A Itália é um país da Europa meridional que faz fronteira ao norte com França, Suíça, Áustria e Eslovênia, cujo território principal forma uma península no mar Mediterrâneo e inclui duas grandes ilhas, a Sicília e a Sardenha. Sofreu, historicamente, a influência de etruscos, gregos e celtas antes de ser unificada em pelo domínio romano. Roma continua a ser a capital da Itália até hoje. O nome Itália vêm da Roma antiga. Os romanos chamavam de Itália o sul da Península Itálica ou Apenina, que significa "terra de bois" ou "terra de pastos".

Antiguidade

thumb|upright=1.0|esquerda|A Lupa Capitolina, símbolo da Roma Antiga A Itália influenciou bastante o desenvolvimento cultural e social de toda a Europa mediterrânea, bem como teve muita influência sobre a cultura europeia, pois importantes culturas e civilizações existiram no país. No terceiro milénio a.C., foi povoada por populações mediterrâneas que ali se estabeleceram com o nome de lígures (na península) ou sicanos (na Sicília). No segundo milénio a.C., com as migrações indo-europeias, instalou-se uma civilização específica, dita "dos terramares", na planície do Pó; os últimos a chegar, os vilanovianos, praticavam a incineração e faziam uso do ferro. Em aproximadamente , dois grupos itálicos (ou italiotas) constituíram o cerne da população da Itália. No século VIII a.C., os etruscos instalaram-se entre o Pó e a Campânia, dominando a região central da península Itálica durante séculos; os gregos estabeleceram colônias e postos comerciais na Sicília e na costa meridional da Itália (Magna Grécia). No século IV a.C., os celtas ocuparam a planície do Pó. A civilização etrusca conheceu seu apogeu nos séculos V e VI a.C..

Roma Antiga

Reino de Roma

A realeza ou monarquia romana vai desde as origens de Roma à queda da realeza em . Ou seja, vai desde o momento lendário de sua fundação em 21 de abril de , até o final da monarquia em , quando o último rei, Tarquínio, o Soberbo (último dos reis Tarquínios), foi expulso, instaurando-se a República Romana. A documentação desse período é precária, e até mesmo o nome dos reis são desconhecidos, citando-se apenas os reis lendários, apresentados nas obras de Virgílio ("Eneida") e Tito Lívio ("História de Roma").

República Romana

A República Romana (do latim res publica, "coisa pública") é o termo utilizado por convenção para definir o Estado romano e suas províncias desde o fim do Reino de Roma em (quando o último rei foi deposto) ao estabelecimento do Império Romano em .

Roma aproveitou-se das dissensões entre os diferentes povos da Itália para conquistar progressivamente o conjunto da península, dominando ao mesmo tempo, depois de derrotar Cartago, o conjunto do Mediterrâneo ocidental. O latim, a língua do vitorioso, impôs-se em toda a Itália. Entre e [, a Guerra Social obrigou Roma a conceder a cidadania romana a todos os habitantes da península Itálica. Entre e , com Júlio César, a Itália conquistou a Gália.

Império Romano

thumb|esquerda|upright=0.8|O imperador Augusto, na Estátua da Prima Porta O Império Romano é a fase da história da Roma Antiga caracterizada por uma forma autocrática de governo. O Império Romano sucedeu a República Romana que durou quase 500 anos ( – ) e tinha sido enfraquecida pelo conflito entre Caio Mário e Sula e pela guerra civil de Júlio César contra Pompeu.Durante estas lutas, centenas de senadores morreram, e o senado romano foi renovado com legalistas do Primeiro Triunvirato e depois do Segundo Triunvirato. Muitas datas são comumente propostas para marcar a transição da república ao império, incluindo a data da indicação de Júlio César como ditador perpétuo ), a vitória do herdeiro de Otaviano na Batalha de Áccio (2 de setembro de ), ou a data em que o senado romano outorgou a Otaviano o título honorífico augusto (16 de janeiro de ).Augusto oficialmente proclamou ter salvo a República Romana e cuidadosamente disfarçou seu poder sob formas republicanas: cônsules continuaram a ser eleitos, tribunos dos plebeus continuaram a servir a justiça, e senadores ainda debatiam na cúria romana. Porém, era Augusto, e cada um de seus sucessores após ele, quem influenciava tudo e controlava as decisões finais e, em última análise, tinha as legiões para garanti-lo, caso fosse necessário. Otávio incorporou a Gália Cisalpina à Itália, empurrando as suas fronteiras para o norte.

A partir de Augusto, a Itália tornou-se o centro de um vasto império, que ela dirigia e que a alimentava. O cristianismo, introduzido no século I e perseguido durante muito tempo, triunfou no século IV em Roma, que se tornou a sede do papado.

thumb|upright=1.5|O Império Romano No século IV, o imperador Constantino reconstruiu e ampliou a cidade grega de Bizâncio, chamando-a de "Nova Roma". Após sua morte, a cidade foi renomeada Constantinopla (atual Istambul) e gradualmente transformou-se na capital do Império, originando o que mais tarde seria chamado de Império Bizantino. Roma permaneceu como capital do Império do Ocidente até sua queda em . Após a morte do imperador Teodósio, em , o império foi definitivamente dividido em dois.

No século V, com as invasões bárbaras, o Império do Ocidente reduziu-se à Itália, que tampouco foi poupada. Alarico, rei dos visigodos, saqueou Roma em . Seguiu-se o saque do vândalo Genserico em .

Idade Média

Em , Odoacro, rei dos hérulos, depôs o imperador Rômulo Augusto, pondo fim ao Império Romano do Ocidente, e assumindo o título de rei da Itália. Esta data foi convencionada para marcar o início da Idade Média.

Em , Teodorico, o Grande, rei dos ostrogodos, invadiu a Península Itálica e se proclamou soberano absoluto, mas após sua morte (), seu reino entrou em decadência. Justiniano, imperador romano do Oriente, restabeleceu a autoridade bizantina na maior parte da península e Ravena tornou-se capital da Itália bizantina.

Em , os lombardos, outro povo germânico, invadiram a península e a controlaram quase toda, com exceção do enclave bizantino ao norte, o Exarcado de Ravena. Além do Reino Lombardo, os lombardos fundaram os ducados de Espoleto e Benevento.

A partir de então, a Itália teve três capitais: Roma, sede do papado; Ravena, onde ficava o exarca, representante do imperador; Pavia, onde se tinha fixado o rei lombardo.

Os lombardos

Em , o novo e enérgico rei lombardo Alboíno derrotou os vizinhos gépidas, os fez seus súditos e, em , casou sua filha Rosamund com o rei Cunimond. Na primavera de , Alboíno liderou os lombardos junto com outros povos germânicos, bávaros, gépidas, saxões e búlgaros, através dos Alpes, com uma população de 400 mil a 500 mil pessoas, para invadir o norte da península Itálica, derrotando os bizantinos e fundando o Reino Lombardo.

Depois da morte de Alboíno, em , ocorreu um vazio no poder que propiciou a união de diferentes grupos sob o comando de um líder regional chamado duque. Os lombardos, como fizeram anteriormente os godos, abraçaram o credo denominado arianismo, o que originou contínuos confrontos religiosos com os habitantes nativos do país, majoritariamente católicos. Por fim, a conversão à fé católica do rei lombardo Agilolfo (reinou entre -) trouxe no seu bojo um período de relativa calma. Os lombardos, que pretendiam consolidar seu poder político, começaram a fazer incursões no território papal. Em , o papa Estêvão II pediu ajuda aos francos, convertidos à fé católica um século antes.

Dos francos ao Renascimento esquerda|thumb|upright=0.8|Carlos Magno, estátua em Frankfurt No século VIII, o papa pediu ajuda aos francos contra os avanços lombardos. Sob a forte liderança de Pepino, o Breve, e posteriormente de seu filho, Carlos Magno, os francos derrotaram os lombardos e depuseram seu último rei. Graças à proteção de Pepino e Carlos Magno, constituíram-se os Estados Pontifícios. Em , Carlos Magno proclamou-se rei dos lombardos.

Em , Carlos Magno estabeleceu com o papa Leão III o acordo que por um lado permitiu-lhe ser ungido como imperador do Sacro Império Romano-Germânico pelo papa, por outro lado o comprometeu a promover a difusão do cristianismo em seus domínios, respeitando Roma como sede do cristianismo, defendendo-a inclusive das investidas do Império Bizantino. Seu domínio na península Itálica se concentrou na Lombardia, ao Norte que passou a fazer parte do Império Carolíngio, enquanto ao sul de Roma, os conquistadores árabes da Sicília e o Império Bizantino disputavam o domínio.

A influência carolíngia, entretanto, foi dificultada no século IX com as incursões sarracenas e normandas no Sul, e a fragmentação feudal. Após , os imperadores renunciaram à defesa da Itália, que, dado o enfraquecimento do papado, caiu na anarquia (século X).

No século X, o rei da Germânia Otão I foi coroado imperador em Roma ( e a Itália foi integrada ao Sacro Império Romano Germânico. As cidades do norte da atual Itália passaram a ficar mais independentes entre si, tornando-se importantes centros econômicos e políticos. Nos meados do século XI, o papado reagiu, sacudindo o jugo imperial.

Os longos conflitos entre o papa e o imperador (1073-1266), dos quais a Itália foi, com frequência, o principal alvo, debilitaram, na realidade, os dois poderes, enquanto nascia (séculos XI-XII) uma Itália comercial, urbana, independente e rica.

A Questão das Investiduras (1075-1122) encerrou-se com a vitória do papado sobre o império. Apoiados por Roma, os normandos de Roberto de Altavila criaram um reino no Sul da Itália. Entre 1122-1250, surgiu uma nova força, a das cidades, erigidas em comunas e enriquecidas pelo crescimento econômico (Pisa, Gênova, Florença, Milão e Veneza). Quando o conflito entre Roma e o Império recrudesceu com a querela do Sacerdócio e do Império (1154-1250), que permitiu ao imperador Frederico I conquistar o reino normando, as cidades foram obrigadas a envolver-se nele e dilaceraram-se entre guelfos (partidários do papa) e gibelinos (partidários do imperador).

A partir do século XIII, o poder, nas cidades, passou às mãos de potentados. Na Itália do Norte, dominavam quatro grandes cidades-Estado (Florença, Gênova, Veneza e Milão), sendo San Marino uma remanescente dessas cidades-Estado setentrionais. Na Itália central, o papado, forçado a deixar Roma por Avinhão (1309 - 1376), foi enfraquecido pelo Grande Cisma do Ocidente (1378-1417). O Sul da Itália foi entregue a Carlos de Anjou e a Sicília, à coroa de Aragão, pondo fim às pretensões imperiais sobre a Itália. O Sul da península, entretanto, ficou dividido pelas lutas entre os angevinos e os aragoneses (séculos XIV-XV).

No século XIV, a península Itálica foi campo de batalha para os franceses, os aragoneses e os suíços. No final do século XV, a Itália foi invadida pela França e, mais tarde, pelo imperador Carlos V, que subjugou a maior parte do território em 1550. A França, pelo Tratado de Cateau-Cambrésis, renunciou às suas pretensões à parte transalpina (1559), e os aragoneses, herdeiros de Carlos V na Itália, dominaram o sul da península durante dois séculos.