Sociedade Amor da Pátria MHM é uma associação de recreio, cultura e filantropia sediada na cidade da Horta, ilha do Faial, Açores, fundada em 28 de novembro de 1859. Teve origem num grupo de faialenses que praticava o rito maçónico do Grande Oriente Lusitano, funcionando a loja maçónica em paralelo com uma associação profana de fins culturais, económicos e sociais, sob o lema «O Amor à Pátria é o que nos Guia».

Ao longo da sua existência, a instituição desenvolveu iniciativas nos domínios do ensino, do crédito, da beneficência e da animação cultural e recreativa, contando-se entre as associações culturais de maior longevidade do arquipélago. A sua sede, edifício de arte déco projetado pelo arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior e inaugurado em 1934, encontra-se classificada como imóvel de interesse público.

História

Fundação e primeiras iniciativas A Sociedade foi constituída em 28 de novembro de 1859. Nos anos imediatos promoveu iniciativas de carácter cultural, económico e social, entre as quais a inauguração, em 5 de novembro de 1860, de uma escola primária noturna na cidade da Horta e, em 31 de janeiro de 1870, de outra na freguesia dos Flamengos. Em 2 de julho de 1862 constituiu a Caixa Económica Faialense, destinada tanto a fins comerciais como a subsidiar as obras de beneficência e de instrução da instituição.

De acordo com a monografia comemorativa do 150.º aniversário, a Sociedade criou e manteve quatro escolas primárias em diferentes freguesias da ilha e associou-se à implantação do ensino noturno no Faial.GONÇALVES, Francisco. A Sociedade Amor da Pátria — 150 Anos — 1859-2009. Horta: Sociedade Amor da Pátria, 2009.

Beneficência A instituição apoiou financeiramente organismos de caridade do concelho da Horta, designadamente os asilos de Mendicidade e da Infância Desvalida, através de donativos angariados nos seus saraus. A sede tem continuado a acolher iniciativas de instituições sociais faialenses; em fevereiro de 2026, por exemplo, aí decorreu a cerimónia dos 75 anos do Lar das Criancinhas da Horta.

Atividade cultural e recreativa Nas suas instalações realizaram-se exposições, concertos, espetáculos, saraus de declamação, lançamentos de livros, bailes de Carnaval e concursos de fantasias, bem como fóruns e simpósios internacionais e várias edições da Semana das Pescas. Os bailes promovidos durante a Segunda Guerra Mundial, no período em que a Horta constituía um importante entreposto de cabos telegráficos submarinos, são referidos como um dos aspetos mais salientes dessa atividade.

O incêndio de 1930 e a construção da nova sede Em 13 de agosto de 1930, um incêndio destruiu o edifício então ocupado pela Sociedade. Em assembleia geral realizada a 4 de setembro do mesmo ano foi deliberado erguer de raiz uma nova sede, cujo projeto foi confiado ao arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior.

Instalação da Assembleia Regional dos Açores Em 4 de setembro de 1976 teve lugar no edifício a sessão inaugural da Assembleia Legislativa dos Açores, primeira legislatura do órgão parlamentar da região autónoma, que ali funcionou durante cerca de quatro anos. O ato inaugural contou com a presença do Presidente da República, general António Ramalho Eanes, e do Primeiro-Ministro, Mário Soares.Sociedade Amor da Pátria — 150.º Aniversário — 1859-2009. Horta: Sociedade Amor da Pátria, 2009.

Em julho de 2026, a Sociedade voltou a acolher deputados numa sessão evocativa dos 50 anos da instalação do parlamento açoriano, na qual foi apresentado o segundo volume das notas biográficas dos deputados que integraram a assembleia entre 2008 e 2025. A sessão solene dos 50 anos da autonomia constitucional, realizada em 4 de setembro de 2026 no parlamento regional, foi expressamente concebida como evocação da sessão inaugural de 1976 ocorrida na Sociedade Amor da Pátria.

Sismo de 1998 Na sequência do sismo que atingiu a ilha do Faial em 1998, as instalações da Sociedade acolheram o Banco Alimentar contra a Fome, no âmbito do apoio prestado à população afetada.

O edifício alt=Fachada em arte déco de um edifício de três pisos, com pórtico central e elementos decorativos em relevo|miniaturadaimagem|220x220px|Fachada da sede, em 2021 A atual sede, inaugurada em 30 de junho de 1934, é da autoria do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior. O crítico Duarte Ivo Cruz destaca a fachada, dominada por elementos decorativos e heráldicos característicos da época, contrastando-a com a linguagem mais ortodoxa do vizinho Teatro Faialense; cita ainda a apreciação de José Sarmento de Matos, que considerou o edifício da Horta obra em que Norte Júnior conjugou de forma particularmente conseguida imaginação e contenção formal.

O interior organiza-se em torno de um grande salão com tetos trabalhados, onde decorre a principal atividade cultural da associação. O edifício foi classificado como imóvel de interesse público em 1984.

Distinções Em 3 de setembro de 2001, a Sociedade Amor da Pátria foi agraciada com o grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito.

Registos audiovisuais Por ocasião do 150.º aniversário, a RTP Açores produziu o documentário Amor da Pátria 150 Anos, com realização e autoria de Cristina Silveira, com trinta minutos de duração, incluindo depoimento do jornalista e investigador António Valdemar.

O lançamento da obra de António Lopes sobre a loja maçónica da Sociedade foi igualmente objeto de cobertura televisiva.

Ver também Semana do Mar Teatro Faialense

Referências

Bibliografia Faial, Açores: Guia do Património Cultural. Edição Atlantic View — Actividades Turísticas, Lda., 2003. ISBN 972-96057-1-8. p. 56. Sociedade Amor da Pátria — 150.º Aniversário — 1859-2009. Horta: Sociedade Amor da Pátria, 2009. GONÇALVES, Francisco. A Sociedade Amor da Pátria — 150 Anos — 1859-2009. Horta: Sociedade Amor da Pátria, 2009. LOPES, António. A Maçonaria na Sociedade Amor da Pátria: a História de uma Loja no Faial. 1.ª ed. Horta: Sociedade Amor da Pátria, 2017.

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