Conde de Mangualde foi um título nobiliárquico português, concedido em duas vidas e com honras de Grandeza por decreto de 17 de maio de 1905 do rei D. Carlos I a favor de D. Francisco de Almeida Cardoso e Albuquerque, que fora anteriormente agraciado com o título de Visconde de Mangualde, do qual foi o único titular. A segunda vida foi verificada em 1906, a favor do seu filho, Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque.
História
Criação do título
O título foi criado a favor de D. Francisco de Almeida Cardoso e Albuquerque (1841–1921), governador civil de diversos distritos, diretor-geral dos Próprios Nacionais, deputado e membro do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima. Era filho de Tiago da Silva Albuquerque e Amaral de Almeida Cardoso, 5.º administrador do vínculo de Nabais, e de Maria Cândida da Paixão Pinto Cardoso, senhora da Casa da Mesquitela; o pai era ainda senhor da Casa e dos vínculos de Mangualde.
O rei D. Carlos I concedeu-lhe o título de Visconde de Mangualde por decreto de 23 de abril de 1891 e, por decreto de 17 de maio de 1905, elevou-o a conde, com honras de Grandeza e em duas vidas. A segunda vida foi verificada por decreto de 17 de maio de 1906, ainda em vida do primeiro titular, a favor do seu único filho varão, Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque (1874–1932), oficial de Artilharia.
Em 1900, Fernando casou com Maria Teresa de Sousa Botelho e Melo (1871–1947), que, na falta de descendência legítima do seu único irmão, se tornou representante dos títulos de Conde de Vila Real e de Conde de Melo, sendo designada como 4.ª Condessa de Vila Real e 3.ª Condessa de Melo.
Casa dos Condes de Mangualde
Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque, 2.º Conde de Mangualde, adquiriu a casa senhorial de Mangualde aos herdeiros de Bento José do Amaral, fixando-a como residência da família.
O edifício, construído no século XVIII, apresenta uma fachada principal com janelas de lintel curvo e um portal encimado por um frontão semicircular, no qual figuram as armas das famílias Amaral e Saraiva. A fachada posterior abre para um jardim de estilo barroco, composto por canteiros de plantas ornamentais, labirintos e um tanque.
O imóvel encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Municipal desde 2010. Foi posteriormente adaptado a unidade de alojamento turístico.
Ligação à Casa de Mateus
Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque (1909–1973), filho único varão do 2.º Conde e engenheiro civil formado pelo Instituto Superior Técnico, herdou o Palácio de Mateus, nas proximidades de Vila Real, a cuja recuperação se dedicou a partir de 1943, em conjunto com a sua mãe. Entre as intervenções que promoveu contam-se o Túnel de Cedros, o Jardim de Água e o Espelho de Água, este último desenhado por Gonçalo Ribeiro Telles, bem como a abertura do museu da casa ao público, em 1961. Em 3 de dezembro de 1970, instituiu a Fundação da Casa de Mateus, à qual doou a casa, a capela, os jardins, as terras envolventes e o acervo documental e museológico; a fundação foi reconhecida como instituição de utilidade pública em 1971. Faleceu em Lisboa, em 8 de janeiro de 1973.
Sucedeu-lhe o filho primogénito varão, Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque (1941–2022), engenheiro químico formado pelo Instituto Superior Técnico, que dirigiu a fundação como diretor-delegado desde 1973 até à sua morte. Sob a sua direção, a fundação criou os seminários «Repensar Portugal» (1978), os Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus, o Prémio D. Diniz (1980), o Instituto Internacional Casa de Mateus (1986) e a Residência de Artistas (1998). Em 2021, foi agraciado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Faleceu em 14 de janeiro de 2022; o Presidente da República endereçou condolências à família e a fundação publicou uma nota de pesar.
A direção da fundação passou então para a sua filha, Teresa Margarida Gomez de Sousa Botelho de Albuquerque, que continuou a preservação da biodiversidade do conjunto, com cerca de 30 hectares. O palácio, classificado como monumento nacional desde 1910, recebeu cerca de 113 mil visitantes em 2024, e a fundação assinalou o seu 55.º aniversário em dezembro de 2025.
Armas
As armas dos Condes de Mangualde são constituídas por um escudo esquartelado, com as armas dos Amarais no primeiro quartel, dos Albuquerques no segundo, dos Silvas no terceiro e dos Fonsecas no quarto. Por diferença, ostentam uma brica vermelha carregada de um farpão de prata. As armas foram concedidas por carta de 20 de maio de 1789 a Bernardo António Albuquerque da Silva, antepassado por varonia dos condes, data a partir da qual a família passou a deter o foro de fidalgos de cota de armas.
Viscondes de Mangualde (1891)
# Titular Datas Títulos Notas Ref. 1 Francisco de Almeida Cardoso e Albuquerque 1841–1921 1.º Visconde de Mangualde Único titular do viscondado; elevado a conde em 17 de maio de 1905.
Condes de Mangualde (1905)
# Titular Datas Títulos Notas Ref. 1 Francisco de Almeida Cardoso e Albuquerque 1841–1921 1.º Visconde de Mangualde e 1.º Conde de Mangualde Título de conde concedido em duas vidas, com honras de Grandeza, por decreto de 17 de maio de 1905. 2 Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque 1874–1932 2.º Conde de Mangualde Filho do anterior. Título verificado em segunda vida por decreto de 17 de maio de 1906. Casou com Maria Teresa de Sousa Botelho e Melo, 4.ª Condessa de Vila Real e 3.ª Condessa de Melo. Adquiriu a casa de família em Mangualde.
Representantes do título na República
Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. (art. 3.º, n.º 3) Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família:
# Representante Datas Títulos pretendidos Notas Ref. 3 Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque 1909–1973 3.º Conde de Mangualde Filho do anterior. Instituidor da Fundação da Casa de Mateus (1970). 4 Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque 1941–2022 4.º Conde de Mangualde Filho do anterior. Foi Diretor-delegado da Fundação da Casa de Mateus (1973–2022).
Galeria
Referências
Mangualde Mangualde Categoria:Fundações em Portugal em 1905