Barbacena é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. É a maior cidade e o principal polo econômico, comercial e de serviços da região do Campo das Vertentes https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2023/06/28/censo-do-ibge-sete-das-10-maiores-cidades-da-zona-da-mata-e-vertentes-registraram-aumento-da-populacao-nos-ultimos-anos.ghtml, ocupando uma área de cerca de , sendo que estão em perímetro urbano. Sua população foi estimada em habitantes em 2022.

Barbacena é conhecida em todo o Brasil e também no exterior como a "cidade das rosas", em função da grande produção local desta flor. O município também é conhecido como a "cidade dos loucos", pelo grande número de hospitais psiquiátricos instalados no local.

História Origens miniaturadaimagem|esquerda|Homenagem de D. Pedro I para Barbacena em 1823. A atual cidade de Barbacena nasceu na cabeceira do Rio das Mortes. Era habitado originalmente pelos povos indígenas puris. A região começou a ser colonizada a partir do por bandeirantes oriundos de São Paulo à procura de ouro, pedras preciosas e mão de obra compulsoria indígena. Os bandeirantes se estabeleceram no local chamado Borda do Campo, também denominado Campolide, onde erigiram a capela de Nossa Senhora da Piedade.

Era a Fazenda da Borda do Campo, de propriedade, desde o fim do , dos bandeirantes capitão-mor Garcia Rodrigues Pais e coronel Domingos Rodrigues da Fonseca Leme (seu cunhado), posse oficializada por uma carta de sesmaria, de 1703. Ficava às margens do Caminho Novo da Estrada Real para o Rio de Janeiro, empreendimento iniciado às expensas do capitão-mor Garcia Rodrigues Pais em 1698 e que Domingos Leme ajudou a concluir. Garcia Rodrigues Pais também recebeu carta de sesmaria das suas posses antigas na Borda do Campo em 1727. A propriedade, tempos depois, passou às mãos do inconfidente José Ayres Gomes.

Em 1711, a localidade participou de um feito épico: hospedou, às custas de Domingos Rodrigues da Fonseca Leme, o governador da capitania, Antônio de Albuquerque, acompanhado de um exército de 6 000 homens, que ali acampou em marcha de socorro à cidade do Rio de Janeiro, então invadida pelos franceses da esquadra de René Duguay-Trouin. Domingos Leme integrou, ainda, este exército com duzentos de seus homens.

Em 1725, o quarto bispo do Rio de Janeiro, o frei Dom Antônio de Guadalupe, criou a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade, que teve a antiga capela como sede provisória até 1730, foi o primeiro vigário o Pe. Luiz Pereira da Silva, passando depois a sede, para a Capela de N. S. do Pilar do Registro Velho (atual Sá Fortes) capela esta que caiu em ruínas e desapareceu por completo em meados do .JARDIM, Conceição (C. Garden). Barbacena. Rio: Oficinas de "A Noite", 1940.

Em 19 de agosto de 1728 na primeira visita pastoral de D. Frei Antônio de Guadalupe, foi escolhido o "sítio da Igreja Nova" - a atual Matriz - sendo a 9 de dezembro de 1743, demarcado o local pelo Pe. Manoel da Silva Lagoinha, com uma Cruz de madeira e iniciada na mesma data a edificação do templo com as licenças do bispo D. Frei João da Cruz.

Em 27 de novembro de 1748, a freguesia foi transferida para a Igreja Nova de Nossa Senhora da Piedade (atual matriz), arquitetada pelo mestre Alpoim. Em torno da igreja, erigiu-se o "Arraial da Igreja Nova de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo", chamado também de Arraial ou freguesia da Borda do Campo ou ainda de Arraial da Igreja Nova do Campolide e o templo entregue ao culto pelo Pe. Antônio Pereira Henriques, então vigário, autorizado pelo primeiro bispo de Mariana Dom Frei Manoel da Cruz, por provisão de 15 de novembro de 1748. As obras, entretanto, prosseguiriam até 1764, ano de sua conclusão.

Inconfidência Mineira Pertenciam ao arraial e depois Vila de Barbacena cinco dos inconfidentes:

Domingos Vidal Barbosa Lage, irmão do brigadeiro José Vidal; obteve comutação da pena de morte, foi exilado para a Ilha de S. Tiago do Cabo Verde, onde faleceu oito meses após a sua chegada, no Convento de S. Francisco da Cidade de Ribeira Grande. Coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, morreu no degredo, em Bié na África. Padre José Lopes de Oliveira, falecido no cárcere na fortaleza de São Julião da Barra, em Lisboa. Padre Manuel Rodrigues da Costa, proprietário da Fazenda e Capela do Registro Velho, depois de preso e degredado para Portugal retornou ao Brasil e tomou parte ativa nos acontecimentos do "Fico", da Independência, foi eleito para as Cortes em 1820 e participante da Revolução Liberal de 1842. José Aires Gomes, Coronel de milícias, um dos subscritores da petição ao Visconde de Barbacena para a criação da Vila, proprietário da Fazenda da Borda do Campo, onde hospedou Tiradentes e foi local de "conventículos" da Inconfidência, morreu no exílio no presídio de Inhambane em Moçambique.

Também morava na Freguesia da Borda do Campo o inconfidente-delator Joaquim Silvério dos Reis, e segundo Joaquim Norberto de Souza e Silva, autor do primeiro livro brasileiro sobre a Inconfidência Mineira, "não esqueceu o Governador (Visconde de Barbacena) a circunstância de nascer a denúncia da Conjuração na bela povoação da Borda do Campo e elevou-a à Vila com o seu nome".História da Conjuração Mineira, Joaquim Norberto de Souza e Silva, 1860

Após a morte de Tiradentes, a vila de Barbacena recebeu um dos seus braços, que teria sido erguido numa "picota" no adro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em cujo adro teria sido sepultado. A bandeira e as armas e brasão da cidade, que contém um braço estendido, memorizam este fato.

Criação da vila thumb|esquerda|Gravura de Barbacena por Rugendas, cerca de 1820. Em 14 de agosto de 1791, foi criada a Vila de Barbacena e erigido o respectivo pelourinho e Câmara pelo Visconde de Barbacena, D. Luís Antônio Furtado de Mendonça, então governador e capitão-general da capitania, que deu à vila o seu próprio título (originalmente, de Barbacena, em Portugal).

Barbacena, por meio de sua Câmara, foi a primeira vila de Minas Gerais a enviar representação a D. Pedro I, então príncipe regente, em favor do "Fico" (ocorrido em 9 de janeiro de 1822). Em 11 de fevereiro de 1822, a Câmara de Barbacena dirigiu ao príncipe regente numa representação demonstrando franco apoio, e afirmando que, caso fosse preciso, os cidadãos da Vila estavam preparados para descer "em massa" ao Rio de Janeiro tomando armas em defesa do Príncipe. Estes atos lhe valeram o título de nobre e muito leal, conferido por decreto, de 24 de fevereiro de 1823 e alvará de 17 de março do mesmo ano.

Revolta dos liberais de 1842 thumb|esquerda|Cadeia Velha - construção do início do . Barbacena foi elevada a cidade pela Lei Provincial nº. 163, de 9 de março de 1840. Em 10 de junho de 1842, a cidade aderiu à Revolução Liberal. Instada pela Guarda Nacional e o povo, a Câmara Municipal declarou a cidade sede do governo da província e deu posse a José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, depois Barão de Cocais, como "presidente interino da Província". Depois deste episódio, ficaram presos vários dos revolucionários na "Cadeia Velha", dentre eles o Conde de Prados, político do Império.

Dentre os barbacenenses que atuaram no movimento, além do Conde de Prados Camilo Ferreira Armond, participaram o Cel. Marcelino Ferreira Armond, 1º Barão de Pitangui, os irmãos João Gualberto, Pedro Teixeira e Antônio Teixeira de Carvalho e o vigário Joaquim Camilo de Brito.

O fim do Por ocasião da Guerra do Paraguai, a cidade forneceu 152 voluntários e 77 guardas nacionais para o esforço de guerra. Em 1889, Barbacena hospedou o Imperador D. Pedro II em sua última viagem a Minas Gerais e, em 1893, sediou a sessão extraordinária do Congresso Mineiro que deliberou sobre a mudança da capital do estado de Ouro Preto para Belo Horizonte.

No fim do , atendendo a uma política do Império, o município recebeu um grande número de imigrantes italianos. A primeira leva era composta por agricultores, a maioria veio do norte da Itália. Em 15 de abril de 1888, o Governo Imperial inaugurou uma colônia de imigrantes nos arredores de Barbacena. O local foi denominado "Colônia Rodrigo Silva", homenageando o então ministro da Agricultura. Assim como em todo o País, à época, o fluxo imigratório na cidade colaborou para o crescimento, a diversificação das atividades comerciais e agrícolas e o desenvolvimento de indústrias, como sericicultura, cerâmica, marcenaria e construção civil.

O fórum judicial e o entrocamento da Oeste thumb|direita|Trem misto de passageiros/calcário passando pela Estação de Padre Brito da EFOM em setembro de 1977 Em 30 de junho de 1923 foram inaugurados simultaneamente o entroncamento da "antiga linha da Oeste" (Estrada de Ferro Oeste de Minas) ligando a cidade a São João del-Rei e o edifício do foro judicial, que mais tarde recebeu o nome de "Mendes Pimentel", foi construído durante o governo Arthur Bernardes e inaugurado na gestão Raul Soares. Na ocasião serviu de instalação para os cartórios do 1º. e 2º. ofícios, escrivania de paz, coletoria estadual e tribunal do júri. As inaugurações foram feitas pelo Ministro da Viação Francisco Sá, pelo secretário do Interior Melo Viana e pelo Secretário da Agricultura Daniel de Carvalho com a presença do Arcebispo da Arquidiocese de Mariana, dom Helvécio Gomes de Oliveira e do padre Sinfrônio de Castro e dos deputados Bias Fortes e José Bonifácio.Jornal "Cidade de Barbacena" nºs. 1765 e 1906, de 26 de janeiro de 1922 e 30 de junho de 1923; Hemeroteca do Arquivo Público Mineiro

O edital de concorrência da obra do fórum foi publicado em 25 de fevereiro de 1922 no órgão oficial do Estado, a edificação se deu em terreno adquirido pela Câmara Municipal alguns anos antes na esquina da antiga rua da "Boa Morte" e estava orçada em 77:652$800 ("contos de réis"). Em 1930 o prédio serviu de sede para o Comando Revolucionário em Barbacena.

Duas revoluções thumb|direita|Fórum Mendes Pimentel, em 1923. A cidade teve participação ativa na Revolução de 1930 e na Revolução de 1932. Localizada estrategicamente às margens da estrada que levava à capital, Rio de Janeiro, a cidade foi sede do "Quartel-General da 4ª Região Militar Revolucionária", em 1930. O avanço dos revolucionários de Barbacena sobre Juiz de Fora e a tomada desta praça, com a rendição e adesão das tropas legalistas, tornou livre o acesso dos mineiros à capital da República. Esse fato foi decisivo para a deposição de Washington Luís e a vitória da Revolução.

Hospital Colônia de Barbacena

O Hospital Colônia thumb|direita|Construção da Colônia dos Alienados de Barbacena em 1921 (Arquivo Nacional). A cidade atraiu muitos manicômios em decorrência da antiga ideia, defendida por alguns médicos, de que seu clima ameno, com temperaturas médias bem baixas para os padrões brasileiros, faria com que os doentes mentais ficassem mais quietos e menos arredios, supostamente facilitando o tratamento.

O Hospital Colônia de Barbacena foi fundado em 1903Goulart, M. S. B. e Durães, F. "A reforma e os hospitais psiquiátricos: histórias da desinstitucionalização", pg. 113 e, após pouco tempo de sua inauguração, tornou-se referência nacional em Psiquiatria, sendo procurado por diversas famílias que buscavam tratamento para seus "desajustados". Tendo inicialmente cerca de 200 leitos, o Colônia estava operando muito acima de sua capacidade normal, contando com, em média, 5 mil pacientes por internação na década de 1950 - há um relato, do Doutor Jairo Toledo, que, em um único dia, dezessete pacientes vieram a morrer durante a madrugada, vítimas do intenso frio.