O Jardim Botânico de São Paulo foi fundado em 1928 a partir de um convite feito ao naturalista brasileiro Frederico Carlos Hoehne, para que implantasse um projeto de botânica na região da Água Funda, na cidade de São Paulo. Antes disso a região servia para abastecimento de água do Ipiranga (bairro da cidade de São Paulo). Nesse mesmo ano foi criado por Frederico o Orquidário de São Paulo, considerado o marco inicial do jardim. Porém, foi apenas em 1938, com a criação do Departamento de Botânica de São Paulo, que o espaço foi definidamente oficializado.Portal do Governo; Sistema Ambiental Paulista; Instituto, Histórico, Acessado em 12/09/2016.

O local tem o objetivo de mostrar o quanto a natureza é importante, e enfatizar cada vez mais o cuidado que se deve ter com a biodiversidade, a partir desse intuito ele abriga inúmeros seres vivos, como árvores em risco de extinção e 139 espécies de aves. Atualmente, o local possui cerca de 360 mil metros quadrados, espaço que abriga 380 espécies diferentes de árvores e animais como os tucanos-de-bico-verde, preguiças e bugios.Site Oficial de Turismo da Cidade de São Paulo; Jardim Botânico , Acessado em 12/09/2016.

Em 2021, o parque foi concedido à iniciativa privada para gestão pelos próximos 30 anos, juntamente com o Zoológico de São Paulo e o Zoo Safari, depois de o Consórcio Reserva Paulista vencer o processo licitatório. O direito de concessão inclui atividades como manejo, manutenção e melhorias na infraestrutura, exploração econômica, educação ambiental e apoio à pesquisa. Após ter ficado fechado devido à pandemia de Covid-19, o parque, já sob gestão privada, foi reaberto em 2022 e o valor de entrada teve um aumento de 150%.

História

Jardim Público da Luz A história do Jardim Botânico de São Paulo remonta ao final do século XVIII, com a criação do primeiro Jardim Botânico do estado, implantado no bairro da Luz, com o objetivo de aclimatar plantas de valor econômico e especiarias.

Em 19 de novembro de 1798, uma carta de D. Rodrigo de Souza Coutinho, redigida no Palácio de Queluz (Lisboa, Portugal), recomendou a construção de um jardim botânico em Salvador. Pouco depois, em 28 de maio de 1799, uma carta régia assinada pelo Príncipe Regente D. João reforçou a ordem para a criação do referido jardim. Somente em 19 de novembro de 1799, um novo aviso régio recomendou o estabelecimento de um jardim botânico em São Paulo. Devido a semelhança nas datas dos documentos, ocorreu um desencontro de informações para alguns historiadores sobre o ano do aviso régio para a instituição do Jardim Botânico de São Paulo. No entanto, o ano de 1799 é confirmado no relatório sobre o governo do primeiro presidente de São Paulo, Lucas Antonio Monteiro de Barros, Visconde de Congonhas do Campo, no qual lê-se:"O Jardim Publico da Luz, fundado em 1799, pelo Capitão General Antonio Manoel de Mello Castro e Mendonça tinha cabido em abandono, pelo que em 1825 o presidente visconde de Congonhas do Campo mandou restaurai-o e deu andamento ás obras de que necessitava; chamava-se então Jardim Botânico e antes Horto Botânico." esquerda|miniaturadaimagem|Jardim da Luz. Antonio Manoel de Mello Castro e Mendonça, como referido, documentou o processo de fundação do Jardim Botânico de São Paulo em 14 de janeiro de 1803. A conclusão do espaço, entretanto, só se deu com a determinação do Governo Imperial em 8 de outubro de 1825, com abertura ao público no dia 29 do mesmo mês.

A partir de 1830, o espaço enfrentou uma série de dificuldades, como a constante mudança da administração, o loteamento e a venda de áreas do jardim, transformando-o em um local de lazer sem coleções botânicas relevantes. Com isso, em 1838, a Assembleia Legislativa Provincial alterou o nome de Jardim Botânico para Jardim Público. Algumas áreas do local foram urbanizadas e também cedidas para a construção da Estação Ferroviária da Luz e da Pinacoteca do Estado, sendo que, atualmente, o Parque da Luz é composto por apenas 13% da área original do Jardim Botânico.

Horto Botânico da Cantareira A segunda tentativa de estabelecer um jardim botânico na cidade começou em 1888, através do Projeto nº 226 da Assembleia Provincial, apresentado pelo Dr. Alberto Löefgren. Foi apenas em 1986 que essa intenção se cumpriu, com a apropriação de uma área de 174 ha próximo ao Parque da Cantareira. O próprio Dr. Alberto Löefgren, que trabalhava como botânico na Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, fundou o espaço, notável por sua organização e estudos sobre a vegetação.

O Horto foi organizado através do Decreto Nº 1.164, de 30 de junho de 1909, o qual destinava o espaço exclusivamente para o estudo científico da flora paulista e para o serviço de reconstituição das matas do estado de São Paulo, através da organização do herbário e museu botânico, e do estudo de aclimatação e aproveitamento de essências florestais exóticas e indígenas. Ainda, dentre seus objetivos, estavam a manutenção de viveiros, distribuição de mudas e conservação e reconstituição de áreas verdes nos terrenos de propriedade do Governo.

O planejamento de transformar o horto em um jardim botânico foi frustrado por tomadas de decisões que priorizaram a sua exploração econômica. Assim, contrariando sua finalidade original, o espaço foi transformado em Horto Florestal.

Jardim Botânico de São Paulo

A iniciativa definitiva ocorreu em 1928, sob a liderança do então Secretário da Agricultura, Indústria e Comércio do Estado, Dr. Fernando Costa, que designou uma área na região das nascentes do Riacho do Ipiranga, local de relevante importância histórica e ambiental, para a criação do atual Jardim Botânico de São Paulo. A concepção do projeto foi confiada ao naturalista Frederico Carlos Hoehne, que idealizou o Jardim como espaço de valorização da flora regional. Entre suas primeiras ações, destacou-se a implantação do Orquidário do Estado, aberto à visitação em 1929. O Jardim Botânico foi oficializado em 1938, sendo vinculado ao Departamento de Botânica do Estado. Hoehne defendeu desde o início a função educativa dos jardins botânicos, antecipando conceitos de educação ambiental, e promoveu ações como o Curso de Botânica Prática em 1939, voltado a funcionários do Jardim, e a criação do Museu Botânico “Dr. João Barbosa Rodrigues” em 1942, voltado ao público estudantil.miniaturadaimagem|Museu Botânico Dr. João Barbosa Rodrigues

A criação do Curso de Botânica Prática introduziu uma nova abordagem educacional e ajudou a popularizar a ciência botânica no Brasil, estabelecendo o Jardim Botânico como um referencial educacional para a área. A iniciativa foi considerada inovadora para a época, pois os alunos tinham a oportunidade de estudar em contato direto com a flora, com atividades práticas e de pesquisas de campo. Com isso, o parque se consolidou como um local de aprendizado contínuo, valorizando o ensino e estudo da flora brasileira.

Ao longo de mais de oito décadas, o Jardim Botânico de São Paulo tem cumprido suas funções originais por meio da manutenção de coleções botânicas, pesquisas voltadas à conservação da flora e atividades educativas, tendo passado por reformas estruturais que incluem a canalização do córrego local e o enriquecimento de sua flora com espécies nativas da Mata Atlântica, consolidando-se como espaço de relevante valor histórico, científico, educativo e turístico.

Urbanização

Com o crescimento urbano e, principalmente, com a instalação de indústrias ao seu redor, o Jardim Botânico vivenciou conflitos ambientais significativos. Em 1937, a instalação da Siderúrgica Aliperti na região gerou perturbações na paisagem e poluição, principalmente devido ao lançamento de gases e material particulado no ar. Em 1984, foram instalados filtros nas chaminés para reter as partículas, mas apenas em 1991 a siderúrgica foi desativada. Além disso, a construção de barreiras físicas pelas indústrias, como grandes muros, criou uma disparidade entre o espaço verde e as áreas degradadas, o que encontra-se ainda mais intensificado atualmente com o abandono de muitas construções no entorno do Jardim Botânico.

Plano Burle Marx O paisagista Roberto Burle Marx elaborou um anteprojeto paisagístico para o Jardim Botânico (processo PC 481.011 SA/59 do Instituto de Botânica), o dividindo em hortos temáticos. Na década de 1960, o Escritório Roberto Burle Marx produziu dezenas de plantas nas escalas 1:2.500, 1:2.000, 1:1.000 e 1:500 para o delineamento do projeto, as quais encontram-se arquivadas na biblioteca do Instituto de Botânica. O plano almejava a implantação de jardins temáticos, incluindo jardins para pessoas com deficiência visual, áreas de vegetação inspirada nos biomas brasileiros e lagos de plantas aquáticas. Ainda, estavam previstos hotel para cientistas, hall de exposições, abrigo para visitantes, edificações do Instituto de Botânica, Museu da Ciência, anfiteatro, área de piquenique, praça de esportes e playground.

O Plano Burle Marx não foi concretizado apesar de diversas tentativas, sendo que apenas os lagos projetados foram implantados entre 1970-1972, período no qual o Jardim Botânico teve que suspender a visitação pública. Os principais motivos pela não efetivação do plano foram mudanças na administração do Jardim, falta de verbas e funcionários, e desinteresse pelo aumento da coleção botânica do local.

Geografia

Parque Estadual das Fontes do Ipiranga miniaturadaimagem|303x303px|Vista aérea do Parque do Estado. O Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), também conhecido como Parque do Estado ou Parque da Água Funda, é uma unidade de conservação estadual localizada no município de São Paulo.Governo do Estado de São Paulo (12 de agosto de 1969). «Decreto estadual nº 52.281». Decreto estadual paulista que criou o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga. Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Consultado em 6 de julho de 2014. O PEFI é dividido em partes administradas por diferentes instituições, mas possui um grupo de coordenação central estabelecido pelo Decreto Governamental nº 37080 de 21 de julho de 1993.Governo do Estado de São Paulo (21 de julho de 1993). «DECRETO Nº 37.080, de 21 de julho de 1993». Leis Estaduais. Consultado em 09 de abril de 2026. O local hospeda diversas instituições, entre elas o Jardim Botânico de São Paulo, o Parque Zoológico de São Paulo, o Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade de São Paulo e o Observatório de São Paulo.

O PEFI apresenta uma área total de 549,3 ha e altitude média de 798 m, localizando-se na província do Planalto Atlântico, zona do Planalto Paulista, na Bacia Sedimentar de São Paulo. O clima é mesotérmico de inverno seco tipo Cwb, com temperaturas médias entre 18 ºC (mês mais frio) e 22 ºC (mês mais quente) e precipitação anual acima de 1.000 mm. O solo é do tipo latossolo e a vegetação nativa é caracterizada como uma extensão da floresta atlântica de encosta com elementos de floresta mesófila.

Atrações

No Jardim Botânico encontram-se o Museu Botânico de São Paulo e o Instituto de Botânica, que dispõe de uma biblioteca com cerca de 6.400 livros, inúmeras obras do século XX e um dos maiores acervos botânicos que existem no estado de São Paulo.

Ainda, no conjunto de atrações do Jardim Botânico de São Paulo têm-se:

Alameda Fernando Costa; Alameda Von Martius; Arvoreto; Brejo Natural; Bosques das Imbuias; Bosque dos Passuarés; Bosque do Pau-Brasil; Estufas; Hidrofitotério; Jardim de Lineu; Jardim dos Sentidos; Lago das Ninfeias; Lago dos Bugios; Palmeto; Portão Histórico de 1894; Orquidário; Três lagos; Trilha das Nascentes; Trilha da Terra Batida; Túnel de Bambu. G1: Jardim Botânico é opção de passeio, fotografia e piquenique em São Paulo

Jardim de Lineu miniaturadaimagem|Estufa Dr. Frederico Carlos Hoehne.