A Sociedade Esportiva do Gama, ou simplesmente Gama, é um clube multiesportivo brasileiro, sediado no Gama, no Distrito Federal. Foi fundado como clube de futebol em 15 de novembro de 1975.
Embora tenha outras modalidades esportivas, suas principais conquistas e reconhecimento foram alcançados no futebol. O clube é um dos mais bem sucedidos do Distrito Federal e do Centro-Oeste brasileiro. Sendo o maior campeão candango e o segundo maior campeão nacional do Distrito Federal. É o segundo clube da capital federal em participações na elite do futebol brasileiro e o maior pós Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa. É o clube com mais participações no Campeonato Brasiliense de Futebol. No futebol americano é tetra campeão da Taça Cairo Santos, o maior vencedor da competição.
Suas cores tradicionais são o verde e o branco, inspirado nas cores da Sociedade Esportiva Palmeiras e da Associação Atlética e Cultural Mariana. Seus maiores rivais históricos são o Brasiliense Futebol Clube, com quem disputa o Clássico Verde-Amarelo, o Brasília Futebol Clube, com quem disputa o Clássico Candango e, o Taguatinga Esporte Clube, disputando o chamado Clássico das Satélites. Desde sua fundação manda seus jogos no Estádio Bezerrão e no Mané Garrincha. Sua torcida é conhecida como gamenses e "alviverdes", sendo a maior torcida local do Distrito Federal. As modalidades esportivas além do futebol e futebol americano têm história recente, ainda sem grandes destaques.
Em 1999, o Gama ganhou reconhecimento internacional após entrar na justiça comum para permanecer Campeonato Brasileiro de Futebol, após ter sido rebaixado para a Série B de 2000. O Gama argumentou que o TJD usou uma alteração ilegal do Código Brasileiro Disciplinar do Futebol para dar ao Botafogo-RJ os pontos que impediram que o clube carioca caísse para a Série B e fizeram que o Gama fosse rebaixado em seu lugar. Depois de muitas de idas e vindas – nas entranhas da justiça, comum e desportiva -, Clube dos 13 e CBF cederam e entraram em um acordo com o Gama em 20 de julho. Com o imbróglio, o campeonato de elite do futebol nacional foi a Copa João Havelange.
História
Associação Atlética e Cultural Mariana A Associação Atlética e Cultural Mariana do Gama foi fundada em 11 de novembro de 1962 e tinha por finalidade criar cursos de alfabetização e profissionais, desenvolver a Educação Física e os desportos, promovendo e organizando jogos, exercícios desportivos e reuniões sociais capazes de favorecer o desenvolvimento cultural, físico, social e cívico da mocidade do Gama. Eram duas as categorias de sócios: os efetivos, que eram todos os membros da Congregação Mariana Nossa Senhora Divina Pastora e São Sebastião, do Gama, e os honorários, aqueles que, pertencendo ou não ao corpo social, merecessem essa distinção por deliberação da Assembleia Geral. José da Conceição Cruzeiro, Otávio Campos e Rubens Mendes Passos foram alguns de seus fundadores. Jader Carrijo foi o primeiro Presidente da Cultural Mariana. As cores oficiais da associação eram verde, azul, amarelo e branco.
Fundação Fundado por um grupo de desportistas que costumava matar o tempo discutindo o futebol amador que fervilhava no Gama nos idos anos 1970, o Boteco do Zé, no Setor Central do Gama, foi o palco do evento maior do futebol candango: a fundação da Sociedade Esportiva do Gama. Num domingo de sol, um dos integrantes do grupo sugeriu a criação de um clube de futebol profissional que representasse o Gama no Campeonato Brasiliense. Os pioneiros, no dia 15 de novembro de 1975, lavraram a ata de fundação da Sociedade Esportiva do Gama, no Centro de Desenvolvimento Social. Entre os pioneiros, constam os nomes de Hermínio Ferreira Neves, Antônio Domingos de Aguiar, Antônio José Gonçalves, Luiz Alberto Brasil de Carvalho, Palmiro Bueno Nogueira Barros, Esmerindo Valeriano da Silva e Otacílio Nascimento de Freitas. Além destes, também participou o pioneiro Jaime do Santos, cujo nome não consta na ata devido ao fato de, na época, precisarem de nomes conhecidos. O time é oriundo do antigo time de futebol do Gama chamado de Mariana, e seu campo ficava onde hoje fica um edifício de apartamentos no setor central do Gama, defronte para a avenida que divide o setor de indústrias do setor central, em cujas arquibancadas de madeiras muitos torcedores viram um time pequeno mas de raça forte nascer.
Década de 1970: Primeiros passos
1975: Primeira Assembleia Por maioria de votos, Hermínio Ferreira Neves foi eleito o primeiro presidente do Gama. Nessa mesma assembleia foram escolhidas as cores oficiais, verde e branca, o escudo, um brasão com o formato das pilastras externas do Palácio do Planalto com as iniciais S, E e G. O Gama começou a disputar o campeonato de profissional em 1976. Faltava dinheiro até para comprar uniforme, bolas e chuteiras. "Vaquinhas" entre os diretores eram a salvação.
1976: Estréia no Campeonato Brasiliense Mesmo com o prazo concedido aos clubes para que regularizassem suas situações e fizessem suas inscrições no campeonato de futebol do Distrito Federal, conforme constava do regulamento para competições oficiais de equipes profissionais, os clubes de Brasília não conseguiram regularizar seus atletas e por isso não foi possível o início da Taça Brasília (primeiro turno do campeonato). Em seu lugar passou a ser disputado o Torneio Imprensa, que se tornou a primeira competição oficial no novo regime profissional do DF. A competição contou com a participação de seis clubes: Brasília Futebol Clube, CEUB, Gama, Grêmio Esportivo Brasiliense, Humaitá Esporte Clube e Pioneira. Os jogos foram realizados às 15 e 17 horas dos sábados, sempre em rodada dupla, cabendo à equipe vencedora 60% da arrecadação, cujos ingressos teriam preço único de 10 cruzeiros, as arquibancadas, e 20 as cadeiras numeradas. Na preliminar do jogo Seleção Brasileira 1 x 0 Seleção do Distrito Federal, no Estádio Presidente Médici, no dia 21 de fevereiro de 1976, aconteceu o primeiro jogo da história do Gama.
Na preliminar daquele jogo, um fato histórico: o primeiro jogo da Sociedade Esportiva do Gama, clube fundado em 15 de novembro de 1975. O jogo foi contra o Humaitá Esporte Clube, do Guará, e válido pelo Torneio Imprensa, promovido pela Federação Metropolitana de Futebol. Curiosamente, foi o único do torneio disputado no Estádio Presidente Médici; os demais jogos foram realizados no Estádio Pelezão. O Gama venceu o jogo pelo placar de 2 x 0. Os gols foram marcados por Pedrinho, camisa 8, aos oito minutos do primeiro tempo, e Zequinha, aos trinta do segundo. Racib Elias Ticly foi o árbitro do jogo e o Gama formou com Wilson, Zé Mauro, Marcus Vinícius, Ricardo e Santos; Renildo, Pedrinho e Palito; Luís Alberto, Redi e Zequinha (Odair).
Por muito tempo, Brasília Futebol Clube x Gama foi o maior clássico do futebol brasiliense. A primeira vez que Brasília Futebol Clube e Gama se enfrentaram pelo campeonato brasiliense foi em 11 de maio de 1976, no Estádio Pelezão. Naquela ocasião, o Brasília Futebol Clube atravessava uma má fase técnica e lutava por uma reabilitação. Vinha de um empate diante do Canarinho (1 x 1) e de uma derrota para o Humaitá Esporte Clube (3 x 1). O Gama, até aqui, ainda não havia conseguido nenhum ponto positivo. Sofreu duas goleadas (6 x 0, para o Ceub, em sua estreia, e 5 x 1 para o Grêmio Esportivo Brasiliense) e duas derrotas por placares menores (2 x 0 para o Humaitá Esporte Clube e 1 x 0 para o Taguatinga Esporte Clube). Mesmo não estando bem, o Brasília Futebol Clube era favorito contra o Gama. A diretoria do clube estava muito insatisfeita com a atuação da equipe e chegou a ameaçar barrar alguns jogadores considerados estrelas. No Gama, o ambiente era de tranquilidade. Conscientes de suas possibilidades e de suas limitações, os jogadores iriam fazer o máximo para complicar a vida de seus adversários, como já fizeram contra o Taguatinga Esporte Clube no dia 1º de maio, quando perderam pela contagem mínima. Mesmo não apresentando um futebol que justificasse a sua pretensão de chegar ao título do primeiro Campeonato Brasiliense de profissionais, o Brasília Futebol Clube venceu o Gama com folga, por 4 x 1, mais pela fragilidade do adversário do que propriamente por seus méritos. O Gama cumpriu seu papel. Defendeu-se como pode, sem apresentar em momento algum comportamento que preocupasse o Brasília Futebol Clube. Com isso, o Brasília Futebol Clube pode marcar quatro gols no primeiro tempo, sem sofrer nenhum. O primeiro gol foi feito após uma jogada individual do ponteiro-direito Ramalho. Lançado pelo seu setor, conseguiu a penetração, driblou quem encontrou pela frente e atirou cruzado sem chances de defesa para Noel. Coube a Humberto marcar o segundo gol cinco minutos depois do primeiro. A bola foi lançada para a área, tinha-se a impressão que sairia. Rogério foi bastante rápido e conseguiu dominá-la a tempo e fazer um estupendo passe a Humberto que, de frente para o gol, só teve o trabalho de completar para as redes. O terceiro gol foi em jogada semelhante a do primeiro, só que desta feita o lançamento foi pelo lado esquerdo. Duda recebeu a bola e próximo à risca da grande área chutou de pé esquerdo, marcando 3 x 0 no placar. Três minutos antes de terminar o primeiro tempo, Humberto marcou o último gol do Brasília Futebol Clube. Novo lançamento para a área e a defesa do Gama deu uma tremenda pixotada. Humberto levou a bola como quis e atirou livre no meio do gol. No segundo tempo o Brasília Futebol Clube perdeu mais algumas oportunidades de ampliar o marcador. O gol de honra do Gama foi marcado quase no final do jogo, através de Galego, que viu o goleiro Norberto adiantado e jogou a bola por cima dele.
1978: Briga política por uma vaga no Campeonato Brasileiro No Distrito Federal havia o Torneio Incentivo antes de cada campeonato local, e foram juntamente estas as primeiras conquistas da Sociedade Esportiva do Gama vencendo as disputas de 1977 contra o Taguatinga Esporte Clube e 1978 novamente contra o Taguatinga Esporte Clube, mas o primeiro grande triunfo foi realmente o Campeonato Brasiliense de 1979.