thumb|right|500px|Detalhamento amplo dos membros mais e menos conhecidos do Grupo de Bloomsbury thumb|direita|200px|Lytton Strachey e Virginia Woolf thumb|direita|200px|Da esq. para a dir.: Lady Ottoline Morrell, Maria Nys (ambas não integravam o grupo), acompanhadas de Lytton Strachey, Duncan Grant e Vanessa Bell Grupo de Bloomsbury, Círculo de Bloomsbury ou apenas Bloomsbury, como seus participantes geralmente se autodenominavam, foi um grupo de artistas e intelectuais britânicosFargis, p. 262 que existiu entre 1905 e o fim da II Guerra Mundial. Dentre seus membros mais conhecidos estão Virginia Woolf, John Maynard Keynes, E. M. Forster e Lytton Strachey. Essa coletividade de amigos e parentes moraram, trabalharam ou estudaram juntos em Bloomsbury, Londres, durante a primeira metade do século XX. De acordo com Ian Ousby (em tradução livre), "apesar de seus membros negarem formar um grupo ou qualquer associação formal, eles permaneceram unidos na crença da importância das artes" Ousby, p. 95. Suas obras e perspectivas influenciaram profundamente a literatura, estética, criticismo e economia bem como posturas modernas em relação ao feminismo, pacifismo e sexualidade. The Bloomsbury Group: Artists, Writers & Thinkers

O grupo Quase tudo o que diz respeito ao grupo é matéria de controvérsias, desde a sua composição até seu nome.Lee, p. 262 Atualmente, entretanto, parece claro que, na origem, dele participaram conhecidos romancistas e ensaístas. Eis uma relação:

Clive Bell, crítico de arte Vanessa Bell, pintora pós-impressionista E.M. Forster, escritor de ficção Roger Fry, crítico de arte e pintor pós-impressionista Duncan Grant, pintor pós-impressionista John Maynard Keynes, economista Desmond MacCarthy, jornalista literário Lytton Strachey, biógrafo Leonard Woolf, ensaísta e escritor de não-ficção Virginia Woolf, escritora de ficção e ensaísta

Adicionalmente a esses dez, Leonard Woolf, na década de 1960, listou os membros do "Velho Bloomsbury": Adrian Stephen e Karin Stephen; Saxon Sydney-Turner e Molly MacCarthy; Julian Bell, Quentin Bell e Angelica Bell; além de David GarnettKnights, S., 2015, como uma adição tardia".Lee, p. 263 Exceto por Forster, que havia publicado três romances antes do bem-sucedido "Howards End" (1910), o grupo teve desenvolvimento posterior.Gadd, p. 103-7

O grupo gerou casamentos estáveis, mas também diversos e complicados casos de traição entre os membros Lytton Strachey e seu primo e amante Duncan GrantKuger, p. 231–232 se tornaram amigos próximos das irmãs Stephens, Vanessa Bell e Virginia Woolf. Duncan tinha relacionamentos amorosos com David Garnett, Maynard Keynes, James Strachey, Vanessa Bell e Adrian Stephen. Clive Bell casou-se com Vanessa em 1907, e Leonard Woolf voltou do Serviço Civil no Ceilão (país conhecido hoje como Sri Lanka) para se casar com Virginia em 1912. A fraternidade dos Apóstolos de Cambridge trouxe para dentro do grupo Desmond MacCarthy, sua esposa, Molly MacCarthy, e E. M. Forster.

O grupo se encontrava não apenas em suas residências em Bloomsbury, no centro de Londres, mas também nos seus retiros no interior. Duas significantes se localizam perto de Lewes, em Sussex: a Fazenda Charleston, para onde Vanessa Bell e Duncan Grant se mudaram, em 1916, e a Casa do Monge, em Rodmell, propriedade de Virginia e Leonard Woolf a partir de 1919, e hoje, em posse do Patrimônio Nacional do Reino Unido.Rosenbaum, pp. 208, 430-431, 437

Dois membros do Grupo Bloomsbury estão sepultados em Ascension Parish Burial Ground, Cambridge: Sir Desmond e Lady Molly McCarthy; existem outros nove membros dos Apóstolos de Cambridge enterrados no mesmo cemitério, um deles o filósofo G.E. Moore que teve grande influência sobre eles.Sir Desmond MacCarthy (1877 - 1952) - Find A Grave Memorial. Findagrave.com. Recuperado em 04-04-2014.Lady Mary Josepha "Mollie" Warre-Cornish MacCarthy (1882 - 1953) - Find A Grave Memorial. Findagrave.com. Recuperado em 04-04-2014-04-04

Outros

Amigos próximos, irmãs, irmãos e parceiros e amigos ocasionais não foram necessariamente membros do Bloomsbury: a esposa de Keynes, Lydia Lopokova, foi aceita relutantemente pelo grupo,Clarke, p. 56 assim como escritores que, em algum momento, foram amigos próximos de Virginia Woolf, não foram distinguidos como sendo do 'Bloomsbury': T. S. Eliot, Katherine Mansfield e Hugh Walpole. Outra personalidade foi Vita Sackville-West, autora de best-sellers pela "Hogarth Press".Lee, p. 447 Membros citados em outras listas incluem Ottoline Morrell, Dora Carrington, James e/ou Alix Strachey.

Origens

Os membros masculinos do Grupo Bloomsbury, exceto Duncan Grant, foram educados na Universidade de Cambridge, Trinity ou Faculdade King. A maior parte deles, exceto Clive Bell e os irmãos Stephen, eram participantes da "sociedade exclusiva de Cambridge, os 'Apóstolos de Cambridge'". Em Trinity em 1899 Lytton Strachey, Leonard Woolf, Saxon Sydney-Turner e Clive Bell se tornaram bons amigos de Thoby Stephen, e foi através das irmãs dele e Adrian Stephen, Vanessa e Virginia que os homens encontraram as mulheres de Bloomsbury quando vieram a Londres.Gadd, p. 20Blythe, p. 54

Em 1905, Vanessa começou o "Clube da Sexta-feira" enquanto Thoby frequentava as "Noites de Quinta-feira", que se tornaram as bases do Grupo BloomsburyTate, Bloomsbury timeline que alguns definiram como "a Cambridge em Londres" . A morte prematura de Thoby em 1906 trouxe maior união ao grupo e passaram a se referir ao mesmo como "Velho Bloomsbury" num encontro no início de 1912. Nas décadas de 1920 e 1930 o grupo aos poucos se desfez quando os membros originais morreram e a próxima geração se tornou adulta.Rosenbaum, p. 142

thumb|Placa memorial em Gordon Square ou Praça Gordon, 51, Londres O Grupo Bloomsbury tinha membros vindos de famílias de profissionais da classe alta, parte de uma "aristocracia intelectual". Foi uma rede informalGadd, pp. 1, 45Kuper p. 224 composta de artistas, críticos de arte, escritores e economistas — muitos que moraram no bairro londrino conhecido como Bloomsbury.Avery, p. 33. Eles foram "espiritualmente" similares ao Grupo Clapham que apoiava as respectivas carreiras dos membros: "Os Bloomsberries promoviam os trabalhos e as carreiras uns dos outros como os antigos Claphamites faziam, bem como as gerações intervenientes de seus pais e avós".Kuper, p. 241.

Uma característica histórica desses amigos é que as relações de maior proximidade se estabeleceram antes que ganhassem fama como escritores, artistas e pensadores.

Ideias compartilhadas A vida e obra dos membros do grupo mostraram trocas e similaridades de ideias e atitudes que ajudaram a manter amigos e parentes juntos, refletindo em grande parte a influência de G. E. Moore (em tradução livre): "a essência do que Bloomsbury trouxe de Moore está contida em seu pensamento de que 'os principais aspectos da vida são o amor, a criação e o aproveitamento da experiência estética e a busca do conhecimento'".

Filosofia e Ética Através dos Apóstolos eles encontraram os pensadores analíticos G. E. Moore e Bertrand Russell que revolucionavam a filosofia britânica do começo do Século XX. A distinção entre fins e meios era lugar comum na Ética, mas o que Moore em Principia Ethica (1903) trouxe de importante para a filosofia do Bloomsbury foi sua concepção de valor intrínseco distinto de valor instrumental. Como a distinção entre amor (estado intrínseco) e monogamia (um comportamento), o que influenciou os Bloomsburies a manterem uma ética baseada em mérito intrínseco, independente de, e sem referências para, consequências de suas ações. Para Moore, valor intrínseco dependeria de uma intuição indeterminada de bom e um conceito de estados complexos de consciência cujo todo não era proporcional a soma das partes. Tanto para Moore como para Bloomsbury, os maiores bens éticos são "a importância das relações pessoais e a vida privada", bem como a apreciação estética: "arte pela arte".Forster, pp. 64, 96

Rejeição de hábitos burgueses Bloomsbury reagia contra rituais sociais correntes, "os hábitos burgueses ... as convenções da vida Vitoriana"Lee, p. 54 com ênfase deles para a conquista do público, em favor de um foco maior na informalidade e privacidade das relações pessoais e do prazer individual. E. M. Forster, por exemplo, aprovou "o declínio da esperteza e moda como fatores, e o crescimento da ideia da diversão",Forster, p. 111 e afirmou que "se eu tivesse que escolher entre trair meu país ou trair meu amigo, eu esperaria que tivesse a coragem de trair o meu país".Forster, p. 76

O Grupo "acreditava no prazer ... Eles tentavam obter o máximo de prazer em suas relações pessoais. Se isso significasse triângulos amorosos ou figuras geométricas mais complicadas, então isso era também aceito".Snow, p. 84 Ainda que aos mesmo tempo eles compartilhassem de um sofisticado, civilizado e altamente abstrativo ideal de prazer. Como Virginia Woolf abordou, o seu "triunfo está em exteriorizar um ponto de vista sobre viver que não tem nada de corrupto ou sinistro ou meramente intelectual; de fato, ascéticos e austeros; o que ainda nos une, e mantém nossos jantares em reunião, e nos faz permanecer juntos, após 20 anos".Citado em Lee, p. 268

Políticas Politicamente, Bloomsbury tinha tendências da Esquerda-Liberal (se opunham ao militarismo, por exemplo); mas seus "clubes e reuniões não eram ativistas, como em organizações políticas das quais muitos de seus membros também faziam parte", e que por isso foram criticados pelos seus sucessores da década de 1930, que em contraste foram "tocados fortemente pelas políticas que os Bloomsbury tinham rejeitados" Lee, pp. 263, 613.

A campanha do sufrágio para as mulheres aderiu à natureza controversa do Bloomsbury, com Virginia Woolf tendo representado o grupo com os fictícios The Years e Night and Day que abordaram esse movimento reivindicatório.Koppen, p. 16.

Arte Roger Fry reuniu o grupo em 1910. Suas exibições pós-impressionistas de 1910 e 1912 envolveram Bloomsbury numa segunda revolução, seguida a da filosofia de Cambridge. Nesta época, os pintores do Bloomsbury foram muito envolvidos e influenciados. Fry e outros artistas do Bloomsbury rejeitavam a distinção tradicional entre Belas Artes e arte decorativa.Oxford University Press, p. 477

Essas "suposições Bloomsbury" estão refletidas no criticismo do materialismo por seus membros, nas pintura e ficção, influenciado sobretudo pelo conceito de Clive Bell da 'significância da forma', que separou e elevou o conceito da forma sobre o conteúdo nas obras dos artistas":Ousby, p. 71 foi sendo sugerido que, com seu "foco na forma" ...as ideias de Bells foram substituindo, até demais, os princípios estéticos do Grupo Bloomsbury".Tew and Murray, p. 122, 127

Primeira Guerra Mundial O Velho Bloomsbury foi inevitavelmente impactado, assim como toda a cultura modernista, pelo advento da Primeira Guerra Mundial: assim, "foi dito por alguns que o pequeno mundo de Bloomsbury teve os limites periféricos definitivamente ultrapassados", pelo fato que a amizade "sobreviveu aos ferimentos e turbulências da guerra, e até tiveram os laços reforçados".Gadd, p. 63 A maioria mas nem todos tinham objeções de consciência, o que foi adicionado as controvérsias do grupo. Politicamente os membros do Bloomsbury tinham tendências liberais e socialistas.Rosenbaum, p. 112, 393