O chacal-de-dorso-negro (Lupulella Alvares, Francisco; Bogdanowicz, Wieslaw; Campbell, Liz A.D.; Godinho, Rachel; Hatlauf, Jennifer; Jhala, Yadvendradev V.; Kitchener, Andrew C.; Koepfli, Klaus-Peter; Krofel, Miha; Moehlman, Patricia D.; Senn, Helen; Sillero-Zubiri, Claudio; Viranta, Suvi; Werhahn, Geraldine (2019). "Old World Canis spp. with taxonomic ambiguity: Workshop conclusions and recommendations. CIBIO. Vairão, Portugal, 28th - 30th May 2019" (PDF). IUCN/SSC Canid Specialist Group. mesomelas) também chamado de chacal-do-cabo ou chacal-comum, é uma espécie canina de porte médio nativo do Leste e Sul da África.
Descrição esquerda|miniaturadaimagem|Esqueleto de um chacal-de-dorso-negro. O chacal-de-dorso-negro é um canídeo cujo porte e hábitos lembram os de uma raposa, com corpo esguio, pernas alongadas e orelhas grandes. É semelhante ao chacal-listrado, seu parente vivo mais próximo, embora seja diferenciado pelo corpo e crânio mais robustos, além de dentição mais forte e com caninos mais afiados. Pesa de 6 a 13 kg, apesar disso a espécie detém um peso recorde de 21 kg. Tem de 38 a 48 cm de altura na cernelha, e mede de 67,3 a 81,2 cm de comprimento corporal.
A espécie possui uma coloração castanho-avermelhada ou apenas castanha, pronunciada nos flancos e nas patas. Nas costas possui um ''manto'' preto com padrões de pelos prateados que se estendem dos ombros até a cauda. Uma longa faixa preta separa esse manto do resto da pelagem, tal faixa varia conforme os indivíduos, de forma que é útil para a identificação dos mesmos. Em meses chuvosos, a espécie possui um tom de castanho-avermelhado mais escuros. Espécimes albinos ocorrem ocasionalmente.
Ecologia
Dieta miniaturadaimagem|Um chacal-de-dorso-negro tentando caçar um filhote de impala, Masai Mara, Quênia. Os chacais-de-dorso-negro são animais onívoros, mas muito mais predatórios que seu parente próximo o chacal-listrado. A dieta desse canídeo engloba invertebrados como aranhas, besouros, escorpiões, grilos, cupins, centopéias. Mamíferos como roedores, lebres e jovens antílopes, mas também atacam até mesmo jovens topi. Também consomem carniça, aves, ovos de aves, lagartos e cobras. Em áreas próximas da costa, se alimentam de carcaças de mamíferos marinhos encalhados, focas, peixes e mariscos. Também consomem de forma ocasional, frutas e bagas.
Na África do Sul, estes chacais caçam com frequência antílopes (especialmente impalas e cabras-de-leque, mas também atacam duikers, reduncas e rafíceros), carniça, lebres, gado ungulado, insetos e roedores. Também atacam outros carnívoros, como mangustos, doninhas e gatos-selvagens. No litoral do deserto da namíbia, os chacais alimentam-se majoritariamente de aves marinhas (com destaque para corvos-marinhos-do-cabo, corvos-marinhos-de-peito-branco e pinguins-africanos), mamíferos marinhos (principalmente lobos-marinhos-sul-africanos), fish, and insects.), peixes e insetos. Na África Oriental, caçam filhotes de gazelas, impalas, topis, cacus e javalis.
Um único chacal é capaz de, se quiser, matar um impala adulto saudável. Dik-diks e gazelas-de-thomson parecem ser o limite de sua capacidade de abate, embora possam atacar espécies maiores se estas estiverem doentes, com um casal havendo sido registrado importunando um rinoceronte macho aleijado. Um casal de chacais no deserto do Kalahari, já foram registrado predando com sucesso uma abetarda-de-kori, e em outra ocasião, caçando com sucesso uma mamba-negra. Eles normalmente matam presas mais altas com ataques prolongados focados nas pernas e lombos,Owens, M. & Owens, D. (1984), Cry of the Kalahari, Boston: Houghton Mifflin, pp. 54–5, 62–3 e oportunisticamente alvejando a garganta. Como a maioria das espécies caninas, o chacal-de-dorso-negro armazena os excessos de comida.
Predação de gado Os chacais-de-dorso-negro podem oportunisticamente caçar cães, gatos, porcos, cabras, ovelhas e aves. Sendo destes, as ovelhas os alvos mais frequentes. Raramente atacam vacas, com sua predação nesses animais se centrando mais em bezerros. Os chacais podem representar um sério problema para os criadores de ovelhas, particularmente durante a época de reprodução. Na Etiópia, os agricultores locais também relatam conflitos frequentes com chacais-de-dorso-preto, considerando-os ameaças significativas ao gado. Membros da comunidade na região florestal de Konasa Pulasa identificam a espécie como causa de perdas repetidas, especialmente de cabras e aves, e associam a presença de chacais a dificuldades econômicas. As perdas de ovelhas devido a chacais-de-dorso-preto em uma área de estudo de 440 km² em KwaZulu-Natal representaram 0,05% da população ovina. Das 395 ovelhas mortas em uma área de criação de ovelhas em KwaZulu-Natal, 13% foram mortas por chacais. Os chacais geralmente matam ovelhas com uma mordida na garganta e começam a se alimentar abrindo o flanco e consumindo a carne e a pele do flanco, coração, fígado, algumas costelas, a parte inferior da perna traseira e, às vezes, o estômago e seu conteúdo. Em cordeiros mais velhos, as principais partes consumidas geralmente são o coração e o fígado. Normalmente, apenas um cordeiro por noite é morto em um mesmo local, mas às vezes dois e ocasionalmente três podem ser mortos. A história oral dos Khoikhoi indica que eles têm sido um incômodo para os pastores muito antes da colonização europeia. A África do Sul usa sistemas de cercas para proteger as ovelhas dos chacais desde a década de 1890, embora essas medidas tenham sucesso variável, pois as melhores cercas são caras e os chacais podem facilmente ultrpassar as baratas cercas de arame.
Inimigos e competidores Em áreas onde o chacal-de-dorso-negro se sobrepõe ao chacal-listrado, significativamente maior, o chacal-de-dorso-negro expulsa e suprime o chacal-listrado, os retirando dos habitat de planícies e os limitando aos habitats de floresta. Algo incomum entre os predadores, já que geralmente as espécies maiores dominam as menores. Os filhotes podem ser predados por lobos-dourados, ratéis, hienas-malhadas e hienas-marrons. Os adultos tem poucos predadores naturais, sendo estes leopardos e mabecos. Embora as vezes possam ser caçados por águias-marciais.Steyn, P. (1983). Birds of prey of southern Africa: Their identification and life histories. Croom Helm, Beckenham (UK). É uma espécie de canídeo consideravelmente dominante no próprio habitat, sendo suprimido apenas pelos mabecos e lobos-dourados. O maior competidor ecológico do chacal-de-dorso-negro é o caracal (Caracal caracal), com ambos mesopredadores possuindo grande sobreposição na dieta e de habitat, o que também resulta em encontros agonísticos frequentes.
Reprodução esquerda|miniaturadaimagem|Filhotes de chacal-de-dorso-negro da África oriental, Tanzânia. miniaturadaimagem|Chacal-de-dorso-negro adulto ao lado de um juvenil, África do Sul. A época reprodutiva da espécie ocorre entre o final de Maio a Agosto, com um período de getsação de 60 dias. Os filhotes nascem de Julho e Outubro. Acredita-se que os nascimentos de verão sincronizam com os picos populacionais de ratos-do-pântano e ratos-listrados, enquanto as concepções no inverno coincidem com o nascimento de ungulados. As ninhadas variam em número de 1 a 9 filhotes, que nascem cegos. Durante as três primeiras semanas de vida, os filhotes permanecem sob constante vigilância da mãe, enquanto o pai e filhotes mais velhos de ninhadas anteriores proporcionam alimento e adicional proteção. Os filhotes abrem os olhos com 8 a 10 dias de vida, e já podem sair da toca a partir de três semanas de vida. São desmamados com 8 a 9 semanas, e passam a caçar sozinhos após 6 meses de idade. A maturidade sexual é atingida aos 11 meses de idade. Ao contrário dos chacais-dourados, que formam relações intragrupo comparativamente amigáveis e coesas, os filhotes de chacal-de-dorso-negro são agressivos entre si e se tornam mais briguentos a medida que envelhecem e estabelecem hierarquias mais rígidas. Filhotes dominantes apropriam-se da comida e tornam-se independentes mais cedo. Os filhotes adultos podem se dispersar com 1 ano de idade, embora alguns permaneçam no território dos pais e auxiliem na criação de futuras ninhadas. A expectativa de vida da espécie na natureza é de 7 anos, mas em cativeiro, podem viver até os 16,7 anos.
Referências
Categoria:Lupulella Categoria:Canídeos Categoria:Mamíferos da África Categoria:Mamíferos descritos em 1775