thumb|230px|right|Friedrich Wilhelm Nietzsche O termo alemão Übermensch, traduzido como sobre-homem ou super-homem, refere-se a um conceito filosófico descrito no livro Assim Falou Zaratustra (Also sprach Zarathustra), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. A expressão sugere a ideia de ir além das limitações convencionais da condição humana, rompendo com valores tradicionais e normas morais que Nietzsche via como restritivas. O sobre-homem é um ser que busca a autossuperação, a afirmação da vida e a criação de sua própria ética, livre das amarras das tradições moralistas. Portanto, quando se fala em sobre-homem no contexto da filosofia de Nietzsche, refere-se a um ideal de humanidade que transcende as concepções convencionais e busca uma expressão mais plena e autêntica da existência.Adelbert Düringer: Der Übermensch. Nietzsche Online. De Gruyter, Berlin/Boston 2022; Wilfried Huchzermeyer: Der Übermensch bei Friedrich Nietzsche und Sri Aurobindo. Hinder + Deelmann, Gladenbach 1986, ISBN 3-87348-123-5.
Conceito thumb|Além-Homem Do ponto de vista de Friedrich Nietzsche, é tarefa do homem produzir um tipo que seja mais desenvolvido do que ele próprio.Primus-Heinz Kucher: Verdrängte Moderne – vergessene Avantgarde: Diskurskonstellationen zwischen Literatur, Theater, Kunst und Musik in Österreich 1918–1938, Vandenhoeck & Ruprecht 2015, S. 68. Nietzsche chama esse ser humano, que é superior aos humanos, de Übermensch. Nietzsche usou pela primeira vez o termo Übermensch em seus primeiros escritos em referência a Lord Byron, que foi caracterizado como um sobre-homem controlador da mente”. O conceito de Übermensch aparece pela primeira vez de forma sistemática em sua obra Assim Falou Zaratustra, mesmo que seu conceito já tivesse sido parcialmente desenvolvido em sua obra Humano, demasiado humano. Nietzsche adotou o termo do filósofo materialista francês Helvétius, que escreveu sobre o homme supérieur (homem superior).Jugendschriften, dtv, München 1994, Band 2, Seite 10.
O sobre-homem é um conceito central na filosofia nietzschiana, introduzido em sua obra Assim falou Zaratustra. Nietzsche não definiu o sobre-homem de forma exaustiva, deixando interpretações abertas. No entanto, algumas características fundamentais incluem a ideia de transcender as limitações impostas pela moral tradicional, a busca pela autossuperação e a criação de novos valores fundamentados na vitalidade e na celebração da vida. A tradução sobre-homem é uma escolha apropriada, pois transmite a ideia de ir além das concepções convencionais de humanidade. É uma expressão que sugere a superação dos limites tradicionais do ser humano, indicando um estágio de evolução ou transformação para além das normas estabelecidas.
O conceito explica os passos através dos quais o homem pode se tornar um sobre-homem (homo superior): por meio da transvaloração de todos os valores do indivíduo; Através da sede de poder (vontade de potência), manifestado criativamente em superar o niilismo e em reavaliar ideais velhos ou em criar novos; e de um processo contínuo de superação.
O sobre-homem foi contrastado com a ideia do "último homem", que é a antítese do Übermensch. Visto que Nietzsche não era considerado um exemplo de sobre-homem em seu tempo, (através do “porta-voz” de Zaratustra), ele declarou que havia muitos exemplos de últimos homens. Zaratustra atribui à civilização de seu tempo a tarefa de preparar a vinda do Übermensch. Na compreensão deste conceito, entretanto, tem-se que recordar a crítica ontológica de Nietzsche quanto ao assunto individual que reivindicou “uma ficção gramatical”.Hollingdale, R. J. (1961), page 44 - English translation of Zarathustra's prologue; "I love those who do not first seek beyond the stars for reasons to go down and to be sacrifices: but who sacrifice themselves to the earth, that the earth may one day belong to the Superman"Nietzsche, F. (1885) - p. 4, Original publication - "Ich liebe die, welche nicht erst hinter den Sternen einen Grund suchen, unterzugehen und Opfer zu sein: sondern die sich der Erde opfern, dass die Erde einst des Übermenschen werde."
É um conceito da filosofia de Friedrich Nietzsche. Em seu livro de 1883, Assim falou Zaratustra (alemão: Also sprach Zarathustra), Nietzsche faz seu personagem "Zaratustra" declarar o Übermensch como uma meta que a humanidade deve estabelecer para si mesma. O Übermensch representa uma mudança em relação aos valores cristãos sobrenaturais e manifesta o ideal humano fundamentado. O Übermensch é alguém que "atravessou" a ponte, da confortável "casa no lago" (a aceitação confortável, fácil e estúpida do que uma pessoa aprendeu e do que todos os outros acreditam) para as montanhas de inquietação e solidão.
Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, introduziu o conceito de sobre-homem em sua obra "Assim Falou Zaratustra" (Also sprach Zarathustra). Esse conceito desempenha um papel crucial em sua filosofia, e para entendê-lo plenamente, é importante considerar o contexto mais amplo de seu pensamento. Nietzsche era um crítico ferrenho da moral tradicional, especialmente do cristianismo, que ele via como uma religião que negava a vida e o corpo em favor de uma moral ascética que suprimia os impulsos naturais e valorizava a humildade e a resignação. O sobre-homem surge como uma resposta a essa moralidade. Nietzsche proclamou a "morte de Deus", sugerindo que as crenças religiosas e os valores tradicionais estavam perdendo sua influência na sociedade. Com a perda dessa base moral, ele viu a necessidade de criar novos valores que fossem fundamentados na existência terrena e na celebração da vida.
O sobre-homem, na filosofia, o homem superior, que justifica o existência da raça humana. É um termo usado significativamente por Friedrich Nietzsche, particularmente em "Assim Falou Zaratustra" (1883-85), embora tenha sido empregado por J.W. von Goethe e outros. Este homem superior não seria produto de uma longa evolução; em vez disso, ele emergiria quando qualquer homem com potencial superior dominasse completamente a si mesmo e abandonasse a convencional “moralidade de rebanho” cristã para criar seus próprios valores, que são completamente enraizado na vida nesta terra. Nietzsche não teorizou nada sobre o brutal sobre-homem dos nazistas alemães, pois seu objetivo era um “César com a alma de Cristo”. George Bernard Shaw popularizou o termo “super-homem” em sua peça Homem e Super-Homem (1903).
O conceito de sobre-homem está ligado à ideia de autossuperação e à "vontade de potência" de Nietzsche. Ele propôs que os indivíduos deveriam buscar constantemente superar-se, ultrapassar limites convencionais, abraçar a individualidade e expressar plenamente sua singularidade. Para Nietzsche, o sobre-homem não era um ser fixo ou uma meta a ser alcançada, mas um processo de tornar-se, uma evolução constante. Ele via o potencial humano como ilimitado e encorajava a criação de novos valores que surgissem de uma compreensão autêntica da natureza humana, livre dos preconceitos morais tradicionais. O filósofo argumentava pela "transvaloração de todos os valores", uma reinterpretação radical que desafiaria as normas estabelecidas e permitiria a emergência de uma nova ética baseada na vitalidade, na criatividade e na afirmação da vida. O sobre-homem representa, assim, um indivíduo que é capaz de criar seus próprios valores, que não está preso às normas impostas pela sociedade ou tradição. Esse ser além do convencional é ousado o suficiente para forjar seu próprio caminho, determinando seus próprios propósitos e significados na vida.Rosen, Stanley (1995) The Mask of Enlightenment: Nietzsche's Zarathustra. New York: Cambridge University Press; Safranski, Rudiger (2002 Nietzsche: A Philosophical Biography. Translated by Shelley Frisch. New York: W.W. Norton & Co.
O sobre-homem tem como qualidades principais a faculdade de esquecer e a afirmação da lei do eterno retorno. Já a terceira qualidade que complementa estas duas é a importância que atribui ao que existiu e o desejo de ocorrência por toda a eternidade do que foi vivido. Essa terceira qualidade é denominada amor fati, amor ao destino, e significa que não deve haver arrependimento do homem na vivência de seus valores. Nietzsche defende que em toda cultura o indivíduo coexiste com duas morais básicas, ou seja, a moral aristocrática (moral dos senhores ) e a moral dos escravos (moral de rebanho). Nietzsche, essencialmente, contradiz as ideias de moral apresentadas por Aristóteles e também por Platão, respectivamente, as ideias morais de um cosmos ordenado e a de uma forma ideal de Bem. Em outras palavras, Nietzsche destrói toda e qualquer forma de "ideal" ao dizer que o sobre-homem vive na vida, de forma real e na maneira que ela se apresenta a ele, sem muletas metafísicas, com as dores e todas a limitações de ser um humano.
História do conceito A primeira criação da palavra é conhecida como "hyperanthropos" e foi utilizada já no século I a.C. por Dionísio de Halicarnasso em 500 a.C. Luciano empregou o termo no século II d.C., mas ironicamente, para ridicularizar os poderosos do mundo, sugerindo que seriam reduzidos ao seu tamanho natural no reino dos mortos. O conceito de Übermensch surgiu pela primeira vez em alemão em uma carta de Hermann Raab, Provincial da Província Dominicana Saxônica, em 1527, onde era utilizado como uma espécie de termo pejorativo para referir-se aos "luteranos" que compreendiam o Reino de Deus de maneira puramente espiritual.Georg Hartmann: Übermensch. In: Christoph Auffarth, Jutta Bernard, Hubert Mohr (Hrsg.): Metzler-Lexikon Religion. Gegenwart – Alltag – Medien. Bd. 3, J.B. Metzler, Stuttgart/Weimar 2005, S. 542.
O sobre-homem desempenha um papel central na Divina comédia de Dante. O hapax legomenon "transumanar" (uma criação de palavras de Dante, derivada do latim "trans", significando "através" ou "sobre", e "humano") é particularmente destacado no "Paradiso" (mencionado no Canto I, 70), desempenhando um papel crucial no enredo. Analogias podem ser traçadas na desafiadora deificação de Glauco, conforme encontrada nas "Metamorfoses" de Ovídio (7.219; 13.898 - 14.74). Em Ovídio, Glauco, um pescador mortal, ao consumir uma erva mágica, torna-se imortal, mas sofre uma transformação física, com o crescimento de nadadeiras e a regressão de braços e pernas, o forçando a viver eternamente no mar. Na obra de Dante, o conceito de sobre-homem não representa apenas uma mudança física, mas simboliza a transcendência do ser humano, deixando para trás suas condições existenciais em direção ao divino. Em contraste com o próprio Dante, que é um peregrino na jornada, as experiências sobre-humanas não são vivenciadas neste mundo, mas sim na vida após a morte. Essa ideia sugere uma evolução espiritual e uma busca pela divindade além das limitações terrenas.Hartmut Köhler (Übers. u. Komm.): La Commedia / Die Göttliche Komödie III. Paradiso / Paradies. Stuttgart 2012, ISBN 978-3-15-010796-6, S. 21–25