (Codetuc), que tinha como objetivo ordenar as ocupações urbanas, preservando o planejamento urbanístico, áreas ambientais comuns, serviços públicos essenciais e os bens da União guardados e em uso pelo poder público municipal. A criação do conselho foi de grande valia para a comunidade de Tucumã, uma vez que procurou acalmar os ânimos da população que estava exaltada na área, propiciou a ampliação de atividades ligadas à indústria madeireira e à exploração do ouro além de permitir o andamento de outras atividades essenciais para o desenvolvimento de Tucumã.

O Conselho foi presidido, inicialmente por Petrônio Gentil de Souza, e depois pelos seguintes presidentes: Luís Otávio Montenegro, João Roberto da Silva (primeiro prefeito de Tucumã) e José Carlos Zampietro. O conselho somente foi desativado com a instalação da prefeitura, em janeiro de 1990.

O município de Tucumã foi criado pela Lei nº 5.455, de 10 de maio de 1988, estatuída pela Assembleia Legislativa do estado e sancionada pelo governador Hélio Gueiros, com área desmembrada do município de São Félix do Xingu. Em 15 de novembro de 1989 foram realizadas as eleições gerais municipais com instalação da prefeitura e câmara dos vereadores em 1º de janeiro de 1990.

Economia A economia de Tucumã está assentada basicamente no setor primário, especialmente sobre as atividades de agropecuária e extrativas vegetal e mineral.