O axé, ou axé music, é um gênero musical que surgiu no estado da Bahia na década de 1980 durante as manifestações populares do Carnaval de Salvador, misturando o samba-reggae,CASTRO, A. A. Axé music: mitos, verdades e world music. Per Musi, Belo Horizonte, n.22, 2010, p.205. frevo, samba duro, samba afro,IZQUIERDO, J. F. ; SILVA, G. S. ; BITTENCOURT, J. M. C. D. . AFROBOOK MAPEAMENTO DOS RITMOS AFRO BAIANOS. 1. ed. Salvador/Bahia: Associação Pracatum Ação Social - APAS, 2017. ijexáPEREIRA, Ianá Souza. Axé-axé: o megafenômeno baiano. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, ano 2, n. 8, fev. 2010, p.03 e outros ritmos do Candomblé,ARAÚJO FILHO, Antonio Neves de. PROTESTOS E MANIFESTAÇÕES AFRO-BRASILEIRAS NA MÚSICA NEGRA BAIANA NOS ANOS DE 1980. UFRN, Caicó, 2016, p.17. pop rock,PEREIRA, Ianá Souza. Axé-axé: o megafenômeno baiano. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, ano 2, n. 8, fev. 2010, p.02CASTRO, A. A. Axé music: mitos, verdades e world music. Per Musi, Belo Horizonte, n.22, 2010, p.204-205. bem como outros ritmos afro-brasileiros e afro-latinos.Do fricote que esquenta Garanhuns. Portal Cultura PE.
Conforme definição sintética e precisa de Goli Guerreiro, a axé music é um estilo mestiço, que se origina do encontro da música dos blocos de trio com a música dos blocos afro.
No entanto, o termo "axé" é utilizado erroneamente para designar todos os ritmos de raízes africanas ou o estilo de música de qualquer banda ou artista que provém da Bahia. Sabe-se hoje, que nem toda música baiana é axé, pois lá há o samba-reggae, representado principalmente pelo bloco afro Olodum, o samba de roda, o ijexá — tocado com variações diversas por bandas percussivas de blocos afro como Filhos de Ghandy, Cortejo Afro, Ilê Aiyê, e Muzenza, entre outros —, o pagode baiano e até uma variação de frevo, bem como o sertanejo e forró etc.O sucesso do Axé music, 25 anos depois. Diário do Pará.tecap.uerj.br - pdf
A palavra "axé" é uma saudação religiosa usada no candomblé, que significa energia positiva. Expressão corrente no circuito musical soteropolitano, ela foi anexada à palavra em inglês "music" pelo jornalista Hagamenon Brito em 1987 para formar um termo que designaria pejorativamente aquela música dançante com aspirações internacionais.miniatura|180px|Daniela Mercury é considerada "Rainha do Axé"Com o impulso da mídia, o axé music rapidamente se espalhou por todo o país (com a realização de carnavais fora de época, as chamadas micaretas), e fortaleceu-se como potencial mercadológico, produzindo sucessos durante todo o ano, tendo, como alguns dos maiores nomes, Luiz Caldas, Armandinho, Daniela Mercury, Cheiro de Amor, Ivete Sangalo, Bamdamel, Claudia Leitte, Margareth Menezes, Sarajane, Asa de Águia, Chiclete com Banana, entre outros.
A canção We Are the World of Carnaval composta em 1988 por Nizan Guanaes especialmente para a campanha beneficente de arrecadação de fundos das Obras Sociais Irmã Dulce. Foi lançada em 28 de novembro de 1988 por um grupo de jovens artistas que estavam encabeçando o movimento de expansão do axé naquele momento, e fortaleceu o dito, novos nomes da música baiana, entre eles Margareth Menezes, Daniela Mercury, Durval Lélys e Ricardo Chaves. É considerada o hino do carnaval baiano e é sempre uma das mais executadas a cada ano no Carnaval de Salvador e nas micaretas no Brasil.
Os pioneiros do gênero foram os músicos da renomada banda Acordes Verdes, que acompanhava Luiz Caldas e eram músicos de estúdio da W.R, em Salvador. O principal arranjador do estúdio, na altura, era o compositor Alfredo Moura.
História miniatura|180px|Margareth Menezes uniu o axé com ritmos afro-brasileiros em suas músicasA origem do carnaval de Salvador como conhecemos hoje estão na década de 1950, quando Dodô e Osmar começaram a tocar o frevo pernambucano em guitarras elétricas de produção própria — batizadas de guitarras baianas — em cima de uma fobica (um Ford 1929). Nascia o trio elétrico, atração do carnaval baiano para a qual Caetano Veloso chamou a atenção do país em 1975 na canção "Atrás do Trio Elétrico". Mais tarde, Moraes Moreira, dos Novos Baianos, teria a ideia de subir num trio (que era apenas instrumental) para cantar — foi o marco zero da tradição de cantores "puxando" os trios elétricos. A partir da década de 1960, paralelamente ao movimento dos trios, aconteceu o da proliferação dos blocos afro: Filhos de Gandhi (do qual Gilberto Gil faz parte), Badauê, Ilê Aiyê, Muzenza, Araketu e Olodum. Eles tocavam ritmos afro como o ijexá e o samba (utilizando alguns instrumentos musicais da percussão, comuns nas baterias das escolas de samba do Rio de Janeiro).
A axé music propriamente dita nasceu no estúdio WR, no bairro da Graça, em Salvador, com a formação de um grupo de músicos jovens que viria a substituir a banda residente, comandada por Toninho Lacerda (irmão do pianista Carlos Lacerda). O primeiro, da nova leva, a ser contratado foi o baterista Cesinha. Depois dele, o compositor, pianista e arranjador Alfredo Moura, que na época estudava composição e regência na escola de música da Universidade Federal da Bahia, tendo, como professores: Lindembergue Cardoso, Ernst Widmer, Jamary Oliveira, Paulo Costa Lima, entre outros. Luiz Caldas veio em seguida, trazendo o percussionista Tony Mola. Carlinhos Brown foi o último, dessa leva, a entrar, tendo sido submetido a uma audição e sendo aprovado já por Alfredo Moura, na altura o principal arranjador do estúdio.
Essa banda que se formou do encontro de músicos contratados originaria a banda Acordes Verdes, que daria início ao movimento. Os arranjos de Alfredo Moura mostrariam ser fundamentais para o estabelecimento do novo estilo musical, pois encontrou um tipo de linguagem popular e altamente comunicativa que possibilitou a divulgação dessa nova música nas rádios e televisões por todo o Brasil. Nos arranjos, notam-se elementos vindos de diversas culturas musicais e que interagiam de forma homogênea apesar da diversidade da origem. A música tinha características baianas e fazia referências ao passado enquanto se posicionava com o presente.
O movimento adquiriu força e os arranjos e a estética original foram intensamente copiados, evoluindo para novas leituras e estilos, tendo uma durabilidade impressionante em termos de música popular brasileira.
Estava criado, então, um polo criador, um centro musical poderoso, e o estilo, concebido por Alfredo Moura com a ajuda dos músicos da banda Acordes Verdes, principalmente Carlinhos Brown, se tornaria referência para as três gerações vindouras, colocando a música da Bahia num cenário pioneiro, dinâmico, e inovador.
Contas de Candomblé miniaturadaimagem|Contas coloridas Essas contas de Candomblé, feitas de plástico, vidro ou argila, reproduzem emblemas de status, proteção e afiliação ao Candomblé tanto em espaços seculares quanto religiosos. As contas adquirem axé e se tornam uma representação material de seu deus quando são sacralizadas ao serem banhadas em ervas sagradas e sangue. Por meio dessas contas, elas exercem diversas funções na vida das pessoas que lhes atribuem autoridade e as consideram essenciais para o seu bem-estar espiritual.
Status Quando as contas do Candomblé são utilizadas em contexto sagrado, o status é indicado pelo tipo e pela cor das contas. Por exemplo, para usar elementos como vestimenta, cor, contas e joias, a pessoa deve estar em uma posição de status. As contas aumentam de tamanho à medida que seu dono progride, cumprindo seus deveres ao longo dos anos, e itens valiosos são adicionados a elas. Qualquer pessoa que reconheça isso identifica a posição do indivíduo dentro da hierarquia do Candomblé.
Proteção Quando as contas do Candomblé são usadas, elas colocam a pessoa em contato com o axé e permitem que as contas resistam a forças intensas e possivelmente prejudiciais. O empoderamento dá às contas a capacidade de guiar e proteger, bem como de prejudicar seus donos. Por exemplo, ao circular pelas ruas da cidade, as pessoas frequentemente usam contas que servem como representação de seu orixá. Elas confiam nessas contas para proteção nas circunstâncias mais difíceis.
Afiliação ao Candomblé Quando as contas do Candomblé são usadas em contexto público, elas servem como símbolo do orgulho na cultura afro-brasileira e da afiliação religiosa. Quando o Candomblé é visto de maneira desfavorável, essa consciência de identificação pode ser fortalecedora e desejável — ou pode ser potencialmente fatal.
Associação com os Orixás Quando as contas do Candomblé são usadas em contexto sagrado, o status é indicado pelo tipo e pela cor das contas. As pessoas podem se enfeitar com fios de contas durante festividades públicas específicas para expressar orgulho, bem como demonstrar sua afiliação à cultura afro-brasileira.
Axé Music Música baiana miniatura|180px|Ivete Sangalo é uma das cantoras de maior sucesso da música brasileira atualmente No início do movimento musical a mídia nacional noticiava como música baiana, sem um terno definitivo a batida musical antes de se tornar axé music. Os pioneiros do gênero foram os músicos da renomada banda Acordes Verdes, que acompanhava Luiz Caldas e eram músicos de estúdio da W.R, em Salvador. O principal arranjador do estúdio, na altura, era o compositor Alfredo Moura.
Sob a influência das letras e canções de Bob Marley nos ouvidos, surgiu, no Olodum — sob a batuta do mestre Neguinho do Samba —, um ritmo que misturava reggae e samba duro, num estilo com forte caráter de afirmação da negritude, que fez sucesso em Salvador a partir da década de 1980: o samba-reggae. Posteriormente, artistas como Margareth Menezes , Banda Reflexu's e a Banda Mel aderiram a essa novidade rítmica, com primeiro destaque Faraó (Divindade do Egito), lançando canções que chegavam ao Sudeste em discos na bagagem dos que lá passavam férias, fora da Bahia a carioca Leci Brandão obteve disco de ouro pelo sucesso da música Olodum, Força Divina composição de Tonho Matéria. Em meados da década de 1980, mais precisamente em 1985, Luiz Caldas e Paulinho Camafeu compuseram juntos o primeiro sucesso nacional daquela cena musical de Salvador: "Fricote (Nega do cabelo duro)", gravado por Luiz Caldas. O ritmo era o deboche, criado por Alfredo Moura e Carlinhos Brown. O arranjo inovador e de alta qualidade técnica foi marcante para que a canção (de apenas dois acordes) se tornasse um dos maiores sucessos brasileiros. A canção imediatamente tornou-se um hit e espalhou-se por todo o país, virando um marco para o axé. Com uma introdução épica, onde os teclados simulando metais eram precedidos por uma percussão dançante, a canção traduzia a necessidade de afirmação de uma geração de músicos que não queria ficar no ostracismo causado pela fuga de artistas para o eixo Rio–São Paulo.
Uma nova geração de estrelas aparecia para o Brasil: Banda Reflexu's (do sucesso "Madagascar Olodum" e "Senegal"), Sarajane (do clássico "A Roda"),