As eleições gerais no Brasil em 1840, apelidadas de "Eleições do cacete", foram realizadas pouco após o Golpe da Maioridade para eleger a primeira legislatura após o golpe da maioridade o início do Segundo Reinado. As eleições ficaram marcadas pelas amplas denúncias de violência pública, coerção e fraude eleitoral. Os deputados eleitos nessas eleições – de maioria liberal e apoiadora do gabinete da maioridade – deveriam tomar posse e iniciar os trabalhos do parlamento entre abril e maio de 1842. Antes que isso pudesse acontecer, entretanto, a legislatura foi dissolvida pelo Imperador dom Pedro II e foram convocadas novas eleições, de modo que boa parte dos deputados não puderam tomar posse.
O grupo político liberal que havia promovido a maioridade, grupo conhecido como Gabinete Maiorista, governava com uma Câmara de Deputados de maioria conservadora. Para remover esse obstáculo, a Câmara foi dissolvida e novas eleições convocadas. Buscando assegurar maioria parlamentar ao novo ministério, o governo reformou o comando político e policial nas províncias, substituindo autoridades locais, suspendendo juízes de paz e mobilizando força armada e intimidação para controlar as mesas eleitorais e produzir o resultado desejado.
A legislatura eleita em 1840 deveria assumir em 1842, mas ainda antes o Gabinete Maiorista foi dissolvido por divergências internas. A oposição conservadora, no poder desde março de 1841, denunciou o processo como ilegítimo e apresentou as eleições como prova de que o ministério liberal teria corrompido o funcionamento representativo do Império. Os conservadores retomaram o programa regressista, restaurando o Conselho de Estado e reformando o Código do Processo Criminal, além de alterarem a legislação eleitoral. As novas leis acabariam levando os liberais às revoltas de 1842.
O episódio se tornou um caso clássico para o estudo da manipulação eleitoral no Brasil monárquico. O historiador Fernando Limongi ressalta como a violência eleitoral era de praxe nas eleições até então, mas a de 1840 foi especialmente marcada pela polarização partidária.
Petições e relatos de violência O núcleo documental das fraudes eleitorais encontra-se em um conjunto de petições enviadas à Câmara dos Deputados por cidadãos e autoridades locais que afirmavam ter sido vítimas da truculência eleitoral. As petições foram apresentadas pelos conservadores na Câmara, fazendo parte do jogo político, mas também revelam a identificação do povo com os princípios constitucionais. Na maior parte dos casos, grupos de valentões, identificados por um laço amarelo no pescoço, e por isso, conhecidos como papos amarelos - assaltavam as mesas eleitorais. Houve relatos de assassinatos e espancamentos, além da troca de identidade dos eleitores, pessoas inexistentes, e fraude na apuração.
Ver também Fraude eleitoral no Império do Brasil
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