miniaturadaimagem|Delegados em sessão na Jakarta MUN (JMUN), em Jacarta, Indonésia miniaturadaimagem|Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque As simulações da ONU (também conhecidas como MUNs, do inglês Model United Nations, modelos de organizações internacionais, modelos diplomáticos ou, simplesmente, simulações) são eventos acadêmicos direcionados a alunos do ensino fundamental, ensino médio e ensino superior de simulação de organismos das Organização das Nações Unidas (ONU), organizações internacionais (como OEA, União Africana e Parlamento Europeu), dos estabelecimentos jurídicos (como tribunais internacionais e nacionais), gabinetes de guerras ou entidades nacionais como Supremo Tribunal Federal e Câmara dos Deputados do Brasil, onde os participantes atuam como diplomatas, juízes, deputados, jornalistas, etc., tendo como objetivo o debate e a solução da problemática proposta a cada comitê, espelhando as reais posições políticas dos países, ONGs, partidos e personalidades designadas a eles.

Conferências deste tipo ocorrem em diversos lugares, estimando-se que mais de 400 mil estudantes ao redor do mundo participem dessas atividades anualmente. As simulações são uma alternativa para o aprendizado tradicional, unindo a prática com a teoria das relações internacionais (ou política internacional), ensinando práticas parlamentares, oratória, debate e escrita, assim como pensamento crítico, liderança, capacidade de ouvir e ser ouvido e cooperação, dando espaço para a compreensão de situações complexas e estimulando o respeito e a empatia em relação a outros povos.

Pessoas notáveis já participaram destes eventos durante sua vida acadêmica, como o ator estadunidense Samuel L. Jackson, a filha do ex-presidente Bill Clinton, Chelsea Clinton e o ex-Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

História alt=|esquerda|miniaturadaimagem|Comissão da Sociedade das Nações As simulações começaram antes mesmo da própria ONU, como simulações da extinta Sociedade das Nações, na década de 1920. As duas primeiras que se tem registro são a Oxford International Assembly, que ocorreu em 13 de novembro de 1921 e a Havard International Assembly, em 10 de janeiro de 1923, onde foi discutida o status da Ilha de Rodes e o tráfico internacional de ópio com 15 nações sendo representadas. Após a Segunda Guerra Mundial, as simulações da Sociedade das Nações se transformaram nas simulações das Nações Unidas, com a primeira conferência no modelo das Nações Unidas acontecendo no Swarthmore College em abril de 1947.

As conferências mais antigas que continuam em atividade hoje são: Model United Nations of the Far West (MUNFW), instituída em 1951 e Harvard National Model United Nations (HNMUN), de 1954, em nível universitário e a Berkeley Model United Nations (BMUN), de 1952 e Harvard Model United Nations (HMUN), de 1953, em nível secundário.

No Brasil, o conceito foi trazido por professores e estudantes de relações internacionais da Universidade de Brasília em 1997, com a criação do Clube de Simulações de Organismos Internacionais (CSOI) e, em 1998, aconteceu a primeira conferência do gênero na América Latina, o Americas Model United Nations (AMUN) em Brasília.

Durante o desenvolvimento das conferências de Modelo das Nações Unidas (Model United Nations, ou MUN), especialmente ao longo do século XX, consolidou-se um sistema de regras parlamentares amplamente inspirado no funcionamento de congressos e parlamentos nacionais. Essas regras, oriundas em grande parte de tradições legislativas foram adotadas por conveniência, estruturando os debates em moldes mais familiares para organizadores e participantes.

Esse modelo parlamentar se difundiu rapidamente entre os circuitos de MUN ao redor do mundo, especialmente em ambientes educacionais. Com o tempo, termos como “debate não moderado”, “moção para suspender a sessão”, “questão de ordem” ou “questão de privilégio pessoal” tornaram-se parte do vocabulário comum entre os jovens envolvidos nessas simulações, mesmo que essas expressões e procedimentos não tenham correspondência direta com o funcionamento real das Nações Unidas.

Na prática diplomática, as Nações Unidas não operam por meio de regras parlamentares voltadas à aprovação de projetos de lei com força mandatória. Ao contrário de parlamentos, que buscam a votação majoritária para impor decisões legislativas, a ONU privilegia processos baseados em consenso, visando garantir legitimidade e implementação prática das resoluções, que são de caráter recomendatório.

A partir de 2015, um esforço significativo de aproximação entre os Modelos da ONU e os procedimentos reais adotados nas Nações Unidas foi liderado pela World Federation of United Nations Associations (WFUNA), através da realização da conferência WFUNA International Model United Nations (WIMUN), sediada em Nova Iorque. Foi nessa ocasião que surgiu o chamado WIMUN Approach — inicialmente conhecido como UN4MUN —, um sistema de regras desenvolvido com o apoio do Departamento de Comunicação Global da ONU para refletir com fidelidade os processos e práticas diplomáticas da Organização. Esse modelo prioriza a construção de consenso, o papel dos blocos regionais e as nuances da negociação multilateral, buscando oferecer uma experiência educacional mais próxima da realidade das Nações Unidas.

Apesar do crescimento e da influência do WIMUN Approach, o modelo parlamentar tradicional ainda é o mais amplamente utilizado no circuito global de MUNs, principalmente por sua familiaridade, simplicidade organizacional e legado histórico dentro do movimento estudantil internacional.

Conceito Uma simulação de organizações internacionais busca ter respaldo académico, sendo considerada como um laboratório de aprendizado, especialmente relacionando-se com áreas como a diplomacia, ciência política, política internacional e o direito. Assim como os laboratórios das ciências exatas permitem aos estudantes presenciar, praticar, e experimentar as teorias e ideias, os modelos de organizações internacionais fazem o mesmo com as ciências sociais.

Seus participantes são convidados a lidar com resolução de conflitos e negociação por meios diplomáticos, exercendo a oratória e dinâmicas de grupo, entendendo o funcionamento das organizações internacionais as dinâmicas política internacional. É também uma oportunidade de estabelecer redes de contatos com outros participantes de outras localidades ou países e de formações acadêmicas variadas. Em sua maioria, os organizadores são oriundos dos cursos de relações internacionais e direito, embora também participem estudantes de economia, sociologia, jornalismo e de outras formações universitárias das mais variadas.

A maior parte destas simulações representam o funcionamento das Nações Unidas e seus organismos, como o Conselho de Segurança, a Assembleia Geral, Organização Mundial da Saúde e qualquer de suas seis comissões, mas há um espaço para a representação de outras organizações internacionais, como a Organização dos Estados Americanos, União Africana, Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, Liga Árabe ou mesmo para organizações não-governamentais ou entidades nacionais como o Parlamento do Reino Unido, Supremo Tribunal Federal.

No entanto, também existem modelos específicos para outras organizações, como o Model Organization of American States (MOAS), que é realizado anualmente em sistema trilíngue (inglês, francês e espanhol) em local rotativo, com o apoio oficial por resolução da própria OEA.

Funcionamento thumb|250px|Votação plenária no ECOSOC do Model United Nations Baden-Württemberg. 2004, Stuttgart, Alemanha Os estudantes se organizam e executam as conferências exercendo variados papéis, desde Secretário-geral, a diretores de comitês, assistentes, delegados (que atuam como embaixadores nas organizações internacionais), juízes, deputados e jornalistas.

Planejamento Como em qualquer tipo de evento, o primeiro passo é o planejamento. Os estudantes organizadores irão debater quais serão os possíveis comitês de uma ou mais organizações a serem representados, e com isso escolher os temas a serem discorridos durante o modelo.

Os comitês são as arenas de debates, representando como exemplo o Conselho de Segurança, o Conselho de Tutela, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, a FAO, entre outros possíveis.

Os temas discutidos geralmente são aqueles abordados nas agendas oficiais dos fóruns internacionais sendo simulados. Como exemplos, podemos citar a questão palestina e o massacre de Darfur no Conselho de Segurança. Assim, os organizadores têm a possibilidade de aprofundar o assunto para posteriormente criar um manual a ser distribuído a todos os futuros participantes.

O segundo passo é buscar apoio institucional, desde universidades até empresas privadas. Com isso, é possível realizar convites à profissionais conceituados de áreas afins, como diplomatas e professores, para realizarem palestras no dia da abertura ou encerramento do modelo.

Com o apoio institucional encaminhado, se necessário, procura-se locais para materializar a realização do evento, e posteriormente dá-se início a divulgação para a inscrição de novos participantes nos meios acadêmicos.

Para discutir os temas abordados em cada comitê, os participantes inscritos precisam fazer uma pesquisa com relação ao posicionamento oficial dos países representados, possibilitando escrever os princípios de política externa a serem apresentados ao início das atividades. Além disto, a pesquisa precisa apreender a política interna, forma de governo e especificidades culturais, criando assim maior realismo na argumentação e justificativas do posicionamento das delegações.

Prática Os cargos de Secretário Geral, diretores de comitês e assistentes geralmente são ocupados pelos organizadores do evento, e os demais participantes que se inscrevem, atuam como delegados de países.

Geralmente o Secretariado é dividido em "Administrativo" e "Acadêmico", sendo este responsável pela análise de projetos de comitês, recrutamento de diretores e pelo bom andamento das discussões durante as sessões dentro dos comitês; e aquele responsável por toda a parte administrativa do modelo, o que inclui patrocínios, a disponibilidade do lugar onde será realizado o evento, suporte "material" para os comitês (como cópias de documentos, água, etc).

Um bom Secretariado trabalha de forma integrada, garantindo o bom andamento e o sucesso do evento.

Assembleia Geral Em alguns dos Modelos das Nações Unidas realiza-se a Assembleia Geral. Tanto no primeiro como último dia do encontro. É neste momento que a palestra de convidados é realizada. No último dia, os resultados obtidos em cada comitê é apresentado a todos.

thumb|left|200px|Exemplo de documento de posição de delegação para um modelo de organização internacional

Delegações e comitês As delegações criadas são habilitadas para exprimir as opiniões nos debates de países que estejam participando dos comitês reais das organizações internacionais do modelo em questão, podendo variar de tamanho, pois nem todos os países participam de todos os comitês. O Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, possui quinze membros, sendo cinco permanentes, e os demais rotativos. Países grandes tendem a estar presentes nos debates a maioria das questões e, portanto, necessitam de delegações maiores. No modelo, alguns países dispõem de representação única, também chamada de delegação individual.