A história do Canadá cobre o período desde a chegada dos paleoamericanos há milhares de anos até aos dias atuais. O Canadá tem sido habitado por milênios por grupos distintos de povos ameríndios, entre os quais evoluíram redes de comércio, crenças espirituais e hierarquias sociais. No entanto os primeiros habitantes do que hoje conhecemos como Canadá, eram os aborígenes, algonquinos, esquimós, iroqueses, sioux entre outros. thumb|Mapa da Nova França feita por Samuel de Champlain em 1612

A região hoje conhecida como Canadá foi palco de diversas instâncias colonizadoras. Durante a Idade Antiga/Antiguidade, o litoral leste do Canadá foi ocupado por franceses viquingues; percebe-se isso por várias construções deixadas por esses povos. Contudo, a colonização destes não obteve êxito.

A primeira visita documentada a terras canadenses/canadianos por navegadores europeus ocorreu em 1497 ou 1498, quando o veneziano Giovanni Caboto (conhecido em inglês como John Cabot), ao serviço de Inglaterra, aportou à Terra Nova. Alguns historiadores defendem que há indícios de que a Terra Nova já teria sido visitada pelo navegador português João Vaz Corte Real em 1472 ou antes e por Diogo de Teive e o seu piloto Pero Vasques Saavedra em 1452.

A colonização europeia começou efetivamente no século XVI, quando os britânicos, e principalmente, os franceses se estabeleceram pelo Canadá. Os britânicos não tiveram uma forte presença no antigo Canadá, instalando-se originalmente na Terra de Rupert, sendo que a região dos Grandes Lagos e do Rio São Lourenço, bem como a região que atualmente compõe as atuais províncias de Nova Escócia e Novo Brunswick, estava toda nas mãos dos franceses. A Nova França e a Acádia continuavam a sua expansão. Essa expansão não foi bem aceita/aceite pelos iroqueses e, principalmente, pelos britânicos e os colonos das chamadas Treze Colônias, desencadeando uma série de batalhas que culminou, em 1763, no Tratado de Paris — no qual os franceses cederam os seus territórios da Nova França e da Acádia aos britânicos.

Os Estados Unidos, em 1812, invadiram o Canadá Inferior e o Canadá Superior, na tentativa de anexar o resto das colônias/colónias britânicas na América do Norte, desencadeando a Guerra de 1812. Os Estados Unidos não tiveram sucesso, recuando ao tomarem conhecimento da chegada de tropas britânicas enviadas para combatê-los — mas ocuparam temporariamente as cidades de York (atual Toronto) e Quebec, queimando-as ao se retirarem.

Como o Reino Unido ainda mantinha o controle/controlo das relações exteriores do Canadá, ao abrigo da Lei da Confederação, com a declaração britânica de guerra em 1914, o Canadá foi automaticamente envolvido na Primeira Guerra Mundial. O Canadá declarou guerra à Alemanha de forma independente durante a Segunda Guerra Mundial sob o governo do primeiro-ministro liberal William Lyon Mackenzie King, três dias após o Reino Unido. As primeiras unidades do Exército canadense/canadiano chegaram na/à Grã-Bretanha em dezembro de 1939.

Em 1919, o Canadá entrou na Liga das Nações, independentemente do Reino Unido e, em 1931, o Estatuto de Westminster, afirmou a independência do Canadá. O Domínio de Terra Nova (hoje Terra Nova e Labrador), na época um equivalente do Canadá e da Austrália como um domínio, uniu-se ao Canadá em 1949. O crescimento do Canadá, combinado com as políticas dos sucessivos governos liberais, levou ao aparecimento de uma nova identidade canadense, marcada pela adoção da atual bandeira, em 1965, a aplicação do bilinguismo oficial (inglês e francês), em 1969, e o multiculturalismo oficial em 1971. O Quebec passou por profundas mudanças sociais e econômicas através da "Revolução Tranquila", dando origem a um movimento separatista e mais radical na província chamado Front de libération du Québec (FLQ), cujas ações culminaram na Crise de Outubro de 1970.

Povos ameríndios

ligação=https://en.wikipedia.org/wiki/File:Langs_N.Amer.png|alt="Colour-coded map of North America showing the distribution of North American language families north of Mexico"|miniaturadaimagem|esquerda|upright=1.3|Área linguística dos povos indígenas da América do Norte na época do contato europeu. Estudos arqueológicos e genéticos indicam uma presença humana no norte de Yukon há anos e no sul de Ontário há anos. As planícies de Old Crow e as cavernas de Bluefish são dois dos mais antigos sítios arqueológicos de habitação humana (paleoamericanos) no Canadá. Entre os povos das Primeiras Nações, há oito mitos únicos de criação e suas adaptações. As características das civilizações aborígines canadenses incluíam assentamentos permanentes ou urbanos, agricultura, cidadania, arquitetura monumental e complexas hierarquias sociais. Algumas dessas civilizações já tinham desaparecido antes da colonização europeia (início do ) e foram descobertas através de pesquisas arqueológicas.

Esses povos apresentavam diferença de organização socioeconômica consideráveis entre si:enquanto os ameríndios das florestas orientais apresentavam uma economia baseado na caça,na agricultura e no comércio , construíam estradas entre as aldeias e até mesmo especies de confederações ; os indígenas do extremo norte não parecem ter formados integrações comparáveis aos povo das floresta orientais.

Estima-se que no final do século XV e início do século XVI viveriam entre e dois milhões de indígenas no que é atualmente o Canadá — o valor atualmente aceito pela Comissão Real sobre a Saúde Aborígine do Canadá é de ."Handbook of North American Indians: Indians in contemporary society". Garrick Alan Bailey (2008). Government Printing Office. p.285. ISBN 0-16-080388-8 Surtos repetidos de doenças infecciosas europeias como a gripe, o sarampo e a varíola (para as quais os indígenas não tinham imunidade natural), combinados com outros efeitos do contato europeu, resultou em uma diminuição de 40% a 80% da população indígena após a chegada dos europeus. Os povos aborígines do Canadá incluem as Primeiras Nações, Inuit e Métis. Métis é uma cultura mestiça originada em meados do século XVII, quando as Primeiras Nações e os Inuit se misturaram com os colonos europeus. Os esquimós tinham uma interação mais limitada com os colonizadores europeus durante períodos iniciais.

Contato e Colonização europeia

Por volta do ano 1000, viquingues liderados por Leif Ericson estabeleceram o colonato de Vinlândia (atual região do Golfo de São Lourenço, Novo Brunswick e Nova Escócia). A ocupação de Leifsbudir foi superficial e durou pouco tempo ,sendo provavelmente abandonados com a retirada dos viquingues da Groenlândia, porém representou o primeiro contato europeu com a América e o primeiro assentamento escandinavo na América do NorteIngstad, Helge; Ingstad, Anne Stine (2001). The Viking Discovery of America: The Excavation of a Norse Settlement in L'Anse Aux Meadows, Newfoundland. Checkmark Books. ISBN 0-8160-4716-2. (com exceção da Groenlândia), cerca de 500 anos antes das viagens de Cristóvão Colombo.Jones, Gwyn (1986). The Norse Atlantic Saga: Being the Norse Voyages of Discovery and Settlement to Iceland, Greenland, and North America. Oxford University Press. ISBN 0-19-285160-8. alt=Selo canadense.|miniaturadaimagem|Um selo de canadense de 1947 comemorando a segunda viagem de John Cabot thumb|upright|O francês Jacques Cartier, um dos primeiros exploradores das terras canadenses.

A primeira visita documentada a terras canadenses por navegadores europeus ocorreu em 1497 ou 1498, quando o veneziano ao serviço de Inglaterra Giovanni Caboto (conhecido em inglês como John Cabot) aportou à Terra Nova. Alguns historiadores defendem que há indícios que a Terra Nova já teria sido visitada pelo navegador português João Vaz Corte Real em 1472 ou antes e por Diogo de Teive e o seu piloto Pero Vasques Saavedra em 1452.

Baseando-se no Tratado de Tordesilhas, a Coroa Portuguesa alegava ter direitos territoriais na área visitada por John Cabot, em 1497-1498. Em 1498, o marinheiro luso João Fernandes Lavrador visitou o que é agora a costa leste do Canadá, sendo que o seu apelido deu origem ao topônimo "Labrador". Posteriormente, entre 1501 e 1502, os irmãos Corte-Real exploraram Terra Nova e Labrador. Em 1506, o rei D. Manuel I criou impostos para a pesca do bacalhau nas águas da região. No ano 1521, João Álvares Fagundes e Pêro de Barcelos comandaram viagens de reconhecimento e estabeleceram postos avançados de pesca. No entanto, a extensão e natureza da presença portuguesa no norte do continente americano durante o século XVI permanecem obscuras. Em 1534 Jacques Cartier explorou o Canadá em nome da França. O explorador francês Samuel de Champlain chegou em 1603 e estabeleceu os primeiros assentamentos europeus permanentes em Port Royal em 1605 e Quebec em 1608.Morton, Desmond (2001) (pp. 17–19)

thumb|esquerda|A morte do General Wolfe nas Planícies de Abraão no Quebec, em 1759, parte da Guerra dos Sete Anos.

A colonização europeia começou efetivamente no século XVI, quando os britânicos, e principalmente, os franceses estabeleceram-se pelo Canadá. Os britânicos não tiveram uma forte presença no antigo Canadá, instalando-se originalmente na Terra de Rupert — uma gigantesca área que posteriormente daria origem aos Territórios do Noroeste, Manitoba, Saskatchewan e Alberta, que são áreas no centro, oeste e noroeste do país — sendo que a região dos Grandes Lagos e do Rio São Lourenço, bem como a região que atualmente compõe as atuais províncias de Nova Escócia e Novo Brunswick, estava toda nas mãos dos franceses. A Nova França (Nouvelle-France) e a Acádia continuavam a se expandir. Essa expansão não foi bem aceita pelos iroqueses e, principalmente, pelos britânicos e os colonos das chamadas Treze Colônias (as quais se tornariam os Estados Unidos), desencadeando uma série de batalhas que culminou, em 1763, no Tratado de Paris — no qual os franceses cederam seus territórios da Nova França e da Acádia aos britânicos.Morton, Desmond (2001) (p. 33)

Os britânicos, que já então dominavam as imensas Terras de Rupert bem como os territórios de Nunavut, Territórios do Noroeste e Yukon — emitiram o Quebec Act, que permitiu aos franceses estabelecidos no antigo Canadá que continuassem a manter seu código civil e sancionou a liberdade de religião e de idioma — permitindo que a Igreja Católica e a língua francesa continuassem a sobreviver no Canadá até os dias atuais.

thumbnail|Pintura representando a Confederação do Canadá, de Robert Harris.

Com a Guerra da Independência dos Estados Unidos, que durou de 1775 até 1783, o Canadá recebeu levas de colonos leais aos britânicos, provenientes das Treze Colônias britânicas rebeldes. Tais colonos se estabeleceram no que é a atual província de Ontário. Com isso, os britânicos decidiram separar o Canadá em dois, criando o Canadá Superior (atual Ontário) e o Canadá Inferior (atual Quebec), além do território de Novo Brunswick (antiga Acádia — parte dos territórios antigamente colonizados pelos franceses).

Os Estados Unidos, em 1812, invadiram o Canadá Inferior e o Canadá Superior, na tentativa de anexar o resto das colônias britânicas na América do Norte, desencadeando a Guerra de 1812. Os Estados Unidos não tiveram sucesso, recuando ao tomarem conhecimento da chegada de tropas britânicas enviadas para combatê-los — mas ocuparam temporariamente as cidades de York (atual Toronto) e Quebec, queimando-as ao se retirarem. Em retaliação, tropas canadenses e britânicas perseguiram os americanos em fuga, invadindo o nordeste dos Estados Unidos, atacando e queimando várias cidades, inclusive a capital, Washington, D.C..

Em 1837, houve uma grande rebelião de colonos, tanto no Baixo Canadá quanto no Alto Canadá. Isso levou os britânicos a uma tentativa de assimilar a cultura francesa à britânica — entre outras coisas, o Baixo Canadá e o Alto Canadá foram unidos em uma única província do Canadá.

Confederação e expansão

thumbnail|esquerda|Mapa animado da evolução da expansão dos territórios canadenses.