Fernando Policarpo de Barros e Silva (Lisboa, 6 de janeiro de 1915 — São Paulo, 10 de setembro de 2002) foi um jornalista, cineasta e editor de moda nascido em Portugal e radicado no Brasil.

Biografia Fernando Policarpo de Barros e Silva nasceu em um apartamento na avenida da República freguesia lisboeta de São Sebastião da Pedreira, filho de um comerciante, da localidade de Vila Moreira, no município de Alcanena, na região do Ribatejo. Seu pai,Joaquim Polycarpo da Silva Júnior, tinha chegado à capital portuguesa, com cerca de 10 anos de idade para trabalhar em uma loja de um comerciante amigo da sua família. Ele fez carreira e estabeleceu uma loja na rua Jardim do Regedor, na região da Baixa, na capital portuguesa. Ganharia um bom dinheiro vendendo uma graxa cuja marca era chamada Indiana. Mas, o comércio não estava nos projetos de Fernando, o mais velho dos três filhos do já então bem-sucedido e respeitado homem de negócios da Baixa de Lisboa. Apesar dos tempos de prosperidade alcançados pelo seu pai (que nesta altura,já viúvo, vivia com seus três filhos numa quinta de 27 cômodos, três andares e um séquito de empregados, na região de Queluz, nos arredores da capital portuguesa, por volta dos seus vinte anos o primogênito já tinha abandonado qualquer possibilidade de dar sequência à próspera carreira comercial do pai. Tinha sido seduzido pelo mundo do Cinema. Até aquela altura, o jovem Fernando de Barros, como se tornaria conhecido, tinha se iniciado no universo dos filmes, com colaborações para o renomado estúdio português Tobis. Trabalhou como claquetista, assistente de produção e maquiador. Chegou a participar da produção de documentários sobre a Guerra Civil Espanhola, durante os anos 1930, em Sevilha.

Fernando chegou ao Brasil com 25 anos de idade como integrante da equipe que rodaria o filme Pureza, dirigido por Chianca de Garcia . Era baseado na obra homônima do escritor brasileiro José Lins do Rego, no Rio de Janeiro. Sua permanência no Brasil deveria ser de curta duração, somente enquanto durassem as filmagens. Mas, logo nas suas primeiras semanas no país, sofreu um grave acidente de automóvel, durante o Carnaval de 1940, que o deixou hospitalizado, em estado de coma e com múltiplas fraturas pelo seu corpo. Após se recuperar, teve um novo contratempo: por causa do recrudescimento da guerra era temerário regressar para a Europa, por conta do risco de os navios serem afundados por submarinos alemães, que rondavam o Oceano Atlântico, naquela época. E, assim, ele decidiu radicar-se no Rio de Janeiro. Tornou-se colaborador nas áreas de Beleza e Cinema para revistas e jornais e trabalhou na indústria de cosméticos Coty. Neste período em que viveu no Rio de Janeiro, também, produziu peças de teatro: convenceu um advogado chamado Paulo Autran a tornar-se ator profissional. Também lançou nos palcos uma jovem chamada Maria Antonieta Portocarrero Thedim, que passou a adotar o nome artístico de Tônia Carrero. Neste período, escreveu o livro A Arte de Ser Bela,com prefácio de um de seus grandes amigos, o escritor Jorge Amado. Junto com o pintor Carlos Scliar, eles dividiram um apartamento na Urca. Com experiência adquirida como maquiador, Fernando escreveu sobre beleza para a revista O Cruzeiro, uma das revistas mais importantes da América Latina, nos anos 1940 e 1950. Foi para este título que ajudou a produzir a primeira capa de revista colorida produzida no Brasil, com uma modelo fazendo o símbolo do "V" da vitória, para marcar a declaração de guerra do Brasil ao Eixo (a coalizão militar entre Alemanha, Itália e Japão).

Neste período, Fernando também trabalhou na produção de shows e espetáculos no cassino do Hotel Copacabana Palace. Lá conheceu a sua primeira mulher Maria Gentile Marchioro, que, depois, se tornaria mais conhecida como Maria Della Costa. Ela se tornaria uma célebre atriz de teatro e da televisão.

No início dos anos 1950,Fernando de Barros estabeleceu-se em São Paulo, de onde não mais sairia. A razão da mudança: no início daquela década, durante a temporada da comédia teatral Um Deus Dormiu Lá em Casa, com Paulo Autran e Tônia Carrero, foi convidado para trabalhar na Companhia Vera Cruz, como produtor-geral do estúdio. Como diretor e produtor participou de duas dezenas de filmes, comoApassionata, Quando a Noite Acaba, Tico-Tico no Fubá , dirigido por Adolfo Celi,Uma Certa Lucrécia, Moral em Concordata, As Cariocas, Lua de Mel e Amendoim e A Arte de Amar bem. Por estes filmes conquistou prêmios como o Prêmio Governador do Estado, considerado a mais prestigiosa distinção cultural do Estado de São Paulo. Seu prestígio e bom relacionamento no universo do cinema brasileiro daquele período o levaram a representar, em Hollywood, o diretor Anselmo Duarte e o produtor Oswaldo Massaini, quando O Pagador de Promessas, grande vencedor do Festival de Cannes, de 1962, obteve indicação para concorrer, em 1963, ao Oscar de melhor filme estrangeiro

Depois de fazer carreira no cinema, Fernando se tornou um dos jornalistas de moda mais respeitados no Brasil. Como escreveu, certa vez o então Diretor de Redação da revista Playboy, Ricardo Setti, "Fernando escrevia seus textos à mão, com uma esferográfica Montblanc, preta, de tinta preta". Fernando de Barros participou da produção da primeira capa da revista, em agosto de 1975, quando a publicação ainda se chamava Homem, por causa da censura, vigente durante este período no Brasil.

Considerado um símbolo da elegância, ajudou a desenvolver a Indústria do Vestuário e da Moda Brasileiros. Reconhecido por personalidades deste mundo, como o costureiro ítalo-francês, Pierre Cardin, Fernando de Barros foi casado ou namorou belas mulheres, como Tônia Carrero, Maria Della Costa, Odete Lara e a modelo e manequim com carreira internacional Giedre Valeika.

Em 1962, a convite do jornalista Luis Carta , então diretor editorial na Editora Abril, produziu os primeiros editoriais de moda masculina do Brasil, nas páginas da revista Quatro Rodas, depois foi editor de moda da Playboy e da revista Claudia Moda. Também lançou livros sobre o assunto: Elegância - Como o Homem Deve Se Vestir, O Homem Casual e o Manual da Elegância, publicado em 2002, após o seu falecimento. Colaborou, ainda, nas revistas ilustradas de cinema Movimento (1933-1934) e Cine publicada em Maio de 1934. Apesar de ter vivido durante seis décadas no Brasil e ter adotado o país, como a sua casa, nunca se naturalizou e manteve sempre o seu sotaque lisboeta.

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