O lobo-da-tasmâniaFrança, Elisa Almeida. E Se...Trouxéssemos de volta animais extintos? . Super Interessante, ed. 152, nov. 2002. Página visitada em 22 de setembro de 2008. (nome científico: Thylacinus cynocephalus), conhecido em outras línguas como tigre-da-tasmânia,De Cicco, Lucia Helena Salvetti. Lobo (ou tigre) da Tasmânia . Saúde Animal. Página visitada em 22 de setembro de 2008.Assim como os nomes alternativos comuns, o tilacino foi chamado por uma gama de outros nomes, que frequentemente faziam uma identificação clara da espécie na dificuldade dos registros. Outros nomes pelos quais ele era ocasionalmente identificado incluem lobo-marsupial, hiena, lobo-zebra, lobo-canguru, cuíca-zebra, tigre, tigre-marsupial, gato-tigre, lobo tasmaniano com marsúpio, e cuíca-hiena. foi o maior marsupial carnívoro dos tempos modernos. Nativo da Austrália e Nova Guiné, acredita-se que foi extinto no século XX. Foi o último membro de seu gênero, Thylacinus (tilacino), ainda que diversas espécies relacionadas tenham sido encontradas em registros de fósseis do início do Mioceno.
Os tigres-da-tasmânia foram extintos da Austrália continental milhares de anos antes da colonização europeia do continente, mas sobreviveram na ilha da Tasmânia junto com diversas espécies endêmicas, incluindo o diabo-da-tasmânia. A caça intensiva encorajada por recompensas por os considerarem uma ameaça aos rebanhos é geralmente culpada por sua extinção, mas outros fatores que contribuíram podem ter sido doenças, a introdução de cães, dingos e a ocupação humana de seu habitat. O último registro visual da espécie ocorreu em 1932 e o último exemplar morreu no Zoológico de Hobart em 7 de setembro de 1936. Apesar de ser oficialmente classificado como extinto, relatos de encontros ainda são reportados.
miniaturadaimagem|251x251px|Compilação de filmagens do lobo-da-tasmânia Como os tigres e lobos do hemisfério norte, dos quais herdou dois de seus nomes comuns, o lobo-da-tasmânia era o superpredador da cadeia alimentar. Como um marsupial, não era relacionado a estes mamíferos placentários, mas devido a convergência evolutiva, ele demonstrava as mesmas formas gerais e adaptações. Seus parentes mais próximos são o diabo-da-tasmânia e o canguru.
O tigre-da-tasmânia era um dos dois únicos marsupiais a terem um marsúpio em ambos os sexos (o outro é a cuíca-d'água). O macho tinha uma bolsa que agia como um revestimento protetor, protegendo os órgãos externos do animal enquanto este corria através de mata fechada.
Evolução thumb|left|Ilustração do Thylacinus potens, que significa Poderoso lobo-da-tasmânia, o qual existiu durante o Mioceno. É o maior parente conhecido do lobo-da-tasmânia O tigre-da-tasmânia moderno apareceu pela primeira vez há cerca de 4 milhões de anos. As espécies da família Thylacinidae remontam ao início do Mioceno; desde o começo dos anos 90, pelo menos sete espécies de fósseis foram descobertas em Riversleigh, parte do Lawn Hill National Park ao noroeste de Queensland. O Nimbacinus dicksoni é a mais antiga das sete espécies de fósseis descobertas, tendo sido datada em 23 milhões de anos. Este lobo-da-tasmânia era muito menor do que o seu parente mais recente. A maior espécie, o Thylacinus potens, que atingia o tamanho de um lobo, foi a única espécie a sobreviver durante a parte final do Mioceno. Na parte final do Pleistoceno e inicial do Holoceno, o lobo-da-tasmânia moderno espalhou-se (embora nunca numeroso) por toda a Austrália e Nova Guiné.
right|thumb|Os crânios do lobo-da-tasmânia (esquerda) e do lobo-cinzento, Canis lupus, são quase idênticos, embora as espécies não sejam parentes. Estudos mostram que a forma do crânio da raposa-vermelha, Vulpes vulpes, é ainda mais próxima à do lobo-da-tasmânia. O lobo-da-tasmânia apresentava muitas semelhanças com os membros da família Canidae (cão) do Hemisfério Norte: dentes afiados, mandíbulas poderosas, digitígrados e a mesma forma geral do corpo. Este é um exemplo de evolução convergente. Uma vez que o lobo-da-tasmânia ocupou o mesmo nicho ecológico na Austrália como a família do cão fez noutras regiões, desenvolveram muitas características idênticas. Apesar disso, esta espécie não está relacionada com qualquer dos predadores do hemisfério norte.
Descoberta e taxonomia Os aborígenes da Austrália tiveram os primeiros contatos com o lobo-da-tasmânia. Diversos exemplos de lobos-da-tasmânia em gravuras e arte rupestre datados de pelo menos 1000 a.C. têm sido encontrados. Imagens em petróglifo do lobo-da-tasmânia podem ser encontradas no Dampier Rock Art Precinct na Península de Burrup na Austrália Ocidental. Quando os primeiros exploradores chegaram, o animal já era raro na Tasmânia. Os europeus podem ter tido contato com ele desde 1642, quando Abel Tasman chegou pela primeira vez à Tasmânia. Seu grupo reportou ter visto as pegadas de "feras selvagens que tinham garras similares às de um Tigre".Rembrants. D. (1682). "A short relation out of the journal of Captain Abel Jansen Tasman, upon the discovery of the South Terra incognita; not long since published in the Low Dutch". Philosophical Collections of the Royal Society of London, (6), 179-86. Citado em Paddle (2000) p.3 Marc-Joseph Marion du Fresne, chegando com o Mascarin em 1772, afirmou ter visto um "tigre gato".Roth H.L. (1891). "Crozet's Voyage to Tasmania, New Zealand, etc....1771–1772.". London. Truslove and Shirley. Citado em Paddle (2000) p.3 Uma identificação positiva de que os animais encontrados eram lobos-da-tasmânia não pode ser realizada a partir deste relato uma vez que o Gato-tigre (Dasyurus maculatus) é descrito de forma semelhante. O primeiro encontro definitivo foi por exploradores franceses em 13 de maio de 1792, como observado pelo naturalista Jacques Labillardière, em seu diário da expedição liderada por D'Entrecasteaux. Contudo, só em 1805 que William Paterson, o Vice-governador da Tasmânia, enviou uma descrição detalhada para publicação no Sydney Gazette and New South Wales Advertiser.
thumb|right|250x250px|lobos-da-tasmânia no Zoológico Beaumaris, em Hobart, 1910
A primeira descrição científica detalhada foi feita pelo Delegado Inspetor-Geral da Tasmânia, George Harris, em 1808, cinco anos após a primeira colonização da ilha. Harris inicialmente colocou o lobo-da-tasmânia no gênero Didelphis, que havia sido criado por Lineu para o gambá americano, descrevendo-o como Didelphis cynocephala, o "gambá-com-cabeça-de-cão". O reconhecimento de que os marsupiais australianos eram fundamentalmente diferentes dos gêneros conhecidos de mamíferos levou ao estabelecimento do sistema moderno de classificação e, em 1796, Geoffroy Saint-Hilaire criou o gênero Dasyurus onde ele colocou o lobo-da-tasmânia em 1810. Para resolver a mistura de nomenclatura em grego e latim, o nome da espécie foi alterado para cynocephalus. Em 1824, foi separado para seu próprio gênero, Thylacinus, por Temminck. O nome comum deriva diretamente do nome do gênero, originariamente do grego θύλακος (thylakos), significando "bolsa" ou "saco".
Diversos estudos apoiam o lobo-da-tasmânia como sendo um membro basal da Dasyuromorphia e que o diabo-da-tasmânia é seu parente mais próximo. Entretanto, uma pesquisa publicada na Genome Research em janeiro de 2009 sugere que o Numbat pode ser mais basal que o diabo e um parente mais próximo do lobo-da-tasmânia.
Descrição thumb|Um par de lobos-da-tasmânia no Zoológico de Hobart antes de 1921 (Note que o macho ao fundo é maior do que a fêmea) Descrições do lobo-da-tasmânia variam, uma vez que evidências são restritas a espécimes preservados de filhotes; registros de fósseis; restos de peles e esqueleto; fotografias em preto-e-branco e filmes do animal em cativeiro; e relatos de campo.
O Tigre-da-tasmânia lembrava um cachorro grande com pelo curto e um rabo firme que suavemente se estendia do corpo de certa forma similar àquele de um canguru. Muitos colonos europeus fizeram comparações diretas com a Hiena, devido a sua postura incomum e comportamento geral. Sua cobertura amarelo-marrom apresentava 13 a 21 listras escuras distintas pelas suas costas, traseira e a base de seu rabo, o que conferiu ao animal o apelido de "Tigre". As listras eram mais marcadas em espécimes mais jovens, desaparecendo à medida que o animal se tornava mais velho. Uma das listras se estendia até o exterior da coxa traseira. Seu pelo era denso e macio, com comprimento até 15 mm; em juvenis a ponta do rabo possuía uma crista. Suas orelhas arredondadas e eretas tinham comprimento de cerca de 8 cm e eram cobertas com pelo curto. A coloração variou de castanho-amarelado claro à marrom escuro; a barriga era de cor creme.
O lobo-da-tasmânia adulto tinha comprimento de 100 a 130 cm, mais uma cauda de cerca de 50 a 65. O maior espécime medido tinha 290 cm do nariz à cauda. Adultos possuíam uma altura de 60 cm no ombro e pesavam de 20 a 30 kg. Havia um leve dimorfismo sexual com os machos em média sendo maiores que as fêmeas.
Um lobo-da-tasmânia fêmea possuía um marsúpio com quatro tetas, mas ao contrário de muitos outros marsupiais, a bolsa se abria na parte traseira de seu corpo. Os machos tinham uma bolsa escrotal, única entre os marsupiais australianos,A bolsa escrotal é quase única dentro dos marsupiais – o único outro membro da espécie marsupial a apresentar isto é a Cuíca-d'água, Chironectes minimus que é encontrada na América Latina. na qual eles podiam esconder seu saco escrotal.
O lobo-da-tasmânia era capaz de abrir suas mandíbulas a uma extensão incomum entre os mamíferos: até 120 graus. Esta capacidade pode ser observada em parte pela curta sequência em filme preto-e-branco de um lobo-da-tasmânia em cativeiro, realizada por David Fleay em 1933. As mandíbulas eram musculares e poderosas e tinham 46 dentes. right|thumb|A pegada do lobo-da-tasmânia era fácil de distinguir daquelas de espécies nativos e introduzidas As pegadas do lobo-da-tasmânia podiam ser distinguidas de outros animais nativos ou introduzidos; diferente das raposas, gatos, cães, wombats ou diabos-da-tasmânia, os lobos-da-tasmânia tinham uma pata traseira muito larga e quatro dedos frontais óbvios, arranjados em uma linha quase reta. As patas traseiras eram similares às patas frontais, mas tinham quatro dedos ao invés de cinco. Suas garras eram não-retraíveis.
Os primeiros estudos científicos sugeriram que ele possuía um sentido de olfato aguçado que o permitia localizar a presa, mas análises de sua estrutura cerebral revelaram que seus bulbos olfatórios não eram bem desenvolvidos. Em vez disso, é provável que dependia da visão e som quando caçava. Alguns observadores o descreveram como tendo um cheiro forte e distintivo, outros um odor animal fraco e limpo, e alguns nenhum odor. É possível que o lobo-da-tasmânia, tal como seu parente, o diabo-da-tasmânia, soltasse um odor quando agitado.Paddle (2000). p.49
O lobo-da-tasmânia foi observado como tendo uma locomoção firme e um tanto esquisita, impossibilitando-o correr em alta velocidade. Podia também realizar um salto bípede, de uma forma similar à do canguru — demonstrado em várias ocasiões por espécimes em cativeiro. Guiler especula que isto era utilizado como uma forma de moção acelerada quando o animal ficava alarmado. O animal também era capaz de balancear suas pernas traseiras e permanecer ereto por breves períodos.
Apesar de não haver gravações de vocalizações do lobo-da-tasmânia, observadores do animal na natureza e em cativeiro notaram que ele rosnava e assobiava quando agitado, frequentemente acompanhado por um bocejo-ameaça. Durante a caça, emitia uma série de latidos guturais rapidamente repetidos similares a tosse (descritos como "yip-yap", "cay-yip" ou "hop-hop-hop"), provavelmente para comunicação entre os membros da matilha. Também tinha um longo uivo lamentador, provavelmente para identificação à distância, e um baixo ruído de fungada usado para comunicação entre membros da família.Paddle (2000). p.65–66
Ecologia e comportamento