Lojas Americanas é uma rede brasileira de varejo, fundada em 1929, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. É uma das maiores redes varejistas do país, com mais de 1.400 lojas distribuídas pelo Brasil, e centros de distribuição nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Pará, Pernambuco, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul. A empresa também atua no comércio eletrônico.
Em março de 2026, a empresa pediu à Justiça o encerramento do processo de recuperação judicial iniciado em 2023, após a identificação de inconsistências contábeis.
História A empresa foi fundada em 1929 pelos americanos John Lee, Glen Matson, James Marshall e Batson Borger, que partiram dos Estados Unidos em direção a Buenos Aires com o objetivo de abrir uma loja no estilo Five and Ten Cents (lojas que vendiam mercadorias a 5 e 10 centavos, na moeda americana). A ideia era lançar uma loja com preços baixos, no modelo que já fazia sucesso nos Estados Unidos e na Europa no início do século. No navio em que viajavam, conheceram o brasileiro Aquino Sales e o austríaco Max Landesmann, que os convidaram para conhecer o Rio de Janeiro.
Na visita ao Rio de Janeiro, os americanos perceberam que havia muitos funcionários públicos e militares com renda estável, porém com salários modestos, e a maioria das lojas não eram destinadas a esse público. As lojas existentes, em geral, vendiam mercadorias caras e especializadas, o que obrigava uma dona de casa ir a diferentes estabelecimentos para fazer as compras. Foi assim que decidiram que o Rio de Janeiro era a cidade perfeita para lançar o sonhado empreendimento – uma loja de preços baixos para atender àquela população "esquecida" e que vendesse vários tipos de mercadorias. Eles desejavam oferecer uma maior variedade de produtos a preços mais acessíveis.
Assim, no ano de 1929, inauguraram a primeira Americanas, em Niterói com o slogan "Nada além de 2 mil réis". No fim do primeiro ano, já eram quatro lojas: três no Rio e uma em São Paulo.
Em 1940, a Americanas tornou-se uma sociedade anônima, abrindo seu capital. Em 1982, os principais acionistas do Banco Garantia, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, entraram na composição acionária de Americanas como controladores.
Década de 1990 miniaturadaimagem|Antiga logomarca. No primeiro semestre de 1994, concretizou a formação de uma joint venture com o nome de Wal Mart Brasil, com participação de 40% da Americanas, e 60% por parte da Wal Mart Store na composição do capital.
Em dezembro de 1997, por decisão do Conselho de Administração da empresa, foi aprovada a venda total da participação de 40% na joint venture para o Walmart Inc. Essa decisão foi tomada após a conclusão de que seria necessário a total concentração de recursos no próprio negócio da companhia.
Em agosto de 1998, o Conselho de Administração aprovou a venda total da participação acionária da Americanas na empresa 5239 Comércio e Participações, subsidiária que detinha o controle acionário de suas 23 lojas de supermercado, para a empresa francesa Comptoirs Modernes (pertencente ao Grupo Carrefour). A decisão pela saída do segmento supermercadista deveu-se ao processo de consolidação pelo qual passa este setor no Brasil com a entrada de grandes concorrentes internacionais, o que exigiria expressivos investimentos para a manutenção da posição de mercado da Companhia. Desta forma, a Americanas decidiu novamente focar em seu principal negócio: lojas de descontos.
Em julho de 1999, a companhia decidiu pela segregação de seu negócio imobiliário, tendo o seu capital social reduzido em R$ 493.387 mil, valor correspondente ao investimento possuído pela São Carlos Empreendimentos e Participações.thumb|250px|Filial no Shopping Vale do Aço, em Ipatinga.
Década de 2000 O ano de 2003 teve como principal característica a aceleração do programa de expansão. Com o objetivo de expandir a rede de lojas, foram inauguradas 13 lojas convencionais, fortalecendo a presença da companhia em mercados importantes das regiões Sudeste e Sul do país. Duas outras lojas foram reformadas para possibilitar um melhor atendimento aos clientes. O conjunto de inaugurações contemplou também a abertura das três primeiras lojas "Americanas Express", concebidas segundo o "conceito de vizinhança" no Rio de Janeiro.
Em 2004, deram continuidade ao processo de expansão através da abertura de 35 lojas e da conclusão do novo Centro de distribuição em Barueri, na grande São Paulo, visando suportar numa primeira fase, o crescimento orgânico da companhia, tanto das lojas físicas como da loja virtual.
O ano de 2005 foi um ano de importantes realizações para maximizar o valor de Americanas: foram inauguradas 37 novas lojas, foi adquirido o canal de TV e site de comércio eletrônico Shoptime e foi realizada uma joint venture com o Banco Itaú, criando a Financeira Americanas Itaú, ou Americanas Taií.
Em 2006 prosseguiram com a expansão, inaugurando 45 novas lojas, e criaram uma nova empresa, a B2W, companhia Global de Varejo, produto da fusão Americanas.com e do Submarino.
A nova empresa tinha valor de mercado de cerca de 6,5 bilhões de reais, tornando-se a terceira maior do setor no mundo. A B2W Digital é líder em comércio eletrônico na América Latina. A Companhia opera por meio de uma plataforma digital, com negócios que apresentam forte sinergia e um modelo único, multicanal, multimarca e multinegócios.
A B2W Digital possuía um portfólio com as marcas Americanas Empresas, Americanas.com, Submarino, Shoptime, Submarino Finance, Sou Barato e Supermercado Now, que oferecem mais de 38 categorias de produtos e serviços por meio dos canais de distribuição internet, televendas, catálogos, TV e quiosques. Em 2017, possuíam 10 mil vendedores registrados, com um crescimento de cerca de 2 mil novos lojistas por trimestre.
Em janeiro de 2007, Americanas anunciou a aquisição da BWU, empresa detentora da marca Blockbuster Inc. no Brasil por R$ 186,2 milhões e adaptou as lojas ao modelo Americanas Express, somando assim mais 127 lojas à sua rede.
Década de 2010 thumb|250px|Filial em Tangará da Serra, no interior de Mato Grosso, inaugurada em novembro de 2011, consolidando a expansão da rede no Brasil.
No ano de 2013, a B2W realizou a aquisição de três empresas de tecnologia especializadas em desenvolvimento de sistemas e soluções para comércio eletrônico e criou o BIT - B2W Inovação e Tecnologia. Com isso, a Companhia dobrou seu time de tecnologia/internet, que é o maior da América Latina e conta atualmente com mais de 600 engenheiros em escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.
Foram adquiridas as empresas Uniconsult, especializada em otimização de controle de pedidos (expedição e reversa), de sistemas para operação de múltiplos centros de distribuição e desenvolvimento de sistemas específicos para operação de marketplace, em maio de 2013; Ideais Tecnologia, voltada para desenvolvimento e otimização das plataformas de venda online, B2B/B2B2C e sistemas mobile, e Tarkena, focada em otimização de sistemas de busca e algoritmos para gerenciamento de frete, ambas em outubro de 2013.
Em setembro de 2013, a rede Americanas foi condenada a pagar 250 mil reais para entidades assistenciais sem fins lucrativos devido ao uso de mão-de-obra em condições trabalhistas análogas às de escravidão. A fiscalização ocorreu em janeiro de 2013 na empresa BASIC+ que vende sua mercadoria para a Americanas e encontrou nessa situação um grupo de bolivianos na cidade de Americana que fornecia roupas infantis para a Americanas.
Em janeiro de 2014, a B2W Digital anunciou um aumento de capital no valor de R$ 2,38 bilhões que tem por objetivo melhorar a estrutura de capital da Companhia, utilizando os recursos para amortizar parte da dívida, permitindo que a empresa siga investindo nos pilares do seu negócio, acelerando o seu crescimento e consolidando sua posição de liderança no mercado. A operação contou ainda com a participação do investidor de tecnologia/internet Tiger Global, que entre outras possui participação na Amazon.
A B2W anunciou em 14 de Junho de 2014 a aquisição da Direct, maior operadora logística de e-commerce no Brasil, especializada em entregas de itens pequenos. Em 2013, a Companhia já havia realizado a aquisição da Click – Rodo, operadora logística também especializada em entregas para o comércio eletrônico, com foco em itens grandes.
Em junho de 2015, a B2W comprou o Sieve Group, grupo de empresas especializadas na prestação de serviços para o e-commerce, entre elas a Sieve, especializada em monitoramento e inteligência de preços online, a InfoPrice focada em monitoramento e inteligência de preços no mercado offline (varejo físico), a Admatic, de gerenciamento de mídias digitais, Skyhub, integradora de Marketplace e o Site Blindado, focado em soluções de segurança.
Em setembro de 2015 a companhia vende a Ingresso.com por 280 milhões de reais e também finaliza a venda do Submarino Viagens para a CVC.
Ao longo de 2016 e 2017 a B2W Digital lançou seus dois primeiros projetos de código aberto, o Marvin-AI, plataforma de inteligência artificial e o restQL, uma linguagem de consulta para micro serviços.
No ano de 2018 teve o lançamento da Ame, fintech da Americanas.
No final de 2019, a B2W Digital anunciou novas empreitadas, como a abertura de mais sete centros de distribuição, além dos 15 atuais, até 2022; uma parceria entre Ame e Stone; e abertura de um escritório na China, para operar vendas on-line de produtos estrangeiros no país asiático, com base na atividade "Americanas no Mundo".
Década de 2020 Em julho de 2021, a Americanas e a B2W Digital se fundiram em uma única empresa, chamada de Americanas
Em setembro de 2021, a Americanas anunciou a aquisição da plataforma digital literária Skoob Books, maior plataforma digital de conteúdo para leitores do país.
Em outubro de 2022 Ame recebe autorização do Banco Central para operar como instituição de pagamento. No mesmo período a Americanas conquista o Prêmio Great Place To Work como uma das 10 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, na categoria + de 10 mil funcionários.
Em abril de 2023, a empresa tem resultado histórico na Páscoa em meio à crise: a Americanas vendeu mais de 150 milhões de produtos, volume 10% superior ao mesmo período de 2022.
Em setembro de 2023, a Americanas conquistou pela segunda vez consecutiva a primeira colocação no Ranking Varejo Conveniência do Prêmio Experience Awards. Além do Ranking Conveniência, as marcas Americanas, Submarino e Shoptime também receberam certificações de empresas referência em NPS no Brasil na categoria Marketplace.
Crise de 2023 e recuperação judicial
Em 11 de janeiro de 2023, a Americanas comunicou ao mercado a descoberta de inconsistências contábeis superiores a 20 bilhões de reais. A divulgação foi feita pelo então diretor-presidente Sergio Rial, empossado dias antes, que renunciou ao cargo na mesma data. Em junho daquele ano, a companhia declarou que as demonstrações financeiras haviam sido fraudadas pela diretoria anterior.
A companhia entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro de 2023. O plano de recuperação foi aprovado em assembleia de credores em dezembro daquele ano e homologado pela Justiça em fevereiro de 2024.
O caso foi investigado pela Comissão de Valores Mobiliários, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. A Comissão Parlamentar de Inquérito das Americanas, instalada pela Câmara dos Deputados, concluiu seus trabalhos em setembro de 2023 sem apontar responsáveis. Em março de 2026, a companhia protocolou um pedido de encerramento da recuperação judicial.
Marcas thumb|250px|Filial no Shopping Recife, abril de 2010 miniaturadaimagem|Americanas Express (2003-2021) miniaturadaimagem|Americanas Express (2021)
Atualmente a Americanas opera em dois segmentos: lojas físicas e e-commerce.
Lojas físicas Americanas — o modelo tradicional possui área média de vendas de 1.500 m² e catálogo de 60 mil itens.