A Casa de Edith Farnsworth é um museu-casa localizado na margem do rio Fox perto de Plano, Illinois, nos Estados Unidos. Foi projetada pelo arquiteto Ludwig Mies van der Rohe no Estilo Internacional originalmente como um retiro de fim de semana para a médica nefrologista Edith Farnsworth. É uma de três residências particulares que Mies projetou nos Estados Unidos e é considerada um grande exemplo de arquitetura moderna. A casa fica elevada em relação ao chão e tem um exterior minimalista com um interior em sua maior parte aberto. A propriedade de 25 hectares ao redor também inclui um centro de visitantes e uma galeria de arte. A casa e o terreno são hoje propriedade do Fundo Nacional para Preservação Histórica.
Farnsworth comprou o terreno na década de 1940 e pediu para que Mies projetasse um casa. A construção começou em 1949 após vários atrasos e Farnsworth se mudou em dezembro de 1950, porém as obras só terminaram em março de 1951. A relação entre Mies e Farnsworth deteriorou pelos custos cada vez maiores do projeto e um processou o outro em 1951, levando a anos de batalhas judiciais. O projeto tinha várias falhas, porém Farnsworth morou na casa até 1972. A residência foi então comprada pelo incorporador britânico Peter Palumbo, que a renovou e a usou como retiro de verão. Palumbo restaurou a casa novamente após duas inundações no final de 1990 e a abriu para o público em 1997. O Fundo Nacional adquiriu a residência em 2003 e ela foi reaberta no ano seguinte. Foi primeiro operada pelo Conselho de Preservação de Marcos de Illinois, que a renovou mais uma vez após outra inundação em setembro de 2008. O Fundo Nacional assumiu as operações em 2010.
A Casa de Edith Farnsworth está elevada em 1,6 metro do chão. Ela é acessada do sul por um terraço travertino externo e que ocupa um nível intermediário entre o chão e a própria casa. O chão de concreto e as lajes do telhado são sustentadas por oito colunas de aço que dividem a residência em três tramos oeste–leste. A fachada é composta por janelas de vidros intercaladas com maineis de aço; o terço ocidental da casa é uma varanda aberta. O interior tem um esquema de cor minimalista e é interrompido apenas por um núcleo utilitário desalinhado do centro e por um guarda-roupa móvel. O núcleo contém os utilitários, uma cozinha e os banheiros, enquanto as áreas de estar, jantar e dormir ficam ao seu redor. Aquecimento radiante, canos e dutos foram embutidos no chão, com tanto Farnsworth quanto Palumbo tendo mobilhado a casa com vários itens.
A Casa de Edith Farnsworth já foi bastante analisada arquitetonicamente pelo passar das décadas, tendo recebido diversas críticas elogiosas quando foi construída. Mesmo assim, ela também foi inicialmente controversa, parcialmente por seu projeto modernista único e também por conta da desavença entre Farnsworth e Mies, porém as críticas diminuíram de intensidade após a morte do arquiteto em 1969. A casa já foi o assunto de diversos livros, filmes, exibições e outras obras midiáticas. Foi designada em outubro de 2004 para o Registro Nacional de Lugares Históricos e em fevereiro de 2006 como um Marco Histórico Nacional dos Estados Unidos. Seu projeto influenciou outras residências e também outras obras de Mies.
Local thumb|esquerda|250px|Vista área da casa em 2019 A Casa de Edith Farnsworth está localizada no Condado de Kendall perto de Plano, Illinois, nos Estados Unidos, aproximadamente 93 quilômetros ao sudoeste de Chicago. A casa está situada em uma planície de inundação na margem norte do rio Fox e é cercada por árvores em três lados. A Estrada do Rio Fox passa ao oeste da casa, atrás das árvores, enquanto um prado gramado se inclina ligeiramente para o norte. A fachada sul era sombreada por um bordo negro para manter a residência fria durante o verão, mas a árvore foi removida em 2013. Edith Farnsworth, a proprietária original da casa, contratou o arquiteto paisagista Alfred Caldwell para arranjar pomares e jardins pelo terreno. A casa não foi originalmente construída com um acesso para veículos. Uma garagem para dois carros foi construída posteriormente ao norte, já Peter Palumbo, o segundo dono da casa, contratou o arquiteto paisagista Lanning Roper para construir uma entrada de cascalho em ziguezague. Roper e Palumbo plantaram 350 árvores no terreno ao longo dos anos, com Roper também projetando prados e jardins de narcisos no estilo inglês ao redor da casa.
A residência faz parte de um grande terreno que já foi citado como tendo 23 ou 25 hectares. A propriedade inclui a casa principal, uma quadra de tênis, uma piscina e outras construções menores como uma casa de barcos e casa de campo. A propriedade, na época que pertencia a Palumbo, tinha esculturas criadas pelos artistas Harry Bertoia, Alexander Calder, Anthony Caro, Andy Goldsworthy, Ellsworth Kelly, Henry Moore, Claes Oldenburg e Richard Serra. Palumbo também exibia objetos como cabines telefônicas britânicas e um pedaço do Muro de Berlim. A propriedade tinha quatro quilômetros de trilha quando foi aberta como museu no século XXI.
Há um centro de visitantes localizado a aproximadamente oitocentos metros ao leste da casa. Ele foi construído por Palumbo e originalmente era um edifício pré-fabricado com uma fachada de metal. A fachada foi coberta de madeira no início da década de 2000. A Galeria Barnsworth, que contém um espaço de exibição temporário e áreas de armazenamento para o guarda-roupa da casa, fica localizada diretamente ao lado do centro de visitantes. Foi construída por alunos do Instituto de Tecnologia de Illinois em Chicago com uma planta baixa circular. Parte de seus materiais de construção tinham sido recuperados de outros projetos de construção no Illinois.
História Edith Farnsworth, uma nefrologista de Chicago, sentia-se sozinha e sobrecarregada com trabalho apesar de sua carreira de sucesso. Era uma mulher solteira e de meia-idade em uma época em que poucas mulheres estadunidenses viviam dessa forma. O arquiteto Ludwig Mies van der Rohe estava há décadas refinando seus projetos, tendo se mudado para os Estados Unidos em 1938. Ele tinha evoluído de usar na década de 1900 estilos arquitetônicos tradicionais para estilos mais modernistas na década de 1930, tendo construído várias estruturas que combinavam fachadas de vidro e pátios mais tradicionais. Mies há anos desejava construir salas de estar com paredes de vidro, fazendo historiadores sugerirem que ele projetou a Casa Farnsworth principalmente para aprimorar seus próprios objetivos de projeto.
Desenvolvimento Seleção de local e arquiteto Farnsworth comprou na década de 1940 uma fazenda em Plano da família McCormick; as fontes divergem se essa compra inicial foi de 2,8 ou 3,6 hectares. Ela queria construir um retiro de fim de semana no local. Ela e Mies se conheceram em um jantar no final de 1945, quando ela tinha 42 e ele 59 anos de idade. Segundo as lembranças de Farnsworth, Mies permaneceu em silêncio durante a maior parte do jantar; foi apenas após a refeição que ela perguntou se "algum jovem" de seu escritório poderia projetar uma casa em sua propriedade. Farnsworth mencionou um orçamento entre oito e dez mil dólares, e Mies expressou interesse pessoal no projeto.
Pouco depois, Farnsworth levou Mies para conhecer o terreno. O lote ficava na margem norte do rio Fox, cercado por árvores em quase todos os lados, exceto a oeste, com uma entrada de veículos ao norte. O arquiteto recomendou que a casa fosse construída a 23 metros da margem, perto de uma árvore de bordo e sombreada pela vegetação existente. Farnsworth e o empreiteiro local Karl Freund expressaram receio quanto a inundações, mas Mies acreditava que o projeto poderia superar essas questões. Farnsworth e Mies trabalharam próximos no desenvolvimento da casa, revisitando o local com frequência. Esses encontros também ocorriam em Chicago, por vezes na companhia de funcionários ou conhecidos de Mies. Há um rumor infundado de que os dois tiveram um envolvimento romântico.
Projeto thumb|250px|Vista da sala de estar Edward Duckett, um dos associados de Mies, elaborou planos alternativos para estruturas elevadas e ao nível do solo. Mies acabou decidindo elevar a casa em relação ao solo em 1,5 metro, pois isto justificaria sua decisão de construir a casa na planície de inundação do rio Fox. O projeto inicial previa uma residência simples com estrutura de aço aparafusada, núcleo de madeira compensada e piso de laje de concreto. Mies, ao ser indagado por Farnsworth sobre quais materiais seriam utilizados, respondeu "aço e vidro", explicando que "dessa forma, deixaremos o exterior entrar". Ele ignorou preocupações sociais e sobre privacidade, dizendo: "Se você olhar a natureza pelas paredes de vidro da Casa Farnsworth, ela adquire um significado mais profundo do que se fosse vista de fora. Dessa forma, mais se fala sobre a natureza — ela passa a fazer parte de um todo maior".
A equipe de Mies criou centenas de diagramas. O arquiteto considerou e abandonou planos para divisórias internas de vidro, telas de mosquito e várias escadas. Ele também considerou vários materiais para o chão e o núcleo mecânico da casa, contemplando reposicionar e redimensionar diversos elementos arquitetônicos. Também houve discussões sobre o uso de uma planta aberta, incluindo uma segunda entrada ou janelas móveis. O projeto foi parcialmente finalizado em 1947 e incluído em uma exposição sobre as obras de Mies no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Farnsworth visitou a exposição e considerou que a casa "pode muito bem se tornar o protótipo de novos e importantes elementos da arquitetura americana", embora muitos detalhes arquitetônicos ainda não tivessem sido finalizados. A construção foi adiada porque Mies esperou dois anos após finalizar o modelo e algumas aquarelas; paralelamente, enquanto Farnsworth estava esperando receber o dinheiro de uma herança. Os trabalhos foram retomados após Farnsworth entrar em contato com Alfred Caldwell, um associado de Mies, que concordou em elaborar os planos.
Farnsworth e Mies chegaram a consensos em detalhes como equipamentos de cozinha, tamanho de espelhos e a presença de uma lareira. Os custos cresceram significativamente pela necessidade de elevar a casa, à falta de uma via de acesso e à exigência de Farnsworth de que fios e canos fossem instalados no subsolo. Complicando mais as coisas, materiais e equipamentos precisavam ser trazidos de Plano. A equipe de Mies preparou várias plantas com dimensões distintas, cada uma com um custo diferente; a selecionada foi uma casa com 23,5 por 8,5 por 2,9 metros, e que custaria por volta de sessenta mil dólares. Ninguém questionou a decisão do arquiteto de usar vidros de painel único em vez dos mais caros vidros duplos, mas os empreiteiros questionaram sua escolha de usar travertino em vez de uma rocha mais barata. Mesmo quando Farnsworth estabeleceu um orçamento de quarenta mil dólares, Mies afirmou que seria suficiente apenas para uma "casa barata", apesar de casas semelhantes custarem muito menos.
Construção thumb|esquerda|250px|O exterior da casa visto do sudoeste