Michael Halliday (frequentemente abreviado como M.A.K. Halliday) (Leeds, 13 de abril de 1925 - Sydney, 15 de abril de 2018) foi um linguista britânico e australiano que desenvolveu uma teoria gramatical conhecida como Gramática Sistêmico-Funcional (GSF) e, consequentemente, a abordagem conhecida como Linguística Sistêmico-Funcional (LSF).

Halliday foi aluno do linguista britânico J. R. Firth e, a partir das ideias de Firth, desenvolveu uma nova abordagem de análise gramatical, que chamou de Gramática de Escala e Categorias, sendo esta a base de sua teoria. Originalmente construída sobre o chinês e o inglês, a LSF de Halliday vem sendo amplamente utilizada e adaptada para diversos idiomas.MATTHIESSEN, C. M. I. M.; TERUYA, K.; LAM, M. Key Terms in Systemic Functional Linguistics. London; New York: Continuum, 2010.

A proposta teórica da Halliday implicou o questionamento das ideias de dois grandes linguistas, Ferdinand de Saussure e William Labov, já que nenhum dos dois dava grande atenção ao binarismo língua e fala. No livro Language as Social Semiotic: The Social Interpretation of Language and Meaning (1978), Halliday discorre sobre este novo modelo para o estudo da linguagem integrando o componente sociocultural como chave em sua compreensão.

Assim, a principal ideia do linguista, que foi ampliada por seus seguidores ao longo dos anos,NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática funcional. Martins Fontes, 2004 é estudar a linguagem relacionada com seu funcionamento em sociedade. Desta forma, a linguagem para Halliday é vista como um sistema sociossemiótico, com várias possibilidades de escolha de significados.EGGINS, Suzanne. Introduction to systemic functional linguistics. A&C Black, 2004 Esses significados são organizados em termos de três metafunções: funções generalizadas ao nível do sistema, operando na própria organização das opções disponíveis em uma língua.

Biografia Halliday obteve seu bacharelado em Língua e Literatura Chinesa na Universidade de Londres e, posteriormente, realizou pós-graduação em Linguística na Universidade de Pequim e na Universidade de Cambridge, onde ele obteve seu título de doutor em 1955.

Linguística Sistêmico-Funcional

Linguística Sistêmico-Funcional e oposição à tradição gerativa

Em 1985, Halliday publicou o livro An Introduction to Functional Grammar (sem tradução para o português). Uma edição revisada foi publicada em 1994 e mais duas outras edições foram publicadas em 2004 e em 2014, com a colaboração de Christian Matthiessen.

Halliday rejeita explicitamente a abordagem ligada à tradição gerativista, a proposta formalista mais conhecida. Para ele, o uso da lógica formal nas teorias linguísticas é "irrelevante para a compreensão da linguagem", bem como considera o uso dessas abordagens como "desastrosas para a linguística".Halliday, M.A.K. 1985. Systemic Background. In "Systemic Perspectives on Discourse, Vol. 1: Selected Theoretical Papers" from the Ninth International Systemic Workshop, Benson and Greaves (eds); Vol. 3 in The Collected Works, p. 192. Especialmente falando sobre Noam Chomsky, ele escreve que "problemas imaginários foram criados por toda a série de dicotomias que Chomsky introduziu ou assumiu sem problematizar: não apenas sintaxe/semântica, mas também gramática/léxico, linguagem/pensamento, competência/performance. Uma vez que essas dicotomias foram colocadas em questão, o problema de localizar e manter os limites entre elas também foi criado".Halliday, M.A.K. 1995. "A Recent View of 'Missteps' in Linguistic Theory". In Functions of Language 2.2. Vol. 3 of The Collected Works, p. 236.

Linguística Sistêmico-Funcional no Brasil No Brasil, as ideias de Halliday foram difundidas a partir da década de oitenta, sendo utilizadas em áreas como a análise do discurso, o ensino de língua estrangeira, o ensino de língua materna, a educação a distância, a tradução, a linguística de corpus e o estudo de semióticas visuais.MEURER, José Luiz; BALOCCO, Anna Elizabeth. A linguística sistêmico-funcional no Brasil: interfaces, agenda e desafios. Anais do SILEL, v. 1, 2009.

Meurer e Balocco destacam que as primeiras utilizações de LSF no Brasil foram feitas pelas professoras Rosa Konder e Carmen Rosa Caldas-Coulhard, para a formação de professores de inglês como língua estrangeira na Universidade Federal de Santa Catarina. O Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da PUC-SP, o primeiro programa de pós-graduação stricto sensu em Linguística Aplicada do Brasil, criado em 1970, também foi fundamental para a difusão da teoria.

Trabalhos selecionados 1967–68. "Notes on Transitivity and Theme in English, Parts 1–3", Journal of Linguistics 3(1), 37–81; 3(2), 199–244; 4(2), 179–215. 1973. , London: Edward Arnold. 1975. , London: Edward Arnold. Com C.M.I.M. Matthiessen, 2004. , 3d edn. London: Edward Arnold. (4th edn. 2014) 2002. , ed. Jonathan Webster, Continuum International Publishing. 2003. , ed. Jonathan Webster, Continuum International Publishing. 2005. , ed. Jonathan Webster, Continuum International Publishing. 2006. , Jonathan Webster (ed.), Continuum International Publishing. 2006. , ed. Jonathan Webster, Continuum International Publishing. Com W. S. Greaves, 2008. , London: Equinox.

Ver também Linguística Sistêmico-Funcional Gramática Sistêmico-Funcional Metafunção Contexto Tema Modo Christian Matthiessen J.R. Martin Ruqaiya Hasan

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