thumb|right|280px|A sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. thumb|right|280px|A placa com as informações sobre a inauguração da sede da CBF, no seu interior. Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é a entidade máxima do futebol no Brasil. Fundada em 8 de junho de 1914, sob a denominação Federação Brasileira de Sports (FBS), a CBF, tal como existe hoje, foi criada em 24 de setembro de 1979, quando ocorreu a desmembração da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), entidade sucessora da FBS, que, além de comandar o futebol, aglutinava os demais esportes olímpicos praticados em território brasileiro. A CBF é responsável pela organização de campeonatos de alcance nacional. Também administra a Seleção Brasileira, cinco vezes campeã mundial, e a feminina, vice-campeã mundial.
A CBF é uma associação privada cuja principal atividade econômica é a produção e promoção de eventos esportivos.Sistema de Emissão de Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral de Pessoa Jurífica da Receita Federal do Brasil CNPJ da CBF: 33.655.721/0001-99. A ela respondem as federações estaduais, responsáveis pelos campeonatos em cada unidade federativa do Brasil. Sua sede localiza-se na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro. À Confederação também pertence o centro de treinamento Granja Comary, localizado no bairro Carlos Guinle, em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro.
À CBF cabe definir e publicar, através de seu Boletim Informativo Diário (BID), os nomes dos atletas dos plantéis profissionais que estão legalmente aptos e autorizados a atuar em partidas oficiais de futebol. O jogador cujo nome não conste no BID à véspera de uma partida não poderá atuar. A escalação de um atleta sem registro é considerada irregular e a equipe, dependendo da competição que disputar, estará sujeita a punições, tais como desclassificação da competição e perda de mandos de campo, entre outras sanções aplicadas.
A presidência da Confederação é formada por: Samir Xaud, presidente eleito em 2025 como candidato único e presidente da Federação Roraimense de Futebol e Ednailson Rozenha, como vice-presidente na qual também é presidente da Federação Amazonense de Futebol.
Antecedentes
miniaturadaimagem|Escudo da antiga Confederação Brasileira de Desportos.
A origem da atual CBF é de 8 de junho de 1914, quando a carioca Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA) juntamente com a Associação Paulista de Sports Athleticos (APSA) fundaram a Federação Brasileira de Sports (FBS), entidade criada com o objetivo de comandar não só o futebol, mas o esporte brasileiro. Em 3 de março de 1915, a Liga Paulista de Foot-Ball (LPF), rival da APEA, funda a Federação Brasileira de Football (FBF), com o objetivo de combater a FBS e se tornar a entidade máxima do futebol do Brasil.
Em 1916, a Argentina decidiu realizar o primeiro Campeonato Sul-Americano de Futebol (atual Copa América), porém surgiu um problema quanto a qual entidade representaria o Brasil na competição. Para contornar a situação, em 19 junho de 1916, o então ministro das Relações Exteriores, Lauro Müller, toma a iniciativa de se reunir, em sua residência, com os presidentes da FBS, FBF, LPF, LMSA e APSA, após algumas horas de debate, foi proposta a criação da Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Culminando com a assinatura, em 21 de junho de 1916, de um acordo entre as entidades para a extinção da FBS e FBF e criação definitiva da CBD.
Em 24 de setembro de 1979, após sofrer modificações em sua estrutura, a CBD foi transformada em Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sobretudo como consequência de um decreto da FIFA, segundo o qual todas as entidades nacionais de futebol deveriam ser voltadas unicamente para o desenvolvimento deste esporte. Este não era o caso da CBD, que, à época, ocupava-se do fomento a todos os esportes olímpicos, incluindo o futebol.
História
Gestões de Giulite Coutinho (1980–1986) e Octávio Pinto Guimarães (1986–1989) Giulite Coutinho assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Futebol em um período de transição do futebol nacional. Durante seu mandato, a Seleção Brasileira disputou duas Copas do Mundo. Em 1982, na Espanha, considerada uma das melhores equipes da história, comandada por Telê Santana, a Seleção canarinho foi eliminada na segunda fase pela Itália ("Tragédia do Sarrià"), apesar do futebol ofensivo de Zico, Sócrates e Falcão. Já em 1986, no México, novamente sob comando de Telê Santana, o Brasil chegou às quartas de final, sendo eliminado pela França nos pênaltis ("Drama de Guadalajara").
Octávio Pinto Guimarães herdou uma CBF em crise após a decepção na Copa de 1986. Sob seu mandato houve a criação da Copa União em 1987, organizada pelo Clube dos 13, que excluiu clubes menores e gerou uma crise institucional posteriormente com a CBF. O torneio paralelo resultou em duas edições do Brasileirão (oficial e extraoficial), resolvida apenas com a unificação em 1988.
Gestão de Ricardo Teixeira (1989–2012) Em 16 de janeiro de 1989, Ricardo Teixeira, então genro de João Havelange (à época, presidente da FIFA), assumiu a presidência da CBF sucedendo Octávio Pinto Guimarães após ter sido eleito por “aclamação” à presidência da entidade, com o apoio unânime de todas as confederações do país. Seu mandato, o mais longo da história da entidade (23 anos), foi marcado por conquistas esportivas e escândalos de corrupção.
No campo esportivo, Teixeira promoveu internamente a criação, em 1989, da Copa do Brasil – competição jogada nos moldes da Copa da Inglaterra ou da Taça de Portugal, isto é, em sistema eliminatório. Também instituiu o Campeonato Brasileiro em pontos corridos a partir de 2003, modelo adotado até hoje. Antes, porém, a principal competição de clubes nacionais esteve envolta em confusões jurídicas, quando o regulamento foi rasgado duas vezes, com a anulação do rebaixamento de alguns times, em 1996, e judicialização, em 2000, que levou a Copa João Havelange, um torneio com 116 times que só terminou em 2001.
Sob a gestão Teixeira, a seleção brasileira masculina conquistou dois títulos mundiais: A Copa do Mundo FIFA de 1994 (sob o comando do técnico Carlos Alberto Parreira e primeiro título em 24 anos depois do tricampeonato no Mundial do México) e a Copa de 2002 (sob o comando de Luiz Felipe Scolari), duas Copa das Confederações FIFA: Em 2005 (sob o comando do técnico Carlos Alberto Parreira) e 2009 (sob o comando de Dunga) e ainda quatro títulos da Copa América: Em 1989 (quebrando um jejum de 19 anos sem títulos oficiais da seleção brasileira), 1997, 1999, 2004 e 2007. O período vitorioso também inclui seis títulos mundiais nas divisões de bases (três no sub-17 e três no sub-20).
Fora de campo, a valorização da seleção brasileira como produto foi mais explorado - com contratos grandiosos para a CBF. Quando Teixeira assumiu, a CBF possuía apenas dois patrocinadores (incluindo o fornecedor de camisas). Em seus dez primeiros anos de administração, a entidade sofreu prejuízos, apesar de ter obtido bons contratos. A partir de 2003, a CBF passou a dar lucro segundo os balanços da entidade.
No entanto, diversos escândalos atingiram a gestão de Ricardo Teixeira.Marcação cerrada A Receita aperta o cerco sobre o mundo do futebol e o cartola Ricardo Teixeira é alvo das investigações Em 1993, veio à tona o primeiro escândalo sob seu comando quando investigações revelaram que Teixeira teria recebido pagamentos ilegais de empreiteiras para custear a preparação da Seleção Brasileira em Gubbio antes da Copa do Mundo FIFA de 1990, realizada na Itália. Também foi acusado de receber propina no contrato com a Pepsi, patrocinadora oficial da seleção brasileira durante o torneio, no qual o escrete dirigido por Sebastião Lazaroni foi eliminado nas oitavas de final pela Argentina, resultado considerado abaixo das expectativas.
A conquista do tetracampeonato mundial nos EUA em 1994 consolidou temporariamente o prestígio de Teixeira, apesar das denúncias vigentes. Mas após o retorno ao Brasil, o escândalo do "Voo da Muamba" ganhou destaque, uma vez que a delegação da CBF, incluindo Teixeira, recusou-se a declarar à alfândega 14,4 toneladas de bagagem trazidas dos EUA (contra 3,4 toneladas na ida). A investigação feita pela Procuradoria Federal apontou que jogadores e dirigentes usaram o avião oficial para importar produtos pessoais sem pagar impostos. Teixeira foi acusado de importar ilegalmente material para um de seus restaurantes num processo que durou 17 anos – e no qual o presidente da CBF foi absolvido e a entidade pagou multa de R$ 46.209,60 em ICMS após anos de disputa judicial.
Em 1996, a gestão Teixeira firmou contrato de US$ 170 milhões com a Nike, o maior acordo comercial do futebol mundial na época. A negociação foi intermediada pelas empresas Traffic, de José Hawilla, e Klefer, de Kleber Leite, parceiras de marketing da entidade. O contrato de 10 anos garantia à Nike direitos exclusivos sobre uniformes e merchandising da seleção brasileira, além de incluir cláusulas que davam à empresa participação na organização de amistosos.
O período após a derrota na final da Copa do Mundo FIFA de 1998 foi o mais tenso de Teixeira à frente da CBF, já que o Congressonacional instaurou duas investigações parlamentares sobre o futebol brasileiro: a CPI da CBF-Nike, na Câmara Federal; e a CPI do Futebol no Senado. Enquanto a primeira não teve seu relatório final aprovado, a segunda aprovou seu relatório, pedindo 27 indiciamentos de Teixeira por 13 crimes diferentes (evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros). Entre os principais pontos questionados estavam a suposta ingerência da Nike em decisões técnicas, a ausência de licitação pública e a falta de transparência na distribuição dos recursos. Teixeira foi convocado a depor e defendeu veementemente o contrato, argumentando que os recursos eram essenciais para o desenvolvimento do futebol brasileiro.A corrupção no futebol brasileiro A CPI perdeu força progressivamente devido à falta de provas conclusivas e foi arquivada em 2001 sem um relatório final, assim como o contrato com a Nike seguiu em vigor durante o pentacampeonato mundial de 2002. A Justiça absolveu Teixeira de todas as acusações.
Teixeira articulou junto ao Governo Lula e contatos na FIFA a indicação do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014, algo que se confirmou em 2007. E, com isso, o dirigente convenceu as federações a estenderem seu futuro mandato até 2014. Antes, a seleção brasileira amargaria dois fracassos consecutivos nas Copas de 2006 na Alemanha e de 2010 na África do Sul. E novos escândalos eclodiram envolvendo o presidente da CBF e impediriam que ele realizasse seu desejo de comandar a entidade até 2014. Investigações jornalísticas revelaram que o presidente da CBF havia recebido propina em uma conta secreta em Liechtenstein de US$ 9,5 milhões da extinta da International Sport and Leisure (ISL), empresa de marketing esportivo envolvida em esquema de suborno com a FIFA, cujos pagamentos ocorreram entre 1992 e 1997, vinculados a direitos de transmissão da Copa do Mundo. Em 12 de março de 2012, após protestos públicos e pressão política, Teixeira deixou a presidência do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 e renunciou à presidência da CBF, alegando motivos de saúde, em meio a investigações do Departamento de Justiça dos EUA sobre corrupção na FIFA.
Gestão de José Maria Marin (2012–2015)