thumb|253px|Solanum dulcamara: 1.- Flor, 2.- Flor em corte longitudinal, sem as pétalas; 3.- Androceu; 4.- Ovário, em corte transversal; 5.- Semente em vista superficial; 6.- Semente em corte transversal, com o embrião curvo rodeado de endosperma; A.- Ramo com folhas e flores; B.- Pedúnculo com frutos imaturos e maduros. Solanaceae Juss., 1789, ou Solanáceas são uma família de plantas com flor do grupo das dicotiledóneas, com espécies herbáceas e outras lenhosas, em geral com folhas alternas, simples e sem estípulas, pertencente à ordem Solanales.Olmstead, R. G., J. A. Sweere, R. E. Spangler, L. Bohs, y J. D. Palmer. 1999. «Phylogeny and provisional classification of the Solanaceae based on chloroplast DNA.» Pp. 111-137. En: Solanaceae IV: advances in biology and utilization, M. Nee, D. E. Symon, R. N. Lester y J. P. Jessop (eds.). The Royal Botanic Gardens, Kew artigo em inglês. Na sua presente circunscrição taxonómica agrupa cerca de 98 géneros e mais de 2700 espécies,Olmstead, R. G. y Bohs, L. 2007. «A Summary of molecular systematic research in Solanaceae: 1982-2006.» Acta Hort. (ISHS) 745:255-268. com grande diversidade de hábito, morfologia e ecologia. Apresenta distribuição natural do tipo cosmopolita, estando presente em todos os continentes com excepção da Antártida, mas com centro de diversidade na América do Sul e na América Central. Inclui espécies com grande valor económico, como a batata (Solanum tuberosum), o tomate (Solanum lycopersicum), o tabaco (Nicotiana tabacum), os pimentos e pimentões (Capsicum sp.) e ornamentais como Petunia, Schizanthus, Salpiglossis e Datura. Algumas espécies são conhecidas como plantas medicinais, pelos seus efeitos psicotrópicos ou por serem venenosas. A solanáceas incluem vários organismos modelo usados em biologia celular, molecular e genética, entre as quais o tabaco e a petúnia. Descrição Nos primitivos sistemas de classificação, a família Solanaceae pertencia à antiga subclasse Sympetalae. Nos sistemas mais recentes (como por exemplo o sistema APG IV), integra a ordem Solanales, um agrupamento monofilético de angiospérmicas do clado Eudicotyledoneae, as eudicotiledóneas. Recebeu esse nome devido ao género Solanum, o qual com mais de 1000 espécies validamente descritas é o maior dos géneros que integra o grupo.Richard Olmstead und Lynn Bohs: A Summary of Molecular Systematic Research in Solanaceae: 1982-2006. In: D.M. Spooner et al. (Hrsg.): Solanaceae VI: Genomics Meets Biodiversity, ISHS Acta Horticulturae 745, Juni 2007. ISBN 978-90-6605-427-1 O nome genérico Solanum por sua vez parece ter como etimologia o termo latino solari - consolar, aliviar -, devido às propriedades narcóticas de algumas espécies das espécies que o integram. Neste clado estão incluídas a  batata  (Solanum tuberosum), o tomate (Solanum lycopersicum) e o tabaco (Nicotiana tabacum), além de outras espécies de grande importância para alimentação humana. Porém, algumas espécies são venenosas. Algumas espécies de Solanaceae são utilizadas como plantas ornamentais, por exemplo, a marianinha (Streptosolen jamesonii) e as petúnias.

Entre as Solanaceae estão presentes as mais variadas formas de vida, entre as quais arbusto, subarbusto, ervas, árvores e trepadeiras. Os membros desta família podem ainda ser plantas aquáticas, epífitas, hemiepífitas, rupícolas ou terrícolas.

Morfologia As solanáceas são plantas herbáceas, subarbustos, arbustos, árvores ou lianas que podem ser anuais, bienais ou perenes, erectas ou decumbentes. Numerosas espécies são dotadas de tubérculos subterrâneos. Não apresentam laticíferos, nem látex ou seiva com coloração acentuada. As plantas são frequentemente inodoras mas, em alguns casos são aromáticas ou fétidas, particularmente as folhas. As raízes são diarcas, com quatro raízes laterais enfileiradas.

Podem presentar una agregação basal ou terminal de folhas ou podem não ter apresentar qualquer destes tipos de filotaxia. As folhas são geralmente alternas ou alternadas a opostas (ou seja, alternas na base da planta e opostas nas proximidades da inflorescência). As folhas podem ser simples, alternas, lobadas ou partidas, sésseis ou  pecioladas,  glabras ou pilosas, sem estípulas ou ainda pareadas ao tronco. Em geral as folhas são pecioladas ou sub-sésseis, raramente sésseis. A lâmina foliar pode ser simples ou composta, neste último caso, podem ser ternadas o pinatífidas. A consistência das folhas pode ser herbácea, coreácea, ou as folhas podem estar transformadas em espinhos. A nervação das folhas é reticulada e estas não apresentam meristema basal. A anatomia foliar mais comum é a presença de lâminas geralmente dorsiventrais, sem cavidades secretoras. Os estomas estão em geral confinados a uma das páginas das folhas, raramente ocorrendo em ambas as faces.

As flores são em geral vistosas, hermafroditas (bissexuais), embora existam espécies monoicas, andromonoicas e dioicas (como por exemplo, algumas espécies dos géneros Solanum e Symonanthus), aclamídeas ou diclamídeas, tetrâmeras, variando de 1 a 20 cm de comprimento. A polinização é entomófila. As flores podem ser solitárias (isoladas), aos pares, ou estar agregadas em inflorescências cimosas, terminais ou axilares, por vezes reduzida a uma única  flor. As flores são de tamanho intermédio, fragantes (como no género Nicotiana), fétidas (como no género Anthocercis) ou inodoras. As flores são actinomorfas ou levemente zigomorfas, raramente marcadamente zigomorfas (como por exemplo, as flores com corola bilabiada do género Schizanthus). As irregularidade na simetria pode dever-se ao androceu, ao perianto ou a ambas estas estruturas. As flores na grande maioria dos casos apresentam um perianto diferenciado em cálice e corola (com 5 sépalas e 5 pétalas, respectivamente), um androceu com 5 estames e dois carpelos unidos, formando um gineceu com ovário súpero, pelo que são em geral classificadas como gamossépalas, pentâmeras e tetracíclicas, com prefloração  valvar ou imbricada. Usualmente apresentam um disco hipógino. O cálice é gamossépalo (já que as sépalas estão unidas entre si formando um tubo), com os 5 (por vezes 4 ou 6) segmentos iguais entre si, pentalobulado, com os lóbulos mais curtos que o tubo, persistente, sendo muito frequentemente acrescente. Alguns géneros possuem cálice inflado quando persiste no fruto. A corola usualmente apresenta 5 pétalas que também se encontram unidos entre si formando um tubo. A corola pode ser campanulada, rotada, infundibuliforme ou tubular, actinomorfa ou levemente  zigomorfa,  gamopétala, tubulosa,  geralmente pentâmera  e  plicada, com  prefloração  valvar, convoluta  ou imbricada. Um disco nectarífero está geralmente presente na base das pétalas.

O androceu apresenta 5 estames (raramente 2, 4 ou 6), livres entre si, opositissépalos (ou seja, alternando com as pétalas), usualmente férteis ou, em alguns casos (como por exemplo nas Salpiglossideae) com estaminódios. Neste último caso, podem apresentar um só estaminódio (como no género Salpiglossis) ou 3 (como em Schizanthus). As anteras podem ser coniventes, tocando-se no extremo superior e formando um anel, ou totalmente livres, dorsifixas ou basifixas, bitecas, com deiscência poricida ou através de pequenas fissuras longitudinais, rimosas ou poricidas. Devido às suas anteras poricidas, requerem polinização por zumbido. O filamento dos estames pode ser filiforme ou aplanado. Os estames podem estar inseridos no interior do tubo corolino ou exertos. A microsporogénese é simultânea, a tétrada de microsporos é tetraédrica ou isobilateral. Os grãos de pólen são bicelulares no momento da deiscência, usualmente aperturados e colpados.

O gineceu é bi-carpelar (raramente 3- ou 5-locular), de ovário súpero, com dois lóculos (bilocular) ou falsamente plurilocular, com muitos óvulos em cada  lóculo. Os lóculos podem estar secundariamente divididos por falsos septos, como no caso dos membros dos grupos Nicandreae e Datureae. O gineceu está situado em posição obliqua em relação ao plano mediano da flor. Apresentam um único estilo um só estigma, este último simples ou bilobado, em forma de escudo (peltado) ou de  cabeça (capitado). Cada lóculo contém de 1 a 50 óvulos anátropos ou hemianátropos de placentação axilar. O desenvolvimento do saco embrionário pode ser do tipo Polygonum ou do tipo Allium. Os núcleos polares do saco embrionário fundem-se após a fertilização. Apresentam 3 antípodas, usualmente efémeras, embora por vezes persistentes, como no caso do género Atropa.

O fruto das solanáceas é geralmente bicarpelar, com uma cápsula  septicida, em forma de baga (como no caso de Solanum), de drupa ou de cápsula. As cápsulas são normalmente septicidas ou, raramente, loculicidas ou valvares. Em  diversos géneros  de  Solanaceae, o número de sementes pode atingir até vinte por fruto, mas em alguns géneros pode atingir 100 sementes, ou até mais, por fruto.

As sementes são usualmente dotadas de endosperma, oleosas (raramente ricas em amidos), sem tricomas conspícuos. A forma varia  de  linear, aplanada, discóide, globosa, oblonga,  elipsóide, reniforme  até poliédrica. Sementes aladas com projecções lineares distais ou circulares ocorrem em algumas espécies.  A  testa da  semente  pode ser  lisa,  levemente estriada  ou ornamentada  variando de reticulada,  foveolada,  estriada, rugosa,  tuberculada a  levemente pontuada,  havendo ainda  combinações entre  estes aspectos.  O tamanho varia  de 0,5 mm  a  10 mm, com um pouco mais de  15 mm  em  algumas espécies.  Quanto à  coloração, sempre  em tons claros de  amarelo, vermelho, acastanhado, acastanhado ou nigrescente. Quando  germina, os cotilédones e a radícula são incumbentes e oblíquos. O embrião, que pode ser recto a curvo, apresentando sempre dois cotilédones.

Os números cromossómicos básicos vão desde x=7 a x=12. Muitas espécies são poliploides. Diversidade morfológica das solanáceas Apesar da existência de um conjunto de característica morfológicas partilhadas pela maioria das espécies, como acima descritas, as solanáceas exibem uma grande variabilidade morfológica, particularmente na morfologia dos órgãos reprodutivos. Exemplos da acentuada diversidade da família são:Hunziker, A. T. 1979: «South American Solanaceae: a synoptic review.» En: D'ARCY, W. G., 1979: The Biology and Taxonomy of the Solanaceae. Linn. Soc. Symp. Ser. 7: p 48-85. Linnean Soc. & Academic Press; London.Balken, J. A. THE PLANT FAMILY SOLANACEAE: FRUITS IN SOLANACEAE. Em inglês.

O número de carpelos que formam o gineceu — em geral todas as solanáceas apresentam um gineceu formado por dois carpelos. Não obstante, há géneros com gineceu monocarpelar (Melananthus ), ou com 3 a 4 carpelos como Capsicum, ou com 3 a 5 carpelos, como no caso de Nicandra e de algumas espécies de Jaborosa e de Trianaea. Finalmente, existe pelo menos um caso registado de uma espécie (Iochroma umbellatum) que apresenta gineceus com 4 carpelos; O número de lóculos no ovário — usualmente o número de lóculos no ovário é igual ao número de carpelos. Não obstante, há espécies em que esses números não são idênticos devido à existência de falsos septos (paredes internas que subdividem cada lóculo), como por exemplo em Datura e em alguns membros da tribo Lycieae (os géneros Grabowskia e Vassobia); Tipos de óvulos e seu número — nas solanáceas os óvulos são, em geral, anátropos. Contudo, há géneros com óvulos anacampilótropos (exemplos nos géneros Phrodus, Grabowskia e Vassobia), hemítropos (Cestrum) ou hemicampilótropos (Capsicum, Schizanthus e Lycium). No que respeita ao número de óvulos por lóculo, em geral são vários, algumas vezes poucos (dois pares em cada lóculo em Grabowskia, um par em cada lóculo em Lycium) e, excepcionalmente, um único óvulo em cada lóculo, como por exemplo, em Melananthus;