thumb|200px|Mapa de reivindicações territoriais na Antártica, incluindo a não reclamada Terra de Marie Byrd 200px|thumb|Reivindicações territoriais na Antártida. 200px|right|thumb|Nações com estações de pesquisas na Antártida thumb|200px|Reivindicação territorial brasileira proposta por Therezinha de Castro e Delgado de Carvalho, nunca reconhecida pelo governo brasileiro. thumb|Mapa da Governadoria da Terra Australis (1539–1555), a primeira reivindicação territorial sobre as terras austrais; posteriormente, este território foi incorporado à Capitania-Geral do Chile. Alt URL
Reivindicações territoriais da Antártida estão presentes no continente antártico desde a sua descoberta no século XIX e ao longo do século XX. Várias nações reivindicaram territórios, o tema deu origem ao Tratado da Antártida.
Atualmente há sete nações reivindicantes que mantêm uma reivindicação territorial em oito territórios na Antártida. Estes países procuraram instalar bases de observações científicas e estudos nos territórios reivindicados.
A União Soviética e os Estados Unidos fizeram reservas às restrições a novas reivindicações e os Estados Unidos e a Rússia declararam seus direitos de fazer reivindicações no futuro, se assim desejarem. O Brasil mantém a Estação Antártica Comandante Ferraz (a Base Antártica Brasileira).
Há uma suposta teoria brasileira para a delimitação de territórios usando meridianos, que daria territórios à Argentina, ao Uruguai, ao Peru e ao Equador, também. A suposta reivindicação brasileira, também chamada de Teoria da Defrontação, originalmente proposta por Therezinha de Castro e Delgado de Carvalho,, foi reconhecida pelo governo, apesar de ter tido razoável aceitação entre círculos militares. O Brasil fez uma reivindicação territorial.
Em geral, reivindicações territoriais abaixo do paralelo 60° sul somente têm sido reconhecidas entre os países que já possuem reivindicações na área. Contudo, reivindicações frequentemente são indicadas em mapas da Antártida - o que não significa o reconhecimento de jure.
Todas as áreas reivindicadas exceto a Ilha de Pedro I (veja abaixo) são setores, cujos limites são definidos por graus de longitude. Em termos de latitude, os limites ao norte de todos os setores é o paralelo 60° sul, que não corta nenhuma porção de terra, continente ou ilha, e também é o limite norte do Tratado da Antártida. Os limites ao sul de todos os setores se encontram em um ponto, o Polo Sul. Somente o setor norueguês é uma exceção: a reivindicação original de 1930 não especifica os limites norte e sul, sendo que seu território somente é definido por limites a leste e a oeste.
História
Reivindicações espanholas miniaturadaimagem|esquerda|Mapa da província da Terra Australis espanhola (1539–1555), a primeira reivindicação territorial sobre as terras próximas ao Polo Sul. Foi posteriormente incorporada à Capitania-Geral do Chile.
De acordo com a Argentina e o Chile, a Coroa Espanhola possuía reivindicações sobre a Antártida. A capitulación (governança) concedida ao conquistador Pedro Sánchez de la Hoz em 1539 pelo Rei de Espanha, Carlos V, incluía explicitamente todas as terras ao sul do Estreito de Magalhães (Terra Australis, Terra do Fogo e, por extensão, potencialmente todo o continente da Antártida) e, a leste e oeste, as fronteiras eram as especificadas no Tratado de Tordesilhas e no Tratado de Saragoça, respetivamente, criando assim a Província da Terra Australis.
De la Hoz transferiu o título para o conquistador Pedro de Valdivia em 1540. Em 1555, a reivindicação foi incorporada ao Reino do Chile.
Esta concessão estabeleceu, segundo a Argentina e o Chile, que existia um animus occupandi por parte da Espanha na Antártida. A reivindicação de soberania da Espanha sobre partes da Antártida foi, segundo o Chile e a Argentina, reconhecida internacionalmente com a bula Inter caetera de 1493 e o Tratado de Tordesilhas de 1494. A Argentina e o Chile tratam estes tratados como instrumentos jurídicos internacionais mediados pela Igreja Católica, que na época era uma árbitra reconhecida em tais matérias. Atualmente, cada país reivindica um setor do continente antártico que está mais ou menos diretamente ao sul das suas terras nacionais voltadas para a Antártida.
A Espanha moderna não reivindicou qualquer território antártico. Opera duas estações de investigação de verão (a Base Antártica Gabriel de Castilla e a Base Antártica Juan Carlos I) nas Ilhas Shetland do Sul.
Reivindicações britânicas O Reino Unido reafirmou a soberania sobre as Ilhas Malvinas, no extremo sul do Atlântico Sul, em 1833 e manteve uma presença contínua ali. Em 1908, o governo britânico estendeu a sua reivindicação territorial ao declarar soberania sobre a "Geórgia do Sul, as Órcades do Sul, as Shetland do Sul e as Ilhas Sandwich do Sul, e a Terra de Graham, situadas no Oceano Atlântico Sul e no continente antártico ao sul do paralelo 50 Sul, e situadas entre o 20º e o 80º graus de longitude oeste".International law for Antarctica, p. 652, Francesco Francioni e Tullio Scovazzi, 1996. Todos estes territórios eram administrados como Dependências das Ilhas Malvinas a partir de Stanley pelo Governador das Ilhas Malvinas. A motivação alegada para esta declaração foi a necessidade de regular e tributar eficazmente a indústria baleeira.
Em 1917, a redação da reivindicação foi modificada para incluir inequivocamente todo o território no setor que se estende até ao Polo Sul (abrangendo assim todo o atual Território Antártico Britânico). A nova reivindicação cobria "todas as ilhas e territórios entre o 20º grau de longitude oeste e o 50º grau de longitude oeste situados ao sul do paralelo 50 sul; e todas as ilhas e territórios entre o 50º grau de longitude oeste e o 80º grau de longitude oeste situados ao sul do paralelo 58 Sul".
Era ambição de Leopold Amery, então Subsecretário de Estado das Colônias, que o Reino Unido incorporasse todo o continente no Império Britânico. Num memorando aos governadores-gerais da Austrália e da Nova Zelândia, escreveu que "com exceção do Chile e da Argentina e de algumas ilhas áridas pertencentes à França... é desejável que a totalidade da Antártida seja finalmente incluída no Império Britânico". O primeiro passo foi dado em 30 de julho de 1923, quando o governo britânico aprovou uma Ordem em Conselho sob o British Settlements Act 1887, definindo as novas fronteiras para a Dependência de Ross"aquela parte dos Domínios de Sua Majestade nos Mares Antárticos, que compreende todas as ilhas e territórios entre o 160º grau de Longitude Leste e o 150º grau de Longitude Oeste situados ao sul do 60º grau de Latitude Sul será nomeada Dependência de Ross". A Ordem em Conselho nomeou então o Governador-Geral e Comante-em-Chefe da Nova Zelândia como o Governador do território.http://www.legislation.govt.nz/regulation/imperial/1923/0974/latest/DLM1195.html Order in Council Under the British Settlements Act, 1887 (50 & 51 Vict c 54), Providing for the Government of the Ross Dependency.
Em 1930, o Reino Unido reivindicou a Terra de Enderby. Em 1933, uma ordem imperial britânica transferiu o território ao sul do paralelo 60° S e entre os meridianos 160° E e 45° E para a Austrália como o Território Antártico Australiano.Antarctica and international law: a collection of inter-state and national documents, Volume 2. pp. 143. Autor: W. M. Bush. Editor: Oceana Publications, 1982. Isto seguiu-se à Expedição de Investigação Antártica Britânica, Australiana e Neozelandesa (BANZARE), liderada pelo geólogo e explorador polar australiano Douglas Mawson, estabelecendo a reivindicação territorial de 42% da Antártida durante 1929–1930 e 1930–1931.
Após a aprovação do Estatuto de Westminster de 1931, o governo do Reino Unido renunciou a todo o controlo sobre os governos da Nova Zelândia e da Austrália. Isto, contudo, não teve qualquer influência nas obrigações dos governadores-gerais de ambos os países na sua qualidade de Governadores dos territórios antárticos.
Outras reivindicações europeias miniaturadaimagem|direita|Descoberta e reivindicação da soberania francesa na Terra Adélia por Jules Dumont d'Urville, em 1840
A base para a reivindicação da Terra Adélia pela França dependeu da descoberta da costa em 1840 pelo explorador francês Jules Dumont d'Urville, que lhe deu o nome da sua esposa, Adèle. Ele hasteou a bandeira francesa e tomou posse da terra para a França em 21 de janeiro de 1840, às 17h30.LCI – Mission en Terre Adélie – Le 21 janeiro 1840 il y plante le drapeau français et donne à ce lieu le nom de Terre Adélie.
Os britânicos acabaram por decidir reconhecer esta reivindicação, e a fronteira entre a Terra Adélia e o Território Antártico Australiano foi fixada definitivamente em 1938.
Estes desenvolvimentos também preocuparam os interesses baleeiros noruegueses, que desejavam evitar a tributação britânica das estações baleeiras na Antártida e temiam ser excluídos comercialmente do continente. O armador de navios baleeiros Lars Christensen financiou várias expedições à Antártida com o objetivo de reivindicar terras para a Noruega e estabelecer estações em território norueguês para obter melhores privilégios. A primeira expedição, liderada por Nils Larsen e Ola Olstad, desembarcou na Ilha Pedro I em 1929 e reivindicou a ilha para a Noruega. Em 6 de março de 1931, uma proclamação real norueguesa declarou a ilha sob soberania norueguesa e, em 23 de março de 1933, a ilha foi declarada uma dependência.
A expedição de 1929 liderada por Hjalmar Riiser-Larsen e Finn Lützow-Holm nomeou a massa de terra continental perto da ilha como Terra da Rainha Maud, em homenagem à rainha norueguesa Maud de Gales. O território foi explorado mais detalhadamente durante a expedição Norvegia de 1930–31. Negociações com o governo britânico em 1938 resultaram na fixação da fronteira ocidental da Terra da Rainha Maud em 20°O.
miniaturadaimagem|esquerda|Expedição norueguesa desembarcando na Ilha Pedro I em 1929 Os Estados Unidos, o Chile, a União Soviética e a Alemanha contestaram a reivindicação da Noruega. Em 1938, a Alemanha enviou a Expedição Antártica Alemã, liderada por Alfred Ritscher, para sobrevoar o máximo possível de território. O navio Schwabenland alcançou o gelo flutuante ao largo da Antártida em 19 de janeiro de 1939.Murphy, 2002, p. 192. Durante a expedição, Ritscher fotografou do ar uma área de cerca de e lançou dardos inscritos com suásticas a cada . No entanto, apesar de ter levantado intensamente a terra, a Alemanha nunca fez qualquer reivindicação formal ou construiu bases duradouras. Assim, a reivindicação antártica alemã, conhecida como Nova Suábia, foi contestada na época e atualmente não é tida em conta.
Em 14 de janeiro de 1939, cinco dias antes da chegada alemã, a Noruega anexou a Terra da Rainha Maud após um decreto real anunciar que a terra que faz fronteira com as Dependências das Ilhas Malvinas a oeste e o Território Antártico Australiano a leste seria colocada sob soberania norueguesa. O objetivo principal da anexação era assegurar o acesso da indústria baleeira norueguesa à região. Em 1948, a Noruega e o Reino Unido concordaram em limitar as reivindicações longitudinais da Noruega na Terra da Rainha Maud de 20°O a 45°L, e incorporar a Costa de Bruce e a Terra de Coats no território norueguês.
Envolvimento sul-americano miniaturadaimagem|Gobernador Bories, um navio-fábrica chileno, ancorado na enseada Balleneros, Ilha Decepção, em 1908. miniaturadaimagem|A Omond House foi construída em 1904 pela Expedição Antártica Nacional Escocesa como a primeira base permanente na Antártida. Foi posteriormente vendida à Argentina. miniaturadaimagem|O presidente do Chile Gabriel González Videla durante a sua visita na década de 1940. Tornou-se o primeiro chefe de governo e de Estado a visitar a Antártida.