Almada é uma cidade portuguesa localizada na Área Metropolitana de Lisboa. Tem uma área urbana de 13,98 km2 e 88.202 habitantes em 2021, donde uma densidade populacional de 6.309 habitantes por km2, sendo a 10.° maior cidade do país.

É sede do município de Almada,Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. que tem uma extensão de 70,21 km2 e 177.400 habitantes em 2021, com uma densidade populacional de 2.525 habitantes por km2, dividindo-se em cinco freguesias.Diário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I. Acedido a 19/07/2013. O município é limitado a leste pelo município do Seixal, a sul pelo município de Sesimbra, a oeste pelo Oceano Atlântico e a norte pelo Estuário do Tejo.

O município recebeu foral de Dom Sancho I em 1190. Juntamente com Lisboa, Sintra e Palmela, é uma das mais antigas divisões administrativas da Área Metropolitana de Lisboa. Almada foi elevada à categoria de cidade em 1973, e no seu município encontra-se também a cidade de Costa da Caparica, cujo estatuto atual lhe foi outorgado no ano de 2004.

Possui como principal ponto de interesse o Santuário Nacional de Cristo Rei.

Freguesias thumb|Freguesias do município de Almada. O município de Almada está dividido em cinco freguesias, que anteriormente à reforma administrativa de 2013 eram onze:Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.

Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas (sede) Caparica e Trafaria Charneca de Caparica e Sobreda Costa de Caparica (cidade) Laranjeiro e Feijó (urbana)

Geografia O município de Almada encontra-se no quadrante norte-ocidental da Península de Setúbal. Este tem como limites, a norte, o Gargalo do Tejo; a sudeste, o concelho do Seixal; e a sul, o concelho de Sesimbra. O seu ponto mais ocidental encontra-se na Cova do Vapor e o mais oriental na Base Naval de Lisboa, junto ao Sapal de Corroios. Cacilhas é a localidade mais setentrional do concelho, enquanto que o ponto mais meridional se encontra na zona da Adiça. O ponto mais alto do concelho, na zona do Raposo, eleva-se em 124,4 m.

Quanto ao seu relevo, o concelho divide-se em duas áreas principais: a superfície de aplanação (parte da plataforma de Belverde) e a aplanação litoral.

A superfície de aplanação compreende as zonas entre Trafaria, Almada, Pragal e Caparica até à linha de cumeadas entre a Sobreda e a Charneca, sendo delimitada pela Arriba Fóssil da Costa de Caparica e pelas escarpas que confrontam e acompanham o Gargalo do Tejo e os municípios da margem norte do rio (as costeiras ribeirinhas, um dos seus principais elementos da paisagem). Nela, o terreno apresenta-se mais ondulado a nordeste, moderando a sua rugosidade em direção a sudoeste. A cota também decresce para sul e para o interior do concelho (onde se atingem os 60 a 80 m de cota), sendo esta tendência interrompida pela linha de cumeadas Lazarim–Capuchos (cujas alturas máximas são de 90 a 100 m). A nascente, em direção ao Mar da Palha, as suas cotas descem igualmente até atingirem máximos de 30 a 40 m. Por sua vez, estas escarpas são rasgadas por valas criadas pelas linhas de drenagem que vão desaguar no Tejo.

A segunda corresponde à planície litoral da Costa de Caparica, que não excede os 11 metros de cota altimétrica. Apresenta maior largura a norte, constringindo-se gradualmente em direção a sul. A nascente, é delimitada longitudinalmente pela Arriba Fóssil da Costa de Caparica, que também dimunui de altitude em direção a meridião.

O interstício entre as zonas mais altas do concelho é preenchido por uma zona depressionária marcada pelas principais linhas de água do território de Almada.

Os declives mais elevados encontram-se nas duas arribas já mencionadas. Na Frente Ribeirinha Norte (nas vertentes de Arealva, Cristo Rei, Banática, Montalvão e Porto do Buxo) os declives superam os 50%. No reverso destas, as vertentes são medianamente abruptas e apresentam declives entre 5% e 16%. Entre Cacilhas, Margueira e Cova da Piedade surge uma faixa plana com declives inferiores a 5%, graças às aluviões da Vala do Caramujo e aos aterros aí construídos. A Arriba Fóssil possui declives geralmente superiores a 25%, com troços onde estes superam os 50% e com um perfil quase vertical a norte. No seu sopé, a planície costeira apresenta um declive máximo de 12%, superiores a sul da Foz do Rego devido à existência de dunas. A zona sul da plataforma litoral (Aroeira) apresenta declives insignificantes.

Para o interior (já na superfície de aplanação, numa faixa entre Cacilhas, Pragal, Costas de Cão, Murfacém e Palhais) as encostas aí presentes possuem pendentes de declives muito diversos mas que variam entre médios a acentuados (entre 5% e 16%).

Hidrografia miniaturadaimagem|Relevo e hidrografia do município de Almada.Almada apresenta um contacto privilegiado com o meio hídrico, devido à presença de vários recursos desta índole: a passagem do Tejo a norte e nordeste, bem como a proximidade ao Estuário do Tejo; a sua extensa costa atlântica; à rede hidrográfica existente; e à presença de dois aquíferos (Miocénico e o Plio-Plistocénico), parte do Sistema Aquífero da Bacia do Tejo-Sado. O seu território insere-se na Região Hidrográfica do Tejo, situando-se na margem esquerda da Bacia do Baixo Tejo. A norte do concelho, a rede hidrográfica adquire especial importância por marcar a orografia desses territórios, sendo que as linhas de festo constituem importantes pontos de vista sobre a cidade de Lisboa e sobre o rio Tejo.

Linhas de água Em Almada, a dispersão geográfica dos talvegues depende principalmente das características geológicas e morfológicas, dos declives e da capacidade de infiltração das litologias atravessadas. Assim, podem ser agrupados nas seguintes categorias:

associados a vales encaixados nas arribas que drenam diretamente para o Tejo; aqueles que atravessam transversalmente o concelho; as linhas de água que drenam para a planície litoral da Costa de Caparica e se infiltram no material arenoso aí existente;

As várias linhas de água que percorrem o concelho apresentam um caudal reduzido e de regime intermitente, alimentados pela precipitação e pelas águas subterrâneas. A densidade e dimensão das linhas de água é maior a norte do concelho, onde a morfologia do terreno e as litologias não permite a infiltração dos escoamentos superficiais. Aqui, percorrem vales mais entalhados e encaixados, que condicionam o seu traçado, visto que o terreno é mais acidentado. São disso exemplo as linhas de água da Frente Ribeirinha Norte, que desaguam no Tejo através de vales bem escavados e perpendiculares ao rio. Já a sul, os leitos das linhas de água são muito pouco encaixados devido, novamente, à morfologia do terreno e percorrem litologias que potenciam a infiltração.

As bacias hidrográficas do concelho encontram-se mais desenvolvidas para o interior do concelho, drenando preferencialmente para o Estuário do Tejo e, excecionalmente, para o Atlântico. Aqui, a rede hidrográfica está condicionada principalmente pelas litologias e pela ação antrópica. Em Almada, foram definidas sete sub-bacias hidrográficas, associdadas aos principais cursos de água:

Bacia Marginal Norte Bacia Litoral Oeste Bacia da Vala do Caramujo ou do Alfeite Bacia da Vala da Enxurrada ou da Trafaria Bacia da Vala da Sobreda ou de Corroios e Santa Marta Bacia da Ribeira do Rego Lagoa de Vale de Cavala

A norte, são de relevância as Valas do Caramujo, Guarda-Mor, Sobreda e Regateira; no interior as três últimas; e a sul a Ribeira da Foz do Rego e a Vala da Charneca.

Etimologia A designação de Almada pensa-se que possa ser proveniente da palavra árabe المعدن (transliteração:al-ma'adan), «a mina», pelo motivo de que, aquando do domínio árabe da Península Ibérica, os árabes procediam à exploração do jazigo de ouro da Adiça, no termo do concelho. Sabe-se, ainda, que no séc. XIII o topónimo já se pronunciava como Almadã, sendo que a nasalação do «ã» final se perdeu ainda no decurso do séc. XIV.

O Padre António Carvalho da Costa, na página 309 do vol. 3.º da sua "Corografia Portuguesa", obra publicada entre 1706 e 1712, quando se refere à "Vila de Almada", diz que esta: "foi doada por D. Afonso Henriques em 1147. Chamaram-lhe primeiro VIMADEL, que significa "povoação de todos". Depois chamou-se Almada por ser conquistada aos mouros por um cavaleiro deste apelido".

História Origens Os primeiros registos arqueológicos em Almada remontam o período Neolítico, há cerca de 5 mil anos. Este foi um ponto de passagem de Fenícios, Gregos e Romanos.

A sua localização na ponta noroeste da Península de Setúbal, em frente a Lisboa e à margem do Tejo, fez de Almada um ponto estratégico militar para a defesa e vigilância das rotas comerciais da região. O estuário do Tejo começou a ser um cruzamento de embarcações que faziam trocas de mercadorias como por exemplo: farinha, fruta, peixe, vinho, etc. Cacilhas era um dos principais portos da Península Ibérica.

Almada Medieval thumb|left|220px|As muralhas do Castelo de Almada.

Em 1147, D. Afonso Henriques, com o auxílio das cruzadas vindas dos países do norte da Europa conquista Almada,O Padre António Carvalho da Costa, no vol. 2º página 59 da sua "Corografia Portuguesa", obra publicada entre 1706 e 1712, quando aborda Pombalinho, refere-se que: os "Almadas têm a sua origem num cavaleiro inglês, mestre de campo de Guilherme Longa Espada, que veio de socorro a Lisboa, quando El-Rei D. Afonso Henriques a ganhou aos mouros e este rei lhe fez mercê da Vila de Almada, que uns dizem que dele tomou o nome, por se chamar "ALMADÃO", outros que a dita vila deu o apelido". Ainda o documento de confirmação do título nobiliárquico de Conde de Almada a D. Lourenço José Boaventura de Almada, supostamente representante do chefe desses cruzados, quando é nomeado por despacho de Sua Majestade a Rainha D. Maria I, em 29 de Abril de 1793, diz: que deverá usar do Título da Vila de Almada, de que tem o apelido, em honra da memória do Primeiro dos seus Avós, que adoptou como Conquistador e Povoador, pelo Senhor Rei D. Afonso I de Portugal. uma das principais praças militares árabes a sul do Tejo. Em 1147, a queda do Império Almorávida com a conquista de Marraquexe pelos Almóadas, facilitou a conquista de Lisboa pelo Reino de Portugal com a ajuda dos cruzados. Os cristãos também atacaram Almada, mas o Califado Almóada contra-atacou e recuperou a região, passando o estuário do Tejo a dividir os dois estados.

Em 1191, D. Sancho I conquistou Alcácer do Sal e consecutivamente Almada, que passou a integrar o Reino de Portugal, atribuída à Ordem de Santiago. D. Sancho I concede o primeiro foral extensivo a cristãos e homens livres que viviam na vila e seu termo. Este primeiro foral manteve-se praticamente inalterável até ao século XVI.

A 1 de Dezembro 1297, El-Rei D. Dinis negoceia com a Ordem de Santiago e incorpora Almada nos Bens da Coroa em troca de outras vilas a sul do Tejo. Data desta troca a primeira delimitação oficial do território do concelho que abrangia sensivelmente os atuais concelhos de Almada e Seixal.

Em 1384, aquando do Interregno, Almada foi cercada pelas tropas castelhanas de D. João I de Castela. A população refugia-se dentro dos muros do Castelo de Almada onde, impedida de aceder à Fonte da Pipa (principal ponto de abastecimento de água potável), se vê enfraquecida pela sede: os moradores veem-se obrigados a ingerir a própria urina e a amassar pão com vinho. Almada acaba por render-se.

Era das Navegações thumb|right|275px|Mar bravio no pontão da Cova do Vapor (com o Forte de São Lourenço e Farol do Bugio ao fundo).