A Universidade de Oxford () é uma universidade colegiada de pesquisa localizada em Oxford, na Inglaterra. Há indícios de atividades de ensino desde 1096, o que a torna a universidade mais antiga do mundo de língua inglesa e a segunda universidade mais antiga do mundo em funcionamento contínuo. Ela cresceu rapidamente a partir de 1167, quando Henrique II proibiu os estudantes ingleses de frequentarem a Universidade de Paris. Após a intensificação dos conflitos entre os estudantes e os habitantes de Oxford, alguns acadêmicos fugiram para nordeste, em direção a Cambridge, onde fundaram a Universidade de Cambridge em 1209. As duas universidades compartilham muitas características e são conjuntamente conhecidas como Oxbridge.
A Universidade de Oxford é formada por 43 colégios — dos quais 36 são colégios dotados de carta régia (entidades independentes), quatro são salões privados permanentes, pertencentes a organizações religiosas, e três são sociedades controladas pela universidade — e por diversos departamentos acadêmicos organizados em quatro divisões. Os colégios controlam sua própria composição e suas atividades. A vida social dos estudantes normalmente se concentra entre os integrantes do mesmo colégio, e todos os alunos pertencem a um deles. Oxford não possui um campus principal; seus edifícios e instalações estão espalhados pelo centro e por outras áreas da cidade. O ensino de graduação consiste em aulas expositivas, tutoriais em pequenos grupos nos colégios e salões, seminários, trabalhos de laboratório e orientação oferecida pelas faculdades e pelos departamentos centrais da universidade. O ensino de pós-graduação é oferecido de forma predominantemente centralizada.
Oxford administra o Museu Ashmolean, o mais antigo museu universitário do mundo; a Oxford University Press, a maior editora universitária do mundo; e o maior sistema de bibliotecas acadêmicas do Reino Unido. No exercício financeiro encerrado em 31 de julho de 2025, a universidade registrou receita consolidada total de 3,02 bilhões de libras esterlinas, dos quais 801,3 milhões vieram de bolsas e contratos de pesquisa.
Oxford formou numerosos ex-alunos notáveis, entre eles 31 primeiros-ministros do Reino Unido e muitos chefes de Estado e de governo de várias partes do mundo. 76 laureados com o Nobel, quatro agraciados com a Medalha Fields e seis vencedores do Prêmio Turing estudaram, trabalharam ou exerceram bolsas de visita na Universidade de Oxford. Seus ex-alunos conquistaram 160 medalhas olímpicas. A universidade oferece diversas bolsas, entre elas a Bolsa de Estudos Rhodes, um dos programas internacionais de bolsas de pós-graduação mais antigos do mundo.
História thumb|O Mob Quad do Merton College, o mais antigo quadrângulo da universidade, construído entre 1288 e 1378 thumb|Em 1605, Oxford era uma cidade murada, com vários colégios situados fora das muralhas; o norte está na parte inferior do mapa
Fundação thumb|O Balliol, um dos colégios mais antigos de Oxford A data de fundação da Universidade de Oxford é desconhecida.
Embora nenhuma bula papal oficial tenha criado Oxford, a universidade surgiu no século XII como parte do sistema educacional católico da Europa Ocidental. Apesar disso, uma tradição erudita observável no século XVI alegava que ela havia sido fundada muito antes, no século VII, pelo arcebispo Teodoro de Tarso (668–690). Essa alegação não possui respaldo documental, ao menos nos registros sobreviventes.
O ensino inicial foi ministrado por clérigos como Theobald de Étampes, e o currículo se concentrava na teologia e no direito canônico, refletindo as raízes eclesiásticas da instituição. A maioria dos estudiosos pertenceu ao clero até a Reforma.
No século XIV, o cronista Ranulf Higden escreveu que a universidade havia sido fundada no século IX por Alfredo, o Grande; atualmente, a história é considerada apócrifa, embora tenha sido aceita até o século XVIII. Sabe-se que já existia alguma forma de ensino em Oxford em 1096, mas não está claro quando a universidade propriamente dita surgiu. O erudito Theobald de Étampes lecionou em Oxford no início do século XII.
A universidade passou por rápido crescimento a partir de 1167, quando o rei Henrique II de Inglaterra, em meio a tensões com a França e a Igreja, proibiu seus súditos de estudar na Universidade de Paris. A ordem do rei levou muitos estudiosos a retornarem e estabelecerem uma comunidade acadêmica próspera em Oxford. O historiador Geraldo de Gales proferiu aulas para esses estudiosos em 1188, e o primeiro estudante estrangeiro conhecido, Emo da Frísia, chegou em 1190. O dirigente da universidade possuía o título de chanceler pelo menos desde 1214, e os mestres foram reconhecidos como uma universitas, ou corporação, em 1231. A universidade recebeu uma carta régia em 1248, durante o reinado de Henrique III. Após disputas entre estudantes e moradores de Oxford em 1209, alguns acadêmicos fugiram da violência para Cambridge, onde posteriormente formaram a Universidade de Cambridge.
Os estudantes se associavam de acordo com suas origens geográficas, formando duas "nações universitárias": a do Norte, composta pelos nortenhos ou Boreales, entre os quais estavam os ingleses oriundos das terras ao norte do Rio Trent e os escoceses; e a do Sul, formada pelos sulistas ou Australes, que incluíam ingleses do sul do Trent, irlandeses e galeses. Nos séculos posteriores, a origem geográfica continuou a influenciar as afiliações estudantis quando a participação em um colégio ou salão acadêmico se tornou habitual em Oxford. Além disso, integrantes de muitas ordens religiosas, incluindo dominicanos, Franciscanos, Carmelitas e Agostinianos, estabeleceram-se em Oxford em meados do século XIII, adquiriram influência e mantiveram casas ou salões para estudantes. Na mesma época, benfeitores particulares fundaram colégios como comunidades acadêmicas autônomas. Entre os primeiros fundadores estava William de Durham, que em 1249 dotou o University College, e John Balliol, pai de um futuro rei dos escoceses; o Balliol College recebeu seu nome. Outro fundador, Walter de Merton, Lorde Chanceler da Inglaterra e posteriormente bispo de Rochester, elaborou uma série de regulamentos para a vida colegial; o Merton College tornou-se, assim, um modelo para instituições semelhantes em Oxford e em Cambridge. A partir de então, um número crescente de estudantes passou a morar nos colégios, em vez de salões e casas religiosas.
Em 1333–1334, uma tentativa de alguns estudiosos insatisfeitos de Oxford de fundar uma nova universidade em Stamford, no condado de Lincolnshire, foi bloqueada pelas universidades de Oxford e Cambridge, que apresentaram uma petição ao rei Eduardo III. Depois disso, até a década de 1820, não foi permitida a fundação de novas universidades na Inglaterra, nem mesmo em Londres; Oxford e Cambridge mantiveram, portanto, um duopólio incomum entre os grandes países da Europa Ocidental.
Renascimento thumb|upright=1.4|Gravura da Christ Church, de 1742 O novo conhecimento do Renascimento exerceu grande influência sobre Oxford a partir do final do século XV. Entre os estudiosos da universidade nesse período estavam William Grocyn, que contribuiu para a revitalização dos estudos da língua grega, e John Colet, destacado estudioso da teologia bíblica.
Com a Reforma Inglesa e o rompimento da comunhão com a Igreja Católica, acadêmicos católicos recusantes de Oxford fugiram para a Europa continental, estabelecendo-se sobretudo na Universidade de Douai. O método de ensino em Oxford foi transformado, passando da metodologia escolástica medieval para a educação renascentista, embora as instituições ligadas à universidade tenham perdido terras e receitas. Como centro de ensino e erudição, a reputação de Oxford declinou durante o Iluminismo; as matrículas caíram e o ensino foi negligenciado.
Em 1636, William Laud, chanceler e Arcebispo da Cantuária, codificou os estatutos da universidade.Constitution and Statute-making Powers of the University Em sua maior parte, eles permaneceram como os regulamentos de governo da instituição até meados do século XIX. Laud também foi responsável pela concessão de uma carta que assegurava privilégios à Oxford University Press e fez contribuições importantes à Biblioteca Bodleiana, a principal biblioteca da universidade. Desde a formação da Igreja da Inglaterra como igreja oficial até 1866, pertencer a ela era requisito para obter o grau de bacharel em artes, e os dissidentes religiosos ingleses só puderam ser promovidos a mestres em artes a partir de 1871. Durante a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), a universidade foi um centro do partido realista, enquanto a cidade apoiava a causa adversária dos parlamentares. alt=Emblema do Colégio Invisível inglês do século XVII|thumb|Emblema do Colégio invisível inglês do século XVII O Wadham College, fundado em 1610, foi o colégio de graduação de sir Christopher Wren. Ele integrou um grupo de cientistas experimentais de Oxford na década de 1650, o Clube Filosófico de Oxford, que incluía Robert Boyle e Robert Hooke. O grupo, por vezes associado ao "Colégio invisível" de Boyle, realizava reuniões regulares em Wadham sob a orientação do diretor do colégio, John Wilkins, e formou o núcleo que mais tarde fundaria a Royal Society.
Período moderno Estudantes Em 1827, foi realizada uma ampla revisão dos estatutos da universidade, alguns deles com mais de quinhentos anos. Entre as alterações esteve a eliminação da exigência de que os estudantes jurassem inimizade a Henry Symeonis, morador de Oxford considerado culpado pelo assassinato de um estudante em meados do século XIII.
Antes das reformas do início do século XIX, o currículo de Oxford era notoriamente restrito e pouco prático. Sir Spencer Walpole, historiador da Grã-Bretanha contemporânea e alto funcionário público que não havia frequentado uma universidade, afirmou: "Poucos médicos, poucos advogados e poucas pessoas destinadas ao comércio jamais sonharam em seguir uma carreira universitária." Ele citou os comissários da Universidade de Oxford, que em 1852 declararam: "A educação ministrada em Oxford não era de natureza a favorecer o progresso na vida de muitas pessoas, exceto daquelas destinadas ao ministério religioso." Apesar disso, Walpole argumentou:
Entre os estudantes matriculados em 1840, 65% eram filhos de profissionais liberais, sendo 34% filhos de ministros anglicanos. Após a graduação, 87% ingressaram em profissões liberais, incluindo 59% no clero anglicano. Entre os matriculados em 1870, 59% eram filhos de profissionais liberais, dos quais 25% eram filhos de ministros anglicanos. Depois da graduação, 87% tornaram-se profissionais liberais, incluindo 42% como clérigos anglicanos.William D. Rubinstein, "The social origins and career patterns of Oxford and Cambridge matriculants, 1840–1900." Historical Research 82.218 (2009): 715–730, data on pages 719 and 724.For more details see Mark C. Curthoys, "Origins and Destinations: the social mobility of Oxford men and women" in Michael G. Brock and Mark C. Curthoys, eds. The History of the University of Oxford Volume 7: Nineteenth-Century (2000) part 2, pp 571–95.
M. C. Curthoys e H. S. Jones sustentam que a ascensão do esporte organizado foi uma das características mais marcantes e distintivas da história das universidades de Oxford e Cambridge no fim do século XIX e início do XX. Esse desenvolvimento foi herdado do atletismo predominante em escolas públicas britânicas como Eton, Winchester, Shrewsbury e Harrow.