alt=Audiograma. Frequências em Hertz (Hz) no eixo da abscissa e Nível de Audição em Decibel (dB) no eixo da ordenada.|miniaturadaimagem|Audiograma. Frequências em Hertz (Hz) no eixo da abscissa e Nível de Audição em Decibel (dB) no eixo da ordenada. O Audiograma é um gráfico que descreve a capacidade e sensibilidade auditiva do indivíduo, evidenciando a habilidade de detecção dos sons. Ele demonstra o mínimo de intensidade sonora que um indivíduo consegue detectar em determinadas frequências, audíveis ao ouvido humano (limiar auditivo). É construído em forma de grade, na qual as frequências, em Hertz (Hz), estão representadas em escala logarítmica no eixo da abscissa (eixo x), e a intensidade, em decibel (dB), no eixo da ordenada (eixo y). O eixo da abscissa deve incluir as frequências de 125 Hz a 8.000 Hz, com a legenda de “Frequência em Hertz (Hz)”. O eixo da ordenada deve incluir níveis de audição de -10 dB a 120 dB (de acordo com a saída máxima de cada equipamento) com a legenda de “Nível de Audição em Decibel (dB)”.

Esse gráfico é obtido a partir de uma Audiometria Tonal Liminar, exame realizado por um fonoaudiólogo ou médico especializado, que será parte essencial para a realização do diagnóstico audiológico, podendo identificar normalidade ou perda auditiva de diferentes tipos, graus e configurações. Os limiares auditivos obtidos durante o teste devem ser dispostos e representados graficamente no audiograma, utilizando um sistema de símbolos padronizados. É importante ressaltar que nenhum exame isolado tem valor diagnóstico absoluto, o resultado efetivo é dado através de avaliações convencionais, com a realização não só da Audiometria, como também da Logoaudiometria e das Medidas da Imitância Acústica (Timpanometria e Reflexos Acústicos), havendo a comparação da história clínica, do comportamento auditivo e da compatibilidade entre as informações obtidas e, caso haja a necessidade, há ainda a alternativa de avaliações complementares.  

Para que se determine o limiar auditivo, o indivíduo precisa detectar pelo menos 50% dos estímulos sonoros apresentados. São pesquisados os valores dos limiares da via aérea de cada orelha (direita e esquerda) nas frequências de 250, 500, 1.000, 2.000, 3.000, 4.000, 6.000 e 8.000 Hz; e de via óssea nas frequências de 500, 1.000, 2.000, 3.000 e 4.000 Hz.

Com base nos critérios da OMS (2020), a audição é considerada normal quando os limiares de via aérea encontram-se entre 0 e 20 dB. Podendo variar, de acordo com os padrões empregados., mas para realizar a media quadritonal, utilizando as frequências de 500, 1.000, 2.000 e 4.000. E realizar a divisão por quatro.

Padronização Internacional Os resultados da audiometria são registrados no audiograma sob a forma de símbolos convencionados internacionalmente. Estes símbolos, recomendados pela Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição (ASHA, 1990), recebem cores, formas e direções, que diferem segundo a orelha indicada. A orelha direita é representada pela cor vermelha, enquanto que a esquerda, caracteriza-se pelo uso da cor azul.

O audiograma contempla símbolos correspondentes a limiares de via aérea (VA) e de via óssea (VO).

+Conjunto de símbolos audiométricos recomendados no registro das respostas obtidas na pesquisa de limiares de audibilidadePROCEDIMENTO DE TESTEORELHA DIREITAORELHA ESQUERDAVia aérea (com fones)Sem mascaramentooxCom mascaramentoΔ□Ausência de resposta não mascarada↙ox↘Ausência de resposta mascarada↙Δ□↘Via óssea (Mastóide)Resposta não mascarada‹›Resposta mascarada[]Ausência de resposta não mascarada↙‹›↘Ausência de resposta mascarada↙[]↘Via óssea (fronte)Resposta mascarada┌┐Ausência de resposta mascarada↙┌┐↘Campo livreRespostaØ≠Resposta inespecíficaSAusência de resposta↙Ø≠↘ Os símbolos audiométricos foram especificados para possibilitar a diferenciação, independentemente das cores convencionadas: a) orelha direita da orelha esquerda; b) condução aérea de condução óssea; c) limiares mascarados de limiares não mascarados; d) presença de resposta e ausência de resposta; e) tipo de transdutores (fone supra aural, de inserção, vibrador e alto-falante) utilizados para a apresentação do estímulo.

Resultados Audiológicos O audiograma deve abranger o tipo, grau, configuração e a lateralidade da perda auditiva, conforme os critérios adotados.

Tipo de perda auditiva Com base nos autores Silman e Silverman (1997), os tipos de perda auditiva podem ser classificados em: Perda auditiva condutiva, Perda auditiva sensorioneural e Perda auditiva mista. Por meio da definição do tipo de perda, realiza-se o topodiagnóstico da alteração.

+Classificação do tipo de perda auditiva (Silman e Silverman, 1997)Tipo de perdaCaracterísticasPerda auditiva condutivaLimiares de via óssea menores ou iguais a 15 dBNA e limiares de via aérea maiores que 25 dBNA, com gap aéreo-ósseo* maior ou igual a 15dB.Perda auditiva sensorioneuralLimiares de via óssea maiores do que 15 dB NA e limiares de via aérea maiores que 25 dB NA, com gap aéreo-ósseo* de até 10 dB.Perda auditiva mistaLimiares de via óssea maiores do que 15 dB NA e limiares de via aérea maiores que 25 dB NA, com gap aéreo-ósseo* maior ou igual a 15 dB. *Gap aéreo-ósseo - diferença entre os limiares aéreos e ósseos: indica a perda de energia sonora na orelha média e na orelha externa antes de chegar na cóclea.

Grau da perda auditiva Quanto ao grau da perda auditiva, são encontradas na literatura diversas recomendações. Alguns autores classificam a perda auditiva com base na média dos limiares tonais das frequências de 500, 1000 e 2000 Hz , como por exemplo Lloyd e Kaplan (1978) ou Davis, (1970, 1978). Enquanto que outros realizam a média quadritonal das frequências de 500, 1000, 2000 e 4000 Hz, como pode ser observado nos estudos de BIAP (1996).

+Classificação do grau da perda auditiva segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2014)Graus de perda auditivaMédia entre as frequências de 500, 1000, 2000 e 4000 Hz (ADULTO)DesempenhoAudição Normal0-25 dBNenhuma ou pequena dificuldade; capaz de ouvir cochichosLeve26-40 dBCapaz de ouvir e repetir palavras em volume normal a um metro de distânciaModerado41-60 dBCapaz de ouvir e repetir palavras em volume elevado a um metro de distânciaSevero61-80 dBCapaz de ouvir palavras em voz gritada próximo à melhor orelhaProfundo>81 dBIncapaz de ouvir e entender mesmo em voz gritada na melhor orelha Em 2020, a Organização Mundial da Saúde publicou um material intitulado "Basic Ear and Hearing Care Resource", atualizando a classificação. Seguindo este novo parâmetro, é possível identificar uma perda auditiva de grau leve a partir de 20 dB.

+Classificação do grau da perda auditiva segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020)Graus de perda auditivaMédia entre as frequências de 500, 1000, 2000 e 4000 HzDesempenhoAudição Normal<20 dBNenhum problema em ouvir sonsLeve20 < 35 dBPode apresentar dificuldade em ouvir o que é falado em locais ruidososModerado35 < 50 dBPode apresentar dificuldade em ouvir conversas, particularmente em lugares com ruidososModeradamente severo50 < 65 dBDificuldade em participar de uma conversa especialmente em locais ruidosos. Mas pode ouvir se falarem com a voz mais alta sem dificuldadeSevero65 < 80 dBNão ouve a maioria das conversas e pode ter dificuldade em ouvir sons elevadas. Dificuldade extrema para ouvir em lugares ruidosos e fazer parte de uma conversaProfundo80 < 95 dBDificuldade extrema em ouvir voz em forte intensidadePerda Auditiva completa/ surdo>95 dBNão consegue escutar nenhuma conversa e a maioria dos sons ambientais. Em 2021, a Organização Mundial da Saúde publicou o material intitulado "World report on hearing", atualizando a classificação. Seguindo este novo parâmetro, é possível identificar o desempenho auditivo em ambientes silencioso e ruidosos, além da classificar a perda auditiva unilateral. +Classificação do grau da perda auditiva segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021)Graus de perda auditivaMédia tonal de 500Hz, 1kHz, 2kHz e 4kHzDesempenho auditivo em ambientes silenciososDesempenho auditivo em ambientes ruidososAudição normalmenor que 20 dBNenhuma dificuldade em ouvir sonsNenhuma ou mínima dificuldade em ouvir sonsPerda auditiva de grau leve20 a menor que 35 dBNão apresenta dificuldade em ouvir o que é falado.Pode apresentar dificuldade em ouvir o que é falado.Perda auditiva de grau moderado35 a menor que 50 dBPode apresentar dificuldade de ouvir o que é faladoApresenta dificuldade em participar de uma conversaPerda auditiva de grau moderadamente severo50 a menor que 65 dBApresenta dificuldade em participar de uma conversa, mas pode ouvir voz em forte intensidade.Apresenta dificuldade em ouvir e participar de uma conversa.Perda auditiva de grau severo65 a menor que 80 dBApresenta dificuldade em ouvir a maior parte de uma conversa; dificuldade para ouvir e compreender mesmo voz em forte intensidade.Apresenta extrema dificuldade em ouvir e participar de uma conversa.Perda auditiva de grau profundo80 a menor que 95 dBApresenta dificuldade extrema em ouvir voz em forte intensidade.A fala não pode ser ouvida.Perda auditiva completa/ surdomaior ou igual a 95 dBNão escuta conversa e a maioria dos sons ambientais.Não escuta conversa e a maioria dos sons ambientais.Perda auditiva unilateralmenor que 20 dB na melhor orelha, 35 dB na pior orelhaPode não apresentar dificuldade, a menos que o som esteja próximo da orelha com pior audição; pode apresentar dificuldade na localização sonora.Pode apresentar dificuldade em compreender a fala, participar de uma conversa e na localização sonora.

Configuração Audiométrica Esta classificação considera a configuração (desenho/curva), relacionando os valores de intensidade e frequência, dos limiares de via aérea de cada orelha.

+Classificação da perda auditiva de acordo com a configuração audiométrica. (Silman e Silverman, 1997 – adaptada de Carhart, 1945 e Lloyd e Kaplan, 1978)Tipo de configuraçãoCaracterísticasAscendenteMelhora igual ou maior que 5 dB por oitava em direção às frequências altasHorizontalLimiares alternando melhora ou piora de 5 dB por oitava em todas as frequênciasDescendente levePiora entre 5 a 10 dB por oitava em direção às frequências altasDescendente acentuadaPiora entre 15 a 20 dB por oitava em direção às frequências altasDescendente em rampaCurva horizontal ou descendente leve com piora ≥ 25 dB por oitava em direção às frequências altasEm ULimiares das frequências extremas melhores que as frequências médias com diferença ≥ 20 dBEm U invertidoLimiares das frequências extremas piores que as frequências médias com diferença ≥ 20 dBEm entalheCurva horizontal com descendência acentuada em uma frequência isolada, com recuperação na frequência subsequente

Lateralidade A perda pode ser classificada como bilateral, caso ambas as orelhas mostrem-se alteradas e unilateral se apenas uma das orelhas apresentar perda auditiva.

Simetria Além disso, ainda pode-se acrescentar outras informações às características audiométricas, tais como: simétrica, quando ambas as orelhas possuírem o mesmo grau e a mesma configuração, ou assimétrica, quando manifestarem-se de maneiras diferentes.

Ver também Audiometria Tons puros Teste de Rinne Teste de Weber Audiologia Projeto Saúde Auditiva - Programa de educação da Wikipédia como metodologia ativa de ensino e ferramenta de colaboração coletiva em saúde auditiva, com suporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

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