Ipanema é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 78% da população vivendo na zona urbana, Ipanema contava, em 2009, com 13 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,693, classificado como médio em relação à média nacional.

O desbravamento da região ocorreu no decorrer do século XIX, tendo os primeiros habitantes se afixado atraídos pelas terras férteis e propícias à agricultura, formando-se então um povoamento. Em 1880, foi criado o distrito, subordinado a Caratinga, que foi emancipado em 1911 e instalado em 7 de setembro de 1912. Ao longo do século XX, a agricultura cedeu espaço à pecuária e ao setor de prestação de serviços na participação econômica municipal.

O artesanato e a presença de grupos musicais, teatrais e de dança configuram-se como algumas das principais manifestações culturais, juntamente com os eventos festivos tais como o Carnaval, as comemorações do aniversário da cidade e as celebrações tradicionais religiosas da Semana Santa e Corpus Christi. O turismo rural também se faz presente em Ipanema, com fazendas, trilhas e cachoeiras e propriedades rurais e escaladas e saltos em voo livre na Serra da Pipoca.

História A área onde hoje está situado o município de Ipanema era ocupada originalmente pelos Aimorés. O primeiro forasteiro a adentrar a região teria sido José Pedro de Alcântara, por volta da década de 1840. Às margens de um rio, em uma figueira, encontrou-se mais tarde talhada a descrição "Até aqui chegou José Pedro". Na mesma ocasião, esteve presente Manoel Francisco de Paula Cunha, após este ter abandonado seu cargo na Guarda Nacional, refugiando-se da Guerra de Santa Luzia. Bernardes Leão apossou-se de terras na localidade em 1851, disputando território com os nativos, assim como Antônio José da Costa, que apoderou-se de um terreno de 5 hectares onde cultivou café e árvores frutíferas.

O estabelecimento dos primeiros habitantes serviu como pretexto para a vinda de novos residentes, que encontravam recursos aptos à economia baseada na agricultura e na pecuária, culminando na formação de um povoamento, denominado Rio José Pedro, em honra à figueira talhada descrita acima. O vigário de Vermelho Novo, padre Maximiniamo, celebrou a primeira missa da localidade em 1872 e no ano seguinte foi construída a primeira capela, a mando do padre Sócrates Colare. Dado o desenvolvimento, pela lei provincial nº 2.657, de 4 de novembro de 1880, foi criado o distrito, denominado Santo Antônio do Rio José Pedro e subordinado a Caratinga. Pelo decreto estadual nº 418, de 11 de março de 1891, o mesmo foi transferido para Manhuaçu. A lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, no entanto, decretou a promoção à categoria de vila e então sua emancipação, instalando-se em 7 de setembro de 1912 com o nome de Rio José Pedro.

O novo município sofreu uma série de alterações em sua formação administrativa. Ao ser criado, era composto por cinco distritos, além da sede: São José da Ponte Nova, São Manuel do Mutum, São Sebastião do Ocidente (já existentes e pertencentes a Manhuaçu), Barra do Manhuaçu e Pocrane (recém criados). Pela lei nº 824, de 10 de abril de 1912, foram desmembrados São Manuel e São Sebastião do Ocidente para formar o município de São Manuel do Mutum (atual Mutum). Pela lei estadual nº 590, de 3 de setembro do mesmo ano, foi adquirido de Manhuaçu o distrito de Passagem do Manhuaçu e pela lei estadual nº 665, de 23 de agosto de 1916, foi criado o distrito de Lajinha do Chalé. Rio José Pedro passou a denominar-se simplesmente José Pedro e o distrito de São José da Ponte Nova recebeu o nome de Tuparuba pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923. Mediante a lei estadual nº 1.035, de 20 de setembro de 1928, o município recebeu a denominação de Ipanema.

Pela lei estadual nº 1.128, de 19 de outubro de 1929, o distrito de Lajinha do Chalé recebeu o nome de Lajinha e São Domingos do Rio José Pedro passa a denominar-se Chalé, sendo ambos desmembrados para constituir o município de Lajinha pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, mais tarde dando origem a Chalé. Pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Passagem passou a denominar-se Assaraí, sendo desmembrado, juntamente com Pocrane, para constituir o município de Pocrane pela lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948. O mesmo decreto criou ainda o distrito de Conceição de Ipanema, emancipado pela lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953. Por fim, pela lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, foi emancipado o distrito de Taparuba, restando a partir de então apenas o distrito-sede.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º48'03" de latitude sul e 41°42'47" de longitude oeste e está a uma distância de 372 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Inhapim, a norte; Caratinga, a leste; Simonésia, a sudoeste; Conceição de Ipanema, a sul; Taparuba, a leste; e Pocrane, a nordeste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Juiz de Fora e Imediata de Manhuaçu. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Aimorés, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.

Relevo, hidrografia e meio ambiente O relevo do município de Ipanema é predominantemente ondulado. A altitude máxima encontra-se na Serra da Pipoca, que chega aos 955 metros, enquanto que a altitude mínima está no rio José Pedro, com 295 metros. Já o ponto central da cidade está a . A vegetação predominante é a Mata Atlântica, cujas reservas remanescentes ocupavam hectares em 2011, ou 12,9% da área total municipal. Parte da área do município faz parte do raio de abrangência da Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, sediada em Caratinga, onde é encontrado o muriqui-do-norte, que é o maior primata da América do Sul.

O principal manancial que passa por Ipanema é o rio Manhuaçu, porém o território municipal é banhado por vários cursos hídricos de menor porte, sendo alguns deles o rio José Pedro e o córrego do Cobrador, fazendo parte da bacia do rio Doce. O rio José Pedro possui um considerável potencial hidrelétrico, comportando no município pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Por vezes, na estação das chuvas, os leitos que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que também atingiram vários municípios do leste mineiro banhados pelo rio Doce e seus afluentes.

Clima Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados em Ipanema por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 26/01/1979 Julho 20/07/1941 Fevereiro 11/02/1981 Agosto 12/08/1947 Março 14/03/1982 Setembro 29/09/1984 Abril 12/04/2004 Outubro 29/10/1949 Maio 23/05/2005 Novembro 12/11/1981 Junho 13/06/2009 Dezembro 15/12/2014 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima ipanemense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, março, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de mm, sendo junho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2011, por exemplo, a precipitação de chuva na cidade não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.

Segundo dados do Sistema de Monitoramento Agroclimático (Agritempo), coletados entre 2008 e 2014, a menor temperatura registrada em Ipanema foi de , ocorrida no dia 17 de agosto de 2010, enquanto que a maior foi de em 31 de outubro de 2012. De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1941 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Ipanema foi de no dia 26 de janeiro de 1979. Outros grandes acumulados foram de em 11 de fevereiro de 1981, em 15 de dezembro de 2014 e em 30 de janeiro de 1979. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 684º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 1,9147 raios por quilômetro quadrado.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. O IBGE considera Ipanema como um centro de zona B, ou seja, a cidade exerce influência preponderante sobre um ou mais municípios próximos; neste caso, sobre Taparuba. Da população total em 2010, habitantes (22,01%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (67,13%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (10,86%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 75,9 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,9.

Em 2010, a população ipanemense era composta por brancos (45,20%), negros (6,46%), 72 amarelos (1,40%), pardos (47,91%) e sete indígenas (0,04%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (98,72%), 119 no Nordeste (0,65%), 34 no Centro-Oeste (0,19%) e 41 no Sul (0,23%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (93,77%) e, desse total, eram nascidos em Ipanema (66,21%). Entre os naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 465 pessoas (2,56%), seguido pelo Espírito Santo, com 286 residentes (1,57%), e pelo Rio de Janeiro, com 150 habitantes residentes no município (0,82%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Ipanema é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,693 (o 2105º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,586, o valor do índice de longevidade é de 0,848 e o de renda é de 0,670. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 43,9% e em 2010, 82,5% da população vivia acima da linha de pobreza, 11,7% encontrava-se na linha da pobreza e 5,7% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,524, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 57,9%, ou seja, 15,6 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 3,7%.