Castela e Leão é uma comunidade autónoma espanhola, classificada como «comunidade histórica e cultural» no seu Estatuto de Autonomia. Estabelecida enquanto pré-autonomia, em 1978, e oficializada como comunidade autónoma em 1983, é, segundo o seu Estatuto de Autonomia, a moderna união do antigo Reino de Castela com o Reino de Leão.

Situada no norte da meseta da Península Ibérica, no noroeste de Espanha, é, em termos de área, a maior daquele país e uma das maiores divisões políticas subestatais da União Europeia, correspondendo-se maioritariamente com a parte espanhola da Bacia Hidrográfica do Douro. Compõe-se de nove províncias: Ávila, Burgos, Leão, Palência, Salamanca, Samora, Segóvia, Sória e Valladolid.

Já desde o início do debate federalista em Espanha, no século XIX (no decorrer da Primeira República),Artigo 1.º do Projeto de Constituição Federal da Primeira República Espanhola de 17 de julho de 1873.Investigaciones históricas. Valladolid. Secretariado de Publicaciones, Universidad de Valladolid, 1979. surgiram projetos de autonomia para uma região castelhano-leonesa, se bem que com a inclusão das atuais comunidades da Cantábria e a Rioja (Castela-a-Velha). O seu Estatuto de Autonomia declara no preâmbulo que

O Estatuto de Autonomia define uma série de valores essenciais e símbolos dos habitantes de Castela e Leão, como o seu património linguístico — aludindo às línguas castelhana, leonesa e galega — ou ao seu património histórico, artístico e natural. Entre os símbolos encontram-se o brasão, a bandeira, o pendão, o hino — apesar de não existir —, ao mesmo tempo que o dia 23 de abril foi definido como o Dia de Castela e Leão, em comemoração da derrota sofrida pelos exércitos das Comunidades de Vila e Terra castelhanas em Villalar durante a Guerra das Comunidades, em 1521.

É na comunidade que se encontra mais de 60% de todo o património (arquitetónico, artístico, cultural) existente em Espanha, o que se traduz em nove bens Património da Humanidade, quase 1800 bens de interesse cultural classificados, 112 conjuntos históricos, 400 museus, mais de 500 castelos, dos quais 16 considerados de alto valor histórico, 12 catedrais, 1 concatedral, e a maior concentração de arte românica do mundo.

Assim, os montes de Valsaín e as serras de Béjar e Francia, no sistema Central; os vales de Laciana, Omaña e Luna e os Picos da Europa e os Ancares, na cordilheira Cantábrica; e a Meseta Ibérica, na zona fronteiriça com Portugal, foram declarados reserva da biosfera pela UNESCO, a qual também reconhece o geoparque da Lora com esta figura de proteção. Para além disto, Castela e Leão está altamente relacionada com dois dos registos do Programa Memória do Mundo da UNESCO como são os Decreta das Cortes de Leão de 1188, cúria régia considerada o berço do parlamentarismo mundial pela própria instituição, e o Tratado de Tordesilhas.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística de 2016, o seu PIB per capita leva-a a situar-se no oitavo lugar do conjunto do Estado. Em 2007, o seu Índice de Desenvolvimento Humano era o quarto maior do país, e encontra-se acima de países como a França, Suécia, Países Baixos ou o Japão. O Índice de Desenvolvimento de Serviços Sociais coloca a comunidade como a terceira que melhor serviços oferece aos seus cidadãos, e a sua educação (de acordo com o relatório PISA de 2015), encabeça as pontuações em leitura e ciências.

Várias zonas da comunidade são de fala galega ou portuguesa, como é o caso do Bierzo, das Portelas, de Calabor, São Félix dos Galegos, a Fregeneda, Almedilha e, anteriormente, da Bouça.

História A comunidade autónoma de Castela e Leão é o resultado da união, em 1983, de nove províncias: as três que após a divisão territorial de 1833 (através da qual foram criadas as províncias), se adscreveram à Região de Leão e seis adscritas a Castela-a-Velha, excetuando neste último caso as províncias de Santander (atual Cantábria) e Logronho (atual Rioja).

No caso da Cantábria, foi defendida a criação de uma comunidade autónoma por motivos históricos, culturais e geográficos, enquanto que na Rioja o processo se tornou mais complexo devido à existência de três opções, fundamentadas todas elas tanto em motivos históricos como socioeconómicos: união com Castela e Leão, união a uma comunidade vasco-navarra ou criação de uma autonomia uniprovincial, opção esta apoiada pela maioria da sua população.

Geografia miniaturadaimagem|Mapa de relevo da comunidade autónoma

Localização Castela e Leão é uma comunidade autónoma situada no quadrante norte-ocidental da Península Ibérica. O seu território limita a norte com o Principado das Astúrias e com a Cantábria, bem como com o País Basco (Biscaia e Álava); a leste com a comunidade autónoma da Rioja e com Aragão (província de Saragoça), a sul com as comunidades de Madrid, Castela-Mancha (províncias de Toledo e Guadalaxara) e Estremadura (província de Cáceres) e a oeste com a Galiza (províncias de Lugo e Ourense) e Portugal.

Orografia miniaturadaimagem|O cume da Torre de Cerredo (La Torre Cerréu), situada na fronteira setentrional com o Principado das Astúrias, é o ponto mais alto da comunidade. A morfologia de Castela e Leão é formada, na sua maioria, pela Meseta e por uma cintura de relevos montanhosos. A Meseta é uma altiplanície de altitude média perto dos 800 msnm, coberta por materiais argilosos aí depositados que lhe conferem uma paisagem seca e árida.

Seguindo a morfologia da zona, é possível observar: A norte, as montanhas das províncias de Palência e Leão, com cumes altos e espigados, e as montanhas da província de Burgos, divididas em duas partes pelo desfiladeiro de Pancorbo, via de união entre o País Basco e Castela. Destas, a parte norte pertence à Cordilheira Cantábrica e atinge a cidade de Burgos. A zona este-sudeste, pertencente ao Sistema Ibérico. Na parte noroeste estendem-se as montanhas de Samora, com picos amesetados pela erosão. A leste, nas montanhas sorianas, pode ser observado o Sistema Ibérico, presidido pelo Moncayo, o seu cume mais alto. Separando a Meseta setentrional da meridional, a sul, levanta-se o Sistema Central, onde se encontram as serras de Gata, Francia, Béjar e Gredos na metade oeste, e as de Ávila, Guadarrama, Somosierra e Ayllón na metade este.

Geologia miniaturadaimagem|Pico de Almançor, situado no sul da comunidade. É a montanha mais alta da Serra de Gredos e do Sistema Central. A Meseta setentrional é constituída por leitos paleozoicos. No princípio do Mesozoico, finalizado o levantamento herciniano que elevou a atual Europa Central e a zona galaica de Espanha, os materiais depositados foram arrastados através da ação erosiva dos rios.

Durante o levantamento alpino, os materiais que formavam a Meseta sofreram fissuras através de múltiplos pontos. Desta fratura resultaram os montes de Leão, com montanhas de pouca altitude e, constituindo a espinha dorsal da Meseta, a Cordilheira Cantábrica e o Sistema Central, formados por materiais como o granito ou piçarras metamórficas.

O complexo cársico de Olho Guarenha, formado por 110 km de galerias e covas surgidas em materiais carbonáticos do Coniaciano, situadas sobre uma plataforma de margas impermeáveis, é o segundo maior da península.

Esta configuração geológica permitiu zonas de formação de nascentes de água minero-medicinal e/ou termal, aproveitados agora ou no passado, em lugares como Almeida de Sayago, Boñar, Calabor, Caldas de Luna, Castromonte, Cucho, Gejuelo del Barro, Morales de Campos, Valdelateja e Villarijo, entre outros.

Hidrografia

Bacia hidrográfica do Douro miniaturadaimagem|O rio Douro à sua passagem pela cidade de Samora. A principal rede hidrográfica de Castela e Leão é constituída pelo rio Douro e seus afluentes. Desde o seu nascimento nos Picos de Urbião, em Sória, até à sua foz na cidade do Porto, o Douro percorre 897 km. Do norte descendem o rio Pisuerga, o Valderaduey e o Esla, os seus afluentes mais caudalosos, e pelo leste, com menor quantidade de água nos seus caudais, destacam-se o Adaja e o Duratón. Depois de passar a cidade de Samora, o Douro encaixa-se entre os canhões do Parque Natural das Arribas do Douro/Parque Natural do Douro Internacional, na raia entre os dois países. Pela margem esquerda chegam importantes afluentes como o Tormes, o Huebra, o Águeda, o Coa e o Paiva, todos originários do Sistema Central. Pela direita, unem-se-lhe o Sabor, o Tua e o Tâmega, nascidos no maciço Galaico. Passada a zona das Arribas, o Douro dirige-se a oeste, continuando o seu percurso por Portugal até desembocar no Oceano Atlântico.

Outras bacias hidrográficas Vários rios da comunidade vertem as suas águas nas bacias do Ebro (em Palência, Burgos e Sória), do Minho-Sil (em Leão e Samora), do Tejo (em Ávila e Salamanca) e na bacia hidrográfica cantábrica nas províncias pelas quais se estende a Cordilheira Cantábrica. +Rios e pontos de passagemRioCapitalFozPontos de passagemAdajaÁvilaDouro em VillamarcielTordesilhas e ArévaloArlanzónBurgosRio Arlanza em Quintana del PuenteArlanzón e PampliegaBernesgaLeãoEslaRoblaCarriónPalênciaPisuerga em DueñasGuardo e Carrión de los CondesTormesSalamancaDouro em FermoselheEl Barco de Ávila, Guijuelo, Alva de Tormes e LedesmaEresmaSegóviaAdaja em MatapozuelosCocaDouroSória e SamoraOceano Atlântico no PortoAlmazán, Aranda do Douro, Tordesillas, Toro, Aldeiadávila da Ribeira e VilvestrePisuergaValladolidDouro em GériaAguilar de Campoo, Cervera de Pisuerga, Venta de Baños, Dueñas, Tariego de Cerrato e Simancas

Clima Castela e Leão possui um clima mediterrânico continentalizado, com invernos longos e frios e temperaturas médias de entre 3 ºC e 6 ºC em janeiro. As épocas de verão são curtas e cálidas (com médias de 19 ºC a 22 ºC), mas com os três ou quatro meses de aridez estival característicos do clima mediterrânico. A pluviosidade é escassa, com médias de 450–500 mm anuais, acentuando-se nas terras mais baixas.

Fatores climáticos Na comunidade autónoma, o frio estende-se de uma forma quase ininterrupta durante grande parte do ano, formando por isso um elemento característico do seu clima. Os períodos mais frios do inverno associam-se a invasões de uma frente polar continental e ao surgimento de ar ártico marinho, sendo comum que as temperaturas rondem os -5 ºC a -10 ºC. Assim, quando em presença de anticiclones, no interior da região persistem as névoas e situações de frio prolongadas por processos de radiação. São típicas as ondas de frio intenso dos meses centrais do inverno, que mostram uma particular tendência para o seu surgimento entre a segunda quinzena de dezembro e a primeira de fevereiro. É durante estas ondas que se produzem as temperaturas mínimas mais extremas, cujos valores variam entre os -10 ºC e -13 ºC no setor mais ocidental e entre os -15 ºC e -20 ºC nos planaltos centrais. Dentre os mais baixos registos contablilizados estão -22 ºC em Burgos, -21,9 ºC em Coca (Segóvia), -20,4 ºC em Ávila, -20 ºC em Salamanca e -19,2 ºC em Sória. A elevada altitude da Meseta e a sua orografia faz com que o contraste se acentue entre as temperaturas de inverno e de verão, bem como as do dia e da noite.

Devido à barreira montanhosa que rodeia Castela e Leão, os ventos marítimos são bloqueados, prevenindo assim as precipitações. É por isso que a pluviosidade é muito desigual no território da comunidade: enquanto que no centro da bacia hidrográfica do Douro se regista uma média anual de 450 mm, nas comarcas ocidentais dos montes de Leão, da Cordilheira Cantábrica e sul de Ávila e Salamanca as precipitações chegam aos 1 500 mm por ano, com um máximo de 3 400 mm anuais na zona ocidental da Serra de Gredos, no maciço de Candelário-Béjar, o que converte esta zona na mais pluviosa da Península Ibérica.

Regiões climáticas Apesar de Castela e Leão se enquadrar num clima continental, vários das suas áreas permitem distinguir outros domínios climáticos: