A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) é uma pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, cujo fim é a manutenção de escolas voltadas ao ensino e à pesquisa em nível superior.

História

O núcleo original da Fundação é a Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, criada em maio de 1933 por iniciativa de pouco mais de uma centena de figuras eminentes da sociedade paulistana, dentre as quais destacam-se os dirigentes das principais entidades de ensino de São Paulo, como a Faculdade de Direito, a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado e a Escola de Belas Artes, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, do Instituto de Engenharia, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, dentre outros.

A época era de intensa agitação política e cultural da elite paulista, comprometida com um projeto de modernização da sociedade brasileira e de recuperação da influência política do estado de São Paulo - perdida nas revoluções de 1930 e 1932 -, por meio da formação de uma elite capaz de liderar o processo de industrialização do Brasil e de contribuir para melhorar os padrões da administração pública do país.BOSE, Mônica Gestão de pessoas no terceiro setor. FEA-USP, 2004. "Os muitos universos da FESPSP", p. 153

O projeto, descrito no manifesto dos fundadores da escola, era ambicioso. Mas as primeiras aulas foram ministradas em condições modestas, em salas emprestadas à noite pela Escola de Comércio Álvares Penteado, situada no largo de São Francisco, no centro histórico. Somente depois de mais de vinte anos, em 1954, a Escola passaria a ocupar, em tempo integral, o casarão da rua General Jardim, 522, na Vila Buarque.Site da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

A escola foi reconhecida em 1938, como instituição de utilidade pública, pelo governo estadual, e no ano seguinte foi incorporada à USP como instituição complementar autônoma, status que manteve até o início da década de 1980.

Marcos importantes da trajetória da FESPSP, nesse período, foram a publicação da revista Sociologia (1939-1966) e, em 1941, o início dos cursos de pós-graduação. Paralelamente, começou a desenvolver-se intensa atividade relacionada a estudos e projetos encomendados por órgãos públicos e por entidades privadas, que perdura até hoje.

Orientada desde o início para o estudo da realidade brasileira e para a formação de quadros técnicos e dirigentes capazes de atuar no processo de modernização da sociedade, a Escola de Sociologia e Política de São Paulo (ESP) teve o seu curso de graduação reconhecido pelo Governo Federal em 1946, através do Decreto-Lei nº 9.786. O conteúdo do curso foi definido como currículo mínimo para o ensino de Sociologia e Política em todo o país.

Pioneira no ensino e na prática das ciências sociais, a Fundação Escola de Sociologia e Política incorporou, em 1940, o curso de Biblioteconomia e Documentação, mantido pela Prefeitura do Município de São Paulo desde a sua criação, em 1936. thumb|236x236px|Fachada do casarão da Fespsp Em 1939, a Escola sofreu uma grande mudança com a vinda do sociólogo norte-americano Donald Pierson, que além de trazer recursos provenientes de fundações, como a Smithsonian Institution, para formação do acervo da biblioteca, concessão de bolsas de estudo e financiamento de projetos de pesquisa, ampliação do corpo de professores e pesquisadores e abrir possibilidades de carreira acadêmica. Assim, Pierson, que permaneceu na escola até 1952, influiu imensamente sobre o projeto pedagógico da escola, reorientando-o para a efetiva formação de sociólogos e superando uma espécie de diletantismo reinante.

Em 1941, foi fundada a Divisão de Estudos Pós-Graduados, atual Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais, responsável pelo primeiro programa de pós-graduação em ciências sociais no Brasil, formando a primeira geração de pesquisadores nas áreas da sociologia, política e administração pública no país.

A partir dos anos 1950, a Escola teve importância fundamental para a vida intelectual brasileira e, especialmente, para criação de uma "escola paulista" de pensamento sociológico. Segundo Sergio Miceli, as primeiras consequências sobre a vida intelectual brasileira advindas da criação da Escola de Sociologia e Política e da Faculdade de Filosofia de São Paulo somente se fizeram sentir vinte anos depois. Entre 1953 e 1964, os principais integrantes da escola paulista produziram suas teses e começaram a publicar seus primeiros artigos e livros. Até então, o maior impacto derivado dos novos experimentos inaugurados no ensino superior, tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo, consistiu, sem sombra de dúvida, nos horizontes intelectuais e acadêmicos abertos pelos docentes e pesquisadores estrangeiros em missão oficial no país.Condicionantes do desenvolvimento das Ciências Sociais no Brasil 1930-1964, por Sergio Micelli.

Mas o golpe de 1964 viria ser um fator de desestabilização da FESPSP. As escolas de Sociologia e Política e de Biblioteconomia passaram a ser frequentemente fechadas pela polícia política, e os alunos, perseguidos. A escola entrou em declínio nos anos 1970 e, nos anos 1980, perdeu o credenciamento para oferecer cursos de mestrado e doutorado. Com sérios problemas financeiros e de gestão, as tentativas de recuperação realizadas nos anos 1990 falharam. Eram constantes as greves de alunos. Em 1981, a entidade mantenedora propôs o fechamento do curso de sociologia. Em resposta, os alunos ocuparam o prédio e nele permaneceram por dois meses.

A partir de 1999, teve início um processo de reorganização da fundação, envolvendo tanto aspectos administrativo-financeiros e pedagógicos, que culminou com a construção do campus FESPSP, em 2011, composto pelo casarão e pelo novo prédio que reflete o projeto pedagógico da instituição, marcando uma fase de intensas atividades acadêmicas, como palestras, debates, conferências, seminários e encontros.

Hoje, a Fundação Escola de Sociologia e Política mantém a Escola de Sociologia e Política (ESP), a Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FaBCI), a Faculdade de Administração e a Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais. O seu corpo de pesquisadores e docentes se dedica ao ensino, à pesquisa acadêmica e aplicada, visando unir a atividade de produção do conhecimento à capacidade de intervenção, gestão e planejamento para os setores público e privado.

Estrutura Escola de Sociologia e Política - ESP Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais - EPG Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação - FaBCI

Ensino

Graduação

Administração Biblioteconomia e Ciência da Informação Sociologia e Política

Pós-graduação Antropologia Ciência Política Estudos Brasileiros Gestão Arquivística Gestão da Informação Digital Gestão de Serviços de Informação Gestão de Acervos Museológicos Gestão Pública Globalização e Cultura Mídia, Política e Sociedade MBA em Gestão Empresarial e Coaching MBA em PPP e Concessões Opinião Pública e Inteligência de Mercado Política e Relações Internacionais Psicossociologia da Juventude e Políticas Públicas Sociologia Sociopsicologia

Centro Acadêmico Os alunos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo do curso de Sociologia e Política constroem o Centro Acadêmico Florestan Fernandes (CAFFESP), órgão máximo de representação discente do departamento.

Nomes que passaram pela FESPSP Adelpha de Figueiredo Antonio Brancaglion Junior Arnaldo Madeira Boris Kossoy Carlos Eugênio Marcondes de Moura Carlos Guilherme Mota Carmen Junqueira Claudio Willer Darcy Ribeiro Donald Pierson Emilio Willems Eva Maria Lakatos Fernando Altenfelder Silva Fernando Henrique Cardoso Florestan Fernandes Gabriel Galipolo Gioconda Mussolini Glauco Mattoso Guilherme de Almeida Herbert Baldus Herbert Levy Jorge Americano Juarez Brandão Lopes Laura Russo Leon Cakoff Lúcio Flávio Pinto Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira Luiz Carlos Trabuco Cappi Luiza Erundina Marco Aurélio Nogueira Milton Ferreira de Melo Octavio Ianni Odilon Nogueira de Matos Paulo Henrique Amorim Roberto Simonsen Ricardo Lewandowski Rubens Borba de Moraes Salomão Schvartzman Sérgio Buarque de Holanda Silvestre Luís Scandian Tácito de Almeida Tibor Rabóczkay Virgínia Leone Bicudo Waldomiro Vergueiro

Bibliografia

MICELI, Sergio (org.). (1989), História das ciências sociais no Brasil. São Paulo, Idesp/Vértice/Finep.

Ligações externas A página oficial da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo

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