Rio Tietê é um curso de água do estado brasileiro de São Paulo, sendo um afluente do rio Paraná. É conhecido nacionalmente por atravessar, ao longo de seus 1 100 quilômetros de extensão, praticamente todo o estado de São Paulo, de leste a oeste, além de marcar a geografia urbana da maior cidade do país, São Paulo. O Tietê nasce no município de Salesópolis, a 22 km do oceano Atlântico, e corre para o interior de São Paulo. Sendo assim, foi muito utilizado pelos índios e bandeirantes para acessar as vilas que se encontravam ao longo do rio.

Ao contrário da maioria dos rios do Brasil, o Tietê se volta para o interior e não para o oceano, caracterizando, dessa forma, um rio com drenagem endorreica, característica que o tornou um importante instrumento na colonização do Brasil. A sua nascente fica a 1 120 metros de altitude, na Serra do Mar, mas apesar de estar a apenas 22 quilômetros do litoral, as escarpas da serra obrigam-no a fluir em sentido inverso, atravessando o estado de sudeste a noroeste até desaguar no lago formado pela barragem de Jupiá, no rio Paraná, na divisa com o estado de Mato Grosso do Sul, entre os municípios de Itapura e Castilho, cerca de 50 km a jusante da cidade de Pereira Barreto.

Ainda no período colonial, o rio, por conta de seu solo rico e fértil, atraiu muitos aventureiros e pessoas afeitas às lavouras. Dessa forma, o rio passou a abrigar as primeiras habitações em suas margens, formando assim, o vilarejo de Pirapora do Curuçá, em que seu nome homenageia uma pedra que possuía uma cruz entalhada e se localizava no lado esquerdo do rio, onde os índios a nomearam de Curuçú-Guaçu (palavra que em tupi significa Cruz).

Etimologia

O nome "Tietê" foi registrado pela primeira vez no ano de 1748 no mapa Danvile.Rogério A. Barbosa, Ai De Ti, Tietê, Publicado por Editora DCL, BR, ISBN 8536800194, 9788536800196 O hidrônimo é de origem tupi e significa "água verdadeira", com a junção dos termos ty ("água") e eté ("verdadeiro, grande, fundo, que corre para baixo").http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/os_pronomes_pessoais_continuacao.htmNotícias Cepam

Hidrografia thumb|Nascente do rio Tietê thumb|Bacia hidrográfica do rio da Prata com a localização do rio Tietê

Nascente As nascentes ficam no Parque Nascentes do Rio Tietê, situado no município de Salesópolis. São cerca de 134 hectares, dos quais 9,6 já estão sob controle ambiental, protegendo as diversas nascentes que formam o rio. O parque localiza-se no bairro da Pedra Rajada, a dezessete quilômetros do centro de Salesópolis, junto à divisa com o município de Paraibuna. O acesso se dá pela SP-88 (Estrada das Pitas), onde há uma estrada vicinal de seis quilômetros em terra batida que leva à nascente. Inicialmente nas mãos de particulares, teve sua flora original destruída. Tombado pelo Estado, sua área foi recuperada, apresentando, agora, floresta secundária. As nascentes surgem entre rochas que ladeiam um minúsculo lago. A água brota em três diferentes pontos e o lago é povoado por pequenos peixes. A poucos metros de sua nascente, um vertedouro permite medir o volume de água gerado pelo lençol freático. Destaca-se o elevado fluxo de água produzido pela nascente. Um mural no local fornece alguns dados da nascente do rio Tietê.

Ainda dentro do município de Salesópolis existe uma das primeiras hidrelétricas construídas no Brasil, que é a atual Usina Parque de Salesópolis. Construída em 1912 pela antiga Light, gerava energia a partir de uma queda de 72 metros de altura do rio Tietê. O parque está aberto para visitação pública, sendo que há um museu junto à usina. Em março de 2008, foi retomada a produção de energia elétrica. Destacam-se os maquinários antigos lá instalados.Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes. (14 de março de 2008). Junji prestigia reabertura de usina em Salesópolis, acesso em 24-04-2010

Trechos thumb|Rio Tietê em Salto

Considera-se o Tietê dividido em quatro trechos: Alto Tietê - começa nas nascentes do rio, em Salesópolis, e vai até a cidade de Pirapora de Bom Jesus. Tem aproximadamente 250 km de extensão e 350 metros de desnível. O Alto Tietê percorre uma região de grande aglomeração populacional, tem boa parte de suas condições naturais modificadas intensamente pela ação humana, mas ainda corre em corrente livre.  Médio Tietê Superior - começa na cidade de Pirapora do Bom Jesus e vai até a cidade de Laras, onde atinge o remanso da barragem de Barra Bonita. Tem 260 km de extensão e 218 metros de desnível. Esse trecho conta com dois subtrechos: o de montante, que vai da barragem de Pirapora até a cidade de Salto, onde a água que resta após o bombeamento para a usina de Cubatão desce cerca de 150 metros e 80 km de percurso. No subtrecho seguinte, o rio corre suavemente entre colinas elevadas e numerosas curvas, não tem muitos obstáculos de grandes proporções, apenas diversas corredeiras. Médio Tietê Inferior- Encontra-se praticamente todo canalizado por uma série de barragens de aproveitamento múltiplo. Antigamente, o rio era atravessado por muitas corredeiras, causadas pelo cruzamento de diversos travessões basálticos. O principal afluente do Médio Tietê é o rio Piracicaba, com 185 km de extensão desde a confluência de seus formadores, o rio Jaguari e Atibaia. Baixo Tietê - O Baixo Tietê drena uma área de 13.646 km, é cortado por duas cachoeiras: Salto de Avanhandava (no km 210) Salto de Itapura, próximo a desembocadura e afogado pela barragem do Jupiá. Apresenta fraca sinuosidade e suas larguras são consideráveis, variando de 150 a mais de 300 metros.

Impacto socioeconômico thumb|esquerda|Marginal Tietê em São Paulo

Histórico Segundo arqueólogos, há pelo menos 6 000 anos populações se utilizam da bacia hidrográfica do rio Tietê, curso de água que também teve papel de destaque no período dos bandeirantes e na eletrificação da cidade de São Paulo. Atualmente, o rio é utilizado para abastecimento de água da população de diversas cidades, como Araçatuba. As águas são captadas a uma distância de 15 km, produzindo cerca de 5 milhões de litros diários, com capacidade de expansão até 24 milhões de litros diários. O município é a primeira cidade não ribeirinha a captar água deste rio.Revista Tae. SAMAR levará água do rio Tietê para a população de Araçatuba. Acesso em 21 de junho de 2013

Hidrovia thumb|Canal de Navegação da Eclusa de Nova Avanhandava thumb|Navio de carga passando sob a Ponte Engenheiro Gilberto Paim Pamplona, em Pongaí thumb|Barragem de Pirapora do Bom Jesus

Em diversas das barragens citadas (como por exemplo na de Barra Bonita) foram implementados sistemas de eclusas que viabilizaram a manutenção da navegação fluvial. Muitas barcaças fazem o transporte da produção da região a um custo menor do que o do transporte rodoviário. A hidrovia Tietê-Paraná permite a navegação numa extensão de 1 100 quilômetros entre Conchas, no rio Tietê, em São Paulo e São Simão, em Goiás, no rio Paranaíba, até Itaipu, atingindo 2 400 quilômetros de via navegável. Somente a hidrovia do Paraná movimentou em 2010, mais de 3,7 milhões de toneladas de cargas.Dados e informações Hidrovia rio Paraná - AHRANA - 2011ahrana - DADOS_E_INFORMACOES_2011 A hidrovia Tietê-Paraná, em 2011, movimentou cerca de 5,8 milhões de toneladas de carga, ficando muito próxima de sua capacidade de carga. Foi a segunda hidrovia brasileira em quantidade de carga, sendo superada apenas pela quantidade transportada na bacia amazônica, que foi de cerca de 9,8 milhões de toneladas.ANTAQ ANTAQ . Acessado em 27 de janeiro de 2014. Desta hidrovia, cerca de 450 km do rio Tietê são plenamente navegáveis.

Aproveitamento hidrelétrico Ao longo do rio Tietê, foram construídas muitas barragens com o intuito de se aproveitar o potencial hidrelétrico. Entre estas, podem-se citar:

A Barragem da Usina Parque de Salesópolis, em Salesópolis A Usina Hidrelétrica Edgard de Sousa, em Santana de Parnaíba A Barragem de Pirapora do Bom Jesus, em Pirapora do Bom Jesus A Barragem de Rasgão, no município de Pirapora do Bom Jesus A Barragem Laras, próxima a Laranjal Paulista A Barragem de Anhembi, próxima à cidade de Anhembi. A Barragem de Barra Bonita, próxima à cidade de Barra Bonita A Barragem Bariri, próxima à cidade de Bariri. A Barragem Ibitinga, entre as localidades de Borborema, Ibitinga e Iacanga A Usina Hidrelétrica Mário Lopes Leão, próxima às cidades de Promissão e Avanhandava A Barragem Três Irmãos - Permitiu o aproveitamento de parte da água do Tietê na usina de Ilha Solteira através do desvio pelo Canal Pereira Barreto que interliga os lagos das duas barragens A U.H.E Nova Avanhandava, no município de Buritama, próximo a Araçatuba

Turismo esquerda|miniaturadaimagem|Passeio de barco em Barra Bonita thumb|esquerda|Praia do Torres, em Sales

Atualmente os prefeitos de algumas cidades na região de Bauru estão estudando um empreendimento de turismo fluvial pelas águas do Rio Tietê. A proposta é produzir um roteiro turístico que atravesse todas as cidades envolvidas e que cada uma delas ostente o que tem de especial. A princípio, as cidades que farão parte da proposta são Boraceia, Pederneiras, Itapuí, Macatuba, Arealva, Iacanga, Bariri, Itaju e Jaú. O prefeito de Boraceia, Marcos Bilancieri, um dos idealizadores do projeto, diz que, com a expansão do mesmo, eles estarão "plantando uma semente" que irá variar e aumentar a economia da região.

Ele salienta ainda que hoje em dia já utilizam as águas do rio Tietê para fins lucrativos e também úteis à população, como as hidrovias e hidrelétricas, porém ele acredita que há um grande potencial turístico que ainda é pouco explorado, citando inclusive, como exemplo a ser seguido nesse sentido, a cidade de Barra Bonita.

Além do mais, ele esclarece que os planos de um percurso de barco, passando por essas cidades, pode impulsionar o turismo diverso, exemplificando a própria cidade de Boraceia com a hipótese de uma barragem e visitação a usina hidrelétrica, a cidade de Itaju com o turismo focado em religião; Pederneiras, com a sua competência como porto intermodal. Fora isso, o projeto também inclui a construção de um museu e aquário com o intuito de contar a história do rio Tietê. "Essa rota fluvial de turismo pelo rio Tietê pode ser uma solução e alavanca para o crescimento dos municípios envolvidos", finaliza Bilancieri.

Na cidade de Pereira Barreto existe uma praia municipal conhecida como “Pôr do Sol”, que é um excelente convite para aproveitar o rio Tietê, totalmente cuidado, e em um contexto completamente oposto ao da Grande São Paulo - o que nos faz refletir a respeito da conservação do nosso meio ambiente. Na organização estrutural, a praia ainda oferece lanchonetes, quiosques, sanitários e banheiros públicos, pista de skate, estacionamento amplo, guaritas de segurança, parque para crianças e uma bela ciclovia ao redor do rio.

Degradação ambiental

thumb|upright|Vista aérea do rio Tietê com a Marginal Tietê

Embora seja um dos rios mais importantes economicamente para o estado de São Paulo e para o Brasil, o rio Tietê ficou mais conhecido pelos seus problemas ambientais, especialmente no trecho em que banha a cidade de São Paulo. Não faz muito tempo que o rio Tietê se tornou poluído. Ainda na década de 1960, o rio tinha até peixes no seu trecho da capital. Porém, a degradação ambiental do rio Tietê teve início de maneira sutil na década de 1920, com a construção da represa de Guarapiranga, pela empresa canadense Light, para posterior geração de energia elétrica nas usinas hidrelétricas Edgar de Souza e Rasgão, localizadas em Santana de Parnaíba. Esta intervenção alterou o regime de águas do rio na capital e foi acompanhada de alguns trabalhos de retificação também pela Light, que deixaram o leito do rio na área da capital menos sinuoso, nas regiões entre os distritos de Vila Maria e Freguesia do Ó.