Scarface é um filme de drama policial do subgênero gângster americano pré-Código lançado em 1932, dirigido por Howard Hawks e com a produção dele e Howard Hughes. O roteiro de Ben Hecht é vagamente baseado no romance homônimo publicado pela primeira vez em 1930 por Armitage Trail, que foi inspirado no mafioso Al Capone. O filme é estrelado por Paul Muni como o gângster imigrante italiano Antonio "Tony" Camonte, que ascende violentamente na máfia de Chicago, com George Raft e Boris Karloff no elenco. A ascensão do protagonista ao poder se encaixa com sua perseguição implacável à amante de seu chefe, enquanto sua irmã se apaixona por seu melhor amigo.

Após comprar os direitos do romance de Trail, Hughes rapidamente selecionou Hawks para a direção e Hecht para ser o roteirista. Scarface foi produzido antes da introdução do código de produção em 1934, que impôs regulamentações a indústria cinematográfica. No entanto, o Código Hays, um precursor mais brando, exigiu alterações significativas, incluindo um prólogo condenando a criminalidade, um final alternativo para repreender Camonte mais claramente e o título alternativo "The Shame of a Nation". Os censores acreditavam que o filme glorificava a violência e o crime e com essas mudanças atrasaram o filme em um ano, embora algumas exibições piratas tenham mantido o final original. Apenas em 2019 a versão original sem alterações tornou-se disponível ao público.

A recepção do público foi positiva, porém houve boicotes em protesto a sua violência em várias cidades e federações dos Estados Unidos, forçando o produtor a retirá-lo de circulação e manter armazenado em seu cofre até o seu falecimento, com os direitos autorais sendo recuperados na década de 1970. Ao lado de Little Caesar e The Public Enemy (ambos de 1931), Scarface é considerado um dos filmes de gângsters mais significativos e influentes da história, entrando para listas de melhores filmes de todos os tempos. No ano de 1983 um remake foi lançado com Al Pacino no papel principal.

Enredo

Na década de 1920 em Chicago, Tony "Scarface" Camonte, um imigrante italiano e ambicioso bandido de baixo escalão, trabalha como guarda-costas do chefão do crime "Big" Louis Costillo. Tony mata seu chefe a tiros com o tenente descontente de Costillo, Johnny Lovo. Lovo assume o controle do território de Costillo na Zona Sul e faz com que Tony e seus associados, o estúpido Angelo e o belo playboy Guino "Little Boy" Rinaldo, supervisionem uma lucrativa operação de contrabando, vendendo cerveja ilegal para todos os bares da região e expulsando os rivais.

Tony insiste para que Lovo comece a se instalar na Zona Norte , onde o contrabando é controlado pelo gângster irlandês O'Hara; Lovo se recusa, ordenando que Tony deixe a Zona Norte em paz. Tony ignora as ordens e remove os homens de O'Hara, expandindo suas atividades para o Norte. Em pouco tempo, Lovo era apenas o chefe nominal, enquanto Tony se tornava cada vez mais notório e poderoso, atraindo a atenção de outros gângsteres e da polícia.

Enquanto isso, Tony persegue a namorada de Johnny, Poppy. A princípio, ela o ignora, mas passa a lhe dar mais atenção à medida que seu status sobe e ele começa a ostentar sua riqueza. Ela visita seu apartamento "extravagante", onde ele lhe mostra a vista da janela de um outdoor elétrico anunciando a Cook's Tours , com o slogan que o inspira: "O Mundo É Seu".

Tony finalmente se livra de O'Hara. O sucessor de O'Hara, Tom Gaffney, declara guerra à Zona Sul e tenta matar Tony com metralhadoras — com as quais um Tony entusiasmado rapidamente arma seus homens. A guerra resulta na vitória de Tony, enquanto Gaffney é forçado a se esconder. Um grupo de cidadãos proeminentes, incluindo o chefe de polícia, juram acabar com Tony por toda a carnificina e derramamento de sangue que ele infligiu à cidade.

Durante uma noite no teatro, Tony descobre que Gaffney e o restante de sua equipe estão em uma pista de boliche próxima. Deixando Angelo para trás para assistir ao resto do espetáculo e lhe contar o resultado, Tony mata Gaffney pessoalmente. A raiva de Lovo por Tony finalmente transborda quando Tony flerta e dança abertamente com Poppy na frente dele em uma boate. Tony vê sua querida irmã Francesca "Cesca" dançando com um estranho na boate; obsessivamente protetor em relação a ela, ele fica furioso e a espanca. Mais tarde naquela noite, alguns pistoleiros tentam assassinar Tony, mas ele os mata.

Suspeitando do envolvimento de Lovo, Tony vai ao seu escritório depois de subornar o barbeiro local para ligar para ele e fingir fazer parte da equipe de assassinos. Quando Lovo desliga após alegar que deve ter ligado para o número errado, Tony o obriga a confessar o assassinato e manda Guino matá-lo. Tony, agora o chefão indiscutível do submundo da cidade, leva Poppy para umas férias caras na Flórida para escapar da polícia e da atenção da mídia. Ao mesmo tempo, Cesca visita Guino secretamente no escritório de Tony e o seduz. Os dois começam um caso.

Ao voltar para casa, Tony descobre por sua mãe, que o advertiu diversas vezes sobre seu mau comportamento, que Cesca foi morar com outro homem e corre para encontrá-la com Guino. Ele mata o amigo num acesso de ciúmes, e Cesca foge em prantos após revelar que eles tinham acabado de se casar e planejavam surpreendê-lo. A polícia emite um mandado de prisão contra Tony; ele se tranca em sua casa enquanto Angelo é morto tentando protegê-lo em um tiroteio com a polícia.

Cesca entra sorrateiramente, planejando matar o irmão, mas não consegue. Tony e Cesca se armam, e Tony atira na polícia da janela com uma submetralhadora Thompson, rindo loucamente enquanto os abate. Momentos depois, porém, Cesca é morta por uma bala perdida. Gritando o nome de Cesca enquanto o apartamento se enche de gás lacrimogêneo, Tony desce as escadas tropeçando no momento em que a polícia arromba sua porta. Tony implora por sua vida, mas em vez de colocar as algemas oferecidas, tenta escapar, resultando em um tiro. Enquanto Tony cai morto na rua, o outdoor elétrico acima dele exibe "The World Is Yours" (O Mundo É Seu).

Elenco Paul Muni como Antonio "Tony" Camonte Ann Dvorak como Francesca "Cesca" Camonte George Raft como Guino "Little Boy" Rinaldo Karen Morley como Poppy Boris Karloff como Tom Gaffney Osgood Perkins como John "Johnny" Lovo C. Henry Gordon como o Inspetor de Polícia, Ben Guarino Vince Barnett como Angelo Purnell Pratt como o editor Garston Tully Marshall como o Editor chefe Inez Palange como Sr(a) Camonte, Mãe do Tony Edwin Maxwell interpreta o Chefe dos detetives Douglas Walton como Namorado da Cesca (Não-creditado) Harry J. Vejar como "Big" Louis Costillo (não-creditado) Howard Hawks aparece rapidamente deitado em uma cama (não-creditado)

Produção Desenvolvimento O magnata Howard Hughes estava envolvido na indústria cinematográfica e queria um outro sucesso de bilheteria após o bem sucedido The Front Page (1931).; Filmes de gângster eram chamativos no início da década de 1930 durante a Lei Seca. Hughes queria fazer um longa-metragem baseado na vida do gângster Al Capone a qual, seria superior a todos os outros filmes deste subgênero.; Ele foi aconselhado a não fazer o filme, pois o cinema já estava lotado por outras produções idênticas; Little Caesar estrelado por Edward G. Robinson e The Public Enemy estrelado por James Cagney já eram grandes sucessos, e a Warner Bros. afirmou que nada de novo poderia mais ser feito com está temática. Além disso, censuradores da indústria, como o código hays, estavam se preocupando com a glamourização da criminalidade na mídia.

Hughes comprou os direitos do romance Scarface de Armitage Trail,; inspirado na vida de Capone. Trail publicou muitos contos para várias revistas de histórias policiais no início da década de 1920, mas morreu de ataque cardíaco aos 28 anos, pouco antes do lançamento de Scarface. Hughes contratou Fred Pasley, um repórter de Nova York para ser um dos roteirista. Hughes chamou Ben Hecht, que havia ganhado o seu primeiro Oscar de Melhor Roteiro Original em 1929 por seu filme policial mudo Underworld (1928), para ser o roteirista principal. Suspeitando de Hughes como empregador, Hecht solicitou um salário diário de US$ 1.000, a ser pago todos os dias às seis horas. Ele alegou que só desperdiçaria um dia de trabalho se Hughes não fosse uma fraude.

Hughes queria que o diretor Howard Hawks dirigisse e também fosse o co-produtor da obra. Isso surpreendeu Hawks, já que os dois nunca foram amigos; porque Hughes antes havia entrado com uma ação judicial contra Howard Hawks em julho de 1930, alegando que o filme de Hawks, The Dawn Patrol é um plágio de seu filme Hell's Angels (1930). Durante uma partida de golfe, Hughes prometeu desistir da ação judicial (irrelevante, pois o juiz já a havia rejeitado) se Hawks aceitasse ser o diretor de Scarface. O diretor ficou mais convencido quando descobriu que Hecht seria o roteirista principal. Hecht e Hawks trabalharam bem juntos, pretendendo retratar o personagem Capone como da Família Bórgia, incluindo a sugestão de incesto entre o personagem principal e sua irmã, presente no romance de Trail.

Roteiro Ben Hecht escreveu o roteiro em 11 dias durante janeiro de 1931, adaptado do romance de Trail. Fred Pasley forneceu ajuda, assim como WR Burnett que é o autor do romance Little Caesar. As contribuições de Pasley incluíram elementos do livro Al Capone: Biography of a Self-Made Man; a qual contém uma passagem em uma barbearia com Capone semelhante à introdução de Tony Camonte no filme. Pasley não foi creditado por seu trabalho no roteiro.; ; John Lee Mahin e Seton I. Miller reescreveram vários trechos do roteiro para aumentar a continuidade nos diálogos.

Como havia cinco escritores, é difícil distinguir quais componentes foram contribuídos por qual escritor; no entanto, o final de Scarface é semelhante ao primeiro filme de gangster de Hecht; Underworld, no qual o gangster Bull Weed se prende em seu apartamento com sua amante e atira nas hordas de policiais do lado de fora, e portanto, provavelmente foi uma adição de Hecht.

A versão cinematográfica de Scarface tem pouca semelhança com o romance. Embora o filme contenha os mesmos personagens principais, pontos da trama e conotações incestuosas foram descartadas para reduzir a duração e atender aos pedidos dos escritórios de censura. Para fazer os gangsters parecerem menos admiráveis, o personagem de Tony foi feito para parecer menos inteligente e mais brutal do que no romance. Da mesma forma, o relacionamento fraternal entre Tony e o policial foi removido para evitar retratar a corrupção policial. Relações com Al Capone Tanto o filme quanto o romance são vagamente baseados na vida do gangster Al Capone, cujo apelido era Scarface com nomes dos personagens e locais alterados. Capone tornou-se Camonte, Torrio tornou-se Lovo e Moran virou Doran. Em alguns dos primeiros rascunhos, Colosimo era Colisimo e O'Bannion chamava-se Bannon, mas foram mudados para Costillo e O'Hara, respectivamente. Esta e outras alterações feitas aos personagens e à identificação de locais para manter o anonimato foram devido à censura e à preocupação de Hawks com o uso excessivo de detalhes históricos.

Ben Hecht conhecia o gângster Al Capone e "sabia muito sobre Chicago", então ele não fez nenhum workshop para o roteiro. De acordo com Hecht, enquanto trabalhava no roteiro, o gângster enviou dois homens para visitá-lo em Hollywood para garantir que o filme não fosse baseado em sua vida. Ele disse a eles que o personagem Tony era uma paródia de vários criminosos e que o título Scarface foi escolhido por ser intrigante. Os dois homens deixaram Hecht em paz.