(, ; Châteauroux, 27 de dezembro de 1948) é um ator e cineasta francês. Considerado um ícone do cinema francês, assim como Jean Gabin e Alain Delon, ele completou mais de 200 filmes desde 1967, a maioria como ator principal. Depardieu trabalhou com mais de 150 diretores de cinema, incluindo François Truffaut, Bertrand Blier, Maurice Pialat, Alain Resnais, Claude Chabrol, Ridley Scott, Peter Weir, Jean-Luc Godard, e Bernardo Bertolucci. Ele é o segundo ator com maior bilheteria na história do cinema francês, somente atrás de Louis de Funès. Entre seus filmes, cerca de 60 venderam mais de um milhão de ingressos na França. Ele interpretou inúmeras figuras históricas e fictícias, incluindo Cyrano de Bergerac, Georges Danton, Cristóvão Colombo, Honoré de Balzac, Alexandre Dumas, Auguste Rodin, Jean Valjean, Edmond Dantès, Porthos, Comissário Jules Maigret, Josef Stalin, Grigori Rasputin, bem como Obelix em quatro dos filmes live-action da popular franquia Asterix. Depardieu também é produtor de cinema, empresário e de vinhedos. Ele ocasionalmente dirigiu filmes e atuou como cantor. Sua obra inclui muitas produções televisivas, vários discos e, até 2025, 19 peças teatrais e 9 livros.
Criado na zona pobre de Châteauroux, no centro da França, Depardieu teve uma juventude difícil antes de se estabelecer em Paris, onde se tornou ator. Em 1974, teve seu papel de destaque em Going Places, tornando-se uma estrela da noite para o dia. Depardieu rapidamente se consolidou como um dos principais atores do cinema europeu e provou ser um artista de grande versatilidade, atuando em uma ampla variedade de produções, incluindo drama, comédia, policial e filmes de vanguarda.
Suas atuações em O Último Metro, Jean de Florette e Cyrano de Bergerac o alçaram ao posto de "galã" e lhe renderam diversos prêmios e indicações. Ele iniciou sua carreira em Hollywood com a comédia romântica Green Card (1990), que lhe rendeu um Globo de Ouro e, posteriormente, atuou em várias outras produções, como 1492: Conquest of Paradise (1992), My Father the Hero (1994), Hamlet (1996), Bogus (1996), The Man in the Iron Mask (1998), e Life of Pi (2012).
Foi agraciado com o título nobiliárquico de chevalier pela Ordem Nacional da Legião de Honra e pela Ordem Nacional do Mérito. Em 2012 renunciou a cidadania francesa e em janeiro de 2013, recebeu a cidadania russa (nome oficialmente adotado em russo: Жерар Ксавие Депардьё, ), tornando-se embaixador cultural de Montenegro no mesmo mês. Durante o início da década de 2010, o seu exílio fiscal na Rússia e o seu apoio a Vladimir Putin causaram controvérsia em França.
Biografia Infância e juventude Com origens humildes, é filho de um operário metalúrgico. Antes de ser considerado "o presente francês para o cinema", ou ainda, "o Robert De Niro francês", o terceiro dos seis filhos abandonou a escola aos 12 anos, fugiu de casa e viveu com prostitutas. A vida delinquente e vândala de Depardieu se estendeu até os seus 16 anos de idade, quando foi incentivado por uma assistente social a sair das ruas e investir numa carreira artística. Desde então, começou a marcar presença nos palcos de teatros parisienses, e daí a começar a participar de filmes foi mera questão de tempo.
Carreira Teatro Sua carreira de ator teve início quando pôs os pés no Theatre Nationale Populaire (TNP), em Paris. Depois de fazer alguns testes e mostrar talento suficiente para continuar atuando, começou a participar de pequenas peças num café-teatro chamado Cafe de la Gare, ao lado do ator Patrick Dewaere e da atriz Miou-Miou. Depardieu trabalhou no teatro em mais de quinze peças, dentro as quais algumas produções de Marguerite Duras, Peter Handke, David Strey, Israel Horowitz, Moliere, Nathalie Sarraute, e muitos outros. Mas foi no cinema onde conseguiu, realmente, o reconhecimento pelo seu talento.
Cinema Estreou no cinema ainda adolescente, com a curta-metragem Le Beatnik et le Minet (1965). Depois de atuar em pequenos papéis, populariza-se em Os Corações Loucos (1974). Na década de 1980 consolida-se como um importante ator francês, por suas performances nos filmes Cyrano (1990) e Le dernier métro. O último valeu-lhe igualmente de Melhor Ator Estrangeiro. Depardieu ganhou o César (o Óscar francês) de melhor ator, além de hoje ser dono de um dos maiores títulos franceses, que é o de Chevalier du Legion d´Honneur (Cavaleiro da Legião da Honra). O seu porte favorece igualmente a sua interpretação do herói dos quadrinhos Obélix em Astérix e Obélix Contra César, adaptação para o cinema da obra de Goscinny e Uderzo. O filme foi um enorme sucesso na França e no mundo, sendo continuado em 2002 por Asterix & Obelix: Missão Cleópatra.
Nos anos 1980 e 90, Depardieu se estabeleceria como um dos maiores atores de todo o mundo. Em 1976, Bernardo Bertolucci dá-lhe um papel especial no filme 1900, a partir do qual surgem mais e mais convites de diretores famosos como André Téchiné (Barocco, 1976), Marguerite Duras (Le Camion, 1977) e Bertrand Blier (Préparez vos Mouchoirs, 1978). Em 1980, foi indicado ao César de melhor ator pelo filme O Último Metrô (Le Dernier Metro, 1980), dirigido por François Truffaut, onde contracena com a atriz Catherine Deneuve.
Anos 80 e 90 Em 1981, Gerard Depardieu participa do filme La Chèvre, dirigido por Francis Veber (roteirista da segunda versão do filme La Cage aux folles, e diretor da comédia Le placard, de 2001, da qual Depardieu também faz parte). Esta comédia dá origem à trilogia composta pelos outros filmes, Les Compères (1983) e Les Fugitives (1986), ambos também dirigidos por Veber. A década de 1990 pode ser considerada uma época dourada na carreira do ator, que continuou trabalhando com os mais famosos cineastas europeus.
Dentre muitos personagens de destaque, Depardieu interpretou, em 1982, o revolucionário Danton, no filme de mesmo nome, dirigido por um dos maiores cineastas poloneses, Andrzej Wajda. Tornou-se conhecido do público americano com os filmes The Return of Martin Guerre (1982), Jean de Florette (1986) e Camille Claudel (1988). Em 1990, protagonizou a comédia romântica GreenCard (1990), de Peter Weir, ao lado de Andie MacDowell, papel que lhe fez conquistar de vez o público norte-americano.
Em 1990, um escândalo envolveu o nome do ator que, até então, estava acostumado apenas a atuar no círculo de cinema europeu. Neste ano, protagonizou o filme Cyrano (Cyrano de Bergerac), drama dirigido pelo cineasta francês Jean-Paul Rappeneau que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor ator. Depardieu era apontado como favorito a levar o prêmio, mas um terrível engano na publicação de uma declaração sua o afastou do favoritismo. Num artigo publicado pela revista norte-americana Time, o ator declarava que havia presenciado um estupro, o que foi erroneamente traduzido para o inglês como "eu participei de um estupro". O equívoco afastou o ator do merecido prêmio, como também de outras produções - tudo devido ao fato de a revista Time não ter reparado o erro. Ainda por "Cyrano" o ator recebeu sua segunda indicação ao César. Outros de seus memoráveis filmes são 1492 - A Conquista do Paraíso (1992), lançado pela Paramount para celebrar os 500 anos do descobrimento da América pelo navegador italiano Cristóvão Colombo, Os Miseráveis (2000) e 102 Dálmatas (2000), grandes sucessos de público. O ator já ganhou o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira (em 1997). Sua participação no filme Asterix e Obelix contra César (1999), como Obelix, fez tanto sucesso que ele volta a participar da continuação do mesmo, Asterix e Obelix: Missão Cleópatra (2002).cineinsite.atarde.uol.com.br
Vida pessoal Casamentos e filhos Entre 1970 a 1996, Depardieu foi casado com a atriz Élisabeth Depardieu. O nome foi revertido para o nome de solteira, Élisabeth Guignot, após o divórcio em 1996. O casamento tem dois filhos, Guillaume e Julie Depardieu, também atores. Depardieu tem mais uma filha, chamada Roxane, nascida em 28 de janeiro de 1992. A mãe, Karine Silla foi uma ligação extraconjugal de Depardieu. Em 1998 ele se casou com a bem conhecida atriz Carole Bouquet, uma amiga de longa data. Mas este casamento também terminou em divórcio em 2005. De três mulheres Depardieu tem agora quatro filhos. Entre 2005 e 2023, Depardieu teve um relacionamento com Clémentine Igou. A partir de 2024, ele está em um relacionamento com Magda Vavrusova.
Em 13 de outubro de 2008, o filho de Depardieu, Guillaume, morreu de pneumonia aos 37 anos. A saúde de Guillaume havia sido afetada negativamente pelo vício em drogas e por um acidente de motocicleta em 1995, que acabou exigindo a amputação de sua perna direita em 2003. Depardieu e Guillaume tinham um relacionamento turbulento, incluindo um desentendimento público em 2003, mas haviam se reconciliado antes da morte de Guillaume. Em sua autobiografia de 2014, Depardieu reconheceu suas falhas como pai, dizendo que não havia conseguido dar uma resposta ao sofrimento de Guillaume. Mais tarde, ele atribuiu a morte do filho à pena de prisão que recebeu aos 17 anos por crimes relacionados a drogas.
Cidadania russa thumb|Gérard Depardieu no Festival de Cannes, em 1994. Em 2012 renunciou formalmente a sua cidadania francesa devido a discordâncias ideológicas com o governo socialista de François Hollande.http://www.publico.pt/cultura/noticia/depardieu-renuncia-ao-passaporte-frances-e-pede-que-o-respeitem-1577639 Em 3 de janeiro de 2013 foi-lhe atribuída a cidadania russa pelo presidente Vladimir Putin.
Obesidade e alcoolismo Os hábitos alimentares e de bebida de Depardieu fizeram com que seu peso aumentasse visivelmente ao longo dos anos. Ele conseguiu perder peso várias vezes por meio de dietas rigorosas, apenas para recuperá-lo posteriormente. Ao longo da década de 2000, ele se tornou permanentemente, e depois gravemente, obeso. Laurent Audiot, o chef do restaurante parisiense La Fontaine Gaillon, comparou Depardieu ao gigante glutão Gargantua, dizendo que «ele tem energia excessiva e compensa com comida, mas às vezes assume proporções incríveis».
Em setembro de 2014, Depardieu disse que ao ficar aborrecido costumava tomar 14 garrafas de vinho por dia. Ele Evitou o uso da palavra "alcoólico" para se descrever. Numa entrevista que concedeu em novembro de 2015 admitiu ter problemas com a bebida.
De acordo com uma biografia de 2024, o já excessivo consumo de álcool de Depardieu piorou após a morte de seu filho Guillaume em 2008. Em setembro de 2014, Depardieu afirmou que bebia doze, treze ou quatorze garrafas de bebidas alcoólicas diariamente, começando às 10h da manhã, bebendo champanhe, vinho e pastis, e terminando o dia com vodca, uísque ou ambos. Ele disse: "Nunca fico totalmente bêbado, apenas um pouco chato".
Religião Embora não tenha sido batizado ao nascer, Depardieu teve uma educação católica. Na década de 2010, ele revelou que, quando jovem, se converteu ao islamismo como parte de seu interesse pela espiritualidade, além de ter expressado um interesse pelo budismo e por hinduísmo. Ele "foi muçulmano por dois anos" antes de desistir devido à sua incapacidade de falar árabe.
Em setembro de 2020, Depardieu se converteu ao Cristianismo Ortodoxo Russo, afirmando que sua decisão foi tomada por suas "conexões" com o clero ortodoxo russo e pelo seu "gosto pela liturgia ortodoxa".
Acusações de agressão sexual Em 29 de abril de 2024, Gérard Depardieu foi preso após acusações de agressão sexual. Ele ficou sob custódia e interrogatório sobre as denúncias. Em 2015, ele teria abusado de uma assistente de direção de Le Magicien et les Siamois e, seis anos depois, de uma decoradora que trabalhou na produção do filme Les Volets Verts.
Em dezembro de 2023, Ruth Baza , jornalista e escritora espanhola, apresentou uma queixa contra Gérard Depardieu por um estupro que teria ocorrido em 1995 em Paris, quando ela estava entrevistando o ator para a revista Cinemanía.