O Terminal Rodoviário Armando Viana de Castro, popularmente referido como Rodoviária de Salvador e também denominado Terminal Rodoviário de Salvador (TRS), foi o terminal rodoviário de ônibus intermunicipais e interestaduais de Salvador, capital da Bahia. Inaugurado em 4 de setembro de 1974, estava localizado no centro financeiro de Salvador e ao lado das estações homônima do metrô e de BRT construídas em substituição à Estação de Transbordo do Iguatemi, como também ao lado do Terminal Rodoviária (Rodoviária Norte). Constituia exemplo da arquitetura brutalista baiana, cujo projeto arquitetônico é de autoria dos arquitetos Emmanuel Berbert e José Álvaro Peixoto, do escritório Berbert & Peixoto. Funcionou até 19 de janeiro de 2026, quando teve suas atividades encerradas para ser substituído por um novo terminal, localizado em Águas Claras.
Concebido pela Organização Odebrecht (atual Novonor), era administrado pela SINART, a qual também o construiu. Foi o segundo maior terminal do Brasil em capacidade operacional, ultrapassado somente pelo Terminal Rodoviário do Tietê, com 12,6 milhões de usuários ao ano e movimento de 3,5 milhões de passageiros ao ano. O terminal tem 21,5 mil metros quadrados de área construída, mas o terreno como um todo tem 150 mil metros quadrados. O complexo rodoviário abrigava supermercado, clínica médica, lojas de roupa e de calçados, farmácia, praça de alimentação, lotérica, correio, ponto de informações turísticas e área verde.
Visto de cima, tem formato característico de um dodecágono irregular envolto por um anel composto por quatro alas laterais suavemente curvas. Tais seções possuem pé-direito duplo e simples, respectivamente. As alas laterais do anel repartiam espacialmente os principais pontos de circulação no terminal: entrada na lateral sul, plataforma de desembarque na lateral leste e plataformas de embarque nas laterais norte e oeste. O restaurante estava no centro do pavimento térreo, as bilheterias no mezanino, cujo acesso está restrito a somente três escadas de porte reduzido, e os sanitários, lojas e demais serviços na periferia do dodecágono, no térreo.
História Rodoviária da Sete Portas O equipamento situado em Pernambués veio em substituição ao primeiro terminal rodoviário de Salvador, que se localizava nas Sete Portas (rua Cônego Pereira), próxima ao centro de Salvador. A Rodoviária das Sete Portas foi erguida entre 1959 e 1961. Seu projeto arquitetônico começou a ser elaborado ainda em 1958 por Diógenes Rebouças e Assis Reis. Foi pioneira no emprego de estrutura em concreto protendido na Bahia.
Construção alt=Interior do terminal no fim de 2011|miniaturadaimagem|esquerda|Interior do terminal no fim de 2011 Dez anos depois de inaugurada a primeira rodoviária, foram iniciadas as obras da Estação Rodoviária Armando Viana de Castro. A construção do equipamento fez parte de um conjunto de ações na capital baiana que levaram a formação de novo centro urbano, à época, nos limites da zona urbana. Foram investimentos públicos e privados que concretizaram, na década de 1970, naquela região então periférica, a Avenida Paralela (já em 1971 aberta ao tráfego), o Centro Administrativo da Bahia (1972), os loteamentos do Caminho das Árvores (1973) e Itaigara (1976), o Shopping Center Iguatemi (1975). Assim o projeto elaborado em 1971 teve suas obras concluídas com inauguração no ano de 1974.
miniaturadaimagem|direita|Totem com símbolo da SINART na entrada Em outro aspecto, a Estação Rodoviária Armando Viana de Castro fez parte de uma série de edificações de estilo brutalista. Projetada pelo escritório Berbert & Peixoto Arquitetos Associados, que elaborou pouco tempo depois o Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite em Aracaju, compartilha o estilo arquitetônico com outros terminais baianos projetados e erguidos na década anterior (Feira de Santana, Itabuna e Jequié) e com o terminal da capital sergipana.
Concessão à SINART A Organização SINART ganhou a concessão do governo do estado da Bahia, sendo a mesma responsável pela sua construção e manutenção. O terminal foi novamente licitado pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (AGERBA) a partir do Contrato de Concessão n.º 10/2005 e também vencido pela SINART, sob o prazo de 10 anos com possibilidade de renovação por mais cinco. Uma vez já findados os dez anos da concessão, o contrato com a SINART foi prorrogado até outubro de 2017, com possibilidade de ser interrompido antes a depender do trâmite da licitação do novo terminal planejado para o bairro de Águas Claras.
Transferência para Águas Claras Em 20 de janeiro de 2026, o governo estadual transferiu o terminal rodoviário de Salvador para o bairro de Águas Claras, próximo à estação metroviária, à BR-324 e à Avenida 29 de Março. O antigo terminal operou até às 23h59 de 19 de janeiro. O terreno deve ser leiloado ou alienado. Em 2016, o governo estadual havia anunciado que o valor recebido da venda do terreno do terminal em Pernambués poderia servir de financiamento para, dentre outros, o projeto do VLT de Salvador e a construção de um novo centro de convenções em substituição àquele situado no STIEP.
Ver também Transportes da Bahia Terminal Rodoviário de Itabuna Terminal Rodoviário de Feira de Santana
Ligações externas
Sinart AGERBA
Salvador Categoria:Transportes de Salvador Categoria:Arquitetura brutalista no Brasil Categoria:Projetos arquitetônicos de Diógenes Rebouças Categoria:Infraestrutura de transporte terminada em 1974