Independência é um município brasileiro do estado do Ceará. Localiza-se a uma latitude 05º23'47" sul e a uma longitude 40º18'31" oeste, estando a uma altitude de 343 metros. Possui uma área de 3.218,6 km², sendo atualmente o 4º maior município em área territorial do estado do Ceará.
Toponímia Ao longo dos anos a origem do nome Independência esteve sob duas vagas especulações. A primeira dizia respeito a um suposto Riacho ou Rio que cortaria a cidade, mas nunca se soube ao certo se esse rio “Independência” realmente existiu. A segunda referia-se às consecutivas perdas do status de município, que por muitas vezes aconteceu, e, consequentemente, o município conquistava sua "Independência" ao recuperar, mesmo que temporariamente, sua autonomia administrativa. No entanto, em pesquisa bibliográfica e de campo feita em 2020 pelo jornalista e escritor Flávio Paiva, nascido em Independência, publicada no livro Toque de Avançar. Destino: Independência (Armazém da Cultura, 2020) , a origem do nome desse município está associada à história da Independência do Brasil, em fatos protagonizados por nativos, negros e caboclos cearenses, piauienses e maranhenses, que, unidos por aspirações de liberdade, lutaram na Batalha do Jenipapo (PI) e nos Cerco a Caxias (MA), ambos em 1823, quando forçaram a rendição do exército de D. João VI em suas últimas tentativas para assegurar a região Norte do Brasil ao domínio de Portugal.
Foram mais de três décadas (de 1823 a 1857) para que os guerreiros sobreviventes das lutas contra o exército colonial português conseguissem que o povoado de Pelo Sinal recebesse o nome de Independência. Por perseguição política, o município perdeu várias vezes a sua autonomia administrativa, estabilizando-se como cidade emancipada somente a partir de 4 de dezembro de 1933. Em sua obra, Flávio Paiva atribui essa dificuldade ao conceito de liberdade existente na palavra independência, haja vista que o antigo povoado de Pelo Sinal estava localizado entre dois outros que, após a ascensão de D. Pedro I ao trono, passaram a ser chamados de Príncipe Imperial (hoje Crateús) e São João do Príncipe (hoje Tauá) em deferência ao novo monarca.
Resumo histórico Em 1853 Independência já figurava como distrito de Crateús na Província do Piauí. Em 1857 foi elevada à categoria de vila, desmembrada de Crateús. Em 1880 é transferida da Província do Piauí para a do Ceará, como resultado da solução encontrada para o litígio territorial entre esses dois estados. Em 1892 é extinta a vila de Independência, e em 1896 é recriada. Em 1902, Independência tem seu criado seu primeiro distrito: Novo Oriente, mas, 10 anos antes Independência havia engolido a extinta vila de Vertentes, transformando-a em mero distrito. Em 1931, há muito como município, Independência foi rebaixada a distrito de Crateús. Em 1933, volta a se emancipar, e leva Santa Quitéria como seu distrito (além de Novo Oriente e Vertentes). Em 1937 Bom Princípio se torna mais um distrito de Independência, e um ano depois Santa Quitéria muda o nome para Coutinho. Em 1943, o distrito Bom Princípio muda o nome para Ematuba, e o distrito de Vertentes muda o nome para Iapi. Em 1957, Novo Oriente se desmembra de Independência, sendo elevado à categoria de município, e no mesmo ano são criados mais dois distritos: São Francisco e Algodões. Em 1963, O extenso município de Independência emancipa 4 municípios distintos: Coutinho (O distrito de Algodões se transfere para o novo município de Coutinho), São Francisco, Ematuba e Iapi são elevados à categoria de município, sendo que Iapi mudou o nome para Vertentes do Ceará. O município de Independência ficou constituído apenas de distrito-sede. Em 1964, a localidade de Jandrangoeira, se torna distrito. Em 1965, Independência adquire os extintos municípios de Coutinho, Ematuba, São Francisco, e Vertentes do Ceará (que novamente mudou o nome para Iapi). Todos foram rebaixados à categoria de distrito. Em 1988, o distrito de Coutinho muda o nome para Quiterianópolis, e se emancipa, levando para seu território os distritos de Algodões e São Francisco. Em 1992, são criados os distritos de Tranqueiras e Monte Sinai. Em 2016, foram elevados à distrito os povoados de Cachoeira do Fogo e Várzea Grande.
História
Independência faz parte do Vale de Crateús, comprado em 1721, por D. Ávila Pereira Passos, pelo preço de quatro mil cruzados. A posse dessas terras lhe foi dada na Fazenda Lagoa das Almas, 18 quilômetros ao sudoeste da Vila Príncipe Imperial, hoje cidade de Crateús, na margem esquerda do Riacho do Gado, que deságua no Rio Poty.
Nos últimos anos do século XVIII, o missionário Frei Vidal da Penha, de crônica famosa, andava pelos sertões mais afastados. Seu verdadeiro nome era Vitale da Frascarolo, um frade capuchinho, que também é citado como Frei Vidal de Fraccardo. O nome Penha é em alusão ao convento de Nossa Senhora da Penha, localizado em Recife no estado de Pernambuco, onde o mesmo vivia antes das suas missões. Italiano que peregrinava pelos sertões de Pernambuco e Ceará, tinha como marca registrada a catequese dos habitantes e índios da região. Era seu costume mandar construir, por onde passava, igrejas e cruzeiros, muitos deles foram marcos para o começo de formações de povoados e futuras cidades, como exemplo a cidade de Itapajé e Bela Cruz no Ceará. Há registro de sua passagem por várias regiões do Ceará. Também ficou famoso por suas profecias catastróficas de fim do mundo, que por muitos anos permaneceram no imaginário da população local, que acreditava em suas palavras, e propagavam seus relatos. Um fato peculiar de suas profecias lendárias é que ele sempre mencionava "o rabo baleia" ou "a baleia adormecida", animal que segundo ele, vivia adormecido sob as cidades da região. Segundo ele, ao se acordar e se mover nas entranhas da terra, a "baleia" provocaria grande devastação. Outra lenda, que ele teria contado foi na cidade de Santana do Acaraú, afirmou que a mesma e outras cidades vizinhas seriam inundadas por arrombamento de um açude pelo movimento do lendário mamífero adormecido nas entranhas da terra, previa ainda que esse açude seria construído no Rio Acaraú, afirmando ainda que o açude teria nome de um pássaro. Lenda ou não o açude realmente fora construído, o Açude Araras, e nos últimos anos diversas cidades da Região Norte do Ceará, próximas a Sobral sofreram abalos sísmicoshttp://g1.globo.com/ceara/noticia/2011/08/laboratorio-de-sismologia-registra-tremor-de-terra-de-3-graus-no-ceara.html. Por onde passava, a multidão ouvia-o enternecida à sua palavra de ouro e fé. Ao longo do vale de Crateús, certo dia, manhã clara de sol intenso, Frei Vidal da Penha bate a porta da casa grande do fazendão do Coronel José Ferreira de Mello, onde foi recebido alegremente. Era uma honra hospedar a figura singular e marcante do notável missionário. Anunciada a prédica, juntou-se uma multidão de gente, vinda de toda parte. Foi nesta oportunidade que Frei Vidal da Penha, fez veemente um apelo ao rico fazendeiro, no sentido de que mandasse construir uma capela. Homens daqueles tempos idos e vividos, não faltavam com a palavra, promessa feita, promessa cumprida.
O sertanejo acedeu, dando início às obras, que foram concluídas em 1810. Dia vai e dia vem, foi-se chegando gente e principiou um modesto arruado, em forma de quatro, ao redor da capela de Nossa Senhora Santana. A florescente povoação elevou-se a distrito de Paz com o nome de Pelo Sinal, por resolução n.º 56 de 6 de setembro de 1836.
A criação da freguesia foi em 15 de setembro de 1853 (Decreto Providencial nº 356), sendo seu primeiro vigário o Padre Antônio Ricardo Cavalcante de Albuquerque, natural de Pernambuco, cuja frente se manteve vinte anos. Pertencia a freguesia de Senhora Santana de Independência, ao bispado do Maranhão, do qual fazia parte do território da Província do Piauí.
Em princípios de 1857, os habitantes da povoação Pelo Sinal reclamavam da situação inferior de dependentes da Vila Príncipe Imperial (Crateús), que muito obstava o desenvolvimento, exigindo a urgente criação do município. Suas súplicas mereceram acolhidas e, em Oeiras, capital da Província do Piauí, a 24 de julho do mesmo ano, foi expedido o Decreto nº 436, criando (pela 1ª vez) o município, com sede no antigo povoado de Pelo Sinal, elevado a categoria de Vila com território desmembrado do município de Príncipe Imperial (Crateús) e a denominação de Independência, sendo instalada a 1 de março de 1858.
Por Lei Geral n.º 3.012, data de 22 de outubro de 1880, foi desanexado do Piauí e incorporado à Província do Ceará.
A Lei Estadual n.º 107, de 20 de setembro de 1893, suprimiu o município que foi restaurado pela Lei n.º 294, de 7 de agosto de 1896, cuja reinstalação ocorreu somente em 16 de novembro do mesmo ano.
O Decreto Estadual n.º 193, de 20 de maio de 1931, extingue vários municípios do Ceará, dentre eles Independência, que pela segunda vez perdia sua autonomia, reconquistando-a somente a 4 de dezembro de 1933 (data da última emancipação política que perdura até os dias de hoje), pelo Decreto n.º 1.156, do Interventor Roberto Carneiro de Mendonça, o município figurando na divisão administrativa daquele ano, apresentava-se com os distritos de Independência, Novo Oriente, Santa Quitéria (atual município de Quiterianópolis) e Vertentes. Com uma área de 5.908 km² (dados da época) Independência torna-se o maior município em área territorial do estado do Ceará.
No anexo ao Decreto-Lei estadual nº 169, de 31 de março de 1938, que alterou a divisão territorial de 1936-1937, é criado o distrito de Bom Princípio, em Independência.
O Decreto-Lei nº 448, de 20 de dezembro de 1938, que dispôs sobre a divisão territorial a vigorar no quinquênio 1939-1948, alterou a denominação do distrito de Santa Quitéria, que passou a denominar-se Coutinho (atual município de Quiterianópolis). Também o Decreto-Lei estadual n.º 1.114, de 30 de dezembro de 1943, que fixou a divisão territorial para o período de 1944-1948, altera outras denominações, figurando o município nesse quinquênio com os distritos de Independência, Coutinho, Ematuba (ex – Bom Princípio), Iapi (ex – Vertentes) e Novo Oriente, mantidos pela Lei nº 1.153, de 22 de novembro de 1951.
Em 10 de outubro de 1957 é criado o Município de Novo Oriente, desmembrando-se do Município de Independência, que perde assim parte de seu território. Suas origens, tidas como recentes, fundamenta-se no pioneirismo do Capitão Rodrigo Alves da Silva, edificador de sua própria casa de fazenda, situando-se esta nas proximidades da Lagoa do Tigre. Dessa fazenda e de posteriores agregamentos, gerou-se o arraial cuja denominação se manteve como Lagoa do Tigre. A elevação do povoado à categoria de Vila provém de Ato Governamental datado de 3 de março de 1902, e a de Município conforme Lei n.º 3.855, de 10 de outubro de 1957, tendo sido instalado a 15 de dezembro do mesmo ano. A capela e respectiva Freguesia, sobre as quais faltam registros, têm como padroeiro São Francisco de Assis, com vinculação subordinativa ao Bispado de Crateús.
Em 4 de junho de 1987, publicou-se no Diário Oficial do Estado do Ceará, nº 14.587 Parte I, o ato de criação do Município de Quiterianópolis que é sancionado pelo então Governador do Ceará Tasso Ribeiro Jereissati.
Segue-se abaixo trecho do Documento (Diário Oficial) que instala o município: Art. 1º - É criado o Município de Quiterianópolis, com sede na Vila de Coutinho, que passa a denominar-se Quiterianópolis, ficando elevado a categoria de cidade. Art. 2º - O Município de Quiterianópolis constitui-se do Distrito de Quiterianópolis (ex – Coutinho), Distrito de Algodões, Distrito de São Francisco e parte do Distrito de Iapi, todos desmembrados do Município de Independência, tendo os seguintes limites territoriais: Ao Norte, com o município de Novo Oriente; A Leste, o Município de Independência; Ainda a Leste, com o Município de Tauá; A Sul, com o Município de Parambu; A Oeste, com o estado do Piauí.