Grêmio Esportivo Brasil (cujo acrônimo é GEB), é uma agremiação esportiva brasileira de Pelotas, Rio Grande do Sul. Fundada em 7 de setembro de 1911, seu mascote é o indígena Xavante. As cores oficiais do GEB são o vermelho e o preto, ganhando o apelido de rubro-negro de Pelotas.

Foi o primeiro campeão do Campeonato Gaúcho, além de vice-campeão em seis ocasiões. Foi campeão do Campeonato Gaúcho Honorário de 1918 junto com Cruzeiro de Porto Alegre e 14 de Julho no qual o campeonato foi paralisado devido a uma pandemia que assolou o estado. O Brasil possui destaque em relação a vários outros clubes do estado. É o clube do interior da Região Sul do Brasil com a melhor campanha na Série A do Campeonato Brasileiro, com a 3.ª colocação em 1985. O clube atuou durante quatro temporadas na primeira divisão nacional e nove temporadas na segunda. Na Série C, o time terminou na 3.ª posição em uma oportunidade. Na Série D, foi vice-campeão no ano de 2014. O Brasil jogou a Copa do Brasil em sete oportunidades. Já na (extinta) Primeira Liga do Brasil, é o único do interior gaúcho a ter disputado, terminando na 9.ª posição na edição de 2017.

O Brasil de Pelotas manda suas partidas no Estádio Bento Freitas, que possui capacidade atualmente para 12 mil torcedores. O estádio está em obras de ampliação e modernização, e futuramente terá mais de 22 mil lugares. O maior ídolo da história do clube é o uruguaio Claudio Milar e o maior técnico da história xavante é Rogério Zimmermann.

História

1911-1920 – Primeiros anos e primeiras conquistas

O Brasil foi fundado no dia 7 de setembro de 1911. A história começou com uma divergência entre dirigentes e jogadores do Sport Club Cruzeiro do Sul, que era dirigido por funcionários da Cervejaria Haertel. Dois atletas do Cruzeiro, Breno Corrêa da Silva e Salustiano Brito, marcaram uma reunião para fundar o clube, que ocorreu na rua Santa Cruz, nº 56, em Pelotas, residência do Sr. José Moreira de Brito (pai de Salustiano).

As cores escolhidas inicialmente foram o verde e o amarelo, inspiradas na bandeira nacional. Porém, quando os dirigentes saíram às ruas com o livro de ouro, a fim de arrecadar fundos para a compra das camisetas, encontraram um comerciante português ligado a um clube social de Pelotas, o Clube Diamantinos. Ele ofereceu aos rapazes o terno completo, desde que as cores do fardamento fossem vermelho e preto (as cores do Diamantinos). A oferta foi aceita, e assim o Brasil se tornou rubro-negro.

O primeiro jogo oficial do Brasil foi um amistoso contra o Sete de Setembro (Pelotas) que terminou empatado em 2 a 2. Em 1912 veio a primeira vitória: 2 a 0 em cima do Tiradentes (Pelotas), também em amistoso.

Em 1913 o Brasil participou do Campeonato Citadino de Pelotas. Na edição seguinte, teve uma excelente campanha, terminando em 3°. Depois vieram dois vice-campeonatos, e logo em 1917 a conquista do primeiro título de campeão da cidade (de forma invicta). Era a maior façanha que o Brasil poderia almejar naquele momento, até porque ainda não existiam competições maiores.

O Brasil foi primeiro campeão do Campeonato Gaúcho da história. O torneio reunia os campeões da região Pelotas/Bagé e Porto Alegre/São Leopoldo. Para disputar a final, o Brasil foi campeão regional invicto, vencendo o Rio Branco, o União, o Ideal e o Guarany.

No dia 9 de novembro de 1919, o time pelotense venceu o Grêmio (campeão da região Porto Alegre/São Leopoldo) por 5 a 1, em Porto Alegre. O jogo foi realizado no Estádio da Baixada com a presença de mais de três mil torcedores.

Para o retorno do grupo de jogadores a Pelotas foi preparada uma grande festa. Milhares de torcedores recepcionaram a delegação no cais do porto. Houve queima de fogos e uma passeata até a Praça Coronel Pedro Osório, no centro da cidade, onde foram prestadas muitas homenagens aos grandes campeões. Mais tarde aquela conquista seria eternizada com a representação de uma estrela prateada sobre o escudo. O clube ganhou também, pela 1ª vez, o troféu de Campeão do Interior, por ser o time do interior do estado mais bem colocado no campeonato.

Em 1920, a CBD organizou um torneio entre os campeões estaduais para montar a Seleção Brasileira que disputaria os Jogos Olímpicos e o Campeonato Sul-Americano de Futebol naquela época. A competição ocorreu no Rio de Janeiro e teve 3 equipes participantes: Fluminense, (campeão do Rio de Janeiro), Paulistano (campeão de São Paulo), e o Brasil (campeão gaúcho).

O Campeonato Brasileiro de Clubes Campeões de 1920, também conhecido como Copa dos Campeões Estaduais, começou no dia 25 de março, com o Brasil enfrentando o Paulistano, perdendo por 7 a 3. O Paulistano também derrotou o Fluminense, por 4 a 1, e conquistou o título. No último jogo do torneio, dia 3 de abril, o Brasil foi derrotado pelo time da casa, o Fluminense, por 6 a 2. O clube ganhou também, pela 1ª vez, o troféu de Campeão do Interior, por ser o time do interior do estado mais bem colocado no campeonato.

Após o fim da competição, o Brasil disputou mais três amistosos: um no Rio (vitória por 5 a 1 sobre o São Cristóvão, dia 8 de abril) e mais dois em São Paulo (derrota por 2 a 1 para o Palestra Itália, atual Palmeiras, dia 8 de abril e empate por 4 a 4 com Corinthians, no dia 15).

Destaque neste triangular de cunho nacional, Alvariza, do Brasil, foi convocado a Seleção Brasileira para disputar o Sul-Americano de 1920, no Chile. O Brasil foi primeiro clube do estado com representante na Seleção Brasileira.

Alvariza fez um gol logo na sua estreia na Seleção, o gol da vitória no jogo contra o Chile, anfitrião do Sul-Americano de 1920. Após esse jogo, ele ainda jogou as partidas contra Uruguai e Argentina pelo Sul-Americano, tendo terminado a competição e o ano como artilheiro da Seleção Brasileira, além de sido titular todo o ano e em todos os jogos da Seleção. Ele também participou de um jogo histórico contra a Seleção Argentina, no qual ambos os times começaram a partida com apenas 8 jogadores, devido a um protesto contra um jornal argentino que publicou charges racistas contra os brasileiros.

1943-1969 – Inauguração do Bento Freitas, vitória sobre o Uruguai, excursão pela América e destaque no futsal

No início, o Brasil não possuía um local próprio para mandar seus jogos. Porém, apenas cinco anos após a fundação, em 1916, o clube inaugurou um vasto pavilhão social, que era chamado de ''Praça de Esportes''. A sede, localizada no bairro Simões Lopes, tinha capacidade para acomodar dois mil torcedores, um número muito significativo naquele tempo. Além das arquibancadas, o primeiro estádio do Brasil comportava copa, secretaria, sala para o departamento médico, rouparia e vestiários.

A Praça de Esportes do Brasil, que depois virou o ''Campo do Bancário'' e por último ganhou o nome de ''CT Rubro-negro'', também tinha uma peculiaridade muito interessante: um Coreto. Tinha aproximadamente um metro do chão e a forma arredondada ou oitavada, que era uma espécie de palco, que recebia os grupos musicais.

Em 1943, foi inaugurado o Estádio Bento Freitas, também conhecido como Baixada. A inauguração ocorreu em 23 de maio daquele ano, com a realização de um amistoso entre Brasil e Força Luz, de Porto Alegre. Desde então, o estádio passou a sediar as partidas do clube.

Em 1950, o Brasil viajou até a cidade de Montevidéu, capital do Uruguai, para enfrentar a Seleção Uruguaia, que preparava-se para a disputa da Copa do Mundo de 1950 que foi realizada no Brasil. O clube pelotense venceu a Celeste Olímpica em pleno Estádio Centenário pelo placar de 2 a 1, com gols marcados por Darci e Mortosa. O time base do Brasil era: Arizabalo, Seara, Tavares, Tibirica, Dario, Taboa, Mortosa, Manuel, Darci, Galego e Lombardini. O técnico era Chico.

O Uruguai também entrou em campo com o time principal, inclusive com o atacante Gigghia, algoz da seleção brasileira no Maracanã. Mas naquele dia as coisas não andaram bem para os uruguaios, o time de Pelotas saiu com a vitória, considerada um dos primeiros grandes feitos da história do futebol gaúcho.

A Seleção Uruguaia, naquele mesmo ano, se tornaria bicampeã da Copa do Mundo, realizada no Brasil, ganhando da seleção local por 2x1 na final, em um Maracanã lotado por cerca de 200 mil pessoas.

Ainda na década de 1950, em 1956, o Brasil recebeu diversos convites para jogos em outros países, optando por excursionar durante 104 dias pelas Américas. Enfrentando equipes famosas do futebol sul-americano e centro-americano, climas diferentes, grandes altitudes, viagens cansativas e alimentação exótica. O Brasil teve, em 28 jogos, 17 vitórias, 6 empates e apenas 5 derrotas. Os jogos foram:

14 de julho: Brasil 0–3 Cerro Porteño, em Assunção, no Paraguai; 15 de julho: Brasil 3–2 Olímpia, em Assunção, no Paraguai (acabando com uma sequência de 18 anos sem derrotas dos paraguaios); 22 de julho: Brasil 5–2 Jorge Wilstermann, em Cochabamba, na Bolívia; 26 de julho: Brasil 2–8 Seleção de La Paz, em La Paz, na Bolívia; 28 de julho: Brasil 2–1 Pierola, em Arequipa, no Peru; 30 de julho: Brasil 1–1 White Star, em Arequipa, no Peru; 2 de agosto: Brasil 6–2 Octavio Esptinoza, em Ica, no Peru; 4 de agosto: Brasil 0–0 Universitario, em Lima, no Peru; 5 de agosto: Brasil 1–4 José Pardo, em Chiclayo, no Peru; 10 de agosto: Brasil 3–1 Valdez, em Guayaquil, no Equador; 12 de agosto: Brasil 3–0 España, em Quito, no Equador; 15 de agosto: Brasil 2–2 Emelec, em Guayaquil, no Equador; 21 de agosto: Brasil 0–0 Seleção de Valle del Cauca, em Cáli, na Colômbia; 24 de agosto: Brasil 4–0 América de Cáli, em Cáli, na Colômbia; 26 de agosto: Brasil 1–2 Nacional, em Medellín, Colômbia; 30 de agosto: Brasil 5–1 Martell, na Cidade do Panamá; 31 de agosto: Brasil 3–2 Fastlich, na Cidade do Panamá; 4 de setembro: Brasil 0–1 Saprissa, em San José, na Costa Rica; 7 de setembro: Brasil 4–3 Olímpia, em Tegucigalpa, Honduras; 9 de setembro: Brasil 1–1 Hibueras, em San Pedro Sula, Honduras; 14 de setembro: Brasil 5–3 Atlante, em El Salvador, San Salvador; 15 de setembro: Brasil 3–0 Olímpia, em El Salvador, San Salvador; 16 de setembro: Brasil 4–3 Atlético Marte, em El Salvador, San Salvador; 26 de setembro: Brasil 6–1 Fastlich, na Cidade do Panamá; 1 de outubro: Brasil 4–4 Seleção do Panamá, na Cidade do Panamá; 2 de outubro: Brasil 3–1 Alajuelense, em San José, na Costa Rica; 3 de outubro: Brasil 1–0 Libertad, em Barranquilla, na Colômbia; 4 de outubro: Brasil 5–0 Unión Magdalena, em Santa Marta, na Colômbia;

Ainda na década de 50, o clube venceu três vezes consecutivas (1953, 1954 e 1955) o título de campeão do interior, sagrando-se tetracampeão da competição. Em 1963, conseguiu o seu pentacampeonato e, 5 anos depois, em 1968, o hexa, conquistando 6 vezes o título do Campeonato do Interior Gaúcho.

Na década de 60, o Brasil ainda teve destaque no Campeonato Gaúcho de Futsal, conquistando o título cinco vezes: em 1963, 1966, 1967, 1968 e 1969, tornando-se o maior campeão da competição na época.

1972-1985 – Estreia na Série A e campanha histórica Em 1972 o Brasil foi campeão da Copa Governador do Estado, competição criada em 1970 para movimentar os clubes do interior enquanto a dupla grenal jogava o campeonato brasileiro.

No final de 1973, a situação no xavante não era nada fácil e o Presidente Pedro Elba Zabaletta apresenta a ideia de licenciar o clube por 1 ano a fim de reorganizá-lo financeiramente, ideia que teve o respaldo da maioria do conselho. Na mesma noite em que tomou posse, o presidente xavante enviou a Federação Gaúcha de Futebol um ofício solicitando a licença do G. E. Brasil para o ano de 1974.

O Brasil não ficaria fora das competições oficiais por muito tempo e no dia 28 de Julho de 1975 o clube anuncia oficialmente que irá disputar a Copa Governador do Estado.