Lepidópteros (Lepidoptera) é uma ordem de insetos que inclui as borboletas e mariposas. Os lepidópteros compõem a segunda maior diversidade de insetos do planeta e são encontrados em quase todas as regiões do mundo, principalmente em locais tropicais. São estimadas 180 000 espécies de lepidópteros distribuídas em 34 superfamílias e 130 famílias. Deles, 12% são borboletas, sendo a segunda maior ordem de insetos em número de espécies. No Brasil, mais de 5 000 espécies já foram descritas.

O grupo é de grande importância econômica, pois a maioria das larvas é fitófaga e muitas espécies são pragas de cultivos agrícolas. Por outro lado, os adultos são agentes polinizadores fundamentais para o equilíbrio dinâmico de ecossistemas, servindo como indicadores no monitoramento da diversidade biológica, na integridade de paisagens e uso sustentável de recursos naturais.

São insetos holometabólicos, ou seja, realizam metamorfose completa, e apresentam muitas vezes dimorfismo sexual entre machos e fêmeas, tendo a vida dividida em quatro estágios distintos: ovo, larva, pupa e imago. Seus estágios de larva e pupa recebem denominação típica, sendo chamados respectivamente de lagarta e crisálida.

Etimologia O nome Lepidoptera é derivado do grego e significa “asa com escamas”. Essa é a característica mais marcante da Ordem: dois pares de asas membranosas cobertas por escamas. São as escamas, inclusive, que dão às borboletas e mariposas as cores e desenhos pelos quais são conhecidas. Rhopalocera e Heterocera também tem seus nomes intimamente ligados às características que os classificam, sendo que Rhopalocera, também do grego, quer dizer “Antenas clavadas” (rhopalo = clave, kera = chifre/antena) e Heterocera, de mesma origem, portanto, “antenas diversas” (hetero = diverso). A palavra “mariposa” vem, aparentemente do espanhol, da expressão “Mari, posa!” (Maria, pousa!), como uma brincadeira infantil. Quanto a "borboleta", há controvérsias. Uma hipótese é que proveio de papilio ("borboleta", em latim), como os romanos as chamavam.

Evolução miniaturadaimagem|Fóssil de uma mariposa datado do Priaboniano|259x259px A monofilia de Lepidoptera é bastante robusta, sendo esta corroborada por um número impressionante de sinapomorfias, bem como a sua posição na árvore dos insetos como grupo irmão de Trichoptera, formando o clado Amphiesmenoptera, que parece estar inserido no clado Endopterygota de acordo com a seguinte topologia:

Os mais antigos fósseis do grupo datam do Paleogeno, com 50 milhões de anos de idade, e já apresentavam características morfológicas atuais, mas fósseis de escamas de asas encontrados em sedimentos transicionais do período Triássico para o Jurássico colocam a origem do grupo muito anteriormente, precedendo a origem das Angiospermas e desbancando teorias de uma associação ancestral entre os primeiros membros do grupo e tais plantas. Uma maior diversificação parece ter ocorrido no Cretáceo Inferior, ao mesmo tempo das principais irradiações dessas plantas, porém a relação de coevolução entre esses grupos ainda é debatida.

Morfologia A ordem Lepidoptera apresenta muitas características comuns a outros insetos. O corpo dos indivíduos pertencente ao grupo é dividido em três tagmas (cabeça, tórax e abdômen), seis pernas articuladas terminadas por uma garra, dois olhos compostos e quatro asas relativamente grandes. As características discutidas logo abaixo são características importantes para conseguir caracterizar os organismos presentes nesse grupo.

Asas miniaturadaimagem|261x261px|Caligo beltrao miniaturadaimagem|260x260px|Detalhes da asa de uma borboleta Os indivíduos desse grupo apresentam quatro asas relativamente grandes quando comparadas com outros grupos de insetos. As asas são membranas, finas e frágeis, além de serem recobertas por escamas, que podem ser facilmente destacáveis. Contudo, as escamas são microscópicas, pequenas demais para conseguir observá-las a olho nu. Quando uma pessoa toca na asa de uma borboleta, por exemplo, uma fina poeira é depositada em seus dedos. Essa fina poeira são justamente as escamas que se destacaram da asa após o toque. Ao contrário do que dito popular diz, essa poeira não causa cegueira nas pessoas, apesar de poder causar uma leve irritação nos olhos.

Outra característica importante para a classificação dos indivíduos desse grupo é a posição das asas quando pousam. As borboletas apresentam normalmente um hábito diurno, sendo assim voam durante o dia e quando pousam elas mantêm as asas elevadas em um sentido perpendicular ao corpo. Já as mariposas apresentam um hábito normalmente noturno e, ao pousarem, dispõem suas asas distendidas para os lados, no mesmo plano do corpo do indivíduo.

Antenas Como dito anteriormente, os indivíduos presentes na ordem Lepidoptera apresentam duas antenas. Contudo, assim como as asas, existem diferenças entre essas estruturas sensoriais quando comparadas borboletas e mariposas. Quando as antenas são filiformes e intumescidas na extremidade apical, ou seja, antenas que se assemelham a um fio com um inchaço na sua extremidade, têm-se antenas de borboletas. Já antenas que não apresentam intumescimento na extremidade apical, mesmo sendo filiforme, ou que apresentam outras estruturas que aumentam sua percepção sobre o meio, caracterizam uma mariposa. Essas estruturas são secções que aumentam a superfície, apresentando uma maior concentração de receptores que são utilizados para uma melhor navegação durante o voo. Sendo assim, estão bastante adaptadas a um hábito noturno, em um ambiente onde não é possível enxergar muito bem. miniaturadaimagem|Borboleta Episcada hymenaea - em destaque: espirotromba|260x260px

Espirotromba Outra característica bastante importante para caracterizar o grupo das lepidópteros e diferenciá-lo de outros é a presença de uma probóscide de sucção. Os indivíduos adultos não apresentam aparelho bucal triturador, o que acaba diferenciando esse grupo entre muitos insetos. Nesse grupo a probóscide não é perfurante e apresenta-se em forma de um tromba que se enrola em espiral. Com base em todas essas características, essa peça bucal chama-se espirotromba. A espirotromba consiste em duas regiões muito estendidas do primeiro par de maxilas chamadas de gáleas, que a partir de músculos distendem-se funcionando como um tubo sugador de néctar.

Entretanto, apenas os indivíduos adultos apresentam a espirotromba; os indivíduos em fase larval apresentam um aparelho bucal triturador que é utilizado para se alimentar de folhas até o momento da fase de pupa.

Ciclo de Vida miniaturadaimagem|Ovos de borboleta do gênero Mechanitis|262x262px

Ovo O número de ovos postos varia muito, de um pouco menos de cem em algumas espécies a mais de mil em outras. Os ovos são postos de maneira específica, geralmente sobre ou próximos a uma fonte de alimento. Em muitas espécies, são colocados individualmente e espalhados; em outras são colocados juntos e então cobertos por uma secreção rígida vinda das glândulas abdominais da fêmea.

Em alguns grupos, os últimos segmentos do abdômen da fêmea são bem alongados, e os ovos são colocados em partes macias da planta ou em fendas. Em algumas mariposas da família Prototheoridae, a fêmea às vezes espalha os ovos durante o voo, sempre próximos há uma fonte viável de alimentos.

O desenvolvimento do embrião e eclosão das larvas é controlado por um mecanismo fisiológico chamado diapausa que pode envolver a diminuição do metabolismo regulando a eclosão para um momento em que as condições ambientais estejam favoráveis. No caso de algumas mariposas da família das Blastobasidae, a larva choca dentro do útero da fêmea. miniaturadaimagem|Larvas de borboletas do gênero Mechanitis|263x263px

Larva ou lagarta O estágio larval é a principal, e muitas vezes a única, fase de alimentação do ciclo de vida, na qual o animal ingere grande quantidade de alimento para as próximas fases da vida. A maioria das larvas muda quatro a cinco vezes à medida que crescem, desfazendo o seu exoesqueleto, num processo conhecido como ecdise.

A maioria das larvas sintetiza fios de seda que conferem aderência ao substrato. A seda também é usada na construção de ninhos e abrigo que protegem a larva de predadores.

A aparência das lagartas varia bastante, principalmente quando levamos em conta a sua coloração, que mostra também a sua capacidade de se defender de predadores. Muitas possuem uma coloração parecida com o ambiente que habitam. Essa coloração é alterada conforme a larva cresce. Em alguns casos a coloração é muito aparente, e em outros há características específicas como manchas que parecem com olhos, que servem para enganar ou afugentar predadores. miniaturadaimagem|Pupa de borboleta Methona themisto|262x262px O momento adequado de desenvolvimento e atividades larvares é importante para espécies em que um período de dormência é necessário.

Pupa A pupa é a fase na qual a lagarta passa por grandes transformações corporais, seus tecidos são reconstruídos até que ele eclode como um adulto.

A duração da fase pupal varia muito dentro do grupo e às vezes até entre as gerações de uma mesma espécie. Pode durar de sete a dez dias, durante o verão ou meses em caso de hibernação ou dormência. miniaturadaimagem|Imago de borboleta: Mechanitis polymnia|263x263px

Adulto Apesar de completamente formado, o adulto pode permanecer quiescente dentro do casulo pupal por um longo tempo, até que as condições sejam ideais para a sua eclosão.

Quando sai do casulo, o indivíduo se move até um lugar no qual possa se prender, com a cabeça voltada para cima e o dorso para baixo. O inseto então começa a forçar seus fluidos corporais para o tórax, através da contração do abdômen e bombeando sangue para as asas, fazendo com que elas tomem o tamanho e formato de um indivíduo adulto, que poderá voar em alguns minutos.

A fase adulta é a fase reprodutiva, na qual a mobilidade do indivíduo garante que os adultos possam copular e ocupar novas áreas.

Diversidade e filogenia Depois de Coleoptera, Lepidoptera é o grupo mais diverso de insetos, contando quase 200 000 espécies conhecidas, sendo a grande maioria de mariposas e apenas cerca de 15 mil espécies, de borboletas. As lepidópteras são uma ordem da classe Insecta (ou Hexapoda), no filo Arthropoda, reino Animalia e fazem parte de um grupo de animais conhecido como “invertebrados”.