As cidades invisíveis é um romance do escritor italiano Italo Calvino, publicado em 1972. Em suas 150 páginas, o autor usa linguagem estudada, que é moldada em um jogo combinatório.

A obra foi escrita no período em que o autor viveu em Paris, França, e, a princípio, detinha o formato de um diário com impressões e pensamentos de Calvino pela cidade.

Considerada a obra-prima de Calvino, o romance foi aclamado além da esfera literária, servindo de influência na arte e arquitetura.

Enredo Nesta obra, o autor apresenta as cidades e a memória, as cidades e o desejo, as cidades e as cidades delgadas, as cidades e as trocas e outras cidades. Apresentado em 150 páginas de magia, geometria, conceitos geográficos que se tornam símbolo complexo e inesgotável da existência humana. Cidades únicas por serem abordadas com leveza, multiplicidade, exatidão.

A analogia entre as viagens de Marco Polo ao Oriente e seus diálogos com o imperador dos tártaros Kublai Khan, criam uma ficção de interpretações atuais e vibrantes. As surpresas e ideias contidas nas entrelinhas fascinam a leitura, caracterizada por uma visão não apenas geométrica e racional do espaço urbano, mas intensamente subjetiva e reflexiva. As diversas cidades de nomenclatura feminina são assistidas por sua essência e indagações pertinentes às várias funções urbanas para a existência humana.

As estruturas facetadas e repetitivas dos textos estão em uma ordem que refuta a ideia de hierarquia, mas que fomenta uma malha pela qual se traçam múltiplos percursos e pela qual é possível extrair conclusões ramificadas, uma cidade é conectada a outra. Calvino concebe ao símbolo da cidade como labirinto do inconsciente que se contrapõe ao espaço concreto da realidade.

As cidades apresentam fragmentos de imagens, compondo o grande império Khan. Uma história surge dentro de outra, o que dá origem a uma leitura dinâmica.

Estrutura Ao longo de nove capítulos, Marco Polo descreve um total de 55 cidades, todas elas possuem nomes femininos. As cidades estão divididas em 11 grupos temáticos, cada um contendo 5 cidades.

Sob o olhar da área da Arquitetura e do Urbanismo, segundo o arquiteto Evandro Ziggiatti Monteiro, "para cada um dos onze grupos de cidades espalhadas pelo livro há uma questão central que liga e permeia a descrição das cidades de cada grupo, e há, ao mesmo tempo, uma senda individual para cada cidade, que é a forma como ela lida com aquela questão": “As cidades e o nome”: identidade e sentido de lugar “As cidades e a memória”: a presença do sítio e a influência do passado “As cidades e o desejo”: a motivação inconsciente e a ação sobre a memória “As cidades e os símbolos”: a linguagem da subconsciência coletiva e a imagem da cidade “As cidades delgadas”: a busca pelo desprender da terra, a negação da imobilidade “As cidades e as trocas”: as relações entre os habitantes “As cidades e os olhos”: a visão individual e os engodos “As cidades e os mortos”: engessamento, ciclo, fim de ciclo “As cidades ocultas”: a natureza humana e sua dualidade “As cidades contínuas”: antropofagia, destruição do meio “As Cidades e o Céu”: o ideal de perfeição e o cosmos

Há um rigor matemático na maneira em que os grupos temáticos são percorridos ao longo do livroFUX, Jacques. A matemática de Calvino, Roubaud, Borges e Perec. Rev. Let., São Paulo, v.50, n.2, p.285-306, jul./dez. 2010.FINO, Francisco Saraiva. ARAÚJO, João. As Cidades, Os Castelos e a Onda – Imagens, Diagramas e Metáforas entre Calvino, Escher e Bohr. Lisboa: Fim de Século, 2010, 152 pp. ISBN – 978-972-754-274-1. Niterói, n. 33, p. 341-346, 2. sem. 2012. (a mesma matriz é vista em outro arranjo na página 52 desta dissertação de mestrado).Disponível em: http://portal.unemat.br/media/files/Dissertacao_final-Luana%20Raquel%20da%20Silva%20Coimbra.pdf. Acesso em: 01-04-2023. A matriz a seguir mostra a ordem de aparição das cidades bem como o grupo a qual cada cidade pertence.

Capítulo Memórias Desejos Símbolos Delgadas Trocas Olhos Nomes Mortos Céu Contínuas Ocultas 1 Diomira Isidora Doroteia Zaíra Anastácia Tamara Zora Despina Zirma Isaura 2 Maurília Fedora Zoé Zenóbia Eufêmia 3 Zobeide Ipásia Armila Cloé Valdrada 4 Olívia Sofrônia Eutrópia Zemrude Aglaura 5 Otávia Ercília Bauci Leandra Melânia 6 Esmeraldina Fílide Pirra Adelma Eudóxia 7 Moriana Clarisse Eusápia Bersabeia Leônia 8 Irene Argia Tecla Trude Olinda 9 Laudômia Perínzia Procópia Raíssa Ândria Cecília Marósia Pentesileia Teodora Berenice

Em cada capítulo há uma seção de introdução e encerramento marcada por diálogos entre Khan e Marco e que funcionam como uma espécie de moldura. As descrições das cidades ocorrem entre essas seções.

Apresentadas nessa sequência gradual, as cidades, apesar de sempre extraordinárias e excepcionais, passam de perfeitamente estruturadas e sem contradições para uma dimensão artificial, repleta de angústias, de problemas ambientais e de contradições.

Prêmios O livro "As cidades invisíveis" recebeu do Prêmio Jabuti na categoria de Melhor "Produção Editorial Obra Coleção", no ano de 1993.

Ilustração Existem projetos de vários artistas ao redor do mundo que buscam ilustrar em imagens as cidades imaginadas por Ítalo Calvino e descritas em palavras no livro. Um deles é o da arquiteta Karina Puente, que pode ser visto no site ArchDaily;AD Editorial Team. "As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino ilustradas por Karina Puente. ArchDaily. Trad. Romullo Baratto. Publicado em 11 de Julho de 2020. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/805800/as-cidades-invisiveis-de-italo-calvino-ilustradas-por-karina-puente. Acesso em: 01-04-2023. e outro, do também arquiteto Evandro Ziggiatti Monteiro, disponível no site Vitruvius.

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