José Frederico Bravo de Drummond Ludovice (Lisboa, 3 de Dezembro de 1919 – Sobral de Monte Agraço, 19 de Setembro de 2007) foi um arquitecto e compositor português.
Biografia
Filho do tesoureiro-mor da Câmara Municipal de Lisboa, Leopoldo Humberto Frederico de Drummond Ludovice e de sua esposa Juvenália Amélia D’Oliveira Ferraz Bravo, Compositora e Pintora, discípula do Grande Mestre Malhoa, Bordalo Pinheiro e Conceição e Silva; neto materno da pianista compositora, Maria Amélia d´Oliveira Ferraz Bravo, mais conhecida por Maria Bravo, com nome artístico de AD Brinita nas suas partituras editadas; hexaneto e pentaneto por linha varonil dos dois arquitetos do Palácio Convento de Mafra, o célebre Arquiteto/ Ourives João Frederico Ludovice e seu filho também arquiteto formado na escola do risco em Mafra, João Pedro Ludovice e tetraneto do diplomata e conselheiro António de Menezes e Vasconcelos de Drummond. José Frederico Ludovice nasceu a 3 de Dezembro de 1919, em Belém, Pedrouços, Lisboa.
Desde tenra idade que se iniciou no piano com as duas mestres que possuía em casa, ambas compositoras e pianistas, a sua mãe Juvenália Amélia de Oliveira Ferraz Bravo e a sua avó Maria Amélia Ferraz Bravo. Ambas discipulas do grande mestre pianista e compositor óscar da Silva, por sua vez discípulo da grande pianista e compositora Clara Jesephine Wieck Schumann. Entre muitas composições suas destaca-se o Hino para a OTAN em 1951 e em 1949, a canção Estoril, Esta música para o Estoril, foi inspirada pelo amanhecer, junto ao mar, no Tamariz, quando depois de ter saído do Casino Estoril, onde tocava piano, nos anos quarenta, aguardava transporte para regressar a Lisboa. Depois de a ter tocado em presença do amigo Fernando d’Eça Leal, este entusiasmado ofereceu-se para escrever a letra para a mesma. Inicialmente a música foi concebida com um ritmo não de bolero, mais livre e só depois, para ser tocada como música de dança, nas boites, passou a bolero. Passados alguns anos, encontrando-se em Angola, foi-lhe solicitada a autorização para a referida composição servir como música de fundo do documentário, (Costa do Sol ) sobre o Estoril, sendo a música adaptada por Segundo Galarza.
Em 1945 já se reuniam em casa dos irmãos Sangareau alguns entusiastas do Jazz, ou da música HOT em contraposição à música clássica. Luiz Villas-Boas, os irmãos Ivo e Augusto Mayer, José Frederico Drummond Ludovice, Gérard de Castelo Lopes e a própria Helena Villas-Boas reuniam-se para trocar discos, escutar as novidades e tocar. O grupo foi-se alargando e organizando, de forma mais ou menos informal, sessões de jazz com músicos portugueses e estrangeiros que, estando de passagem por Lisboa eram convidados a juntar-se.
Com o terreno preparado para fundar um clube de Jazz, (uma vez que através de um programa de rádio reunia desde 1948 potenciais sócios com este propósito), este grupo, liderado por Luiz Villas-Boas passou ao passo seguinte: a sua formalização. A 16 de Março de 1950 foram aprovados os Estatutos do Hot Clube de Portugal com o slogan “Divulgação da Música de Jazz”.Informação verbal transmitida pelo próprio, amigo de Villas Boas e dos irmãos Mayer, com quem tocava. Todos já falecidos. Mas deve haver alguma documentação que faça essa referência.
Estudou em Lisboa no Liceu Camões e mais tarde em 1953, formou-se em arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Foi aluno de entre outros mestres do escultor Leopoldo de Almeida e do arquiteto Luís Cristino da Silva.
Em 1953 apresentou no Concurso para a Obtenção do Diploma de Arquiteto (CODA) na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (a mais longa Defesa de Tese realizada até então naquela escola), um projeto para um Seminário Maior, a integrar numa possível Universidade Católica a construir em Portugal, na encosta da Ajuda, fazendo parte dele um bloco de vinte pisos, o que era bastante arrojado para aquela época. Obteve a classificação de 18 valores.
Nos anos de 1953/54, tirocinou no atelier da Câmara Municipal de Lisboa sob a direção do arquiteto Francisco Keil do Amaral, dando continuidade ao projeto de Monsanto com 3 projetos de bares restaurante.
Foi Professor do Ensino Técnico e Liceal da disciplina de Desenho nos períodos de 1948-1968 e de 1977-1990.
Tirou ainda o curso de Ciências Pedagógicas com a média de 16 valores; frequentou os cursos de Cenografia e Música no Conservatório Nacional tendo colaborado com o Professor Hugo Manuel, no Teatro de São Carlos nos cenários de representação de 7 óperas, entre as quais, o Barbeiro de Sevilha, o Rigoleto e Falstaf.
1954 – Participa com uma partitura sua no concurso internacional de música sobre o Hino Olímpico.
Em 1954, desempenhou as funções de Arquiteto da Câmara de Lisboa.
Em 1958 foi Arquiteto Avençado da Câmara Municipal de Sines, onde desenvolveu o Plano de Urbanização de Sines.
1957 – Participa no Concurso para o monumento ao Infante D. Henrique a construir no promontório de Sagres.
No ano de 1958 parte para África, e fica a residir em Sá da Bandeira, atual cidade do Lubango, Huíla em Angola.
1960-1963 - Foi Arquiteto chefe da 6.º Secção de Urbanização dos Serviços de Obras Públicas e Comunicaçõ88es de Angola.
Em 1962, projeta a Esplanada Capela na Senhora do Monte em Sá da Bandeira.
«Dado que a Capelinha de Nossa Senhora do Monte não pode comportar o número de fiéis que ali acorrem por ocasião dos festejos de 15 de Agosto, decidiu a Câmara Municipal procurar, por intermédio do seu Arquiteto, José Frederico Ludovice, uma solução para aquele óbice.
Então o arquiteto, apresentou uma solução, com um largo recinto escavado na encosta da serra permitindo a implantação de uma esplanada capela, solução pouco dispendiosa, na qual o altar e as bancadas em pedra estão ao ar livre e como fundo um baldaquino com o desenvolvimento de 21 metros e uma agulha de 17.60m em betão armado, assim como a estátua, a qual pesa 750 quilos e tem a altura de 2,5m. As cordas da "harpa" são em tubos de fibrocimento e a cruz é de tubo galvanizado. O peixe, símbolo da Eucaristia, é de ferro forjado. O altar, bloco maciço, de tijolo, coberto de "onkhula", reclama o lajeamento e respetivos assentos, que até hoje não foram executados. Sendo atualmente considerada o símbolo espiritual de Angola» . 1963 - O Monumento ao General João de Almeida. José Frederico Ludovice foi encarregado pela Câmara Municipal de Sá da Bandeira de projetar um monumento em homenagem ao General João de Almeida, primeiro Governador da Huíla. A obra destinava-se a ser inaugurada durante a visita oficial do Presidente da República Portuguesa, Américo Tomás, realizada em 30 de setembro de 1963. Apesar do reduzido prazo de execução, o monumento e a respetiva escultura foram concluídos a tempo da cerimónia.
A composição arquitetónica revela uma forte carga simbólica. O pedestal da estátua assume a forma de uma pirâmide invertida, ligada por uma ponte a um corpo triangular, alongado e vazado, cuja configuração evoca uma harpa, implantada no centro de um espelho de água. A opção pela pirâmide invertida não foi meramente formal: tratou-se de uma metáfora concebida por José Frederico Ludovice para representar a instabilidade política que caracterizava a região da Huíla antes da ação governativa do General João de Almeida. Sendo a pirâmide invertida uma forma naturalmente instável, a escultura do general simbolizava, precisamente, a capacidade de conferir equilíbrio e estabilidade a uma realidade política particularmente frágil.
A escultura original foi executada por Olga Varandas. No entanto, segundo o próprio José Frederico Ludovice, a linguagem plástica da figura não correspondia inteiramente ao carácter estilizado e moderno que idealizara para o conjunto arquitetónico.
Com a independência de Angola, em 1975, muitos monumentos associados ao período colonial foram removidos ou transformados. A estátua do General João de Almeida foi desmontada, mas o governo angolano reconheceu o valor arquitetónico do monumento concebido por Ludovice e optou por preservar a sua estrutura. Em substituição da escultura original, foi instalada uma nova figura dedicada à libertação do povo angolano.
A nova escultura, da autoria de Henrique Arede, inspirada nas proporções do Modulor de Le Corbusier, estabeleceu uma relação mais coerente com a linguagem arquitetónica do monumento. José Frederico Ludovice apreciou particularmente esta integração, considerando que a nova intervenção reforçava a unidade estética da obra.
Na sua configuração atual, o monumento adquiriu um significado inteiramente novo. A figura humana representa o povo angolano e encontra-se colocada sobre o pedestal em forma de pirâmide invertida. A inversão da pirâmide, inicialmente concebida como símbolo de uma situação instável, passou a sugerir uma nova leitura: a do povo como fundamento e detentor do poder. Ao mesmo tempo, o elemento vertical que evoca uma harpa continua a desempenhar um papel determinante na composição. Atravessado pelo vento, produz uma subtil ressonância sonora, enquanto a incidência da luz solar projeta jogos de sombras e feixes luminosos que acentuam a expressividade do conjunto.
Poucas obras conseguem atravessar diferentes contextos históricos conservando a sua relevância simbólica. Este monumento constitui um exemplo notável dessa capacidade de ressignificação. Concebido, em 1963, como homenagem a uma figura da administração colonial portuguesa, foi reinterpretado, após a independência de Angola, como monumento à libertação nacional, preservando integralmente a sua estrutura arquitetónica. Em 2006, a sua silhueta estilizada — conhecida como a Harpa do Lubango — foi adotada como ex-líbris da cidade do Lubango, tornando-se um dos seus mais reconhecidos símbolos urbanos e patrimoniais.
1963/64 - José Frederico Ludovice, projeta para si uma Moradia na cidade do Lubango. Obra de desenho e volumetria modernos, com grande expressividade dos seus materiais, nomeadamente no uso do betão armado.
- Em 1965, concluiu o Curso de ciências pedagógicas com a média de 16 (dezesseis) valores.
- No ano de 1968 – no dia 9 de Março tomou posse do lugar de Arquiteto Privativo da Câmara Municipal de Sá da Bandeira, documento que passo a citar.
Serviços Técnicos do Município de Sá da Bandeira/Lubango/Angola, 9 de Março de 1968: « Tomou posse no dia 9 do corrente do lugar de Arquiteto Privativo desta Câmara Municipal, José Frederico Bravo de Drummond Ludovice, que desempenhou funções docentes no Liceu Nacional de Diogo Cão. Espera assim esta Câmara dar mais um impulso no desenvolvimento citadino, principalmente no seu especto urbanístico porquanto o técnico ora admitido, que já prestou o seu contributo a esta Cidade quer como integrado nos serviços de Obras Públicas quer como avençado deste Município, deu bastantes provas de bom gosto, sentido de realidades e competência. Após um grande interregno durante o qual o Município sempre lutou pelo preenchimento do lugar de Arquiteto conseguiu-se finalmente suprir uma lacuna nos serviços técnicos Municipais, que contam com a colaboração de um engenheiro civil e de outro Eletrotécnico, ambos avençados. »
1970-1975- Foi assistente das cadeiras de desenho, métodos gráficos e história do pensamento matemático e desempenhando as regências destas cadeiras, na Secção de Matemática de Sá da Bandeira, Universidade de Luanda.
1975-1990 - Reformado da Universidade de Luanda em 1975, dedicou-se ao ensino particular tendo lecionado no Colégio Manuel Bernardes e mais tarde, em 1982, no Externato Irene Lisboa onde permanece até 1990, ano em que se reformou do Ensino Particular.
Vivia na Vila de Sobral de Monte Agraço desde 1982 onde construiu para si uma moradia.