thumb|direita|300px|Acrópole de Atenas, uma típica pólis grega. A pólis (πόλις) — plural: poleis (πόλεις) — era o modelo das antigas cidades gregas, desde o final do período homérico, período arcaico até o período clássico, vindo a perder importância a partir do domínio romano. Devido às suas características, o termo pode ser usado como sinônimo de cidade-Estado. As poleis, definindo um modo de vida urbano que seria a base da civilização ocidental, mostraram-se um elemento fundamental na constituição da cultura grega, a ponto de se dizer que o homem é um "animal político". Essa comunidade organizada, é formada pelos cidadãos (no grego “πολίτικοι”, "polítikoi"), isto é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais e também tinham seu próprio governo.Orlando Vitorino ... tinha compreendido que "os gregos chamaram cidade ao que nós chamamos Estado" e "chamaram política ao que nós chamamos Direito". - Vitorino, Orlando, por José Adelino Maltez, Tópicos Político-Jurídicos, revisão feita em Dili, finais de 2008, e concluída no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009 Existiam formas pacíficas de contacto entre as poleis, como o comércio, a diplomacia e a cultura, bem como alianças militares – a simáquia – a união de exércitos e frotas para operações conjuntas. As mais famosas na história grega foram a Liga de Delos (liderada por Atenas) e a Liga do Peloponeso (liderada por Esparta). Dependendo do seu sistema, as poleis da Grécia Antiga podiam ser democráticas (Atenas) ou oligárquicas (Esparta), agrárias (Esparta) ou comerciais e artesanais (Atenas e Corinto).
Definição Esta unidade política e social era o centro da vida económica no processo de sinoecismo — a convivência com o objetivo de união contra vizinhos hostis. Segundo as conceções da época, todos os cidadãos de uma pólis descendiam de um mesmo antepassado comum e consideravam-se ligados entre si por laços de sangue. A crença na ascendência comum era o liame ideológico do genos, funcionando como um mito de autoctonia ou de linhagem que transformava a solidariedade política em obrigação religiosa. Cada pólis possuía a sua própria divindade padroeira, embora os deuses fossem comuns a todos e tivessem santuários em diversos locais. Através da religião partilhada, da língua e da escrita comuns, começou a formar-se gradualmente uma consciência helénica unificada. Durante a época helenística, são realizadas numerosas fundações na Ásia, estendendo-se até à Ásia Central. A época romana assiste igualmente à fundação de novas cidades gregas. O modelo cívico revelou-se, de facto, muito dinâmico até à Antiguidade tardia. A transição da aristocracia para regimes mais amplos foi frequentemente precipitada pela estagnação económica e pelo descontentamento social. O aparecimento da tirania no século VII a.C. serviu como uma fase de transição necessária; os tiranos, ao quebrarem o domínio hereditário das famílias nobres (os Eupatridai), abriram caminho para reformas constitucionais.
A cidade é, portanto, um elemento cardinal da civilização grega antiga e ocupa um lugar central nas mentalidades e reflexões. Segundo a fórmula de Aristóteles na sua obra Política, a cidade é uma comunidade (κοινωνία, koinônía) de "animais políticos" reunidos pela escolha (grego antigo: προαίρεσις, proaírésis) não apenas de viverem juntos, mas de "viverem bem", (em grego antigo: εὖ ζῆν eû zēn), com vista a uma vida perfeita e autárquicaPolítica, Livro I, cap. II, 1252-1254 ; Livro III, cap. IX, 1280 b 29-35.. Esta vida comum e perfeita é assegurada, antes de mais e sobretudo, pela "virtude da justiça, virtude política por excelência"Política, Livro I, cap. II, 1253 a 37., (grego antigo: ἥ δικαιοσύνη πολιτικόν, hế dikaiosúnê politikón), e consolidada pela referência a um mesmo passado mítico, a heróis comuns, a ritos e a leis integradas e partilhadas. Na maioria das pólis (especialmente em Atenas), as mulheres, embora com papéis importantes nos cultos, não possuíam direitos políticos e estavam sob a tutela de um kyrios (curador), especialmente em Atenas, onde não podiam herdar terras. Os gregos fundavam a maioria das suas cidades junto à costa marítima, onde se construíam portos para os navios. Perto do porto viviam habitualmente os mercadores e os marinheiros, sendo aí que se realizava o comércio de mercadorias estrangeiras. A população urbana possuía a sua própria fortaleza — a acrópole — destinada à defesa da cidade. Consoante o crescimento da cidade, surgia em redor da fortaleza um novo aglomerado, designado "cidade baixa", enquanto o núcleo original era a "cidade alta". As pólis variavam em tamanho: Corinto, por exemplo, controlava apenas 880 km², enquanto Argos, com 1400 km², representava um território considerável. As mais significativas eram Atenas (2500 km²) e Esparta (8400 km², incluindo a Messénia). Na época arcaica (homérica), à frente da pólis estava o basileu,Homer, Ilíada; Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias que era simultaneamente chefe militar, juiz supremo e sumo sacerdote. O sinal da sua dignidade era o cetro, motivo pelo qual era chamado "portador do cetro" skeptouchos (skêptron = cetro + echo = ter/segurar). O basileu recebia a maior e melhor parte dos despojos de guerra e a maior parcela das terras comunais. Para as questões mais importantes, os basileus aconselhavam-se com os anciãos das famílias ilustres, que formavam um conselho (bulé). Para ratificar ordens ou discutir assuntos de Estado, convocava-se a eclésia — uma assembleia popular (eclésia) composta por todos os homens adultos. As opiniões eram frequentemente expressas por aclamação (gritos de "sim" ou "não", o "método mais pueril", segundo Aristóteles).
As pólis eram governadas por pequenos conselhos hereditários na era arcaica. Estas famílias formaram uma casta aristocrática (como os Arcontes) que monopolizou o poder entre 750 e 630 a.C. Mesmo após este período, até cerca de 450 a.C., a política e a cultura gregas permaneceram essencialmente aristocráticas. Os nobres preferiam governar, criar cavalos, participar em banquetes (simpósios) ou competir em jogos atléticos, deixando o trabalho árduo para escravos e mercenários.
A noção de pólis pode assim abranger três realidades sobreponíveis e pode aparecer como:
uma dada social (fr. donnèe sociale), em que essência da pólis é a sua estrutura humana, compreendida como uma comunidade de detentores de direitos, livres e autónomos, fortemente estruturada: o corpo de cidadãos. A pólis é então entendida como uma entidade política e até como o quadro de emergência do político;
uma dada espacial (donnée spatiale) a pólis como realidade física, geográfica e territorial, um sítio que liga de forma inseparável uma cidade ao seu território e a um ecossistema. A pólis é então entendida como uma entidade física;
um estado soberano, dotado de poderes régios, que desempenha um papel na cena internacional.
Terminologia
A palavra grega pólis, tem que ver com o habitat dos indo-europeus, que viviam em aldeias fortificadas constituídas por casas de madeira, por vezes instaladas em posições elevadas, originalmente "fortaleza central de aglomerado, acrópole", que pode cortejar-se com as palavras, com o mesmo sentido, sânsc. pūr पुर e báltico (lit.) pilìs. Esta fortaleza tinha uma muralha a rodeá-la, cujo nome subsiste exactamente, tanto na forma como no sentido, no grego teῖkhos: isto é, *dheigh-o-s, da raiz *dheigh- "revestir, dique, aterro". Significando a raiz "revestir" e "amontoar terra", a muralha destas fortalezas neolíticas podia ser de facto um aterro - pelo menos na origem, porquanto, se se considerar, por um lado, a importância do trabalho de madeira e do papel dos carpinteiro, e, por outro lado, a substituição em data anterior, da palavra indo-europeia original, em latim, por um termo com o mesmo sentido, mūrus, saído verosimilmente da raiz *mey-, "enterrar, fixar", poder-se-á pensar que a muralha das *póleis indo-europeias era feita de estacas de madeira, ou de troncos, talvez revestidos de barro.Pierre Lévêque (DIR.) As Primeiras Civilizações da Idade da Pedra aos Povos Semitas, Presses Universitaires de France, trad. António José Pinto Ribeiro, 1987, Lugar da História. Isbn 978-972-44-1574-1
Pré-história miniaturadaimagem|Sítio arqueológico de Dreros, localizado em Creta, Grécia. Com base na definição, a ideia de cidade depende da chamada revolução produtiva, que tem início no Próximo Oriente cerca de 9.000 a.C. e se expande para o egeu por volta de 6.000 a.C. Muito pouco se pode afirmar sobre o Paleolítico Inferior, dado que os escassos achados (Petralona na Calcídica) não constituem informações suficientes para extrair conclusões sobre o tipo de habitat. Segundo os dados publicados, a ocupação no Paleolítico identifica-se em grutas e abrigos sob rocha. As escavações em Maroulas, em Cítnos, revelaram os primeiros vestígios de habitações mesolíticas, sugerindo a instalação prolongada de uma comunidade de caçadores-recoletores.
A Época Neolítica (6800–3200 a.C.) caracteriza-se pela estabilização climática, favorecendo povoamentos permanentes com economia baseada na agricultura e pecuária. Nestas comunidades, a unidade básica era o clã ou a família alargada. No Neolítico Médio (5800–5300 a.C.), surge a construção de casas com alicerces de pedra e paredes de tijolo cru. No Neolítico Recente, a arquitetura diferencia-se e surgem os primeiros espaços de uso comum e fossos de delimitação.
Na transição para a Idade do Bronze, desempenha um papel fundamental Poliochni, em Lemnos, um povoamento populoso com características proto urbanas. Nos seus vestígios reconhece-se aquela que é possivelmente a cidade mais antiga da Europa, com estruturas democráticas (o bouleuterion) e atividades comerciais. Nas suas fases de desenvolvimento, reconhecem-se os primeiros exemplos do sistema urbanístico "linear", com edifícios alinhados ao longo de ruas principais que concentravam o celeiro e o conselho de anciãos ou chefes de famílias.
A partir de 3000 a.C., os povoamentos na Grécia continental adquirem três esquemas urbanísticos: o irregular ou aditivo (Askitario), o linear (Lithares) e o pericêntrico (Egina V). A existência de planeamento urbano é um dos critérios fundamentais para classificar um povoamento como centro protourbano.
Durante a Idade do Bronze Médio, a Grécia continental atravessa um período de carência económica, mas esta imagem altera-se na transição para a época micénica. Contudo, tal não se aplica à Creta minoica, onde a fundação dos palácios representa uma forma avançada de assentamento urbano com administração centralizada e hierarquizada.
No Bronze Recente, a Civilização micénica domina com estruturas palacianas fortificadas (Tirinto, Micenas). Em resumo, o período da Idade do Bronze assiste à evolução de povoamentos para centros urbanos complexos, com classes especializadas (artesãos, mercadores) e hierarquias administrativas e religiosas evidenciadas pelos textos em Linear B.
Economia Tanto as grandes como as pequenas pólis gregas cunhavam a sua própria moedaMedvedev A. P. .
Por vezes, a pólis é considerada como um dos tipos de "cidade-estado". Na sua base, a pólis representa uma comunidade agrícola; por isso, uma das características mais importantes da pólis é a propriedade suprema da comunidade sobre as parcelas de terra dos cidadãos. A pólis não é apenas uma organização política e económica, mas também uma organização religiosa, na qual os poderes espiritual e secular coincidiam, e o sacerdócio da pólis fazia parte do sistema de magistraturas da pólis. As cidades-estado da Grécia Micénica não eram pólis clássicas. A estrutura da pólis na Grécia formou-se durante o Período Arcaico. O crescimento intensivo das pólis, denominado revolução urbana, começou em meados do século VIII a.C.. O professor Arseny Chanyshev escreve: