Campo Limpo é um distrito situado na Zona Sul do município de São Paulo, pertencente à Subprefeitura do Campo Limpo.

História Sua história é marcada por profundas transformações territoriais, sociais e econômicas, refletindo o processo de urbanização periférica típico da capital paulista ao longo do século XX. O território que hoje corresponde ao Campo Limpo foi, até meados do século passado, caracterizado por campos abertos, chácaras e olarias, cenário que explica a origem do topônimo: a expressão “campo limpo” remete à paisagem de clareiras e áreas livres de vegetação densa, em contraste com os maciços florestais do planalto paulistano. Uma das hipóteses mais difundidas para a denominação está relacionada à existência, nas imediações, de uma antiga chácara utilizada por treinadores e frequentadores do Jockey Club de São Paulo, cujas atividades equestres dependiam justamente dessas extensas áreas abertas, adequadas ao galope e ao treinamento de cavalos, consolidando o nome “Campo Limpo” como referência popular antes mesmo da formalização administrativa do distrito.

O marco fundador da urbanização do Campo Limpo está associado ao loteamento da Fazenda Pombinhos, pertencente à família Reis Soares, realizado por volta de 1937. A subdivisão e venda dos lotes da fazenda desencadearam a primeira onda de ocupação formal do solo, atraindo grupos de imigrantes em busca de terras acessíveis nas franjas da metrópole em expansão. Destacaram-se, nesse processo, colônias de japoneses, como a que deu origem ao Jardim Mitsutani, nomeado em homenagem ao imigrante Magoichi Mitsutani, além de italianos e portugueses, que influenciaram o comércio local, a construção civil e as práticas religiosas desde as primeiras décadas do século XX. Por volta de 1950, o distrito ainda exibia uma paisagem predominantemente rural, pontuada por fazendas, chácaras e olarias que aproveitavam a argila dos solos locais. O comércio era restrito a poucos estabelecimentos de “secos e molhados”, uma farmácia, uma barbearia e um grupo escolar de madeira, enquanto a vida religiosa gravitava em torno de um mosteiro da Igreja Católica, embrião das comunidades que mais tarde fundariam as igrejas de São Judas Tadeu e São José Operário, referências identitárias do bairro a partir da década de 1960. A chegada da energia elétrica em 1958, a implantação da primeira linha de ônibus em 1963 e o início do calçamento das ruas em 1968 simbolizam a transição do Campo Limpo de zona rural periférica para bairro integrado, ainda que precariamente, à malha urbana da capital.

A partir das décadas de 1960 e 1970, o distrito vivenciou uma intensa explosão demográfica, alimentada pela chegada maciça de migrantes provenientes do interior de São Paulo, das regiões Nordeste e Sul, atraídos pelas oportunidades de emprego na metrópole industrializada e pelos preços ainda baixos dos terrenos na periferia sul. Esse crescimento ocorreu majoritariamente por meio da autoconstrução, sem o planejamento urbano adequado, resultando na formação de bairros populares, conjuntos habitacionais e favelas típicos da periferia paulistana daquele período. O ciclo industrial também imprimiu sua marca no território: ao longo da Estrada do Campo Limpo, principal eixo viário do distrito, instalaram-se empresas como a Poliquima, do setor químico, posteriormente adquirida pela multinacional holandesa Akzo Nobel, que manteve operações locais até o final dos anos 1990, quando transferiu suas atividades para o interior do estado, deixando o extenso terreno sem ocupação. A metalúrgica Metafil, cujas instalações foram posteriormente convertidas em espaço educacional pela Universidade Anhanguera (antiga Uniban), e a fábrica da Sharp, multinacional de eletrônicos, também marcaram o dinamismo industrial do distrito até o final do século XX. O desenvolvimento econômico impulsionou a chegada de novos contingentes populacionais, mas a ausência de infraestrutura de saneamento, transporte e serviços públicos fomentou a organização de movimentos sociais, associações de moradores e lideranças comunitárias que reivindicaram melhorias urbanas junto ao poder municipal.

A década de 1990 marcou uma inflexão no perfil socioespacial do Campo Limpo, impulsionada pelo lançamento de empreendimentos residenciais destinados à classe média. A posição geográfica privilegiada do distrito — confrontante com centros empresariais em franca expansão, como o CENESP, a Marginal Pinheiros e a área da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, além de bairros valorizados como Vila Andrade e Morumbi — tornou-o atraente para profissionais liberais e trabalhadores com ensino superior em busca de imóveis mais acessíveis próximos às novas centralidades de trabalho da cidade. Esse movimento de valorização imobiliária foi reforçado, em 2002, pela inauguração da Estação Campo Limpo da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo, que integrou o distrito à rede metroviária paulistana e ampliou consideravelmente a mobilidade de seus moradores. A verticalização e a diversificação comercial avançaram de forma mais evidente a partir de 2001, com a implantação de universidades particulares — a Universidade Anhanguera (antiga Uniban), instalada nas dependências da extinta Metafil, e a Faculdade Horizontes, inaugurada em 2006 no Campus do Colégio Concórdia —, de hipermercados e do Shopping Campo Limpo, localizado no distrito vizinho de Capão Redondo. No limiar do século XXI, o Campo Limpo consolidou a estrutura urbana mais completa da subprefeitura, reunindo equipamentos de saúde como o Hospital Campo Limpo, equipamentos culturais e esportivos como o SESC Campo Limpo, equipamentos educacionais como o CEU Campo Limpo, o Terminal Campo Limpo para integração do transporte público, além de comércio varejista diversificado, configurando um polo de serviços de abrangência regional na zona sul paulistana.

A criação formal do distrito de Campo Limpo decorreu do processo de desmembramento da antiga São Paulo — Santo Amaro, consumado pela Lei Municipal n.º 10.932, de 15 de janeiro de 1991, e consolidado pela Lei Municipal n.º 11.220, de 20 de maio de 1992, que estabeleceu definitivamente os contornos administrativos do novo distrito no contexto da ampla reorganização territorial promovida pela Prefeitura de São Paulo nas décadas de 1980 e 1990.

Geografia Situado na zona sudoeste da cidade, a aproximadamente dezesseis quilômetros do Marco Zero, na Praça da Sé. Com área oficial de 12,59 km² (1 259,48 hectares), integra a divisão administrativa da capital e faz parte da Subprefeitura de Campo Limpo. O distrito limita-se ao nordeste com Vila Sônia, a leste com Vila Andrade, ao sudeste com Jardim São Luís, ao sudoeste com Capão Redondo e a oeste com o município de Taboão da Serra, sendo o Córrego Pirajuçara o divisor natural com este último. Sua localização estratégica é reforçada pela proximidade de importantes vias urbanas, como a Marginal Pinheiros, Rodovia Régis Bittencourt, Rodoanel Mário Covas, Avenida Professor Francisco Morato, Estrada de Itapecerica, Avenida Morumbi e Avenida Giovanni Gronchi, o que facilita a integração do distrito com outras regiões da cidade e da Região Metropolitana de São Paulo.

O relevo do Campo Limpo é característico do planalto paulistano, apresentando altitudes que variam entre setecentos e oitocentos metros acima do nível do mar. Predominam colinas suaves e morros intercalados por vales e pequenas várzeas, compondo uma topografia ondulada típica do sudoeste do município. O distrito está inserido em uma área de espigões interfluviais e vales, com declives moderados que condicionam a drenagem natural e a formação de fundos de vale.

A hidrografia do distrito é marcada principalmente pelo Córrego Pirajuçara, que delimita a fronteira oeste com o município de Taboão da Serra e é afluente do Rio Pinheiros, integrando a bacia hidrográfica deste último. Além do Pirajuçara, o distrito é cortado por outros córregos menores, como o Córrego do Campo Limpo e seus afluentes, que drenam para o sistema do Rio Pinheiros. O Campo Limpo está inserido na bacia hidrográfica do Rio Pinheiros, com áreas de contribuição para a microbacia do Pirajuçara e córregos afluentes, além de proximidade com a bacia da Represa Guarapiranga.

O padrão de urbanização do Campo Limpo é predominantemente espontâneo, resultado de décadas de crescimento acelerado e ocupação informal, especialmente a partir dos anos 1960 e 1970. O processo de loteamento foi impulsionado pelo parcelamento da Fazenda Pombinhos, da família Reis Soares, em 1937, e posteriormente por ocupações populares e autoconstrução. A urbanização planejada ocorreu em menor escala, com bairros de padrão mais elevado surgindo a partir dos anos 1990, acompanhando a valorização imobiliária e a chegada de novos empreendimentos residenciais. O distrito apresenta malha viária irregular, com ruas estreitas e traçado sinuoso em áreas antigas, contrastando com avenidas mais largas e planejadas em setores recentes. O zoneamento atual, conforme a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS 2016), classifica a maior parte do território como Zona Mista (ZM), permitindo usos residenciais e comerciais de baixa e média densidade. Há presença de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), destinadas à regularização fundiária e urbanização de assentamentos precários, e trechos de Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU), especialmente próximos a eixos de transporte coletivo e avenidas estruturais. O distrito está inserido na Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana, com restrições específicas para áreas de proteção ambiental e de mananciais.

O Campo Limpo enfrenta diversos problemas ambientais, como enchentes em áreas de várzea e fundos de vale, deslizamentos em encostas, poluição dos córregos por esgoto doméstico e resíduos sólidos, além da existência de áreas degradadas por ocupação irregular e falta de infraestrutura. O distrito concentra o maior número de áreas de risco geotécnico da cidade, com 35,78% das áreas de risco de São Paulo, totalizando 341 conjuntos de barracos em situação precária e mais de 4 500 famílias vivendo em locais de risco iminente. A poluição do ar e do solo é agravada pela proximidade de vias expressas e pelo histórico de atividades industriais, como as antigas instalações da Poliquima (posteriormente Akzo Nobel) e Sharp, que deixaram passivos ambientais relevantes.

No que se refere a parques e biodiversidade, o distrito conta com o Parque Municipal Morumbi Sul, inaugurado em 2024, com área de 84 mil metros quadrados, oferecendo trilhas, quadras, academia da terceira idade, bosques e áreas de preservação ambiental, incluindo cerca de 22 mil metros quadrados de bosques heterogêneos com espécies nativas da Mata Atlântica. Além disso, o Campo Limpo possui dezenas de praças cadastradas no sistema CADPRAÇAS da Prefeitura, que funcionam como áreas de lazer, convivência e arborização urbana. Entre as espécies nativas presentes destacam-se pau-ferro (*Caesalpinia ferrea*), ipê-amarelo (*Handroanthus albus*), quaresmeira (*Tibouchina granulosa*), sibipiruna (*Caesalpinia pluviosa*) e pitangueira (*Eugenia uniflora*), além de aves urbanas como sabiá-laranjeira (*Turdus rufiventris*), bem-te-vi (*Pitangus sulphuratus*) e sanhaço (*Tangara sayaca*). Não há registro de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) ou Áreas de Proteção Ambiental (APA) municipais dentro do distrito, segundo o GeoSampa e o cadastro oficial de Unidades de Conservação.