A Serra de Monchique é uma cadeia Montanhosa em Portugal do oeste do Algarve no norte do Barlavento da região do Algarve, cujo ponto mais elevado – a Fóia, com 902 m de altitude, é o mais alto do Algarve e um dos pontos mais proeminentes de Portugal (739 m), com 172,69 km de isolamento topográfico.. Até ao seu cume-pai têm um isolmaneto topografico de cerca de 173 quilómetros até ao Pico de Torrecilla isto significa que, num raio de sensivelmente 173 km em qualquer direção, não existe nenhum outro ponto ou montanha com altitude igual ou superior aos seus 902 metros, Caracteriza-se por ser uma barreira climática e um ecossistema húmido singular no sul do país, frequentemente apelidado de "ilha verde". Os seus 902 metros no pico da Fóia faz com que seja a segunda montanha mais elevada de Portugal Continental a sul do Rio Tejo a seguir ao pico de São Mamede 1027 m, na Serra de São Mamede.
Localização e Geografia A serra estende-se por cerca de 32 km em orientação Nordeste-Sudoeste no Distrito de Faro. Morfologicamente, subdivide-se em três grandes blocos elevacionais: Fóia: O setor ocidental e cume máximo, com 902 metros de altitude, 739 metros de proeminência topográfica e um isolamento topográfico de 172,69 km. Picota: O segundo cume mais imponente, localizado no setor oriental, com 774 metros de altitude. Picos: Alinhamentos menores situados a ocidente, atingindo os 574 metros.
Devido à sua altitude e proximidade com o Oceano Atlântico, a serra intercetará as massas de ar húmidas vindas do oceano, registando níveis de precipitação anuais muito superiores à média do resto do território algarvio.
Geologia A Serra de Monchique constitui uma das maiores raridades petrológicas e geológicas da Península Ibérica. É um maciço intrusivo sub-elíptico com cerca de 80 km² de área exposta.
O complexo foi gerado por uma intrusão magmática ocorrida no Cretácico Superior (há aproximadamente 72 milhões de anos), forçando a subida do soco antigo composto por xistos argilosos e grauvaques do Carbonífero (Flysch do Baixo Alentejo). O núcleo central é essencialmente composto por sienito nefelínico, uma rocha ígnea alcalina plutónica relativamente rara globalmente mas abundante neste maciço.
A atividade tectónica e a fraturação profunda destas rochas magmáticas propiciam também a ocorrência das águas termais das Caldas de Monchique, caracterizadas pelo seu elevado pH alcalino e propriedades terapêuticas.
Arqueologia e História A ocupação antrópica da serra é milenar, beneficiando da abundância hídrica e das posições de defesa natural.
Cerro do Castelo de Alferce: Localizado a 487 metros de altitude, este sítio arqueológico fortificado remonta à Idade do Bronze, tendo sido profundamente reformulado e fortificado durante o período medieval islâmico (Garb al-Andalus) nos séculos IX a XI, servindo como centro de controlo militar regional. O local está classificado como Sítio de Interesse Público desde 2013. Castelo da Nave: Localizado noutro cerro proeminente, as escavações arqueológicas têm revelado importantes dinâmicas de povoamento rural e militar do período almóada (século XII). Caldas de Monchique: Estações arqueológicas comprovam que as nascentes termais já eram exploradas no período da ocupação romana, mantendo-se em uso contínuo ao longo dos séculos.
Fauna e Flora Devido às suas condições microclimáticas particulares, a Serra de Monchique está integrada na Rede Natura 2000 como Sítio de Interesse para a Conservação.
Flora A serra serve como refúgio para espécies relíquias da floresta laurissilva do período Mioceno e das eras glaciares: Adelfeira (Rhododendron ponticum subsp. baeticum): Um arbusto endémico ibérico de flor lilás-rosada, muito raro em Portugal Continental. Carvalho-de-Monchique (Quercus canariensis): Uma espécie arbórea ameaçada e monumental que, em território português, ocorre estritamente nos vales húmidos desta serra. Subsistem ainda núcleos autóctones de sobreiros (Quercus suber), medronheiros (Arbutus unedo) e castanheiros (Castanea sativa), embora significativamente afetados pela introdução e expansão de monoculturas de eucalipto e pinheiro.
Fauna A densa bacia hidrográfica e florestal suporta comunidades faunísticas de grande valor de conservação: Aves: É um território de nidificação e caça para a Águia-de-bonelli (Aquila fasciata) — que mantém aqui uma população muito discreta e importante — e para a águia-cobreira (Circaetus gallicus). Mamíferos: Destaca-se a presença da lontra-europeia nas linhas de água e do rato de cabrera. A serra é considerada um potencial corredor ecológico para a expansão futura do Lince-ibérico. Anfíbios e Invertebrados: Ocorre o lagarto-de-água e endemismos locais de coleópteros como o Asida monchiquensis.
Turismo e Desporto A região converteu-se num pólo de Turismo de natureza e desporto ativo: Pedestrianismo: A serra é cruzada pela Via Algarviana e por rotas locais, como a Rota da Geologia e a Rota das Adelfeiras. Em outubro de 2023, foi inaugurado o Passadiço do Barranco do Demo em Alferce, que inclui uma ponte suspensa pedonal com 50 metros de extensão a ligar o desfiladeiro ao sítio arqueológico do castelo. Ciclismo: A subida à Fóia (com rampas exigentes a partir da vila de Monchique) é um ponto icónico no panorama do ciclismo nacional, funcionando habitualmente como a "etapa rainha" da Volta ao Algarve. Turismo Termal: A estância das Caldas de Monchique oferece infraestruturas de hotelaria e bem-estar focadas no aproveitamento clínico das suas águas minero-medicinais.
Clima Devido ao facto de estar próxima do mar possui um clima subtropical húmido, com precipitações médias anuais entres os 1000 e os 2000 mm, que associadas a temperaturas amenas permite a existência de uma vegetação rica e variada, onde se inclui o carvalho-de-Monchique e a adelfeira, bem como espécies raras no sul, tais como o castanheiro, o carvalho-cerquinho ou o carvalho-roble.
esquerda|thumb|220px|A Capela das Caldas de Monchique situada na serra Nesta serra existe um importante complexo termal, Caldas de Monchique, rodeado por um parque de vegetação onde existe a maior magnólia da Europa. É ainda de salientar a fertilidade dos seus solos, devido não só à humidade, mas também ao facto da sua rocha, a foíte, ser de origem magmática.
Vários ribeiros e ribeiras têm origem na Serra de Monchique, entre as quais a Ribeira de Seixe, a Ribeira de Aljezur (ou da Cerca), a Ribeira de Odiáxere, a Ribeira de Monchique e a Ribeira de Boina.
Incêndios O incêndio de Monchique de 2018 foi um incêndio florestal ocorrido na serra de Monchique, O incêndio resultou em 41 feridos e consumiu uma área florestal de 26.885 hectares dos concelhos de Silves, Odemira, Portimão e Monchique, bem como 62 casas de primeira habitação, 49 de segunda habitação.
miniaturadaimagem|300x300px|Incêndio de 2018
Entre as causas apontadas pelos especialistas para a dimensão e incontrolabilidade do incêndio estão o excesso e descontrolo da plantação de eucaliptos, o número insuficiente de faixas de descontinuidade, a temperatura extrema e as dificuldades de acesso. Mais de 72% da serra de Monchique é ocupada por eucalipto. Os especialistas são unânimes em criticar a falta de ordenamento do território que tem permitido a expansão descontrolada de eucaliptais, que rapidamente dominam a paisagem. O eucalipto projeta partículas incandescentes capazes de provocar novos focos de incêndio a vários quilómetros de distância, provocando novos focos de incêndio que dispersam os meios de combate e diminuem a sua eficácia.
O incêndio de 2018 foi precedido por vários incêndios de grande dimensão que ocorreram na mesma região em anos anteriores. Em 2003 ocorreram dois grandes incêndios que queimaram 90% do território de Monchique e hectares de floresta. O primeiro esteve ativo entre os dias 8 e 18 de agosto e o segundo entre 11 e 19 de setembro, tendo-se propagado para os concelhos de Portimão, Aljezur e Lagos.
Trilhos Rota das Adelfeiras em Monchique
Galeria de imagens
Ver também Incêndio de Monchique de 2018 Emissor da Fóia Rádio Fóia Monchique Sienito Via Algarviana Serra do Caldeirão Serra de Espinhaço de Cão
Ligações externas
Referências
Monchique Categoria:Geografia do Algarve Categoria:Monchique