Sylvia Serra Mazzilli (Ouro Fino, 8 de julho de 1911 — São Paulo, 6 de abril de 1993) foi a esposa de Ranieri Mazzilli, que ocupou a presidência do Brasil entre 25 de agosto e 7 de setembro de 1961 e entre 2 e 15 de abril de 1964. Sylvia foi a primeira-dama do país durante esses breves períodos marcados por intensas transformações políticas no Brasil.

Os dois períodos somaram 26 dias. Devido à curta duração das passagens de Mazzilli pela Presidência, Sylvia teve uma participação limitada no cotidiano cerimonial do governo. Segundo os jornalistas Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo, ela não chegou a organizar recepções oficiais no palácio durante esses períodos.

Origens e família

Sylvia era natural de Ouro Fino, em Minas Gerais, era filha de José Barbosa Serra e Maria Teonilla Pitaguary Serra, e foi descrita por Guedes e Melo como integrante de uma família tradicional mineira. Conheceu Ranieri Mazzilli no Colégio Brasil, em Ouro Fino, onde ambos estudaram durante a juventude.

O casal se casou em 27 de junho de 1933, em Consolação, São Paulo, e teve três filhos: Maria Lúcia, Luís Guilherme e Luís Henrique.

Períodos como primeira-dama

Crise política de 1961

Em agosto de 1961, Ranieri Mazzilli era presidente da Câmara dos Deputados. Com a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto, e a ausência do vice-presidente João Goulart, que se encontrava em viagem oficial ao exterior, Mazzilli assumiu interinamente a Presidência da República.

A crise política foi encerrada com a adoção do regime parlamentarista e a posse de João Goulart, em 7 de setembro de 1961. Durante esse intervalo, Sylvia foi convencionalmente considerada primeira-dama.

Crise política de 1964

Em 29 de março de 1964, Domingo de Páscoa, Sylvia acompanhou o marido em uma visita ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. O casal participou da procissão de entrada da celebração religiosa, poucos dias antes da deposição de João Goulart.

Na madrugada de 2 de abril, em meio ao golpe de Estado de 1964, o Congresso Nacional declarou vaga a Presidência da República. Na condição de presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli voltou a assumir o cargo. Sylvia permaneceu convencionalmente na posição de primeira-dama até 15 de abril, quando o general Humberto de Alencar Castelo Branco tomou posse como presidente.

Casa do Candango

Em 1964, Sylvia ocupava a presidência da Casa do Candango, entidade sediada em Brasília. Uma ata publicada no Diário Oficial registra que, por meio de carta datada de 1.º de junho daquele ano, ela solicitou a realização de uma assembleia-geral extraordinária para alterar os estatutos da organização.

A proposta apresentada por Sylvia estabelecia que os integrantes da diretoria e do conselho da instituição não receberiam remuneração pelo exercício de suas funções. A mudança tinha como finalidade adequar a entidade às exigências para obtenção do reconhecimento de utilidade pública e de benefícios tributários. A alteração estatutária foi aprovada pela assembleia em 8 de junho de 1964.

Viuvez

Ranieri Mazzilli morreu em 21 de abril de 1975. Em 4 de junho daquele ano, Sylvia acompanhou uma sessão realizada pela Câmara dos Deputados em homenagem à memória do marido.

Em carta lida durante a sessão parlamentar de 17 de junho de 1975, Sylvia agradeceu, em seu nome e no de seus filhos, as homenagens prestadas pela Câmara. No documento, afirmou ter encontrado conforto nas manifestações dirigidas à memória do antigo presidente da Casa. A correspondência foi publicada no Diário do Congresso Nacional e assinada como “Sylvia Serra Mazzilli”.

Ver também

Lista de primeiras-damas do Brasil Campanha da Legalidade Golpe de Estado no Brasil em 1964 Ranieri Mazzilli

Ligações externas

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