Fernando Grostein Escobar de Andrade (São Paulo, 30 de janeiro de 1981) é um cineasta, músico, publicitário e empreendedor brasileiro. Seu trabalho abrange cinema, música e tecnologia, explorando diferentes formas de narrativa e inovação.

Em 2024, sua produtora, Cosmic Dog Studios, foi responsável pela transmissão do primeiro curta-metragem em ultra-alta-definição via comunicação óptica a laser no espaço, através da sonda interplanetária Psyche, da NASA. O feito demonstrou a viabilidade da comunicação óptica no espaço profundo e marcou um avanço na exploração espacial. A trilha sonora do curta foi composta pela dupla FernandoS, de Fernando Grostein e Fernando Siqueira, e pelo produtor musical Fernando Garibay, conhecido por seu trabalho no álbum Born This Way, da cantora Lady Gaga.

Paralelamente, iniciou uma trajetória musical ao lado de Fernando Siqueira, formando a dupla FernandoS. O projeto combina influências do indie, MPB e folk, tendo se apresentado em locais como o Bona Casa de Música e o Manouche. Em 2024, lançaram o EP FernandoS pela Virgin Music Brasil, explorando temas de identidade e emoção através da música.

No cinema, dirigiu documentários como Coração Vagabundo, com Caetano Veloso, e Quebrando o Tabu, que discute alternativas para a guerra às drogas. O documentário foi posteriormente adaptado para audiências internacionais pela Sundog Pictures, produtora de Richard Branson e Sam Branson, e narrado por Morgan Freeman sob o título Breaking the Taboo. O filme contou com depoimentos de líderes mundiais como Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton, Jimmy Carter, Ernesto Zedillo, César Gaviria e diversos chefes de estado, abordando as falhas da política de combate às drogas e possíveis alternativas.

Grostein também produziu e dirigiu cinco episódios da série Carcereiros, uma produção da TV Globo, em parceria com a Spray Filmes e a Gullane Entretenimento. A série, baseada no livro homônimo de Drauzio Varella, acompanha o cotidiano de agentes penitenciários no Brasil e explora os desafios do sistema prisional. Carcereiros foi exibida na Globo, no Globoplay e em festivais internacionais, e recebeu prêmios como o MIPDrama Screenings 2017, em Cannes. Paralelo a Carcereiros, o diretor também trabalhou no documentário Vida de Carcereiro, que serviu de pesquisa e aprofundamento para o desenvolvimento da série.

Em 2019, Grostein dirigiu Abe, um longa-metragem estrelado por Noah Schnapp (Stranger Things) e Seu Jorge. O filme narra a história de um garoto de 12 anos que tenta unir as culturas judaica e muçulmana de sua família por meio da gastronomia. Abe estreou no Festival de Sundance, foi exibido em mais de 27 festivais internacionais, e teve distribuição em cinemas no Japão, Brasil, Alemanha e Coreia do Sul. O filme recebeu elogios da crítica, incluindo publicações como Variety, The Hollywood Reporter e The Wall Street Journal. O The Hollywood Reporter escreveu que o filme é uma "apetitosa fusão de diversas influências".

Em 2022, lançou o documentário Quebrando Mitos, uma análise da hipermasculinidade na política brasileira. O filme, exibido no Globoplay, foi considerado pelo cineasta Jorge Furtado um dos melhores filmes brasileiros recentes. Em 2025, participou do SXSW (South by Southwest) como artista oficial no festival de música, um dos maiores festivais de inovação e criatividade do mundo, abordando sua experiência no audiovisual, música e novas tecnologias.

Fernando também é conhecido por seu trabalho com publicidade, filmando mais de 100 campanhas para clientes como Coca-Cola, Mitsubishi Motors, Pfizer e Nestlé. Em 2009, fundou a Spray Filmes, uma produtora localizada no bairro dos Jardins, que produz filmes publicitários, documentários e filmes para entretenimento. Além disso, foi incubadora da empresa NWB, que gere grandes canais da internet, com destaque para o Desimpedidos, um dos maiores canais sobre futebol do YouTube.

Carreira Fernando Grostein se formou em Administração de Empresas na Fundação Getulio Vargas em 2003, São Paulo. Posteriormente, estudou cursos de roteirização e direção na CINUSP, USC e UCLA. Começou sua carreira em comunicação na agência DM9DDB, e na rádio Jovem Pan 2 quando tinha apenas 15 anos de idade. Aos 16, começou a escrever artigos para as revistas Trip e Playboy.

Em 2011, lançou seu documentário de maior expressão, Quebrando o Tabu, que abordava o tema da guerra contra as drogas. O documentário posteriormente virou uma marca e consequentemente uma página no Facebook e mídia alternativa que defende os direitos da mulher, homossexuais, luta contra o preconceito e racismo, dentre outros aspectos identitários quanto a tabu. Devido a seu trabalho renomado com documentários, Andrade dá palestras ao redor do Brasil e do mundo. Em 2014, foi convidado a falar na Universidade de Harvard, no Igniting Innovation Summit on Social Entrepreneurship, onde apresentou um curta sobre seu trabalho, que viralizou e atingiu mais de 700 mil visualizações.

Andrade é muito reconhecido por seu notório trabalho social. Ele ajudou a reativar o grupo de teatro "Do Lado de Cá", formado por prisioneiros de uma penitenciária de segurança máxima. Posteriormente, os atores atuariam em seu longa Na Quebrada, que conta com muitas cenas dentro da prisão. O filme foi feito para celebrar o 10º aniversário da ONG Instituto Criar. Também é um dos cofundadores do programa educacional Mapa Educação, que foi criado em 2014 com o objetivo de priorizar o assunto na pauta das eleições presidenciais. Organizou uma campanha chamada Parada Gay no Rádio, na qual várias estações de rádio tocaram apenas músicas cantadas por artistas homossexuais, para combater a homofobia no Brasil.

Em 2009, fundou a Spray Filmes, uma produtora voltada para filmes publicitários, documentários e entretenimento. A empresa foi responsável pela incubação da NWB - Content Tech, uma das maiores redes de canais digitais do Brasil, incluindo o Desimpedidos, um dos principais canais de futebol do país. Em 2020, a NWB foi adquirida pelo grupo SBF por R$ 60 milhões. Além disso, Grostein foi um dos fundadores do canal Revisão de Educação e participou da transformação de Quebrando o Tabu de um documentário em uma plataforma de mídia digital, consolidando sua atuação no setor de startups e inovação em comunicação.

Em 2011, lançou Quebrando o Tabu, documentário que influenciou debates sobre políticas de drogas no Brasil e no exterior. O projeto expandiu-se para uma plataforma digital, abordando temas como direitos das mulheres, LGBTQIA+, combate ao racismo e outras questões sociais. Como resultado desse trabalho, participou de eventos acadêmicos e sociais, incluindo uma palestra na Universidade de Harvard em 2014.

Em 2014, dirigiu o filme Na Quebrada, estrelado por jovens da periferia de São Paulo e produzido em parceria com a Globo Filmes. O longa contou com atores do grupo de teatro "Do Lado de Cá", formado por presidiários, que Grostein ajudou a reativar.

Em 2016, dirigiu o clipe da canção "Eu, Você, o Mar e Ela", do cantor Luan Santana.

Além de sua atuação no cinema e na música, Grostein tem se dedicado a explorar a interseção entre audiovisual e tecnologia.

Filmes Em 2001 realizou seu primeiro curta chamado De Morango, o primeiro filmado em alta definição (HDTV) a 24 quadros no Brasil, com a estreia de Guilherme Berenguer, além da participação de atores conhecidos como Fernanda Rodrigues e Daniel Dantas. Este curta abriu o Festival Internacional de Brasília, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e Palm Springs International Festival of Short Films.

Em 2003, Fernando embarcou em uma aventura com Caetano Veloso em São Paulo, Nova Iorque e Japão. Por 42 dias, ele documentou o desconforto do artista com o sucesso do seu álbum A Foreign Sound, lançado internacionalmente em inglês, em 2004, revelando um outro lado do compositor. Com participações de Michelangelo Antonioni, Pedro Almodóvar e David Byrne, o documentário Coração Vagabundo foi lançado pela Paramount no Brasil. Dirigido, produzido e editado por Fernando, foi reproduzido no festival It's All True Festival e no Festival de Roma, ambos em 2008. De acordo com Eric J. Lyman, do Hollywood Reporter, foi um dos destaques do fim de semana. O crítico de cinema e fundador do festival It's All True, Amir Labaki, considerou o documentário "o mais revelador retrato de Caetano". Marcelo Janot, do jornal O Globo, considerou o melhor filme da recente leva de documentários de músicos brasileiros.

Em 2010, Fernando dirigiu um curto documentário chamado Jornal do Futuro, que conta as mudanças no jornal Folha de S.Paulo durante a integração de sua própria plataforma online, Folha.com.

Em 2011, Fernando lançou o documentário Quebrando o Tabu, que posteriormente foi adaptado para os EUA e Europa como Breaking the Taboo. O documentário discute políticas alternativas para a falha guerra contra as drogas e mostra o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso como âncora. Traz depoimentos de Bill Clinton, Jimmy Carter, Paulo Coelho, Drauzio Varella, Gael García Bernal e outros chefes de estado da Colômbia, Suíça, Noruega e México. Provocou o debate na mídia, escolas e até no Congresso Nacional, com um discurso memorável de Eduardo Suplicy. A revista Veja publicou um artigo de nove páginas que na qual o define como "uma reportagem meticulosa feita em dois anos, com 168 entrevistas com personalidades". O programa de televisão Fantástico, da TV Globo, mostrou uma reportagem de oito minutos sobre o filme e depois fez uma pesquisa sobre o assunto, 57% dos votantes foram a favor da legalização das drogas. A revista revista Trip publicou uma capa sobre o filme. Filmado em 18 cidades ao redor do mundo com cenários que variam de plantações de papoula das FARCs aos Coffeshops de Amsterdã, Quebrando o Tabu entrevistou vários líderes e pensadores, incluindo primeiros ministros, presidentes, policiais, prisioneiros e viciados em reabilitação. O filme recebeu avaliações muito positivas de jornais nacionais e internacionais, como Folha de S.Paulo e The Guardian.

Em 2012, Fernando participou da iniciativa Colors for Love, um projeto da revista italiana Colors, dirigindo o curta Cine Rincão, que conta a história de Paulo Eduardo que, depois de ter sido vítima de um tiro no peito, foi estudar cinema no Instituto Criar - uma ONG que ensina técnicas de filmagem a adolescentes de baixa renda. No final do filme, Paulo Eduardo construiu o cinema Cine Rincão. O curta tem trilha sonora de Caetano Veloso e Lucas Lima.

Em 2014, Fernando lançou seu primeiro longa de ficção, Na Quebrada, em parceria com a Globo Filmes e produzido por seu irmão Luciano Huck. Baseado em fatos reais, o filme segue a trajetória de um grupo de jovens de classe baixa, como Júnior, talentoso no conserto de televisões, Zeca, que testemunhou uma chacina, Joana, garota que sonha com a mãe desconhecida e Gerson, cujo pai está na prisão desde que nasceu. Entre histórias de perdas e violência, eles descobrem uma nova maneira de expressar as suas ideias e emoções: o cinema. Após o término das filmagens da série Carcereiros, Fernando começou a trabalhar no documentário Vida de Carcereiro.

Em 2017, Fernando dirigiu o longa-metragem Abe, sobre um menino de 12 anos (interpretado por Noah Schnapp) do Brooklyn que tenta unir o lado muçulmano e o lado judeu da sua família através da comida, com a ajuda de um chef chamado Chico Catuaba (interpretado por Seu Jorge). O filme foi selecionado para o Festival Sundance de Cinema de 2019. A recepção da crítica foi positiva: o The Hollywood Reporter escreveu que o filme é uma "apetitosa fusão de diversas influências" e o site IndieWire chamou o longa de "um charme de Sundance".

Em 2018, Fernando fez a direção geral, junto com Guilherme Melles, da série Quebrando o Tabu, que foi lançada no canal GNT, abordando temas como aborto, prostituição, privacidade, privatização, democracia e racismo.

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