Ordem Religiosa das Escolas Pias (, Sch. P. ou S.P.), mais conhecida como Escolápios, Piaristas ou como Padres Escolápios, é uma ordem religiosa da Igreja Católica fundada por São José de Calasanz, inicialmente com o nome de Ordem dos Clérigos Regulares Pobres da Madre de Deus das Escolas Pias, em 1621 em Roma.

História No ano 1602, nasce a Associação das “Escolas Pias”. É uma piedosa sociedade leiga, para o mantimento dum colégio popular e gratuito, instalado no coração de Roma. A pequena escola de Santa Dorotéia tinha crescido muito (uns 500 alunos) e procuraram outro lugar mais espaçoso. Já tem seu Regulamento e seu Diretor, José de Calasanz, que tem especial interesse no bom funcionamento da escola e o bom espírito dos associados.

1617: O Papa Paulo V cria, a pedido de São José de Calasanz, a “Congregação Paulinas das Escolas Pias”. Gosta tanto dela que a batiza com seu próprio nome. E também ajuda com dinheiro, porque vivem de esmola. Não recebem nada dos alunos (a casa de São Pantaleo acolhe já 1500 alunos), nem pedem esmola pelas casas. O desinteresse era total, e ninguém tinha que passar por dificuldades para assistir naquelas escolas.

Ensina-se desde ler e escrever, passando pelo “ábaco” (matemáticas), gramática, retórica (letras), caligrafia, música... tudo aquilo que ajude aqueles meninos e jovens para ter um bom trabalho, um bom salário. E também latim, para que possam ingressar, os que desejem e possam, no Colégio Romano dos Jesuítas. E com um carinho especial se ensine, naturalmente, “a doutrina cristã”. Têm vontade de libertar aqueles jovens da escravidão da pobreza, da ignorância e do pecado. E através dos alunos, desejam influenciar também as suas famílias. “Piedade e Letras” será, desde o início, o lema dos Escolápios. Assim, espera-se a mudança da vida dos jovens e a reforma da sociedade.

Começam a chegar muitas petições para novas fundações: são numerosas as cidades da Itália e de Centro-Europa que pedem para que os Escolápios abram colégios para a educação de seus cidadãos. E o Fundador viverá o resto da sua vida em tensão entre a alegria das petições, que testemunham a utilidade da sua obra, e a escassez de professores religiosos. São muitos os que solicitam ingressar na Congregação, mas é necessária uma formação séria, e, às vezes, não têm o tempo suficiente para adquiri-la.

Em 1621 o Papa eleva as Escolas Pias à categoria de “Ordem de Clérigos Regulares”, com votos solenes. Assim, equipara o “ministério” escolápio com o ministério das veneradas Ordens Religiosas de São Bento, Franciscanos, Dominicanos, Jesuítas... Os Escolápios, dedicados a um trabalho tão humilde (e muito pouco apreciado naquele tempo) e tão profano, como era o ministério de educar as crianças e os jovens.

Mas nem todos compreendiam o ministério. Existiam, nas esferas religiosas e civis, pessoas alarmadas: Se ensinamos aos pobres, quem fará os serviços (trabalhos) de que necessitamos? Também alguma Ordem Religiosa muito influente os sentiam como competidores.

Calasanz luta denodadamente por dotar a seus religiosos de uma boa organização (imitando os Jesuítas) e de uma espiritualidade (inspirada nos Franciscanos e Carmelitas), mas sobretudo para defender e melhorar suas escolas e atender cada vez melhor seus alunos.

Em 1646, os inimigos das Escolas Pias prevalecem. E o Papa publica o documento de redução da Ordem à Congregação sem votos nem Superiores. Em menos de 30 anos de história, as Escolas Pias alcançaram o número de 49o religiosos e 37 colégios estendidos em numerosas cidades da Itália e da Europa Central. Também na França queria começar, mas não conseguiu.

Com a Ordem destruída e os Colégios desagregados, muitos ficam desconcertados. Mas o Santo continua animado, está convencido de que Deus não pode permitir o desaparecimento de uma obra tão benemérita. E muitos permanecem fiéis à sua vocação.

Em 1648, José de Calasanz morre rodeado de seus religiosos. O povo de Roma celebra a morte como a morte de um grande Santo.

Restauração e Florescimento

Em 1648 assina-se a “Paz de Westfália”, finalizando a Guerra dos 30 anos. Estabelece-se um novo equilíbrio europeu, com a estabilização das respectivas áreas de influência, e, ao mesmo tempo, consolida-se a plena soberania dos estados nacionais. O absolutismo afiança-se. E os monarcas absolutos não têm muito interesse pela situação do povo, e em especial pelo ensino. O nível de analfabetismo chega muitas vezes ao 90% da população. As instituições religiosas cobrem esse vazio, destacando a Companhia de Jesus, as Escolas Pias e as Escolas Cristãs (1681).

Dentro e fora das Escolas Pias fazem-se muitos esforços para recuperar a situação jurídica e eclesial anterior. E aos poucos vai-se conseguindo: em 1656 chega a Declaração como Congregação Religiosa de votos simples; em 1669, alcança-se de novo o grau de Ordem com votos solenes. Assim, de novo começam a organizar-se e crescer novamente, em princípio muito devagar, devido principalmente à penúria econômica em que se desenvolviam. A partir de 1686 o Papa autoriza-lhes a possuir bens próprios.

Diante das controvérsias com outras Ordens Religiosas, o Papa, a pedido dos Escolápios, determina com maior claridade o ministério da nossa Ordem: 1) podem ensinar em suas escolas também as ciências maiores (filosofia, teologia, latim, grego, etc.); 2) devem admitir as crianças pobres, carentes, e também crianças ricas e nobres; 3) podem dirigir internatos e seminários; 4) podem fundar casas sem o consentimento de outros religiosos de tal modo que possam viver sem mendigar.

No século XVIII, as Escolas Pias alcançarão um notável crescimento em vários sentidos: expansão geográfica e numérica, prestígio científico, desenvolvimento e influência da sua pedagogia.

A expansão geográfica realiza-se, fundamentalmente, em três âmbitos políticos: Itália, o Império Germânico e o Reino de Polônia. Na Espanha, depois de algumas tentativas falidas já na vida do Fundador, a difundem os Escolápios que chegam da Sardenha e de Nápoles: Moiá (1683), Peralta de la Sal (1697), Balaguer (1700).

No campo pedagógico, os Escolápios criam, em primeiro lugar, uma boa organização do ensino: três séries de Primário, cinco (depois, seis ou oito) no Secundário. As séries não se distribuem pela idade, senão por níveis de conhecimento, tendo muita flexibilidade a passagem de uma para outra. O planejamento de cada série estava perfeitamente determinado em seus conteúdos, seus métodos e, inclusive, com seus livros de texto. Tudo isso era geral para toda a Ordem, embora cada Província tinha que adaptá-lo de seu jeito. Muitos Governos adaptaram depois numerosos elementos dessa organização escolar.

Pessoas ou fatos significativos em destaque

Na Polônia, o Pe. Estanislão Konarski, quem, com seu plano de ensino e suas idéias, contribuiu decisivamente a assentar as bases da educação nacional polaca. Funda um “Colégio dos Nobres” em Varsóvia, com centro de experimentação pedagógica.

Na Hungria, os Escolápios destacam-se pelo cultivo da língua e cultura magiar, e por seu nível intelectual, inclusive na Universidade. Seu grande prestígio mereceu-lhes ajuda econômica oficial e também que seu Superior, o Provincial, fosse conselheiro habitual do Ministério de Educação.

Na Itália, há Escolápios que se destacam no campo científico e literário, algum formará parte do Governo da República Romana no final do século e recebem a encomenda da direção do Observatório astronômico Ximeniano de Florença.

Na Espanha, o Pe. Felipe Scio publicará o livro “Método Uniforme” para o ensino em Primária, será o instrutor dos filhos e netos de Carlos III, e por encomenda do mesmo Rei realizará a primeira tradução completa da Bíblia Vulgata ao castelhano.

Nos aspectos econômicos, as Escolas Pias seguem fiéis ao princípio de gratuidade de suas escolas. Em conseqüência, mantêm, com poucas exceções, um caráter popular profundo. Procuram o dinheiro por meio de fundações, doações dos príncipes e municípios, culto nas Igrejas, ingressos de seus internatos.

Em 1784, as Escolas Pias estavam compostas por uns 2.500 religiosos, distribuídos em 218 casas, organizadas em 16 Províncias: Roma, Ligúria, Nápoles, Toscana, Sicília, Sardenha, Apúlia, Boêmia, Áustria, Renano-Suíza, Hungria, Polônia, Lituânia, Aragão, Catalunha, Castilha.

As Escolas Pias no século XIX

Nos 25 anos que vão desde a Revolução Francesa (1789) até o Congresso de Viena (1815) produz-se na Europa uma profunda convulsão política, ideológica, religiosa e moral. A fim do Antigo regime, as guerras continentais, as idéias da Ilustração e a reação conservadora vão dar passo a uma “Ordem nova” que só vai consolidar-se através de inúmeras lutas durante todo o século XIX, lutas nas quais o liberalismo triunfante se mudará em outro mais acomodatício, e ao mesmo tempo o seu componente revolucionário se entrançará com os grandes movimentos sociais desse século. A Igreja e também a Escola Pia vivem esta crise de forma traumática e dolorosa.

A guerras e as ocupações territoriais obrigam a abandonar muitas casas e a dispersar muitos de seus religiosos; isso acontece sobretudo na Província Renano-Suiza, em grande parte da Itália, na Polônia e na Lituânia.

As idéias liberais e nacionais acrescentam um novo fator de crise interna, já que não poucos dos Escolápios aderem-se a elas, com os conseguintes conflitos dentro das comunidades e com a hierarquia eclesiástica. O regalismo dos reis e imperadores obrigou a desmembrar a Ordem em regiões praticamente independentes, separando-as da autoridade do Pe. Geral.

A política educativa dos Estados mudou radicalmente a situação dos colégios de religiosos. Ao ideal de um ensino obrigatório para todos, que demoraram decênios em fazê-lo realidade, uniu-se cada vez mais uma visão estatalizadora e de controle de todos os setores da vida pública, em especial da educação, com fortes tendências laicistas e anticlericais. Como conseqüência algumas Congregações religiosas foram suprimidas, proibiu-se também o ensino dos religiosos por serem religiosos, e o Estado manipulava com seus planos de ensino. Muitos colégios passaram as mãos dos Governos; e a bastantes religiosos era-lhes oferecido trabalho nos colégios públicos.

Os Escolápios são tratados com maior benevolência em bastantes casos: não se suprime a Ordem Religiosa e permite-lhes ensinar. Razão -por seu caráter popular e também porque o Estado não tem meios para substituí-los. Porém, têm que ensinar segundo os planos oficiais e estão sujeitos à Inspeção. Tudo isso supõe um limite para os métodos escolápios do ensino; mas aceitam a situação com realismo, procurando manter outros elementos próprios de seu estilo educativo: cuidadosa formação religiosa, teórica e prática; normas de comportamento e urbanidade, seriedade, rigor científico e didático, etc.

Depois de todas estas mudanças, o número de religiosos das Escolas Pias diminui: no ano 1830 são 1.230 religiosos. Mas ao mediado do século começa-se uma notável restauração, e como fruto dessa, ao final do século XIX são 2.100 os religiosos, que atendem aproximadamente a 50.000 alunos.

Os colégios escolápios que permanecem não diminuem sua eficácia docente, nem seu prestígio educativo. A renovação pedagógica amplia-se nesse século. Continua o alto nível científico em algumas províncias (Hungria, Boêmia, Toscana, etc.), e se abrem novos campos educativos: escolas de surdos-mudos (Itália, Polônia, Áustria), ensino comercial (administração), ensino extra-escolar para adultos. Publicam-se numerosos livros de texto, e inclusive instalam-se imprensas para publicá-los. Em vários colégios existem laboratórios e museus de ciências naturais.