A Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil é uma comunidade religiosa católica romana, presente nos estados brasileiros de Goiás, Tocantins e Distrito Federal, dirigida pelos frades franciscanos, Ordem dos Frades Menores. Se instalaram em Goiás no ano de 1943, a pedido do arcebispo local, Dom Emanuel Gomes de Oliveira, provindos dos Estados Unidos da América, com sede no estado de New York, com o título de Holy Name Province. Foram encarregados de conduzir as paróquias de Anápolis, Catalão, Pires do Rio e a do Rosário de Pirenópolis. Anápolis, que naquele tempo tinha menos de dez mil habitantes, foi escolhida como sede do Comissariado, ou órgão da direção, posteriormente foi elevada à Custódia, Vice-Província e atualmente é uma Província.
Histórico Breve Histórico Como salesiano e educador, Dom Emanuel Gomes insistiu que os frades assumissem o Ginásio Arquidiocesano e Municipal de Anápolis (Gama), que ainda estava em construção. Terminado o prédio, foi aberto o Colégio São Francisco de Assis, em março de 1945. Logo foi criado o internato para atender as cidades vizinhas.
Com a chegada das primeiras irmãs franciscanas de Allegany, foi inaugurada a Escola Paroquial de Sant'Ana. Em 1948, foi aberta a Escola Paroquial de Santo Antônio, na avenida Tirandentes.
No trabalho pastoral os frades atendiam Souzânia, Interlândia, Ouro Verde e a zona rural, além da cidade. Por muito tempo os frades tomaram conta da Paróquia Bom Jesus. Frei Bernardo desenvolveu trabalho social de atendimento aos pobres.
Em 1954, com o apoio decisivo de moradores da cidade, os frades franciscanos fundaram a Associação Social Franciscana, para patrocinar uma clínica infantil. Outra entidade leiga criou a Fundação Assistência Social de Anápolis e iniciou as atividades da Santa Casa de Misericórdia. Em vista do êxito da clínica infantil, em 1957 a sua construção foi entregue aos frades.
Em três anos, Frei Bernardo levantou o prédio com a ajuda do Comissariado e da população. As irmãs Franciscanas de Allegany aceitaram a administração do hospital, que foi inaugurado em 1961.
Com a finalidade de dar assistência, também, à zona rural, em 1956, Frei Conall adquiriu um programa semanal na Rádio Carajá, para transmitir uma missa dominical, seguida de meia hora de catequese pelo rádio.
Convencidos da importância desse veículo de comunicação, os frades compraram a Rádio Sant'Ana, em 1961. Como havia a necessidade de aumentar a potência de transmissão da Rádio Sant'Ana, preferiu-se fundar uma nova emissora, foi então que nasceu a São Francisco AM, no dia 2 de novembro de 1965.Epopéia rumo ao coração do Brasil
Província - História
A epopeia rumo ao coração do Brasil partiu da Igreja de São Francisco, em Nova Iorque, no dia 12 de setembro de 1943. Era um domingo à noite, quando 14 frades, autênticos bandeirantes da fé, migraram para o Brasil, com o intuito de escrever um novo capítulo da história da Província do Santíssimo Nome de Jesus e da igreja na América Latina.
A vinda desses religiosos ao Brasil se deu em um período de conflitos armados que assolaram a década, como ataque terrorista realizado pelo Japão, que matou milhares de pessoas em Pearl Harbor e, em retaliação, os estadunidenses explodiram bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Ainda nesta época teve início a Guerra Fria, onde aumentaram as tensões diplomáticas entre os Estados Unidos e a União Soviética. Tais conjunturas políticas e econômicas não foram empecilhos para os frades, que mesmo diante da viagem dificultada pelos contratempos da guerra, os desafios de adaptação à cultura tropical e a diferença entre os idiomas, não temeram a nova experiência de propagar a palavra de Deus em solo goiano.Foi o então Arcebispo de Goiás, Dom Emanuel Gomes de Oliveira, quem viabilizou a vinda dos missionários da Ordem Franciscana para Goiás. Como o oceano Atlântico estava completamente ocupado, eles vieram pelo Pacífico, contornaram a América do Sul, e foram para São Paulo. Em seguida, migraram para Anápolis, Catalão, Pirenópolis e Goiandira. Em toda a década de 40, os franciscanos construíram conventos e igrejas, e junto a elas edificaram escolas, para unir a educação ao ensino religioso.
Na década de 50, a Ordem convidou algumas congregações religiosas femininas, entre elas as irmãs Franciscanas de Allegany. Elas aceitaram o desafio e vieram para Goiás com a missão de cooperar na implantação da igreja e na pregação do Evangelho no Centro-Oeste. Ainda nesta época os fiéis, incentivaram o surgimento de movimentos leigos, para ajudar nas atividades da igreja. Em 1959, a Ordem foi fundada em Brasília, juntamente com a Paróquia Santo Antônio, uma das primeiras igrejas da capital Federal. No ano seguinte, na década de 60, a missão migrou para o Tocantins. Em 1970 já somavam 14 paróquias e teve início a promoção vocacional para formar frades goianos.
Segundo o documento intitulado “Escrita sobre Padres Franciscanos”, escrito à mão por Frei Cormac, em janeiro de 1967, as missões dos padres americanos tinham como objetivos a romanização do catolicismo dentro do Estado de Goiás, local em que o “catolicismo popular” era bastante enraizado devido a uma carência de padres e igrejas. Foi devido a essa carência de padres que levou o Frei Matheus Hoepers, O.F.M, a enviar uma carta para a cidade de Nova York, destinada a Frei Mathias Faust, OFM, delegado geral da Ordem dos Frades Menores pedindo o envio de Missões para trabalhar em Goiás. Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil
Epopeia
Frei Fernando Inácio Peixoto de Castro, que por três mandatos foi Ministro Provincial, é um profundo conhecedor da história da Igreja Católica, principalmente no que se refere à chegada de religiosos em Goiás, que se deu no século XVIII. “Os navios chegavam por meio do rio Tocantins, navegavam desde Belém até o nosso Estado. Por ali entravam as grandes Congregações e iniciavam suas Missões”, explica.Ele destaca que os primeiros bispos não residiam em Goiás e sim no Rio de Janeiro. Outro fato relatado por ele é de que foi Dom Emanuel Gomes quem transferiu a Diocese da Cidade de Goiás para a capital Goiânia, ocasião em que se tornou Arquidiocese. Nesta época, segundo ele, os frades já estiveram no Estado, já conheciam os desafios da região.
Os Franciscanos alemães, os mesmos que fundaram em 1901 a Província do Santíssimo Nome de Jesus em Nova Iorque, chegaram em Cuiabá na década de 30. “Eles fizeram um trabalho fantástico. Fundaram uma entidade Franciscana, que chamava Comissaria”, detalha.Para fortalecer e consolidar o catolicismo no Estado, como enfatiza Frei Fernando Castro, o arcebispo Dom Emanuel solicitou o encaminhamento de missionários. No dia 14 de julho de 1943 foi assinado o decreto de fundação da nova fraternidade, que seria instalada em Goiás. “A partir deste momento, o grupo de pioneiros começou a ser definido. Eram ao todo 14 pessoas, sendo oito padres e seis irmãos leigos”, explica. Frei Fernando Castro narra que os americanos chegaram em São Paulo, depois conheceram as “belezas do Rio de Janeiro”, ocasião em que fizeram curso de português e se “familiarizaram com o clima”, para em seguida partir para o Centro-Oeste brasileiro. A viagem para Goiás foi feita de trem. E Anápolis como era o final da ferrovia foi o último lugar em que os missionários chegaram.
A primeira cidade então foi Catalão, em que no final de 1943 os frades fundaram o Convento, em seguida Pires do Rio. Sendo assim, a década de 40 se caracterizou pela instalação dos missionários no novo Estado. Os frades foram também para Pirenópolis e Goiandira. Nessa época, explica Frei Fernando Castro, foram iniciadas as construções de conventos e paróquias, e junto a elas as escolas. Paralelamente os franciscanos auxiliavam a comunidade local nos trabalhos relacionados à saúde e iniciaram seus trabalhos filantrópicos.
Instalação
A comunidade pirenopolina, que era composta pelos religiosos Felipe, André, Anselmo e João Vianney, saiu de São Paulo, no dia 24 de janeiro. Vieram pela estrada de ferro até Anápolis e em seguida foram de carro alugado até Pirenópolis, para assumir a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, a segunda mais antiga do estado, que na época já estava com mais de 200 anos . Quem os recebeu foi Frei Saturnino Benzing, membro do Comissariado do Mato Grosso, que havia sido companheiro de Frei Cipriano por quase dois anos naquela Paróquia.
Tomando a mesma rota que o primeiro grupo, no dia seguinte, 25 de janeiro, saiu a segunda leva, aquela que se destinava a Paróquia de Sant’Ana, em Anápolis. Quando o trem chegou em Nova Bonfim (hoje Silvânia), onde residia Dom Emanuel Gomes, ele encaminhou a estação dois sacerdotes para recepcioná-los: Cônego João Olímpio Pitaluga, vigário da Paróquia do Bom Jesus, em Anápolis, e o Cônego José Trindade, diretor do Ginásio Arquidiocesano.
Chegando em Anápolis, a tarde, os freis Jaime Schuck, Conall O’Leary e irmão Damião Carney, foram recebidos pelo padre Antônio Wasik, salesiano polonês, professor do Colégio Dom Bosco de Goiânia, que estava cuidando, por algumas semanas, da Paróquia por motivo de férias escolares. Eles alojaram na casa desocupada pelo primeiro grupo que, naquela mesma manhã partira para Pirenópolis. Esta casa, que por quase três anos haveria de ser a sede do novo Comissariado, é hoje o Museu Histórico de Anápolis. É a casa em que morou e faleceu em 1910, o coronel José da Silva Batista. Os frades alugaram-na por “600 contos de réis” mensais. Comparada com a grande maioria das residências daquela época podia ser considerada confortável. Mas, nos temporais da época os frades sofriam com as ‘goteiras’.
Anápolis de então não passava de uma cidade pequena, ainda sem aspecto da sua futura urbanização. A população oscilava entre seis e dez mil habitantes. Nenhuma rua estava asfaltada, embora algumas do centro foram pavimentadas com paralelepípedos. Por uma caminhada de ruas que não possuíam calçadas, os frades gastavam quinze minutos da residência até a Paróquia de Sant’Ana. A escritora Haydée Jayme, no livro ‘Anápolis, Sua Vida, seu Povo’ ao falar sobre os ‘Franciscanos em Anápolis’ relata que logo que assumiram a direção da igreja, começaram o planejamento para a construção da nova matriz. Para isso, deram mais ênfase à festa de Sant’Ana, organizando quermesses, para arrecadar o dinheiro. Em outubro de 1947, embora a velha igreja ainda estivesse de pé, estava concluída a cripta da nova Matriz de Sant’Ana.
Idealizadores
Não tem como falar da história da Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil sem destacar quatro homens que foram fundamentais para a vinda dos frades: Dom Emanuel Gomes, Frei Matheus Hoepers, OFM, Frei Mathias Faust, OFM, e Frei Paulo Seibert. O primeiro era o então arcebispo de Goiás, o segundo Ministro Provincial da Província da Imaculada Conceição do Brasil, em São Paulo, o terceiro o delegado geral da Ordem dos Frades Menores, em Nova Iorque e o quarto foi o primeiro Superior do Comissariado, em 1943.
Ao chegar em Nova Bonfim, Frei Paulo Seibert conheceu Dom Emanuel Gomes e partiram para Anápolis. De acordo com os relatos, a viagem durou apenas dois dias. Durante o percurso o arcebispo de Goiás, Dom Emanuel Gomes, relatou ao franciscano as belezas e os desafios do Estado. Ele informou também que originariamente as quatro paróquias destinadas aos frades seriam: Anápolis, Corumbá de Goiás, Jaraguá e Pirenópolis. Ao chegar em Anápolis Frei Paulo Seibert conheceu de perto a ‘realidade local’. Tanto é que ao retornar a São Paulo falou claramente aos demais frades que os desafios e sacrifícios eram inúmeros. No entanto, nenhum dos ‘bandeirantes da fé’ desistiram da missão.