A Inglaterra é o território mais extenso e mais povoado do Reino Unido. Habitada por povos celtas desde o , a Inglaterra foi colonizada pelos Romanos entre e princípios do . A partir de então começou a invasão de uma série de povos germânicos (anglos, saxões e jutos) que foram expulsando os celtas, parcialmente romanizados, até Gales, Escócia, Cornualha e a Bretanha francesa. No , depois de resistir a uma série de ataques viquingues, unificou-se politicamente. Depois da ascensão de Jaime VI da Escócia ao trono da Inglaterra, em 1603, e a anexação da Escócia pela Inglaterra em 1707, é mais apropriado diferenciar a história da Inglaterra da do resto da Grã-Bretanha.
Pré-história
thumb|280px|Stonehenge
Indícios arqueológicos demonstram que a área hoje conhecida como o sul da Inglaterra foi povoada bem antes do restante das Ilhas Britânicas, devido ao clima ameno entre e durante as diversas idades do gelo. Os habitantes pré-romanos da Grã-Bretanha não deixaram documentos escritos e suas história e cultura são estudadas por meio de achados arqueológicos. Conservam-se poucos indícios da civilização dos primeiros habitantes da ilha, como o monumento megalítico de Stonehenge, que data da Idade do Bronze (até ).
As técnicas de trabalho em ferro chegaram à Grã-Bretanha em cerca de , provenientes do sul da Europa, dando início à Idade do Ferro. Por volta de , a chamada cultura celta havia alcançado quase todas as Ilhas Britânicas. Os bretões da Idade do Ferro viviam em grupos tribais organizados, governados por um chefe.
A primeira menção histórica à região é do Périplo massaliota (Massaliote Periplus), um manual de navegação para comerciantes provavelmente datado do Píteas de Massília nele escreveu sobre sua viagem de negócios à ilha em cerca de Mais tarde, outros autores, tais como Plínio, o Velho, e Diodoro Sículo, mencionam o comércio de estanho proveniente do sul da ilha.
Tácito registrou que a língua falada na Grã-Bretanha não era muito diferente da empregada na Gália setentrional e notou que as várias tribos britânicas possuíam características físicas semelhantes às dos seus vizinhos continentais.
Britânia romana: invasão e ocupação
thumb|esquerda|230px|A Muralha de Adriano, no norte da Inglaterra
Em duas ocasiões, em 55 e , Júlio César invadiu a Britânia, mas não logrou conquistar território, limitando-se a estabelecer Estados-clientes. Em 43, Cláudio foi bem-sucedido em nova tentativa de invasão, dando início à província romana da Britânia.
Os britânicos defenderam sua terra, mas os romanos, militarmente superiores, conseguiram dominar a ilha. Iniciaram uma forte opressão contra o druidismo, religião mais popular no local na época.
Os romanos fundaram cidades, como Londres, e fortalezas, utilizando engenharia e arquitetura nunca antes vistas na Britânia. Também ergueram muralhas (como a de Adriano) que cruzavam a Grã-Bretanha de oeste para leste, cujo propósito era impedir incursões militares de tribos ao norte (no que é a atual Escócia) contra o território da província romana. A influência romana também foi muito forte na cultura religiosa britânica.
Primeiro, a própria história de deuses celtas foi desaparecendo, transformando-os apenas em deuses romanos com nomes celtas (uma relação mais ou menos parecida com a da mitologia grega com a romana). Os romanos também levaram para a ilha o cristianismo que, quando da retirada das forças romanas no , já tinha força considerável na Grã-Bretanha. Depois, as próprias disputas internas aumentaram a influência do cristianismo, fazendo o druidismo desaparecer gradativamente e sem deixar muitos registros históricos, pois os druidas recusavam-se a escrever sobre seus dogmas e rituais. E no próprio povo britânico, até mesmo entre os nobres, era raríssima a prática da escrita.
Júlio César esteve no sul da Grã-Bretanha entre 55 e e escreveu em seu De Bello Gallico que a população local era numerosa e tinha muito em comum com as outras tribos da Idade do Ferro no continente. Curiosamente, há poucas fontes históricas referentes à ocupação romana da Grã-Bretanha. Apenas uma frase sobreviveu a respeito das razões para a construção da Muralha de Adriano. A invasão de Cláudio é bem documentada e Tácito incluiu a rebelião de Boadiceia, de 61, na sua história. Na altura do , a influência romana já havia declinado consideravelmente. As legiões deixaram a ilha, provavelmente na mesma época da invasão saxônica, que será descrita a seguir.
Britânia pós-romana
Na esteira do colapso do governo romano em cerca de 410 na Grã-Bretanha, a atual Inglaterra foi progressivamente ocupada por povos germânicos. Conhecidos coletivamente como anglo-saxões, estes grupos incluíam jutos da Jutlândia, juntamente com um maior número de saxões, provenientes do noroeste da Alemanha, e anglos, provenientes do atual estado alemão de Eslésvico-Holsácia.Os anglo-saxões - Quem eram os anglo-saxões, BBC Antes desses assentamentos, alguns frísios invadiram o leste da Grã-Bretanha durante os anos de 250. Além dos povos já citados(anglos,saxões,frísios)outros povo também teriam feito parte da invasão anglo-saxã,como os jutos e francos,porém em números bem inferiores.
Inicialmente, eles invadiram a Grã-Bretanha em meados do , continuando a fazê-lo por várias décadas. Os jutos parecem ter sido o principal grupo de colonizadores em Kent, na Ilha de Wight e partes da costa de Hampshire, enquanto os saxões predominaram em todas as outras áreas ao sul do Tâmisa e em Essex e Middlesex, e os anglos em Norfolk, Suffolk, Midlands e ao norte.
A população da Grã-Bretanha diminuiu drasticamente após o período romano. A redução parece ter sido causada principalmente pela peste e varíola. Sabe-se que a praga de Justiniano entrou para o mundo mediterrâneo no e chegou pela primeira vez às ilhas britânicas em 544 ou 545, quando atingiu a Irlanda.6o-10a século AD O Annales Cambriae menciona a morte de Maglocuno, rei de Venedócia, desta peste em 547.
As conquistas anglo-saxãs da Grã-Bretanha celta
thumb|Reinos e tribos na Grã-Bretanha, por volta do ano 600
Próximo ao ano de 495, na Batalha do Monte Badon, os britânicos infligiram uma severa derrota a um exército invasor anglo-saxão que interrompeu o avanço bárbaro para oeste por algumas décadas. Evidências arqueológicas recolhidas de cemitérios pagãos anglo-saxões sugerem que alguns dos seus assentamentos foram abandonados e a fronteira entre os invasores e os habitantes nativos foi recuada por algum tempo por volta do ano 500.
A expansão anglo-saxã foi retomada no , embora a cronologia de sua evolução não seja clara. Um dos poucos eventos individuais que emerge com alguma clareza antes do é a Batalha de Deorham, em 577, na qual uma vitória dos saxões ocidentais levou à captura de Cirencester, Gloucester e Bath, trazendo o avanço anglo-saxão para o Canal de Bristol e separando os britânicos do West Country dos de Gales. A vitória do Reino da Nortúmbria na Batalha de Chester, em torno de 616, pode ter tido um efeito semelhante separando os britânicos de Gales dos britânicos da Cúmbria.
A expansão gradual dos saxões pelo West Country continuou através dos séculos VII, VIII e IX. Enquanto isso, em meados do , os anglos haviam empurrado os britânicos de volta para os limites aproximados do País de Gales atual, no oeste, para o rio Tamar, no sudoeste, e expandido para o norte até o rio Forth.
Hierarquia e cristianização thumb|Reinos da Grã-Bretanha por volta do ano 800
A cristianização da Inglaterra anglo-saxã começou por volta do ano 600, influenciada pelo cristianismo céltico a partir do noroeste e da Igreja Católica a partir do sudeste. Agostinho, o primeiro Arcebispo de Cantuária, assumiu o cargo em 597. No ano de 601, ele batizou o primeiro rei anglo-saxão cristão, Etelberto de Kent. O último rei anglo-saxão pagão, Penda de Mércia, morreu em 655. O último rei juto pagão, Arvaldo da Ilha de Wight, foi assassinado em 686. A missão anglo-saxã no continente decolou no , levando à cristianização de praticamente todo o Reino Franco por volta do ano 800.
Durante os séculos VII e VIII o poder oscilou entre os maiores reinos. Beda cita Etelberto de Kent como sendo dominante no final do , mas o poder parece ter se deslocado em direção ao norte para o reino da Nortúmbria, que foi formada a partir da junção de Bernícia e Deira. Eduíno da Nortúmbria provavelmente manteve o domínio sobre grande parte da Grã-Bretanha, embora a influência de Beda na Nortúmbria deva ser considerada. Crises sucessórias significavam que a hegemonia nortumbriana não era constante e Mércia mantinha-se como um reino muito poderoso, especialmente no reinado de Penda. Duas derrotas essenciais terminaram com o domínio nortumbriano: a Batalha do Trent, em 679, contra Mércia, e a Batalha de Dunnichen, em 685, contra os pictos.
A chamada "Supremacia Mércia" dominou o , embora ela não tenha sido constante. Etelbaldo e Offa, os dois reis mais poderosos, alcançaram status elevado, na verdade, Offa foi considerado o chefe supremo do sul da Grã-Bretanha por Carlos Magno. Offa conseguiu reunir os recursos para construir o Dique de Offa, esta é a prova do seu poder. No entanto, a ascensão de Wessex e os desafios de reinos menores colocaram o poder de Mércia em cheque, e no início do a "Supremacia de Mércia" tinha terminado.
Este período tem sido descrito como a Heptarquia, embora este termo atualmente tenha saído do uso acadêmico. A palavra surgiu com base nos sete reinos, Nortúmbria, Mércia, Kent, Ânglia Oriental, Essex, Sussex e Wessex, que eram as principais organizações políticas do sul da Grã-Bretanha. Estudos mais recentes têm mostrado que outros reinos também eram politicamente importantes neste período: Hwicce, Magonsaete, Lindsey e Ânglia do Meio.
As invasões vikings A Crônica Anglo-Saxônica registra a incursão de 793 contra o mosteiro de Lindisfarne como ponto de partida na longa história de ataques viquingues contra a Grã-Bretanha.
Após um período de saques e incursões, os viquingues começaram a colonizar a Inglaterra e ali comercializar. Chegaram em barcos com bons exércitos, em sua maioria dinamarqueses, e tomaram para si praticamente todos os reinos ingleses, que eram independentes. A partir do fim do , governavam parte considerável do território inglês, no que era conhecido como o Danelaw.
Alfredo, o Grande impediu a invasão dos viquingues em seu reino, Wessex, por meio da construção de diversas fortalezas. Seu sucesso contra as incursões viquingues e a reorganização do reino por ele empreendida fizeram com que a história lhe outorgasse o epíteto "O Grande".
O desafio viking e a ascensão de Wessex
thumb|Inglaterra em 878
De acordo com as Crônicas Anglo-Saxãs, o primeiro ataque viking na Grã-Bretanha ocorreu em 793 no mosteiro de Lindisfarne. Entretanto, nesta época, os vikings já se encontravam, quase com certeza, bem estabelecidos em Orkney e Shetland, desta forma, é provável que muitos outros ataques (não registrados) tenham ocorrido antes. Registros mostram que o primeiro ataque viking em Iona ocorreu em 794. A chegada dos vikings, em especial do grande exército dinamarquês, desorganizou a geografia política e social da Grã-Bretanha e da Irlanda. A vitória de Alfredo, o Grande na Batalha de Ethandun, em 878, estancou o ataque dinamarquês, entretanto, naquela altura Nortúmbria tinha se transformado em Bernícia e um reino viking, Mércia tinha sido dividida ao meio e Ânglia Oriental tinha deixado de existir como uma organização política anglo-saxônica. Os vikings tiveram efeitos semelhantes sobre os vários reinos escoceses, pictos e, em menor grau, galeses. Certamente, no norte da Grã-Bretanha os vikings foram uma das razões por trás da formação do Reino de Alba, que viria a originar a Escócia.