right|thumb|upright=1.2|Mapa do estreito de Ormuz O Estreito de Ormuz ou Hormuz (em persa: تنگهٔ هرمز) é uma via marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Na costa norte situa-se o Irã, e na costa sul situa-se a Península de Musandam, compartilhada pelos Emirados Árabes Unidos e pela Província de Musandam, um exclave de Omã. O estreito tem cerca de 167 quilômetros (104 milhas; 90 milhas náuticas) de extensão, com uma largura que varia de aproximadamente 97 quilômetros (60 milhas terrestres; 52 milhas náuticas) a 39 quilômetros (24 milhas; 21 milhas náuticas).

Ele fornece a única passagem marítima do Golfo Pérsico para o oceano aberto e é um dos pontos de estrangulamento estrategicamente mais importantes do mundo. Durante o período de 2023–2025, 20% do gás natural liquefeito (GNL) mundial e 25% do comércio de petróleo transportado por via marítima passaram anualmente pelo estreito. É uma importante fonte de produtos petrolíferos para a Europa e a Ásia e foi descrito como "crítico" para a segurança energética da Europa. É também a única rota marítima para vários países do Golfo, incluindo Catar, Kuwait e Bahrein, e uma interrupção no estreito pode causar grave escassez de abastecimento.

O estreito tradicionalmente nunca foi fechado por longos períodos durante os conflitos no Oriente Médio (ao contrário dos Estreitos de Tiran/Bab-el-Mandeb), embora o Irã tenha ocasionalmente ameaçado fechar o estreito, e preparativos para miná-lo tenham sido realizados. O estreito tornou-se um foco importante durante a guerra do Irã em 2026, resultando na crise do Estreito de Ormuz.

Situação estratégica das ilhas thumb|O estreito de Ormuz visto do espaço. NASA Próximo da costa norte situam-se algumas ilhas, que incluem Kish, Queixome, Abu Musa e as Tunbs Maior e Menor. Essas ilhas têm posições estratégicas enormes, funcionando com plataformas de controle do tráfego marítimo, além disso, a importância estratégica do estreito se deve principalmente por ser uma importante rota de escoamento de petróleo oriundo dos países árabes produtores da região, por donde transita entre um terço e 40% do tráfego marítimo petroleiro mundial.

Etimologia A abertura do Golfo Pérsico foi descrita, mas não denominada, no Périplo do Mar da Eritreia, um guia marítimo do :

Cap.35. No final dessas ilhas Caleis existe uma cadeia de montanhas chamada Calon, e lá segue-se, não muito além, a boca do golfo Pérsico, onde há muito mergulho para os pescadores de pérolas e mariscos. À esquerda dos estreitos há grandes montanhas chamadas Asabon, e à direita crescem, bem à vista, outras montanhas arredondadas e altas, chamadas Semiramis; entre elas, a passagem através do estreito tem aproximadamente 600 estádios; além dos quais aquele grande e largo mar, o golfo Pérsico, avança longe no interior (das terras). Na parte superior e final deste golfo há uma cidade mercantil, designada pela lei, chamada Apólogo, situada perto de Cárax Espasinu e do rio Eufrates.

Existem duas opiniões sobre a etimologia deste nome. Segundo a crença popular, deriva do nome do deus persa (Ormoz, uma variação de Ahura Mazda). Outros historiadores e linguistas derivam o nome Ormuz da palavra persa local (hur-mogh) significando tamareira. Na realidade, nos dialetos locais de Hurmoz e Minab este estreito ainda é chamado Hurmogh e tem o significado acima mencionado.

Palco de incidentes

Em uma conferência à imprensa em 18 de dezembro de 1997, O ministro do exterior e deputado iraniano Abbas Maleki disse que o Irã apoiava o livre transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, mas se reservava a opção de fechar o estreito ao tráfego marítimo se o Irã estivesse ameaçado.

1988 Em 3 de julho de 1988, o estreito de Ormuz foi palco de uma das mais controversas tragédias da aviação da História, quando o vôo 655 da companhia iraniana Iran Air, um Airbus A300, foi abatido por um navio de guerra da marinha americana, o USS Vincennes (CG-49). Todas as 290 pessoas a bordo morreram.

O incidente aconteceu por uma sequência de erros da tripulação do navio americano. Em um contexto de guerra (final da Guerra Irã-Iraque) vários navios civis e militares já haviam sido atacados pelos dois lados, inclusive outros navios militares americanos. Naquele dia o USS Vincennes foi atacado por barcos patrulha Iranianos, e entrou em combate com os mesmos. O Airbus iraniano foi erroneamente confundido pela tripulação como um caça F-14 da Força Aérea Iraniana supostamente iniciando aproximação para ataque. Foram laçados dois misseis SM-2MR que atingiram e derrubaram a aeronave civil matando todos os seus ocupantes.

Em 1996, os EUA pagaram US$ 68.1 milhões como indenização as famílias das vítimas. O comandante do navio, William C. Rogers III, foi afastado do comando de navios e tornou-se instrutor em terra.

2007 Em março de 2007, mais um incidente envolvendo o Irã acabou afetando também a marinha britânica: quinze marinheiros ingleses foram capturados por lanchas iranianas na região, sendo libertados apenas 2 semanas depois.

2008 Um incidente internacional ocorrido no estreito às 5h da madrugada de 6 de Janeiro de 2008, envolvendo cinco lanchas da Guarda Revolucionária Iraniana e três embarcações americanas, pioraram a relação entre Irã e EUA: as lanchas, em águas territoriais iranianas, rodearam um destróier, uma fragata e um cruzador americano, movimentando-se a apenas 180 metros de distância, e alegadamente lançaram caixotes na água em frente aos navios, obrigando-os a manobras evasivas, além de supostamente fazerem provocações via rádio, como por exemplo: "Vamos atacar-vos, vamos fazer-vos explodir dentro de alguns minutos". As autoridades americanas vieram a reconhecer posteriormente que as tais ditas ameaças via VHF não teriam origem nas lanchas iranianas.

O porta-voz da Defesa iraniana, Mohammad Ali Hosseini, citado pela agência oficial Irna, qualificou o fato de "comum".

2025 No dia 14 de junho, o Irão amaeçou bloquear o estreito em resposta a ataques israelistas contra a sua infraestrutura militar e nuclear. O jornal britânico Financial Times reportou que essa ação poderia fazer que os preços do petróleo disparassem mais do que os recentes aumentos de 7-14%, possivelmente ultrapassando os US$100 a US$150 por barril. Esses aumentos provavelmente iriam causar uma inflação global e contribuir para uma crise económica. Analistas enfatizaram a vulnerabilidade de exportadores regionais, notando que "a Arábia Saudita, o Kuwait, o Iraque, e o Irão estão totalmente presos em uma pequena passagem para exportações". Pelo estreito se movimentam 18 a 19 milhões de barris, cerca de 20% do consumo de petróleo global, incluindo crude, condensados, e combustível. Analistas tem alertado que o Irão poderia sofrer consequências severas por qualquer tentativa de bloquear o estreito. "A economia iraniana depende fortemente na passagem livre de mercadorias e de embarcações pelo mar, já que as suas exportações petrolíferas são inteiramente feitas pelo mar", analistas da JP Morgan afirmaram. Fechar o estreito poderia acabar o acordo energético entre o Irão e a China, que é o seu maior comprador de petróleo.

Após os ataques americanos em centrais nucleares iranianas no dia 22 de junho, o Parlamento Iraniano votou a favor de fechar o estreito. A decisão final ficou com, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão. O comandante da Guarda Revolucionária Iraniana Esmaeil Kousari [en] confirmou que tal ação seria exacutada "quando necessária", para proteger a soberania nacional, e travar mais ataques estrangeiros.

Bibliografia

R. Loureiro-D. Couto (eds.), Revisiting Hormuz - Portuguese Interactions in the Persian Gulf Region in the Early Modern Period, "Maritime Asia" 19, Fundação Calouste Gulbenkian/Harrassowitz Verlag, Wiesbaden 2008.

Ligações externas Website do estreito de Ormuz: inclui mapas antigos

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