Tyrannosaurus (em português Tiranossauro) é um gênero de grandes dinossauros terópodes. A espécie-tipo do gênero é Tyrannosaurus rex, que ganhou o epíteto específico de rex, por ser o maior dinossauro carnívoro conhecido quando foi descoberto. Viveu na região onde hoje é a América do Norte, no antigo continente insular de Laramidia. Seus fósseis são encontrados em uma variedade de formações geológicas datando das últimas idades do Campaniano ao Maastrichtiano do período Cretáceo Superior, entre 73,2 a 66 milhões de anos atrás. Foi o último representante conhecido do grupo dos tiranossaurídeos e um dos últimos dinossauros não-avianos a existirem antes do evento de extinção Cretáceo-Paleogeno.

Assim como outros representantes da família Tyrannosauridae, o T. rex foi um carnívoro bípede com um crânio robusto balanceado por uma grande e musculosa cauda. Em relação à suas longas e musculosas pernas, seus braços eram extremamente curtos mas estranhamente fortes para seu tamanho, com duas garras em cada dedo. O espécime mais completo de T. rex poderia atingir cerca de 3,65 metros de altura e tinha cerca de 12 a 12,4 metros de comprimento. De acordo com estudos mais recentes e medidas conhecidas dos maiores espécimes encontrados, o Tyrannosaurus podia chegar em torno de 13 metros de comprimento, 3,7 a 4 metros em altura (no ombro) e ter pesado em torno de 8,8 a 10 toneladas. Embora outros terópodes podiam rivalizar ou até ultrapassar o T. rex em comprimento, foi um dos maiores predadores terrestres que já existiram, com a força de mordida sendo a mais forte entre todos os animais terrestres. De longe o maior predador em seu ambiente, o Tyrannosaurus rex era muito provavelmente um superpredador, predando hadrossauros e outros herbívoros como ceratopsianos, anquilossauros e, possivelmente, saurópodes. Muitos paleontólogos hoje acreditam que o Tyrannosaurus era tanto um predador ativo quanto um necrófago.

Espécimes conhecidos de T. rex incluem alguns nos quais o esqueleto é quase completo. Tecidos moles e proteínas foram registrados em pelo menos um desses espécimes. A abundância do material fóssil permitiu uma pesquisa significativa em vários aspectos de sua biologia, incluindo sua história de vida e biomecânica. Os hábitos alimentares, fisiologia e velocidade do Tyrannosaurus rex ainda são alguns tópicos de debate. Sua taxonomia pode ser um pouco controversa, já que alguns cientistas consideram o Tarbosaurus baatar da Ásia como sendo uma terceira espécie de Tyrannosaurus, enquanto outros mantêm Tarbosaurus como sendo um gênero separado. Vários outros gêneros de tiranossaurídeos norte-americanos foram sinonimizados com Tyrannosaurus. Atualmente, são consideradas válidas apenas duas espécies; a espécie-tipo T. rex e a espécie mais recente T. mcraeensis.

Sendo o arquétipo de dinossauro terópode, o Tyrannosaurus tem sido um dos dinossauros mais bem conhecidos desde o século XX e tem sido representado em filmes, propagandas, jogos, séries e em muitas outras mídias.

História científica Descobrimento e nomenclatura thumb|220px|right|A primeira ilustração de um Tiranossauro rex comparado a um homem, publicada em 1905, na época chamado de Dynamosaurus imperiosus. O descobrimento de quase todos os fósseis de tiranossauros está restrito à América do Norte; o primeiro achado referente a esta espécie aconteceu em 1874, quando foram encontrados, na cidade americana de Golden, dentes que, mais tarde, descobriu-se terem pertencido a um T. rex adulto. Em 1890, o pesquisador J. B. Hatcher coletou pedaços do crânio de um T. rex adulto no estado de Wyoming, mas a princípio acreditou que os ossos pertenciam a um Ornitomimo. Em 1892, o paleontólogo Edward Drinker Cope achou uma vértebra incompleta pertencente a uma espécie até então não documentada, e chamou essa nova espécie de Manospondylus gigas. Barnum Brown, funcionário do Museu Americano de História Natural, encontrou diferentes partes de um tiranossauro em 1900 também no Wyoming, mas então pensando ser outra nova espécie, o pesquisador o chamou de Dynamosaurus imperiosus.

Com o passar dos anos, as evidências mostraram que essas duas novas espécies encontradas eram iguais segundo a teoria de Henry Fairfield Osborn, que em 1915 remontou o primeiro fóssil do animal que ele chamou de Tiranossauro, o exibindo em público em 1917, mas devido as más condições do fóssil Manospondylus, não houve como provar totalmente que eles pertenciam a mesma raça. Osborn também criou o nome "Tyrannosaurus rex" para denominar um novo fóssil que ele mesmo tinha descoberto em suas escavações, e ao exibir publicamente as semelhanças entre seu fóssil e os outros dois antes descobertos, provou sua teoria de que os três pertenciam a mesma espécie, e nome Tyrannosaurus foi definitivamente adotado, com o nome Tyrannosaurus rex sendo escolhido para identificar a única espécie representante desse género, seguindo a proposta de Osborn.

O tópico sobre a nomenclatura dessa espécie voltou a ser debatido décadas mais tarde, quando, em 2001, o Instituto Black Hills desencravou vários ossos diferentes no território do estado americano de Dakota do Sul, e os pesquisadores originalmente pensaram que se tratavam de duas espécimes diferentes, e publicaram que uma delas tinha as características do Manospondylus de Edward Cope, e que isso poderia ser a prova de que essa era, de fato, uma nova espécie independente dos tiranossauros. No entanto, estudos posteriores provaram que todos os ossos pertenciam a um só animal, mas mesmo assim o debate sobre a nomenclatura oficial prosseguiu, pois os funcionários do Black Hills insistiam que segundo as regras do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN), o termo Manospondylus deveria ter preferência por ter sido criado antes, mas após a quarta conferência da ICZN, realizada em 1 de janeiro de 2001, ficou decidido que não deveria haver alteração alguma na nomenclatura, pois o termo Manospondylus não havia sido usado em nenhum tipo de trabalho ou pesquisa posterior a 1899, por isso o termo tiranossauro continuou sendo a designação da espécie, sendo também recusadas as propostas dos nomes Stygivenator e Dinotyrannus como nomes não oficiais.

Estudos e descobertas entre 1940 e 1990 Entre 1920 e 1940, dezenas de esqueletos de tiranossauros foram descobertos e remontados, e em 1942, no estado americano de Montana, foram descobertos restos de um animal chamado de Nanotyrannus, envolvido em um longo debate sobre sua espécie, pois enquanto alguns pesquisadores afirmam que ele se trata de um nova espécie de tiranossauro, a maior parte da comunidade científica afirma que os poucos fósseis desses serem se tratavam apenas de um T. rex de pouca idade, assim, não seria outra nova espécie.

Após essa fase fértil de descobertas, fósseis de tiranossauros tornaram-se raros, mas após o surgimento de técnicas de escavações mais eficientes, vários outros esqueletos foram encontrados e remontados. O primeiro T. rex reconstruído após 1980 foi apelidado de "Stan" em homenagem ao paleontólogo Stan Sacrison e foi encontrado perto da cidade americana de Buffalo, no estado de Dakota do Sul, após mais de trinta mil horas de escavação em 1987. Stan (cujo código científico é BHI 3033) está atualmente em exibição no Museu Black Hills de História Natural, onde foi colocado após uma grande turnê mundial, sendo que apenas cerca de sessenta e cinco por cento do corpo foi achado. thumb|220px|right|O T-rex Sue, em exposição no Museu Field de História Natural. Em 12 de agosto de 1990, Sue Hendrickson descobriu um novo fóssil na cidade de Faith, também na Dakota do Sul, e este foi apelidado de "Sue" (código FMNH PR2081) em homenagem a sua descobridora, sendo hoje o maior fóssil de T. rex encontrado e remontado, com mais de noventa por cento do corpo recuperado. Sue acabou sendo alvo de uma batalha judicial sobre quem era o dono dos restos, e os tribunais decidiram em favor de Maurice Williams, dono da Formação de Hell Creek, território onde os ossos foram encontrados, e Williams, posteriormente, vendeu o fóssil por sete milhões e seiscentos mil dólares para o Museu Field de História Natural, onde ele está em exibição atualmente. Os estudos feitos nos ossos indicaram que Sue atingiu seu maior tamanho aos dezenove anos de idade e morreu nove anos depois.

A primeira teoria foi a de que Sue teria morrido vítima de um mordida na parte superior da cabeça, provavelmente ocorrida durante uma batalha com outro T. rex, mas essa hipótese nunca pôde ser confirmada. Mais tarde surgiu a hipótese de que Sue morreu vítima de uma infecção parasitária contraída após a ingestão de carne podre, assim sua garganta inflamou e o animal não pôde mais se alimentar; essa hipótese é sustentada pelos traços de vermes fossilizados encontrados nos ossos do pescoço, os mesmos traços encontrados em animais que morrem vítimas da mesma infecção hoje em dia. Além de Sue, outros dois pequenos fósseis de T. rex foram encontrados no mesmo local, mas o estado dos ossos era péssimo e eles não puderam ser remontados.

Descobertas nos anos 2000 thumb|150px|right|O T. rex apelidado de Stan, em exposição no Museu Black Hills. No verão de 2000, o pesquisador Jack Horner encontrou cinco fósseis de tiranossauros na Reserva Fort Peck, no estado americano de Montana, e acreditou-se que o maior deles, apelidado de "C. rex", poderia ser maior do que o fóssil Sue, mas descobriu-se que o C. rex era, na verdade, dez por cento menor que Sue. Em 2001, cinquenta por cento dos ossos do fóssil de um T. rex foram encontrados em Montana por um grupo de pesquisadores do Museu Burpee de História Natural da cidade americana de Rockford, e a princípio acreditou-se que poderia ser um possível Nanotyrannus, mas descobriu-se posteriormente que esse exemplar também era apenas outro jovem T. rex. Esse espécime, apelidado de "Jane", está atualmente em exibição no Museu Burpee de Rockford.

Em março de 2005, através da revista Science, a pesquisadora Mary Higby Schweitzer e seus assistentes, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, anunciaram que haviam recuperado uma espécie de tecido mole extraído do tutano da pata de um fóssil de T. rex que havia vivido a cerca de sessenta e sete milhões de anos, e o espécime recebeu o código MOR 1125; além do tecido, também conseguiu-se extrair material pertencentes aos vasos sanguíneos. Os pesquisadores foram cuidadosos afirmando que não conheciam o processo de fossilização pela qual o material fora conservado, e também divulgaram que não havia modo de ter certeza de que ele pertencia de fato àquele T. rex, já que o material era semelhante ao DNA de avestruzes atuais. A falta de células em boas condições tornaram impossível o preciso reconhecimento da espécie a qual pertencia aquele material, mas hoje é consenso entre a comunidade científica que a amostra não poderia pertencer ao T. rex devido a diferença nas marcas de decomposição do material e dos ossos, indicando que suas idades seriam totalmente diferentes, e mesmo que a amostra pertencesse de fato a um T. rex ela não teria nenhuma utilidade devido a seu péssimo estado de conservação.

Em 7 de abril de 2006, pesquisadores da Universidade Estadual de Montana divulgaram que haviam remontado um crânio de T. rex encontrado em 1960 que tinha cerca de um metro e cinquenta centímetros de circunferência (alguns centímetros maior que o crânio de Sue), e que esse crânio também continha uma pequena quantidade de material celular fossilizado semelhante àquele documentado por Mary Higby Schweitzer, mas que o mal estado de conservação tornava impossível a especificação do animal dono do tutano em questão. Hoje em dia, há mais de trinta espécimes de tiranossauros documentados, quase todos sendo fósseis remontados em ótimas condições de conservamento.