Irrigação é o fornecimento controlado de água ao solo para ajudar no cultivo de culturas, plantas ornamentais, jardins e gramados. Ela permite cultivar onde a chuva é insuficiente e também completar a precipitação durante períodos secos. Em muitos projetos, a irrigação trabalha junto com a drenagem, que retira o excesso de água da superfície e das camadas ocupadas pelas raízes.
A água pode chegar às plantas por gravidade, por aspersores ou por pequenos emissores instalados perto delas. Na irrigação superficial, ela corre pelo terreno. Na aspersão, passa por tubulações sob pressão e cai sobre a cultura como uma chuva controlada. A microirrigação trabalha com vazões menores e concentra a aplicação perto das raízes, enquanto a subirrigação umedece o solo a partir de baixo.
A fonte pode ser um rio, um reservatório, um poço, água da chuva armazenada ou água residual tratada. O método escolhido depende do clima, do solo, da cultura, do relevo, da qualidade da água e da infraestrutura disponível. Em regiões úmidas, a irrigação pode ser usada apenas em parte do ano. Em áreas áridas, ela pode fornecer quase toda a água de que a lavoura precisa.
O fornecimento de água precisa acompanhar a necessidade da planta e a capacidade do solo de armazenar e drenar essa água. Aplicações excessivas podem encharcar o solo, transportar nutrientes e contaminantes ou favorecer o acúmulo de sais, enquanto o bombeamento acima da recarga pode reduzir reservas subterrâneas.
Por que irrigar?
As plantas retiram do solo a água de que precisam para crescer, formar folhas, flores, frutos e sementes. Parte dessa água vem da chuva, mas a quantidade disponível muda com o clima, a estação do ano e o próprio solo. Quando a chuva não repõe o que a cultura perde por evaporação e transpiração, a umidade do solo diminui e a planta pode entrar em estresse hídrico. O crescimento fica mais lento, a produção pode cair e, se a falta de água for intensa ou prolongada, parte da lavoura pode não completar seu desenvolvimento.
miniatura|direita|upright=0.85|alt=Vista aérea de uma região agrícola com campos irrigados verdes ao lado de áreas de cultivo secas e amareladas|Quando a chuva é insuficiente, a diferença pode aparecer no próprio campo: as áreas verdes recebem irrigação, enquanto as lavouras de sequeiro ao redor dependem da água disponível naturalmente no solo.
A irrigação fornece água quando a chuva não basta ou chega fora do período em que a cultura mais precisa dela. Em regiões úmidas, pode entrar em uso apenas durante semanas mais secas. Em áreas áridas ou com uma estação seca longa, certas culturas dependem dela durante grande parte do ciclo. A quantidade que precisa ser aplicada não é igual em todos os lugares, porque uma parcela da necessidade da planta pode ser atendida pela própria chuva e pela água que já estava armazenada no solo.
Essa diferença entre a água de que a cultura precisa e a água que o ambiente já fornece é a base do planejamento da irrigação. Ela explica por que a mesma cultura pode precisar de pouca água adicional em um lugar e depender de aplicações frequentes em outro.
Extensão e distribuição miniatura|esquerda|upright=1.25|alt=Mapa-múndi com a parcela das terras agrícolas irrigadas em cada país em 2021|A parcela das terras agrícolas irrigadas varia muito entre países, acompanhando diferenças de clima, disponibilidade de água e infraestrutura.
As estatísticas de irrigação usam medidas que não significam a mesma coisa. Uma área equipada para irrigação tem infraestrutura capaz de levar água ao campo, mas pode não receber água em todas as safras, enquanto a área efetivamente irrigada é a parte que recebeu água no período observado. Área física, produção colhida e valor econômico da produção também precisam ser lidos separadamente, porque cada medida responde a uma pergunta diferente.
Em 2023, o mundo tinha 355 milhões de hectares equipados para irrigação, 23% a mais que os 289 milhões de hectares de 2000 e mais que o dobro da área dos anos 1960. A Ásia reunia 71% desse total, as Américas 16% e a Europa 8%. A Índia tinha 76 milhões de hectares equipados, a China 75 milhões e os Estados Unidos 25 milhões. Entre 2000 e 2023, China e Índia acrescentaram, respectivamente, 21 milhões e 15 milhões de hectares às suas áreas equipadas.
As terras cultivadas equipadas para irrigação correspondem a cerca de 23% do total e respondem por 48% do valor global das culturas agrícolas. Em média, o rendimento físico das terras irrigadas é 76% superior ao das terras de sequeiro. Outra estimativa, que usa uma definição mais ampla de área cultivada e mede alimentos em vez de valor econômico, coloca as terras irrigadas em cerca de 20% da área cultivada e em aproximadamente 40% dos alimentos produzidos no mundo.
Panorama mundial
miniatura|direita|upright=1.2|alt=Gráfico da área equipada para irrigação em diferentes regiões do mundo|A Ásia reúne a maior parte das terras equipadas para irrigação no mundo.
No ano 2000, estimava-se em 2.788.000 km² a área mundial de terras férteis com infraestrutura de irrigação. Cerca de 68% ficava na Ásia, 17% nas Américas, 9% na Europa, 5% na África e 1% na Oceania. As maiores faixas contínuas com alta densidade de irrigação estavam no norte e no leste da Índia e no Paquistão, ao longo dos rios Ganges e Indo, nas bacias do Hai He, do Rio Amarelo e do Yangtzé, na China, ao longo do Nilo, no Egito e no Sudão, e na bacia dos rios Mississippi e Missouri, no sul das Grandes Planícies e em partes da Califórnia, nos Estados Unidos. Áreas menores estavam espalhadas por quase todas as regiões povoadas do planeta.
miniatura|esquerda|upright=1.25|alt=Mapa da rede de barragens e grandes canais de irrigação do Punjab, no Paquistão|Sistemas de grande escala podem formar redes de barragens e canais que distribuem água por extensas regiões agrícolas, como nesta rede do Punjab.
A distribuição da irrigação resulta de uma combinação de clima, rios, aquíferos, relevo, tipo de agricultura e infraestrutura. Em parte da Ásia, grandes redes de canais e poços abastecem áreas cultivadas muito extensas. Em outros lugares, a irrigação fica concentrada em vales, planícies ou zonas próximas de reservatórios. A expansão asiática do século XX também integrou a Revolução verde, quando novas variedades agrícolas passaram a ser usadas junto com fertilizantes, controle de pragas e maior oferta de água.
Países de língua portuguesa
miniatura|direita|upright=0.85|alt=Pivô central irrigando uma plantação de feijão em Avaré, no estado de São Paulo|No Brasil, os pivôs centrais estão entre os métodos usados para distribuir água em grandes áreas agrícolas.
Os países em que o português é língua oficial têm climas, cultivos e disponibilidades de água muito diferentes. Por isso, os números nacionais abaixo não formam uma tabela comparável de um único ano. Em alguns países há estatísticas recentes, enquanto em outros os levantamentos disponíveis são bem mais antigos. A diferença entre área equipada e área realmente irrigada também pode ser grande.
No Brasil, a área equipada para irrigação chegou a 8,2 milhões de hectares em 2021. Cerca de 5,3 milhões usavam água retirada de mananciais e outros 2,9 milhões correspondiam principalmente à fertirrigação com água de reúso. Em 2024, a agricultura irrigada respondeu por 1.056,3 m³/s, ou 50,3% de toda a retirada nacional de água para usos consuntivos. No mesmo ano, havia 33.846 pivôs centrais irrigando 2.200.960 hectares.
miniatura|esquerda|upright=0.85|alt=Vista aérea de campos irrigados por pivôs centrais na planície do rio Tejo, perto de Santarém, em Portugal|Campos irrigados por pivôs centrais na planície do Tejo, perto de Santarém, em Portugal. As áreas circulares correspondem ao alcance da rotação de cada equipamento.
No Brasil, quem concede o direito de usar água para irrigação depende de qual esfera pública responde pelo corpo hídrico. A ANA emite outorgas para rios, reservatórios, lagos e lagoas de domínio da União. Órgãos estaduais ou do Distrito Federal cuidam das águas de domínio estadual e das águas subterrâneas.
Em Portugal, onde a agricultura irrigada costuma ser chamada de regadio, cerca de 637,5 mil hectares tinham condições para receber rega em 2023 e 585,5 mil hectares foram efetivamente irrigados. Em partes do sul do país, onde a oferta de água é mais limitada, a rega divide o recurso disponível com o abastecimento das populações e outros usos.
miniatura|direita|upright=0.85|alt=Obras de irrigação em uma área agrícola de Moçambique|Obras de irrigação em Moçambique. Em muitas áreas agrícolas do país, canais e outras estruturas levam água das fontes disponíveis até os campos.
miniatura|esquerda|upright=0.85|alt=Terras agrícolas irrigadas perto de Pedra Badejo, em Cabo Verde|Em Cabo Verde, onde a escassez de água limita a agricultura, áreas irrigadas permitem cultivar em locais onde a chuva sozinha é insuficiente. Aqui, terras agrícolas irrigadas perto de Pedra Badejo, na ilha de Santiago.
Em Cabo Verde, a irrigação permite produzir em ilhas onde a chuva é baixa e irregular. A água pode vir de reservas subterrâneas, barragens, dessalinização e reúso, e o gotejamento é usado para reduzir perdas durante a aplicação. Em 2025, a cana-de-açúcar ocupava mais de 3 mil hectares, cerca de 62% da área irrigada do país. O desempenho dos sistemas de gotejamento, porém, depende do projeto, da manutenção e do conhecimento técnico de quem os opera. Em Moçambique, um levantamento usado pelo AQUASTAT estimou 118.120 hectares equipados para irrigação no começo dos anos 2000, mas apenas 40.463 hectares efetivamente irrigados em 2002. A maior parte dos sistemas usava água de rios, enquanto a captação subterrânea tinha participação pequena. Os números são antigos, mas ajudam a mostrar por que "área equipada" e "área irrigada" não devem ser tratadas como sinônimos. Em Angola, levantamentos antigos chegaram a totais muito diferentes: o AQUASTAT reuniu uma estimativa de cerca de 80 mil hectares equipados e outra, baseada em uma definição distinta, de 340.478 hectares em 2005. Para 1997, a área efetivamente usada para irrigação foi estimada em 35 mil hectares. A diferença entre os levantamentos mostra como a definição adotada e o estado de funcionamento das obras podem alterar bastante um total nacional.
miniatura|upright=1|alt=Arrozais em um vale de Aileu, em Timor-Leste|Arrozais em Aileu, Timor-Leste. O cultivo de arroz em áreas como esta depende do manejo da água durante as diferentes fases da cultura.
Na Guiné-Bissau, parte do manejo da água está ligada ao cultivo de arroz em antigas áreas de mangue. Diques e parcelas armazenam água doce da estação chuvosa, que ajuda a retirar sais do solo e a manter condições adequadas ao arroz. Quando a chuva é mal distribuída, a salinidade pode aumentar e reduzir a produção. Um levantamento de 1996 registrou 22.558 hectares equipados, somando sistemas com controle de água e zonas úmidas preparadas para cultivo. Em São Tomé e Príncipe, o governo preparou uma estratégia nacional de irrigação para organizar melhor o uso agrícola da água. Comunidades produtoras de hortaliças também receberam sistemas de gotejamento e outros equipamentos para levar água às culturas. No Timor-Leste, obras de irrigação abastecem áreas de cultivo de arroz e exigem manutenção das estruturas que conduzem a água. Em janeiro de 2026, dois sistemas inaugurados em Lautém e Baucau foram projetados para abastecer, juntos, cerca de 1.220 hectares de arrozais. O programa governamental para 2023-2028 estabeleceu a meta de ampliar a área de arroz irrigado para 50 mil hectares até 2028. Na Guiné Equatorial, as informações disponíveis são mais escassas, e o mapa global do AQUASTAT baseado em dados reunidos para meados dos anos 2000 não registrava área equipada para irrigação no país. Esse dado deve ser lido como um retrato da informação disponível naquele levantamento, e não como uma afirmação de que nenhuma irrigação exista depois dele.
Fontes de água