Barra da Tijuca é um bairro nobre da Zona Sudoeste do município do Rio de Janeiro, no Brasil. O bairro faz parte da região administrativa da Barra da Tijuca. Tem, como bairros vizinhos, Barra Olímpica, Camorim, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Recreio dos Bandeirantes e São Conrado.Bairros do Rio Assim como Jacarepaguá, é um dos bairros que mais cresceram no Rio de Janeiro na virada do século XX para o século XXI; passou de 24 126 habitantes em 1980 para 394 037 habitantes em 2020. Atualmente, é considerado um centro financeiro, gastronômico, hoteleiro e de entretenimento da capital estadual. Tem sido alvo da migração de outros bairros do município. Estima-se que a população da Barra irá dobrar até 2030.http://www.newsbox.com.br/noticias/geral/populacao-da-regiao-da-barra-da-tijuca-vai-dobrar-ate-2020-indica-estudo/ Em 2022, o Instituto Pereira Passos, órgão da prefeitura da cidade, avaliou seu índice de qualidade de vida em 79,29, alcançando o 1º lugar do Rio de Janeiro dentre 158 bairros avaliados.
A Barra sediou maior parte dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 e dos Jogos Paralímpicos de Verão de 2016. A escolha da Barra para tal função se deveu por ela ser a parte mais moderna do Rio de Janeiro e ter espaço suficiente para abrigar os jogos. Tal fato levou a um rápido crescimento em obras de infraestrutura para modernizar a região e também à ligação com o metrô para o resto da cidade do Rio de Janeiro.
Topônimo "Barra" é um termo que define depósitos de aluvião formados na desembocadura de rios e canais. No caso da Barra da Tijuca, o depósito é formado pelo encontro das águas do conjunto de lagoas da região (entre as quais, a Lagoa da Tijuca) com o Oceano Atlântico, através do Canal da Joatinga. "Tijuca" é um termo de origem tupi antiga que significa "água podre", "charco", "pântano", através da junção dos termos ty ("água") e îuka ("podre").NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2015. p. 602.
História thumb|esquerda|Barra da Tijuca na década de 1950 thumb|esquerda|Barra da Tijuca com a Pedra da Gávea ao fundo.
A região da Barra era originalmente um complexo de dunas, assentada sobre uma ilha barreira, com vegetação rasteira típica de restinga. A área, cheia de alagadiços e imprópria para o plantio, permaneceu desocupada até meados do século XX, sendo frequentada apenas por pescadores. No ano de 1667, a região foi doada a religiosos beneditinos. Em 1900, as terras da Baixada de Jacarepaguá foram vendidas para a Empresa Saneadora Territorial e Agrícola S.A. (ESTA), ainda hoje grande proprietária de terras na área. A concentração de grandes extensões de terras em mãos de poucos foi uma das causas do crescimento tardio, além da dificuldade de acesso à região, por estar separada do restante do município por grandes cadeias montanhosas componentes do Parque Nacional da Tijuca, com picos que variam de 800 a 1 200 metros de altitude.
A ocupação efetiva da região deu-se inicialmente pelas suas extremidades, nos atuais sub-bairros Barrinha e Jardim Oceânico, que possuem as mesmas regras urbanísticas e limites de construção, diferenciados de todo o restante da região. Para atender aos novos loteamentos do Jardim Oceânico, foi construída, pela iniciativa privada, a Ponte Nova sobre a lagoa da Tijuca. O grande marco do início do desenvolvimento da Barra, no entanto, se deu na administração do governador do estado da Guanabara Negrão de Lima, que encomendou, ao urbanista Lúcio Costa, um projeto urbanístico para a região. O Plano Piloto da Barra da Tijuca, de 1969, similar ao Plano Piloto de Brasília, inspirado no urbanismo racionalista, com grandes avenidas e amplos espaços abertos, marcou definitivamente o início do estilo de vida peculiar da Barra. esquerda|miniaturadaimagem|Barra da Tijuca à noite Na década de 1970, foi construída a Autoestrada Lagoa-Barra (incluindo o Túnel do Joá), que possibilitou o maior desenvolvimento do bairro, diminuindo o tempo de transporte para a zona sul da cidade do Rio. Por essa mesma época, consolidaram-se grandes condomínios fechados, inspirados num então novo modelo de vida, com destaque para o Nova Ipanema e o Novo Leblon.
Geografia thumb|Praia da Barra da Tijuca thumb|Praia de Grumari miniaturadaimagem|Lagoa de Marapendithumb|New York City Center
O bairro da Barra da Tijuca faz divisa com os seguintes bairros:
Recreio dos Bandeirantes: o cruzamento com a Avenida Salvador Allende e a Avenida Alfredo Baltazar da Silveira. Joá: na ponte sobre o canal da Joatinga e a partir do início da Largo da Barra. Itanhangá: as pontes, velha e nova, sobre a Lagoa da Tijuca, que abrange a Ilha da Gigóia e ilhotas adjacentes, inclusas no Itanhangá. Camorim: o lado oeste da Avenida Salvador Allende, entre o Canal do Cortado e o Rio-centro. Jacarepaguá: o longo da Avenida Abelardo Bueno. O Parque Olímpico do Rio de Janeiro está dentro dos limites da Barra. enquanto os prédios do outro lado da avenida estão em Jacarepaguá.
Ilhas
A Barra da Tijuca abriga, em seu complexo lagunar, um conjunto de ilhas fluviais e lagunares conhecido como Ilhas da Barra da Tijuca. Distribuídas entre os sistemas da Lagoa da Tijuca e da Lagoa de Jacarepaguá, as principais ilhas habitadas são a Ilha da Gigóia, a Ilha Primeira, a Ilha das Garças, a Ilha do Ipê, a Ilha de São Jorge e a Ilha da Fantasia. A região é conhecida pelos apelidos de "Veneza Carioca" e "Pantanal Carioca", pela circulação por água e pela fauna silvestre — jacarés, capivaras e garças — em ambiente urbano.
A ocupação começou com comunidades de pescadores; a Ilha da Gigóia, a mais antiga e povoada, reúne hoje milhares de moradores, restaurantes à beira d'água e pousadas. O acesso se dá pelo Jardim Oceânico, próximo à estação da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, e a circulação é feita por embarcações de pequeno porte. Estima-se que cerca de seis mil jacarés-de-papo-amarelo habitem o complexo lagunar. A partir de 2024, as lagoas passaram por ampla dragagem e despoluição, com retorno de fauna como garças e biguás.
As ilhas constituem um polo de gastronomia, hospedagem e turismo náutico. Na Ilha Primeira situa-se o restaurante Ocyá, reconhecido pelo Guia Michelin e pela lista Latin America's 50 Best Restaurants; na Ilha das Garças destacam-se empreendimentos voltados ao turismo de experiência, como o Ilya Venue, espaço de eventos e celebrações, e a Marina dos Gêmeos — também conhecida como Marina das Garças —, com guardaria de embarcações, passeios e cursos de habilitação náutica credenciados pela Marinha do Brasil. Em 25 de março de 2026 foi lançado o Polo Gastronômico Ilhas da Barra, apresentado como o primeiro polo gastronômico náutico do Brasil.
As lagoas e a orla também concentram esportes aquáticos: wakeboard e esqui aquático na Lagoa da Tijuca; vela, windsurf e kitesurf na Lagoa de Marapendi; e mergulho e pesca submarina em roteiros de barco rumo às Ilhas Cagarras. O conjunto é emoldurado pelos maciços do Parque Nacional da Tijuca, com destaque para a Pedra da Gávea, maior monólito à beira-mar do mundo, visível de grande parte das ilhas e dos canais.
Praia da Barra da Tijuca A Praia da Barra da Tijuca é a principal praia da região e estende-se ao longo da Avenida Lúcio Costa até o Recreio dos Bandeirantes. É a maior praia do estado do Rio de Janeiro, com dezoito quilômetros de comprimento. A partir da Avenida Ayrton Senna, a praia não possui calçadão, por ser uma região de preservação ambiental. Tem ondas fortes, tubulares e muito boas para a prática do Surf e do Bodyboarding. Nela são realizadas diversas etapas de campeonatos brasileiros e até mundiais como WT. Suas areias são brancas e finas.
Nas imediações, situa-se a Reserva de Marapendi. Os principais esportes praticados no mar da Praia da Barra da Tijuca são a pesca de beira, kitesurf, bodyboard, windsurf, surf e Stand up Paddle, sendo ainda palco de muitos campeonatos. Em sua orla, é muito comum encontrar pessoas praticando outros esportes, como futebol de areia, futevolei, volei, frescobol, slackline e mesmo fazendo caminhadas no calçadão ou andando de bicicleta ao longo da ciclovia.
Praia do Pepê A Praia do Pepê é uma praia que estende-se ao longo da Avenida do Pepê, próximo ao quebra-mar. A praia e a avenida foram assim batizadas em homenagem ao empresário e esportista Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes, mais conhecido como Pepê.
Praia da Reserva A Praia da Reserva, também conhecida como Praia da Reserva de Marapendi, tem aproximadamente 8 km de extensão. É um segmento da praia da Barra voltado à preservação ambiental, embora disponha de inúmeros complexos residenciais de alto padrão. É dividida em 26 "ilhas" e caracterizada principalmente pelas águas límpidas e pela areia fofa. É margeada pela avenida Lúcio Costa ao longo de toda a sua extensão; seu acesso é feito a partir dos bairros da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes.
A praia recebeu esse nome por estar situada ao longo da Reserva de Marapendi, uma área de proteção ambiental destinada à preservação da vegetação de restinga e de manguezal. No interior da reserva, localiza-se a Lagoa de Marapendi, utilizada para a prática de esportes náuticos, como canoagem, remo e vela. A orla da praia é cortada por um vasto calçadão e pela ciclovia. Em setembro de 2011 a Praia da Reserva passou a fazer parte do Parque Natural Municipal Barra da Tijuca Nelson Mandela, tornando-se uma Unidade de Conservação.
Em dezembro de 2020, foi reconhecida como exemplo de sucesso em preservação e qualidade ambiental. A Praia da Reserva é a segunda praia na cidade do Rio de Janeiro a obter essa distinção da Fundação para a Educação Ambiental, organização internacional com sede em Copenhague, na Dinamarca, que premia os melhores exemplos ao redor do mundo na gestão ambiental de marinas, praias e embarcações de turismo. A primeira praia a receber o diploma foi a Prainha, no Recreio dos Bandeirantes, que, desta vez, obteve a renovação da certificação para a temporada 2020/21.esquerda|miniaturadaimagem|427x427px|Mapa com as delimitações da Lagoa de Marapendi e a Praia da Reserva
Economia miniaturadaimagem|Village Mall miniaturadaimagem|Placa do BarraShopping
Aproximadamente 87% dos habitantes da Barra são de classe média alta. O bairro da Barra é um dos únicos bairros do município que possuem condomínios autônomos, ou seja, condomínios independentes com mini-shoppings, escolas, igrejas, quadras polidesportivas e bibliotecas e nos maiores, restaurantes. A Barra da Tijuca tem a maior concentração de shoppings centers e supermercados do Rio de Janeiro. A área de prédios mais luxuosa da Barra é o Jardim Oceânico, caracterizado por seus prédios baixos a uma distância máxima de dois quilômetros da Praia do Pepê.
A Barra possui alto índice de desenvolvimento humano, ao abrigar a maior parte da classe alta do Rio de Janeiro. O bairro também pode ser caracterizado por amplos espaços verdes, condomínios de luxo de casas e edifícios, além de shopping centers. É a sede de grandes empresas de informática, comunicação e agências de publicidade, além de inúmeras multinacionais que, cada vez mais, estão implantando suas sedes na região, como a Shell Brasil, Esso Brasil, Vale, Vivo, Michelin, Nokia, TIM, Unimed entre outras.